Cofres cariocas: nem tão cheios assim

Thinking legacy

Legado difícil para o sucessor? Eleições dia 2 de outubro de 2016

Muitas distrações, pouca atenção às nossas contas

Pouco menos de dois meses antes da eleição municipal seria, em teoria, um ótimo momento para escrutinizar as contas da cidade do Rio — sobretudo porque o candidato apoiado pelo prefeito atual, Pedro Paulo Carvalho Teixeira, foi o braço direito de Eduardo Paes pela maior parte de seus dois mandatos, lidando diariamente com os números do Rio.

Pouco caso se faz, porém, da grave e longeva crise previdenciária dos servidores municipais. Pelo contrário, as contas municipais ganham elogios.

Mês passado, o jornal O Globo publicou uma matéria que comparou, favoravelmente, a situação financeira do município com a do estado do Rio.

Em 2015 ambos perderam o status de “grau de investimento”, conferido pelas agências de rating. Conforme a matéria, porém, o município, por não depender de royalties de petróleo, estaria em condições menos penosas do que o estado como um todo.

A colunista Míriam Leitao publicou uma coluna fazendo um balanço positivo dos Jogos, citando o prefeito Eduardo Paes (que relatou números sobre a dívida municipal, diferentes daqueles publicados pela própria prefeitura, como o leitor verá, abaixo).

Tais matérias poderiam reforçar a imagem que muitos eleitores têm de Eduardo Paes, de bom administrador. De fato, ele saneou as finanças municipais no começo de seu primeiro mandato, de 2008-2012.

Ficou, porém, uma questão que paira, atualmente, sobre quase todos os governos no Brasil: a previdência. E aí, parece que as famosas palavras de Scarlett O’Hara, no filme “E o vento levou”, é que dominaram: Não posso pensar nisso agora. Enlouqueço se fizer isso. Vou pensar nisso amanhã. 

Não é bem assim

Quem ficou acordado até tarde de noite, semana passada, para assistir ao debate de alguns dos candidatos a prefeito, teve a chance de constatar que vários deles discordaram do Pedro Paulo, quando disse que as contas municipais estão equilibradas.

No começo do mês passado, a procuradoria do Tribunal de Contas do Município, o TCM, recomendou a rejeição das contas do Rio; de acordo com o site G1, o procurador José Ricardo Parreira de Castro “recomendou que as contas do prefeito fossem rejeitadas devido a um déficit de R$ 86 milhões, o que representa violação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O valor é equivalente a 0,32% do orçamento municipal, de cerca de R$ 30 bilhões. A recomendação irritou Paes, que acusou o procurador de agir pelo interesse de ocupar a cadeira que está vaga na Corte”.

Em meados de julho, o TCM acabou por aprovar, com unanimidade e sem ressalvas, as contas municipais de 2015. De acordo com O Globo, o relator, o conselheiro Antônio Carlos Flores de Morais, afirmara que o déficit não configura um problema diante da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Grande parte das receitas da prefeitura pagam inativos na previdência dos servidores

Acrescentou, porém, que havia preocupação com a situação previdenciária da cidade.

“Segundo [Morais]”, diz o Globo, “o Fundo de previdência do Rio (Funprevi) está em situação financeira delicada, já que apresentou déficit de R$ 445 milhões em 2015 e viu o caixa esvaziar: de 2011 até o ano passado, o volume de recursos disponível caiu de R$ 1,5 bilhão para R$ 264 milhões.

Ainda segundo o relator do processo,  o Funprevi não tem receitas suficientes para pagar as aposentadorias, que vêm sendo cobertas pelo Tesouro municipal. Atualmente, de acordo com Morais, 40% das receitas da prefeitura hoje vão para o pagamento de inativos.”

Pouca gente estuda as contas municipais. Sem sucesso, sua blogueira procurou algum acadêmico da área de finanças públicas, que estivesse acompanhando as contas da capital.

Portanto, RioRealblog pediu que o analista de planejamento e orçamento da Fiocruz, Claudio Rezende, fizesse uma análise das contas da cidade do Rio. A análise dele (publicada aqui) preocupa quem pensa além de saltos ornamentais, badminton ou nado sincronizado.

