Com licença, seus cariocas! / Make way, cariocas!

Um médico transplantado

O curitibano dr. Ricardo Sirigatti já rodou o mundo; estudou em Buenos Aires, trabalhou em Paris e conhece bem os Estados Unidos. Para morar e trabalhar — em um posto de saúde novo, na favela Pavão-Pavãozinho– escolheu o Rio de Janeiro. No fundo da foto acima, a horta que Ricardo plantou no jardim do posto, instalado numa casa.

Originally from the southern city of Curitiba, Dr. Ricardo Sirigatti has traveled widely; he went to school in Buenos Aires, worked in Paris and has been to the U.S. many times. He chose Rio de Janeiro to set up house and to find a job– in a new city health clinic, in the Pavão-Pavãozinho favela. In the above photo, Ricardo poses in front of the herb garden he planted in the clinic’s yard.


Saúde no Pavão-Pavãozinho

O posto de saúde atende 13 mil pessoas. Dos três médicos, cada um atende uma média de trezentos pacientes por mês. São muitos hipertensos– a maioria das pessoas tem açúcar e colesterol elevados. Outra queixa comum são as dermatoses, devido ao problema do lixo e às condições de higiene. Ricardo se surpreendeu com a incidência de sobrepeso nessa população. Imaginava que fossem todos magros, já que moram no morro e sobem muitas escadas.

The health clinic serves 13,000 people. Each of the three doctors treats an average of 300 patients a month. Many have high blood pressure– most people have high blood sugar and cholesterol. Another common complaint are skin ailments, due to poor sanitation and hygiene. Ricardo was surprised to find a large number of obese people in the population he serves. He thought they’d all be thin, since they live on a hill and deal with a great many stairs.


Um número crescente de forasteiros está chegando. Na primeira metade de 2010, 22.188 estrangeiros pediram visto de trabalho no Brasil, quase 20% a mais do que o mesmo período do ano anterior. Do total, 7.826, quase um terço, vêm para o Rio de Janeiro para trabalhar, no setor de petróleo e gás. Não há como quantificar a chegada de brasileiros de outros estados, mas quem mora aqui ouve cada vez mais um “tchê” daqui, um “meu” dali, um “trem” acolá. Pela primeira vez, o Rio recebe brasileiros de estados ricos, em vez de somente de áreas mais necessitadas.

O Rio já foi atração em outras épocas, antes de entrar num longo declínio a partir de 1960.  Com a chegada de veteranos da Guerra dos Canudos em 1897, a procura de salários atrasados, criou-se a primeira favela . Mais cedo, a partir do fim da escravidão em 1888, legiões de ex-escravos vieram à procura de emprego. Nas décadas de 1940 e 1950 houve outras ondas de migrantes rurais, muitos deles nordestinos fugindo da pobreza e das secas.  Qual é o Rio de Janeiro que os recém chegados procuram hoje?

A growing number of foreigners are arriving in Rio. In the first half of 2010, 22,188 foreigners requested work visas in Brazil, almost 20% more than in the same period of the previous year. Out of the total, 7,826, almost a third, come to Rio to work, in the gas and petroleum industries. It’s impossible to measure how many Brazilians are arriving from other states, but natives say they are hearing more and more accents from São Paulo, southern Brazil, and Minas Gerais. For the first time, Rio is the destination of Brazilians from rich states, in addition to those who come from poor areas.

Rio was once an attraction, before beginning a long decline in 1960. Veterans of the Canudos War came to Rio in 1897 seeking back pay, and created the city’s first favela. Before that, with the end of slavery in 1888, legions of former slaves came to the capital in search of jobs. In the 40s and 50s there were other waves of rural migration, with many Northeasterners fleeing poverty and drought. What is the Rio de Janeiro that the new arrivals seek today?



Apresentando o que o posto oferece à comunidade

Ricardo contou o seguinte ao Riorealblog:

“Vim ao Rio em busca do sonho de estar perto do mar, de viver em um Brasil completo, onde tem rico e pobre, praia e shopping, samba e fome, morro e asfalto, floresta e prédio, arte e miséria, crime e alegria, tudo junto e misturado de uma forma triste e ao mesmo tempo do jeito mais amplo e completo de ver um mundo chamado Brasil.
Vim de Curitiba, tendo vivenciado uma forma muito rica e organizada de saúde pública. Chegando aqui me surpreendi quando descobri como o ‘destino dos sonhos’ de tanta gente podia estar tão aquém de oferecer o mínimo necessário à sua população. Desde as mais básicas estruturas até os grandes complexos de atenção à saúde, passando pelos fluxos de encaminhamento e exames complementares, tudo, absolutamente comprometido pela falta de capacidade dos gestores de saúde, em priorizar urgências de forma correta. Investimentos feitos aleatoriamente, sem dar atenção necessária à atenção básica. No atual governo, existe esta preocupação; o problema é que precisam corrigir erros das gestões anteriores, e realmente têm muito por fazer. Isso, por outro lado, me traz muita vontade de trabalhar neste lugar, onde sei que farei a diferença. A
qui posso estimular as pessoas envolvidas neste processo, pois vi em outros lugares que pode-se melhorar. As pessoas precisam ter mais esperança no SUS, e as lideranças aprenderem a investir mais na atenção básica, pois os problemas de saúde não ocorrem por falta de dinheiro e sim por investimentos feitos de forma equivocada pelos gestores com pouca capacidade técnica em gerir saúde.”

Ricardo told his story to Riorealblog:

“I came to Rio following my dream of living close to the ocean, of living in a fuller Brazil, with rich and poor, beach and malls, samba and hunger, favelas on hills and the city on the asphalt, greenery and buildings, art and poverty, crime and happiness, all together and mixed up in a way that’s sad and at the same time a broader and more complete way of seeing the world called Brazil. I came from Curitiba, where public health is well-funded and very organized. When I got here I was surprised to find that the ‘dreamland’ of so many people could offer so much less than what people here need. Everything, from the most basic items to the most complex aspects of health care, including patient flow and medical test requests, is limited by the inability of health administrators to correctly prioritize emergency care. Investments have been made randomly, without the necessary attention to basic care. There is this attention in the current government; the problem is that they must correct previous administrative errors, and there really is a great deal to be done. On the other hand, this draws me to want to work here, where I know I can make a difference. Here, I can encourage the people involved in this process, since I’ve seen elsewhere that improvement is possible. People need to trust the SUS public health system more, and leaders need to learn to invest more in basic care, since health problems don’t occur due to lack of money, but due to badly allocated investments made by administrators with little technical capacity to run health programs.”

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About Rio real

American journalist, writer, editor who's lived in Rio de Janeiro for 20 years.
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