“Sei como o Dunga se sentia na Copa do Mundo”

 

Gustavo de Almeida logo confessa que ocupa um dos piores cargos de comunicação social do Rio de Janeiro: assessor de imprensa do comandante-geral da Polícia Militar. “Tem uma merda a cada dia,” diz ele, que vive com o celular “praticamente acoplado à pele”.

Jornalista veterano de 42 anos, Almeida chegou ao cargo há dez meses, e faz parte da nova era da Polícia Militar carioca, que se iniciou no primeiro mandato do atual governador, Sérgio Cabral. Antigamente, diz Almeida, a polícia avaliava o seu desempenho em termos de mortos, prisões e apreensões de drogas. Agora, o balanço se mede por “prosperidade, crescimento econômico, ruas cheias à noite, gente trabalhando normalmente, pessoas que moram em favelas com o direito de ir e vir”.

Esses itens são bem mais difíceis de quantificar do que quilos de maconha e números de bandidos mortos, mas Almeida parece gostar do que é difícil. E frequentemente suas dificuldades mexem com a natureza do ser humano. “Quando você tem um evento,” ele explica, “há dois tribunais. O tribunal formal da lei, da razão, onde você tem o direito à defesa e pode apelar uma decisão; e o tribunal da opinião pública, onde você não tem o direito à defesa. E a única defesa que você tem é o pedido de perdão.”

Pedir perdão foi o que o seu chefe, o comandante-coronel Mario Sérgio Duarte, fez depois da morte do menino Wesley Gilber Rodrigues em julho passado, vítima de bala perdida na sala de aula de uma escola pública. Antigamente, diz Almeida, a PM simplesmente declarava que o tiro não havia partido da Polícia Militar. Mesmo que a polícia não tenha culpa num caso desses (“o fim do mundo” nas palavras dele), acrescenta, tem sim responsabilidade.

Sob a direção do coronel Duarte, a Polícia Militar agora está voltada para uma comunicação profissional. Ele, que recentemente deu uma entrevista imperdível às páginas amarelas da revista Veja (resumida em inglês aqui), espaço mais lido da imprensa escrita brasileira, também entregou algumas tarefas de assessoria de imprensa a uma agência especializada, a FSB Comunicações.

E conta com Almeida, que tem o dom de resumir significados em poucas palavras.  Assim, as últimas deste post ficam com ele:

“A nova Assessoria de Imprensa da PM não cultua o hábito de ser ‘advogado’ da PM, nós somos gerentes da comunicação. Não temos o hábito de defender por defender, e sim analisar de que forma nosso funcionário agiu em defesa ou não do cidadão. E comunicar o que aconteceu, com uma análise de razões e as devidas providências.”

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American journalist, writer, editor who's lived in Rio de Janeiro almost 20 years.
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