Claudio olhou as contas em geral, primeiro. Mais sobre o que ele encontrou, daqui a pouco. A pesquisa — que durou várias semanas e teve que lidar com uma frustrante falta de transparência (O município do Rio de Janeiro não está entre os piores, no ranking de transparência elaborado pelo Ministério Público Federal. Entre as capitais, está em sexto lugar. Consta entre os vinte melhores municípios do estado, em sétimo lugar. O ranking se baseia em 16 ítens.) — foi aprofundando, até o ponto de encontrar, além dos números, as estarrecedoras atas do conselho do Funprevi.

Saúde atuarial

Os conselheiros do fundo se preocupam, há anos, com a saúde atuarial dele, conforme atas de suas reuniões. Como acontece na área previdência em geral no Brasil, existe uma questão básica: com uma população que envelhece, os descontos de folha atuais são suficientes (investidos de forma sensata) para pagar um crescente grupo de aposentados?

De 2008 a 2010, de acordo com nossas pesquisas, não houve apuração do resultado atuarial do Funprevi, porque a assessoria externa contratada não fez o levantamento. Enquanto isso, o déficit atuarial foi aumentando, de R$ 485 milhões em 2011 para R$ 650 milhões em 2012, R$ 944 milhões em 2013. Em 2014, o último ano em que foi apurado, chegou a R$ 3,241 bilhões.

Déficit atuarial é quanto falta, em ativos, se um fundo tivesse que arcar com todas suas obrigações, inclusive as do futuro.  Trabalhar com um déficit atuarial não quer dizer que um fundo já vai a falência, mas é importante fazer esse cálculo, sempre, para assegurar aos servidores que seus depósitos no fundo estão sendo bem cuidados e que as obrigações serão plenamente cumpridas.

O Funprevi, aparentemente, não foi bem cuidado. Tanto que o Tribunal de  Contas Municipal pediu uma auditoria, ao aprovar, enfim as contas de 2015.

Em 2008 teve superávit orçamentário de R$ 26 milhões e resultado patrimonial positivo de R$ 61 milhões. Em 2015, sete anos mais tarde, fechou com déficit orçamentário de R$ 582 milhões e resultado patrimonial negativo de R$ 507 milhões.

Tentativa de capitalizar o Funprevi

O Banco Mundial se preocupou com a situação, quando assinou um empréstimo US$ 1,045 bilhão para a cidade, em 2010. Parte dos recursos dependia de uma reforma fiscal; o banco, segundo relatos na imprensa, reteve o segundo desembolso mas, de acordo com uma fonte que participou das negociações na época, o Funprevi não entrou nos termos finais do empréstimo.

Em 2011, o vereador Paulo Messina, do PROS, escreveu um longo post detalhando as falhas na tentativa que da prefeitura para capitalizar o Funprevi. O detalhe mais marcante, que consta também de documentos da própria prefeitura (comentado também por Eduardo Paes na recente matéria do Globo), é que os imóveis que a prefeitura transferiu para o fundo não estão tão líquidos como poderia ter se pensado.

Claudio viu, na página 869 das prestações de contas de 2015, que os contratos de “cessão onerosa” (uma espécie de aluguel de imóveis pertencentes à prefeitura) não estão sendo pagos. Diz ele: “O Centro de Convenções deve de dezembro de 2008 a dezembro de 2014 R$ 9,67 milhões, as quadras 14A e 14B acumulam dívida de R$ 47,58 milhões de fevereiro de 2012 a dezembro de2014 e o Termo de Permuta nº 94 entre o Funprevi 27/05/2014 e diversos imóveis acumula dívida de cerca de R$ 250 mil, de maio de 2014 a dezembro de 2014”.

No fim de 2015, uma ata do conselho do Funprevi demonstra a gravidade da situação: “Mais uma vez o conselho ressalta a urgência de um novo plano de capitalização do FUNPREVI, bem como o início dos repasses dos recursos relativos aos Recebíveis dos Royalties de Petróleo, conforme já registrado na Ata da 3a Reunião Extraordinária, ocorrida em 26/11/2015.

