O estado de joelhos; o cidadão em pé

Audiência pública sobre invasão policial de casas no Complexo do Alemão revela incapacidade de servir e proteger o cidadão

A mesa

O livro novo do sociólogo e cientista político, Sérgio Abranches, A era do imprevisto, é teórico, cheio de conceitos abstratos. As dificuldades do leitor somem, porém, num momento como o de hoje, no meio de uma barulhenta audiência pública na Defensoria Pública estadual.

Abranches descreve nossa era de transição — socioestrutural, científica e tecnológia e climática, com esses três vertentes constantemente se encontrando como se fossem três ondas. Ele explica que o vazio que sentimos, o desespero, a desconfiança, a falta de caminho e comando — tudo isso advém do fato de estarmos transitando entre um conhecido passado firme e um futuro quase que inteiramente desconhecida.

Isso foi mais do que evidente no auditório da Defensoria Pública.

Havia por volta de trinta policiais militares sentados juntos, nas cadeiras enfileiradas, inclusive o comandante da UPP Nova Brasília, no Complexo do Alemão, Leonardo Zuma — a pessoa que, há semanas, mandou invadir algumas casas para que seus homens se protegessem de ataques de traficantes. Na mesa à frente, o subcoordenador de Polícia Pacificadora, tenente-coronel Marcos Borges. Ele fez uma explicação pelas invasões e uma promessa— recebidas com vaias fortes.

Do lado de fora, o comandante Zuma explica a invasão aos jornalistas

Mas quem falava pela Secretaria estadual de Segurança Pública, responsável pela política pública de Guerra às Drogas, por trás da violência que mata mais gente (policiais e moradores) com cada dia que passa, era uma sorridente mulher que está apenas dez dias no cargo de subsecretaria de educação, valorização e prevenção, a policial federal Helena Rezende.

Depois de ouvir uma também recém chegada representante, da secretária municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, cujo nome sua blogueira não captou (a mulher utilizou seus cinco minutos para relatar, de forma detalhada, a história de uma vítima de estupro que precisou ser removida de um hospital que ficava perto demais da pessoa que a atacara, mas havia faltado um carro, que foi, graças a ela, providenciado), dá para imaginar quantos homens brasileiros ficam inventando secretarias para juntar assuntos irritantes, para então equipá-las com pessoas de ótimas intenções e pouco poder.

Não estava presente nenhuma autoridade maior da Secretaria estadual de Segurança. Faltaram também — foram convidados — os secretários estaduais de Cultura e de Educação, apesar de vários espaços educativos e de cultura terem sido abandonados no Alemão, de acordo com moradores. Mariluce Souza, que dá aulas de arte para crianças, conta que as constantes faltas de alunos da rede pública, por causa de tiroteios, resultam em perda de vaga– sobretudo em creches.

Essa não é a primeira audiência pública para falar dos problemas no Alemão. Houve uma no proprio local, dois anos atrás — quando também aconteceu um bem moderado diálogo entre moradores, ativistas e policiais. A morte do menino Eduardo foi o estopim, na época.

Hoje, com níveis de violência maiores, o teleférico parado e policiais com salários em atraso, a tensão fica quase insuportável: “Não vamos denunciar a polícia para a polícia! A polícia não investiga a polícia!” berrou o ativista e morador Raull Santiago, em resposta à oferta do tenente-coronel Marcos Borges para ouvir qualquer denúncia ou reclamação.

Diálogo não houve. Enquanto a Defensoria e a ONG Anistia Internacional classificaram as invasões das casas como inconstitucionais e portanto, ilegais, a polícia dizia ter precisado dos locais para se abrigarem enquanto uma base blindada não chegasse. A base chegou hoje; daí veio a promessa de sair das casas amanhã.

Ovo ou galinha?

Enquanto a polícia dizia que as casas eram abandonas e, assim, livres para sua utilização, moradores diziam ter tido que abandonar as casas por causa dos tiroteios, que objetos seus foram danificados. Queriam indenização.