De acordo com documentos da prefeitura, o fundo em 2014 possuía 174.376 participantes, sendo 100.443 ativos, 61.317 aposentados e 12.616 pensionistas.

Quem vigia os vigias? TCM

O Tribunal de Contas do Município ocupa um epaço cinza na estrutura governamental da cidade. Conta atualmente com seis conselheiros e mais uma cadeira vazia, contestada judicialmente faz um ano. Alguns conselheiros são nomeados pelo prefeito e alguns, pela Câmara dos Vereadores. Mas há controvérsia sobre o direito de nomear quem deveria ocupar a cadeira vazia.

Sem resolução da vaga, e com acusações de politicagem no TCM, por parte do prefeito, fica claro que o sistema de pesos e contrapesos entre os diferentes braços de governo não assegura a proteção dos direitos dos cidadões nem o cumprimento dos deveres da prefeitura.

Receitas caindo, dívida aumentando

E agora, vamos às contas da prefeitura em geral, fora a previdência.

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Houve uma mudança significativa, diz Claudio.

“De 2008 a 2013, a expansão dos investimentos na cidade era financiada, em geral, por receitas próprias, não financeiras (o termo é ‘poupança corrente’)”, Claudio escreveu num email ao blog. “A partir de 2014, começou a mudar. Os recursos provenientes de operações de crédito (ou seja, dívidas) passaram a ser a principal fonte de financiamento dos investimentos. Essa porção pode chegar a 10% das receitas primárias, ao final do exercício de 2016 —  o que iria constituir o maior nível da série histórica”.

Claudio diz que, enquanto o endividamento cresceu, para financiar os investimentos na cidade, as receitas próprias, a “poupança corrente”, têm caído.

“A poupança corrente, que em 2010 era equivalente a 25,5% das receitas primárias” ele escreveu, “poderá fechar 2016 no menor nível da série histórica: 4,2%”.

Como foi que as receitas próprias, como proporção das receitas primárias, cairam tanto? Diz o Claudio:

  • A principal fonte de receitas, o Imposto Sobre Serviços (ISS), teve queda de 3,21% (R$ 167 milhões) de 2014 para 2015, considerada a inflação do período (IPCA). Tendo em vista os dados do Relatório Resumido de Execução Orçamentária do 3º bimestre do atual exercício, a estimativa é de que a queda na arrecadação continue e possa ultrapassar os R$ 602 milhões (-10,2%) até o final de 2016.
  • Outra fonte de receitas, o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), não acompanhou o boom imobiliário. Nos anos 1990, o peso do IPTU nas receitas municipais era igual ao do ISS. Depois, caiu. De 2014 para 2015 a receita do IPTU teve queda de 8,24% (R$ 182 milhões), considerada a inflação do período (IPCA). Pelos dados do Relatório Resumido de Execução Orçamentária do 3º bimestre do atual exercício, a queda em 2016 poderá chegar em R$ 458 milhões (-20,7%).
  • O município do Rio recebe transferências do governo federal e estadual, pelo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços(ICMS), o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação(Fundeb). De 2014 para 2015 as receitas de transferências intergovernamentais tiveram queda de 9,19% (R$ 696 milhões) considerada a inflação do período (IPCA). Pelos dados do Relatório Resumido de Execução Orçamentária do 3º bimestre do atual exercício, a estimativa é de queda de R$ 227 milhões (-3,0%) para 2016.

A dívida do Rio, com o governo federal e com entidades multilaterais (em moeda estrangeira), vem crescendo. Foi alongada, uma prática aconselhável, mas será cobrada.

Quanto é a dívida?

Claudio explicou ao blog que não é fácil quantificar essa dívida, por causa de mecanismos contábeis que permitem aumentar a dívida bruta sem afetar o resultado primário e a dívida líquida. Esses são os indicadores acompanhados pela fiscalização imposta na Lei de Responsabilidade Fiscal. 

O fato é que a dívida bruta dobrou de 2009 para 2015, de R$ 7,9 bilhões para R$ 16,2 bilhões em valores nominais. Para 2016, a estimativa oficial é que a dívida recue em torno de R$ 6 bilhões por conta de um desconto previsto pela Lei Complementar nº 148/2014, que trata da relação financeira entre o Rio e o governo federal– mas o município ainda não assinou o acordo que rege o desconto.