Teresinha, mãe do menino Eduardo, morto há dois anos na porta de casa enquanto brincava com um celular, teve sua vez ao microfone. Seguiu-se um foz de Iguaçu de sentimentos e reflexões sobre sua tragédia, infelizmente compartilhada por muitos familiares nas favelas do Rio. “Eu não acredito na polícia!” afirmou repetidamente.

Luciano, morador, desafiou algum policial a levantar a mão e dizer que estava satisfeito com o emprego e as condições de trabalho. Ninguém levantou a mão. “A UPP fracassou por causa da corrupção do PMDB nesse estado”, acusou. Recomendou que os policiais de UPP cruzassem os braços.

Mariluce, culpando o governador Pezão e os fabricantes de armas, lembrou que balas voavam no Alemão enquanto a audiência acontecia, no centro da cidade. “Quem garante que vamos chegar em casa?” perguntou (às 21h30 avisou ter chegado bem, relatando que os tiros haviam parado uma hora antes).

Nestas casas, diz a Mariluce, moram pessoas: fato básico

Enquanto os moradores diziam ter filmado abusos policiais (que farão parte de um dossiê), um policial — adepto à crença de que todo mundo precisa escolher um lado, perguntou por que os moradores não usavam as técnicas de filmagem com os traficantes. À boca, acrescentou, ninguém pede indenização.

A gritaria começou: “O imposto paga a polícia, não paga o traficante”, argumentou um membro do público, enquanto outros berravam em coro, “assassinos!”

A essa altura, Raull Santiago, cujo grupo Juntos Pelo Complexo ajudara a organizar o encontro, já abandonara a mesa. Os policiais também se debandaram. Um círculo denso se formou do lado de fora do auditório, perto dos elevadores: jornalistas e policiais. No centro, o comandante Zuma explicava sua invasão, apontando um dedo mas sem grande convicção: “Como lá há várias casas abandonadas, todas crivadas de bala, porque o morador não consegue morar lá, eu autorizei que [policiais] ficassam dentro de uma casa vazia, para que pudessem se proteger à noite. Foi isso que autorizei. E isso estou junto com o Ministério Público tentando me justificar. Eu coloquei a minha carreira em risco autorizando isso, eu sei. Mas foi para guarnecer a vida deles”.

E aí temos quase todos os elementos da travessia que vivemos, conforme explica Sérgio Abranches no seu livro: instituições fracas, confiança abalada, suposições desafiadas, prioridades morais contestadas, líderes ausentes. A lista é longa. O futuro está na penumbra. Há pouca consolação — de primeira vista.

Vamos lembrar, porém, que essa história caótica envolve um grupo de moradores que se organizou para pressionar uma polícia que eles vêem como injusta. Dispõem de informação, da capacidade de formar redes virtuais e reais, de vigiar seus supostos abusadores como nunca antes. A polícia, enfim, disse que vai se retirar das casas; o comandante, pela fala, reconhece a necessidade de se justificar– para uma instituição, o Ministério Público, que ganha importância no país como um todo ao passo que políticos perdem centralidade.

Tempos incertos, tempos novos, levando sua blogueira a lembrar de uma notícia que faz parte das nossas tentativas humanas de nadar no meio dessas três ondas que batem e se debatem. Existe uma nova maneira de fazer uma lei no Brasil: o aplicativo Mudamos, desenvolvido aqui no Rio pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade. O fato que o Mudamos teve 300 mil downloads em uma semana demonstra uma grande vontade de, justamente, mudar o que não serve mais. Dá uma olhada!

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House of Cards in Rio: day three

Historic or passing moment? Clock at SuperVia headquarters (whose trains still run late)

Is this for real?

State legislature president Jorge Picciani made his involuntary deposition Wednesday at the Federal Police offices and went home a free man. The arrests that same day of five state accounting court (TCE) councillors are preventive; unless the term is extended, they may very well be back on the bench next week.

Leia aqui em português

Few know that the web of favors described in former accounting court president Jonas Lopes’ plea bargain grew in the loamy earth of the system by which councillors are named to the court, which judges state legislative, gubernatorial and state spending in general.