Pelo que conseguimos averigar, a dívida previdenciária não faz parte do cálculo da equipe da Secretaria Municipal de Fazenda.

O prefeito Eduardo Paes tem orgulho da saúde fiscal que ele diz ter promovido durante seus dois mandatos. De fato, o município não está quebrado, enquanto o estado do Rio de Janeiro teve que pedir reforços financeiros ao governo federal, apenas para pagar funcionários públicos, como policiais. A capital contará com um aumento breve de receita pelo ISS, em função dos gastos de visitantes durante os Jogos.

É claro, porém, que o município não é blindada à crise econômica. O governo federal tem seus próprios problemas fiscais  — e menos motivo para repassar recursos, agora que chegamos ao fim da fase de preparativos olímpicos.

Eduardo Paes sofreu bastante, até fisicamente, nos últimos meses, com as pressões dos Jogos e da cidade em geral. É de se prever, conforme a análise do Claudio, que seu sucessor também irá passar por graves apertos. Além do aumento nas expectativas por parte dos cidadãos, em função das transformações implementadas pela administração de Paes, o prefeito do mandato 2016-2020 terá que lidar com sérias questões financeiras. Um  único consolo: não será o único político brasileiro a passar por isso.

A prefeitura não atendeu aos pedidos do RioRealblog, para um posicionamento sobre as contas municipais. Um retorno ainda seria bem vindo.

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Foi bom para o Rio? Jogos Olímpicos

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Arte pública no recém inaugurado hotel, 55 Rio, na Lapa: parte de um retrofit revolucinário no centro da cidade

Não, sim e talvez

É cedo demais para dizer, é claro. Partes do legado olímpico, a mobilidade, nem estão prontas ou operando plenamente. Portanto, meu talvez.

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Sua blogueira tem ouvido bastante a pergunta do título deste post e, apesar de ter lidado bastante com o assunto (fique à vontade para dar uma pesquisada, utilizando palavras-chave), a hora é boa para um resumo rápido.

Os Jogos Olímpicos coroam uma série de mega eventos aqui sediados desde 2012, com a intenção de colocar o Rio de Janeiro no mapa global. Os eventos mexeram com uma passividade antiga, a sensação de que não dava para melhorar a metrópole, assolada pela pobreza, a violência e a política tradicional — de territórios, favores e centros sociais. Aumentou a expectativa. Aqui reside meu sim.

Já escrevi que esse “branding“, objetivo dos mega eventos, não era necessário para nossa extraordinária metrópole. Teria sido mais útil olhar para dentro, diretamente aos nossos problemas, em vez de olhar para fora, para o nosso relacionamento com o resto do mundo.

O legado da mobilidade esquivou da desigualdade, semente de todos os problemas do Rio. Sim, há melhorias, as viagens são mais curtas. O legado, porém, centrou-se na Zona Oeste, onde fica o Parque Olímpico, contribuindo ao custoso espraiamento urbano, favorecendo empreiteiras e empreendimentos imobiliários direcionados às classes mais altas. Deixou a Zona Norte bastante carente de mobilidade, enquanto moradores da Zona Oeste ainda precisam atravessar grandes distâncias para chegar no trabalho.

Também permitiu que a cidade relegasse ao segundo plano a promessa de urbanizar todas as favelas até 2025 — o que, mesmo que a promessa tivesse sido até hoje parcialmente cumprida, teria sido uma façanha. A prefeitura também deixou de incluir a moradia no plano do Porto Maravilha, que teria encurtado muitas viagens trabalho-casa e contribuído à vitalidade da região.

A desigualdade criou e perpetua um sistema duplo aqui, pelo qual os brasileiros de renda maior dirigem carros, contam com planos de saúde, colocam os filhos em colégios particulares e empregam seguranças particulares — enquanto os brasileiros de renda menor utilizam transporte público, dependem do sistema público de saúde e escolar e arriscam a vida no meio dos tiroteios entre policiais e traficantes (por exemplo), atracados na Guerra às Drogas, uma guerra sem saída.