Three TCE councillors are named by the governor and four by the state legislature, Alerj. The councillor least likely to be swayed by the very politicians he or she judges is one of those named by the governor, the one who must come from the state attorney general’s office. Thus it’s no coincidence that a single councillor among the current seven is untouched by the ongoing investigations: Marianna Montebello — a career servant from the state attorney general’s office.

While the race is already on to occupy the seats of those sleeping a few nights in Bangu, yesterday’s Globo reported that the state chapter of the Brazilian attorneys’ association, the OAB, proposes changing the system.

It’s so fertile for crime that the plea bargainer, Lopes, has gone to the U.S. with his entire family — allegedly the object of a death threat. The Supreme Court approved a forty-day stay.

This period may be remembered by historians as a time when Brazilians became aware of the institutionalization of privileges for the rich and barriers to the poor.

For those who prefer to live in the moment it’s opportune to start betting on the corruption yet to be officially revealed. Lélis Teixeira, president of the Rio state passenger transportation federation, Fetranspor, was also taken in for questioning by Federal Police. Local reports point to favors and bribes between the accounting court and the federation.

Ad in today’s Globo. Odebrecht defended itself similarly, at first

Today the federation published a half-page ad denying criminal activity, admitting the existence of an “investigation of expired RioCard credits” (Fetranspor reportedly pocketed R$ 90 million in expired credits), saying the matter is “under judicial consideration.”

And city buses? A former City Council staffer told RioRealblog about having seen, in the 1990s, a “payroll” of state representatives and city council members and the “wages”  bus companies paid them, often more than what they earned from their supposed public service.

A bus fare increase of twenty centavos is what sent thousands of protesters into the streets in 2013. Strange events followed: a formal City Council investigation was aborted and an independent municipal bus company audit, promised in 2014, disappeared. While fares continue to increase yearly, we still don’t know what the companies’ real costs and receipts are, nor the reasons for so little transparency. All of this took place during the administration of former mayor Eduardo Paes, who now lives in New York. He’s been allegedly cited in an Odebrecht plea bargain, part of the Car Wash investigations.

Speaking of transportation, it’s useful to recall that one of Jorge Picciani’s sons, Rafael, was municipal transportation secretary during part of Paes’ time as mayor. Rafael was in charge when a badly-conceived and implemented bus rationalization plan went into force in 2015 e 2016, creating commuter hell for thousands of passengers.

Another son, Leonardo, is Sports Minister in the Temer administration.

Where else will mud bubble up? It will be no surprise if corruption were to explain most of the difficulties Brazilian governments have in meeting citizens’ basic needs: health, education, public safety, housing. Practically everything.

The mega-events and the oil bonanza exacerbated longstanding behavior; even Maracanã stadium was handed over to the barons of malfeasance.

Yesterday Jorge Picciani was back presiding over Alerj. He was applauded. After all, he enjoys excellent relations with politicians across the spectrum. “Picciani never abandons you and never lets you go wanting,” says a smalltown mayor, in the unforgettable Piauí profile by Malu Gaspar, now sans paywall.

Malu’s still on the beat. “People who know details of state government deals made with TCE approval are betting that we’ll soon be hearing about secret meetings with court members present, to release funds to suppliers hurt by the state’s financial crisis. The powerful bus companies’ federation’s influence on the Rio political world will also become clearer,” she wrote in an online Piauí post published Wednesday.

The mud surges forth and Rio natives weigh trust against mistrust, a local exercise as typical as frescobol. On the one hand, Adriana Ancelmo, wife of former governor Sérgio Cabral — said to be working on a plea bargain’s (fingering whom? many ask) — left jail Wednesday to serve house arrest so as not to leave her children unmothered (while none may use the internet or cell phones, the judge determined). On the other, judge Sérgio Moro sentenced former federal representative Eduardo Cunha to more than 15 years in jail, in just one of the cases against him.

Will all this come to mere musical chairs, with new corrupt politicians replacing the old ones? Is slight regard for the greater good in just about the entire nation’s DNA ? Many disgusted Brazilians are packing their bags.

It may be, however, that the emigrants will miss the long-term positive effects of a justice system that’s begun to function as never before. Possibly, we’re witnessing a watershed moment. Some Brazilians — such as the founders of the new Agora movement — are staying, to work for a deepening of democracy and responsible capitalism.

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Cai a casa no estado do Rio: dia três

Momento histórico ou passageiro? Relógio na sede da SuperVia (cujos trens ainda atrasam)

Vai colar?

O presidente da assembleia legislativa, Jorge Picciani, fez quarta-feira seu depoimento coercitivo e saiu da Polícia Federal um homem livre. As prisões dos cinco conselheiros do Tribunal de Contas do Estado são preventivas; a não ser que sejam prorrogadas pela justiça, eles podem muito bem voltar a sentar, semana que vem, na corte.

Pouca gente sabe que a rede de favores delatada pelo ex presidente do tribunal, Jonas Lopes, cresceu no terreno fértil de um sistema de nomeações para a banca que julga as contas do parlamento, do governador e dos gastos estaduais em geral.

Três conselheiros do TCE são indicados pelo governador e quatro, pela Assembleia Legislativa, a Alerj. O conselheiro que tem menos chance de ser dobrado pelos políticos que fiscaliza é aquele único, nomeado pelo governador, que tem que ter feito carreira no Ministério Público estadual. Não por acaso, há uma conselheira apenas, entre os sete atuais, até hoje intocada pelas investigações em curso: Marianna Montebello — que veio do MP.

Enquanto já esquenta a corrida para ocupar a cadeira daqueles que dormem, pelo menos por algumas noites, em Bangu, O Globo de ontem trouxe a notícia de que a OAB propõe mudar esse sistema.

O sistema de nomeações é um adubo tão proveitoso  para atos ilícitos que o delator Lopes saiu do país há alguns dias com a família toda, por ter sido, alegadamente, alvo de uma ameaça de morte. O Supremo Tribunal de Justica aprovou uma estadia de 40 dias.

Talvez esse período seja lembrado, pelos históriadores, como o tempo da conscientização do povo brasileiro sobre a institucionalização dos privilégios para ricos e das barreiras aos pobres.

Para quem quiser viver, ao contrário, no momento, é oportuno apostar sobre a corrupção ainda a ser oficialmente revelada. O presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio, Lélis Teixeira, também foi levado a depor, coercivitamente, na Polícia Federal. Reportagens locais apontam acordos e propinas entre o TCE e a Fetranspor.

Anúncio no Globo de hoje. A Odebrecht também se defendeu assim

Hoje, a federação publicou um anúncio de meia página, negando qualquer crime, admitindo a existência de uma “investigação dos crédito expirados do RioCard” (a Fetranspor teria embolsado R$ 90 milhões em créditos expirados), com a matéria “sob apreciação do Poder Judiciário”.

E os ônibus municipais? Um antigo funcionário da Câmara Municipal contou ao RioRealblog ter visto, nos anos 1990, uma lista de deputados estaduais e vereadores municipais que recebiam “salários” das empresas de ônibus, muita vezes maiores do que os proventos do serviço supostamente público.

Foi por causa de um aumento na tarifa, de vinte centavos, que milhares de pessoas foram para a rua protestar, em 2013. Fatos estranhos se sucederam: abortou-se uma CPI dos ônibus da Câmara Municipal e sumiu uma auditoria independente das empresas, prometida em 2014. Até hoje, não se sabe os receitas e gastos reais das empresas de ônibus, nem os motivos pela falta de transparência — enquanto a tarifa sobe todo ano. Tudo isso na gestão de Eduardo Paes, hoje residente em Nova York. Ele é citado, supostamente, em uma delação da Odebrecht, das investigações Lava Jato.

É bom lembrar, falando em transportes, que um dos filhos de Jorge Picciani, Rafael, foi secretário de transportes muncipal durante parte do governo de Eduardo Paes, presidindo a mal conceituada e implementada racionalização dos ônibus muncipais de 2015 e 2016, transtorno para milhares de passageiros.