O sistema é tão enraizado que quem é daqui tem dificuldade em percebê-lo. O prefeito Eduardo Paes já falou, despreocupadamente, que tem a sorte de não ter que enviar os filhos para uma escola pública. Veja a localização da estação de BRT perto da Vila Olímpica, que deve se tornar um valorizado empreendimento imobiliário após os Jogos: é para as empregadas domésticas, seguranças e outros funcionários. Os moradores terão seus carros na garagem.

Não é exclusivamente um problema brasileiro, a desigualde– e é tão delicada e perigosa aqui como na Venezuela, o Reino Unido ou os Estados Unidos. Trata-se do contexto no qual os Jogos Olímpicos se inserem, e explica o motivo pelo qual parte de minha resposta é não. Tente só realizar uma transformação urbana, gerada por mega evento, no meio de uma democracia enviesada. Vai acabar por remover moradores de favela para “limpar” a vizinhança — sendo que, ironicamente, o charme do Rio vem justamente de nossa mistura de classes, raças e culturas.

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Have the Olympics been good for Rio?

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Wall art at the just-opened 55 Rio hotel, in Lapa: part of a revolutionary downtown retrofit

No, yes, and maybe

Of course it’s too early to know. Parts of the Olympic transportation legacy aren’t even ready, or fully operating. Thus the maybe.

This blogger keeps getting asked the question in the post’s title and although previous posts have certainly addressed it (feel free to rummage around, using keywords), the time is ripe for a quick summing-up.

The Olympics crown a series of mega-events hosted here since 2012, meant to put Rio on the map. The events challenged decades-old passivity, a sense that not much could be done to improve the metropolis, assailed as it was by poverty, violence and old-fashioned fiefdom politics. Expectations rose. This is the yes part.

I’ve made the argument before that such “branding” by way of mega-events wasn’t necessary for this unusual metropolis. It would have been more useful to look inward– straight at our problems — rather than look outward, at Rio’s relationship with the rest of the world.

The transportation legacy sidestepped the inequality at the heart of Rio’s problems. Yes, there is improvement, commutes have shortened. But the legacy focused on the West Zone, where the Olympic Park is located, contributing to costly urban sprawl, favoring upscale real estate developers and construction companies. It left the working-class North Zone still transportation-needy, while low-income West Zone residents must still travel long distances to jobs.

It also allowed the city to back-burner a promise to upgrade all informal favela housing by 2025 — which, even partly completed by now, would have been an impressive feat. The city also failed to include housing in the port revitalization plan, which would have eased transportation demand and lent lasting vibrancy to the area.

Inequality led to, and is perpetuated by, a two-tier system here, where better-off Brazilians drive cars, use private healthcare, send their children to private schools and hire security guards — while less well-off Brazilians take public transportation, depend on public healthcare and schools, and risk their lives as police and drug traffickers shoot at each other (for example) in the dead-end War on Drugs.

The system is so entrenched that locals tend to be blind to it. Mayor Eduardo Paes has blithely said he’s lucky his children don’t have to attend public school. Look at the placement of the BRT (dedicated articulated bus lane) station close to the Olympic Village, which is meant to become an upscale residential development after the Games, and you’ll see it’s for the maids, guards and other service personnel, not residents. For these, there’s parking.

Inequality is by no means a uniquely Brazilian problem, and it’s just as tricky and dangerous here as in Venezuela, the UK or the United States. But it is what the Olympics dropped down into, and it explains why part of my answer is no. Try to effect mega-event-engendered urban transformation in the midst of a skewed democracy and what you end up doing is removing favela residents to “clean up” the neighborhood — when Rio’s mix of classes, races and cultures is a central facet of its attraction to begin with.

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Clarity for Rio’s future, despite short funds and political uncertainty

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Lapa has seen big change

Despite everything — even sudden Olympic days off — lots of people are thinking about Rio de Janeiro’s future these days, exactly two months before municipal elections.