Outro filho, Leonardo, é ministro dos Esportes no governo Temer.

Onde mais borbulha lama? Não seria surpresa se a corrupção explicasse boa parte das dificuldades dos governos no Brasil em atender às necessidades básicas do cidadão: saúde, educação, segurança pública, moradia. Ou seja, praticamente tudo.

Os grandes eventos e a bonança do petróleo exacerbaram um comportamento habitual; até o Maracanã foi entregue aos barões da malvadeza.

Ontem, Jorge Picciani já presidiu a Alerj. Foi aplaudido; disfrute de relações excelentes com políticos de todo estirpe. “O Picciani nunca te abandona e não te deixa faltar nada”, diz um prefeito fluminense, no marcante perfil por Malu Gaspar, na revista Piauí, agora aberto para não assinantes.

Malu continua a apurar a execrável sujeira da política estadual. “Quem conhece os detalhes das transações feitas no governo estadual com o aval do TCE aposta que virão à tona revelações sobre reuniões secretas, de que participavam integrantes do tribunal, realizadas com o objetivo de liberar recursos para fornecedores afetados pela crise financeira do estado. Deve ficar mais claro, também, como a poderosa federação das empresas de ônibus exerce influência sobre o mundo político do Rio”, escreveu num post online da Piauí, publicado quarta-feira.

A lama vai subindo à superfície e os cariocas e fluminenses medem confiança contra desconfiança, exercício típico aqui. Por um lado, Adriana Ancelmo, mulher do ex governador Sérgio Cabral — que estaria elaborando uma delação (de quem, afinal, muitos perguntam)– foi para casa na quarta-feira para cumprir prisão domiciliar, ao lado dos filhos (que não podem usar nem internet nem telefone celular, parte da sentença). Por outro, o juiz Sérgio Moro condenou o ex deputado Eduardo Cunha a mais de quinze anos de prisão, em apenas uma das ações contra ele.

Será que tudo isso se trata de uma mera dança de cadeiras, com novos corruptos a substituir os antigos? Que o pouco caso para o bem maior esteja no DNA do povo inteiro? Muitos brasileiros, desgostosos, fazem as malas.

Pode ser, porém, que os emigrantes percam o impacto positivo e de longo prazo de um sistema judiciário que começa a funcionar como nunca antes. Pode ser que estejamos testemunhando um momento divisor de águas. Alguns brasileiros — como os fundadores do novo movimento Agora — ficam aqui, para se dedicar ao aprofundamento da democracia e do capitalismo responsável.

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Today’s arrests reveal web of interests, vacuum


The state assembly, presided over by a suspect politician: can state finances ever be straightened out?

The recent news that earthquakes may be caused by a large number of seemingly unconnected faults, is a wonderful metaphor for Brazilian politics right now.

Clique aqui para português. 

Today’s arrest of five Rio de Janeiro state accounting court councillors, together with the forced deposition of state assembly president Jorge Picciani, is part of a larger rupture that leaves practically bankrupt Rio without leadership or direction.

Governor Luiz Fernando “Pezão” de Souza has kept a low profile, appearing only to propose surreal plans, given the situation, such as extending the metro from Barra to Recreio.

Making predictions is dangerous at the national level but there is a possibility that the Dilma/Temer electoral slate will be judged next week to have been elected on the basis of criminal acts — removing Temer from office. At very least one can say that personal and institutional survival in Brasília will trump any thought of helping Rio state to achieve solvency.

According to the O Globo newspaper, “The plea bargain of former accounting court president Jonas Lopes de Carvalho Filho led to the arrest of the five councillors for their parts in at least two bribery schemes regarding wrongful acts committed by construction and bus companies that operate in the state. Targets of preventive arrest include councillors Aloysio Neves (current president); Domingos Brazão, José Gomes Graciosa, Marco Antônio Alencar and José Maurício Nolasco.”

Today’s sweep left out one remaining councillor, Marianna Montebello. According to old press reports, Montebello, daughter of municipal accounting court president Thiers Montebello and wife of electoral court judge Flávio Willeman (who judges politicians),  is said to have been elected to her post with Picciani’s support.

Nolasco was president of the much-criticized water and sewage company CEDAE in the 1990s, when state company privatizations were being carried out by the brother of one of the councillors arrested today — Marco Antônio Alencar– Marco Aurélio de Alencar, when he was state Finance Secretary at the time that Marcello Alencar, their father, was governor.

Tectonic plates are shifting and faults, large and small, appear. While the Rio state and federal governments shake, it’s more than ever up to civil society and public institutions working in the areas of monitoring, information, citizenship and justice to pick up the pieces — so we can all move forward.

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Prisões hoje no Rio revelam alto grau de conluio, deixam vácuo

A Alerj, presidida por um político suspeito: como sanear as contas estaduais?

A notícia, há dias, de que terremotos podem ter como causa um grande número de falhas, sem aparente conexão, espelha o momento político atual no Brasil.

A prisão hoje de cinco conselheiros do Tribunal de Contas Estadual do Rio de Janeiro, junto com a condução coercitiva do presidente da Assembleia Legislativa do estado, Jorge Picciani, faz parte de uma ruptura maior — que deixa o Rio, ainda sem fundos adequados, absolutamente sem liderança nem rumo.

O governador Pezão aparece pouco e quando aparece, é para propor planos surreais, como a extensão do Metrô da Barra para o Recreio.

Previsões são perigosas no quadro nacional, mas existe a possibilidade, semana que vem, da cassação da chapa Dilma-Temer. No mínimo, pode-se dizer que, em Brasília, a dedicação pessoal e institucional à sobrevivência deve ofuscar qualquer tentativa de levar a cabo o plano para ajudar a sanear as contas do estado do Rio.

De acordo com o jornal O Globo, “A delação premiada do ex-presidente do órgão Jonas Lopes de Carvalho Filho levou à ação contra cinco conselheiros em pelo menos dois esquemas de arrecadação de propina para fazer vista grossa para irregularidades praticadas por empreiteiras e empresas de ônibus que operam no estado. São alvos de prisão preventiva os conselheiros Aloysio Neves (atual presidente); Domingos Brazão, José Gomes Graciosa, Marco Antônio Alencar e José Maurício Nolasco”.

A ação de hoje deixou de fora uma única conselheira, Marianna Montebello. De acordo com reportagens antigas, ela, filha do presidente do Tribunal de Contas do Município, Thiers Montebello e mulher do desembargador Flávio Willeman, membro do Tribunal Regional Eleitoral (que julga políticos),  teria sido eleita ao posto com o apoio de Picciani.

Nolasco foi presidente da CEDAE nos anos 1990, época das privatizações no estado do Rio, administradas pelo irmão do conselheiro preso hoje — Marco Antônio Alencar– Marco Aurélio de Alencar, quando Secretário de Fazenda no governo Marcello Alencar, pai deles.

Placas tectônicas estão em movimento e falhas, grandes e pequenas, aparecem. Enquanto se chacoalham o estado do Rio e o governo federal, cabe mais do que nunca às instituições de fiscalização, informação, cidadania e justiça — tanto públicas como as da sociedade civil– o papel de juntar os cacos, para que possamos seguir em frente.

 

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Rio may be “melted” but it’s still cooking

At the Casa Pública journalism center, yesterday: the state’s numbers have been worrisome for a long time, said Paulo Lindesay. Few were interested

Anti-corruption demonstrations are taking place in Brazil today. There’s not much enthusiasm for them in Rio, where by now there’s widespread déjà vu even though the Car Wash investigations are being targeted by the very politicians under scrutiny.

Clique aqui para português

What really gets locals into the street are the state government’s proposals to reduce spending: cutting wages, increasing pension contributions for state employees. (Former governor Sérgio Cabral’s wife Adriana Ancelmo’s expected departure from jail to Leblon house arrest may also bring out protesters.)