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Moving around the metropolis in recent weeks, this blogger noted three certainties that will attend the future, regardless of who is elected or how much the budget is:

1) Rio is and can be a better place. Obvious– but it wasn’t up to 2009, when we began a brief turnaround, after 40 years of decadence. There’s new life in the city. Complaints are heard about the Olympic legacy, transportation. We have yet to see the real impact of the Metro extension, 4 BRTs (dedicated articulated bus lanes), the VLT trams, the Joá elevated highway expansion, SuperVia train improvements, the bus rationalization, the elevated Perimetral demolition and the tunnels that replaced it.

Even for those who appreciate none of this or think it falls short, the idea itself of a turnaround is new in Rio. No more shrugging off problems.

2) Public policy, particularly in regard to transportation, environment and public safety, demand a metropolitan approach. No longer can officials turn their backs on responsibilities because they belong to another level of government. Leadership will be necessary, collaboration too. Society will pressure those who don’t get this. The new Câmara de Integração Metropolitana (Metropolitan Integration Chamber) created by order of the Supreme Court, will guide this new phase.

3) Public policies will have to be custom-made for each territory in the metropolis. Before, the complexity of neighborhoods and favelas were a barrier to public policymakers, strengthening the simplicity of welfarism.

Today, with more precise and useful data now available, the ability to crowdsource local information and the growing complexity and richness of social media, across-the-board public policies are no longer acceptable. In addition, highly-connected citizens, especially youth, are ever more likely to engage in dialogue with politicians and public servants.

In the last decade in Rio de Janeiro we’ve had joy and disappointment. Nothing was as easy as we thought it would be. Lucky for us, learning comes of experience, with lessons that can contribute to the greater good in coming years.

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Claridade para o futuro do Rio, apesar de recursos apertados e incerteza política

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Lapa, hoje com outra cara

Apesar de tudo — repentinos feriados olímpicos até — há muita gente pensando o futuro do Rio de Janeiro nestes dias, exatos dois meses antes das eleições municipais.

Ao circular pela metrópole nas últimas semanas, sua blogueira constatou três certezas que irão orientar o futuro, não importa quem seja eleito nem quanto será o orçamento:

1) O Rio é e pode ser um lugar melhor. Óbvio– mas não era, até 2009, quando começamos uma breve virada, após uns 40 anos de decadência. Há nova vida no centro da cidade. Ouve-se muitas reclamações sobre o legado olímpico, a mobilidade. Falta saber o real impacto, daqui a um tempo, da extensão do Metrô, 4 BRTs, o VLT , a duplicação do elevado do Joá, melhoras na SuperVia, a racionalização dos ônibus, a derrubada da Perimetral e os túneis que a substituiram.

Mesmo para quem não goste de nada disso ou não ache suficiente, a ideia de virada em si é nova no Rio. Acabou a acomodação.

2) As políticas públicas, sobretudo nas áreas de mobilidade, meio ambiente e segurança pública, precisam ter um enfoque metropolitano. Não dá mais se eximir de reponsabilidades por serem de outra esfera de governo. Será necessário a liderança, o trabalho em conjunto. A sociedade irá pressionar quem não entenda disso. A nova Câmara de Integração Metropolitana, criada a mando do Supremo Tribunal de Justiça, irá guiar essa nova etapa.

3) As políticas públicas terão que ser customizadas para cada terrítorio da metrópole. Antes, a complexidade de bairros e favelas era uma barreira para quem desenhasse políticas públicas, fortalecendo o a simplicidade do assistencialismo.

Hoje em dia, com a disponibilidade de dados oficiais mais confiáveis e úteis, com a capacidade de juntar informações vindas de fontes no local (crowdsourcing) e a crescente complexidade e riqueza de redes sociais, não é mais aceitável implementar políticas públicas uniformes. Além disso, os cidadãos, sobretudo os jovens, conectados entre si, são cada vez mais propensos a dialogar com políticos e servidores públicos.

Tivemos alegrias e decepções na última década, no Rio de Janeiro. Nada foi tão fácil como pensávamos que seria. Bom saber que a experiência traz aprendizagem — liçoes que possam contribuir para os anos vindouros.

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Podcast – in English- on the “thin democracy” underlying Rio Olympics

 

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Your blogger, on a visit to the Metro extension construction site last year

Council of the Americas multimedia manager Luisa Leme recently interviewed your blogger, and here is the 18-minute result. You can hear about how the current situation in Rio fits into the national panorama. In other words, how we got to where we are, with some not-so-pessimistic light on the future.

While you listen, take a look at pictures from yesterday’s launch of the Agenda Rio 2017, presented to Rio mayoral and city council candidates, with a packed crowd at the Teatro Rival. The election is in October, on the heels of the Paralympic Games. To what degree will Rio work to reduce its social inequality, over the next four years?

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Impressive roundup of some of the city’s key activists and organizers, at the Teatro Rival

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Rede mayoral candidate, Alessandro Molon

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Jardim Gramacho community organizer

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José Marcelo Zacchi, director of the Casa Fluminense, which put together the metropolitan Agenda Rio 2017. Candidates were asked to commit to it.

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PSDB mayoral candidate, Carlos Osório

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PSOL mayoral candidate Marcelo Freixo, with his vice-mayoral candidate, Luciana Boiteux

 

 

 

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The promise of data: will it contribute to metro Rio?

Mapa de Instagram, num dia em Barcelona: os dados revelam nossas preferências

Map of Instagram posts in Barcelona: the data quickly reveal what we prefer

What if the city had asked bus passengers to download an app so it could keep tabs on their commutes for a short period of time? That way, we might have gotten a more realistic bus rationalization scheme, instead of the problematic one we have now.

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The technology already exists to collect such data; but the policy, as well as the politics for it, have yet to come together. (According to a blog source who worked on the bus rationalization, it was based on data collected by researchers riding buses, counting how many people got on and off at each stop. There was no data collection regarding entire trips, from start to finish. It could be that incomplete data partially accounts for the fact that so many passengers now complain about service.)

A conversation with Willy Müller, a Barcelona-based Argentine architect, prompts the imagination. How about using a map of Instagram posts to think about the flow of tourists, and how best to meet their wants and needs? Or mapping food sources and transportation routes to determine real costs, and then encourage urban agriculture?

A Rio Branco, hoje, sem carros: a desprogramação das cidades

Rio Branco Avenue today, with a line of passengers waiting for a quiet tram, instead of noisy cars and buses: “deprogramming” cities

“Why doesn’t the city create its own Uber?” Müller asks in an interview with RioRealblog, recalling the disputes arising over the transportation service that relies on the growing use of smartphones.

Such ideas are the product of two new features of our era, says the Barcelona Urban Sciences Lab director and co-founder of the Institute of Advanced Architecture in Catalunya (IAAC): velocity and preferences. Smartphones quickly allow us to tally the choices of a large number of people. We must act fast, he says, to create and implement public policy. We need to plan in anticipation of events. For example, Müller points out, we know the planet is heating up and the oceans are rising. What’s Rio de Janeiro doing about it?

He urges us to “deprogram” cities, changing infrastructure so cities can transform.

Müller, who helped plan our Porto Maravilha port revitalization, spoke Wednesday to the 110 councilors of the new Consultative Council of the Modelar a Metrópole (Modeling the Metropolis) process. Made up of representatives from public institutions, civil society, concessions, businesses and trade associations, the Council is part of a long and complex process of listening and reflection (by way of twelve workshops), to come up with a strategic plan for the Rio metro region.

Spearheading this process is the Quanta-Lerner consortium, which won a bid put out by the newly-constituted Câmara de Integração Metropolitana (Metropolitan Integration Chamber). The Rio state legislature has yet to vote on the bill to officially create the Chamber.

Other speakers at Wednesday’s meeting included the Chamber’s executive director, Vicente Loureiro, urbanist Jaime Lerner and the Plan’s technical coordinator, Alexandre Weber.

This new data abundance speeds up urban life but doesn’t mean automatic bliss, Müller notes. Smart cities can both repress and liberate citizens.

People, not technology, are responsible for public policy — in metro Rio, just as elsewhere. Asked how technology can contribute to politics, especially in a context of corruption and social inequality, Müller brought onto his computer screen the famous photo of a protesting crowd at the Puerta del Sol square in Madrid, in 2011. “It was organized using social media,” he answered. “In a matter of hours.”

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