Yesterday, Casa Pública hosted a conversation on the state’s broken finances, organized with Piauí magazine. Participants included Adriano Belisário, author of an Agência Pública piece on corporate tax credits in Rio; Paulo Lindesay from the Núcleo da Auditoria Cidadã (Citizen Audit Nucleus) and Malu Gaspar, a Piauí journalist, who recently profiled Rio state legislature president, Jorge Picciani.

Picciani, a veteran PMDB politician, brings Gaspar’s article to a close with a Shakespearean comment sent to the writer via WhatsApp: “The country is melting and the state has already melted down”.

Yesterday Gaspar pointed to a good chance of federal intervention here. The only thing is, the federal government may not be around much longer. Online only for subscribers, her article concludes that Picciani, nicknamed “Cattle King” may also face a finite number of days as a free man.

What’s seems infinite in Rio is violent crime. For years, the most quoted source for crime data here was the state Instituto de Segurança Pública (Public Safety Institute). As of last week, we now have a nationwide crime data tool, DataCrime, created by the Rio de Janeiro Getúlio Vargas Foundation’s Diretoria de Análise de Políticas Públicas (Public Policy Analysis Directorate). At last week’s launch, Cecília Olliveira also described her app Fogo Cruzado (Crossfire) useful both for researchers and those who put up with frequent shootouts.

The more data the better — especially given the daily shooting across greater Rio. Effective public policies to reduce violence need data, as well as the will to change a situation quickly reverting to pre-pacification days.

Though the state of Rio may be melting, there are those who will not give up. Tomorrow, March 27 at 6:30 PM, Casa Fluminense will be in the City Council’s Salão Nobre to demand that mayor Marcelo Crivella obey the law requiring a municipal Strategic Plan, with goals to be monitored. The mayor has until June 29 to present goals for his term (2017-2020).

Rio, even with a broke state government, remains at the center of national debates. Yesterday this blogger had the chance to watch Helena Solberg’s new documentary, Meu Corpo Minha Vida (My Body my Life). The story of the young West Zone resident Jandyra, her family and her church serves to examine the complex issue of abortion in Brazil. Jandyra died in a clandestine abortion clinic in 2014. The film premieres on the GNT cable channel Thursday March 30 at 11:30 PM. One hopes for lots of reruns and much debate.

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Novidades ainda, num Rio de Janeiro “derretido”

Na Casa Pública, ontem: as contas andam mal há muito tempo, disse Paulo Lindesay. Poucos se interessavam

Hoje acontecem manifestações contra a corrupção no Brasil. No Rio, não se sente grande entusiasmo pelo ato, com cara, a essa altura, de mais do mesmo (apesar de a Lava Jato ser alvo repetido de políticos alvos dela).

O que realmente incita alguns fluminenses a irem para a rua são as propostas do governo estadual para diminuir despesas: cortar salários, aumentar a taxa previdenciária dos funcionários estaduais. Talvez a saída da ex primeira dama do Rio, Adriana Ancelmo, da cadeia para a prisão domiciliar, aguardada para em breve, leve a protestos no Leblon.

Ontem na Casa Pública, houve uma conversa sobre a falência do estado, organizada em conjunto com a revista Piauí. Participaram Adriano Belisário, autor de uma matéria da Agência Pública sobre isenções fiscais no Rio, Paulo Lindesay do Núcleo da Auditoria Cidadã, e Malu Gaspar, jornalista da Piauí, autora de um recente perfil do presidente da assembleia estadual do Rio de Janeiro, Jorge Picciani.

Picciani, político veterano do PMDB, fecha o artigo da Malu — com palavras shakespearianas, proferidas à jornalista pelo WhatsApp: “O país está derretendo e o estado já derreteu”.

Malu apontou, ontem, uma probabilidade alta de intervenção federal aqui. Só que… qual governo federal? Acessível online apenas para assinantes, o artigo leva à conclusão de que são contados os dias de liberdade do chefão, apelidado de “Rei do Gado”.

Contados também são os tiros, tiroteios, homicídios e outros atos violentos. Durante anos, a fonte mais citada sobre crimes era do Instituto de Segurança Pública, do estado. A partir da semana passada, contamos também com a ferramenta de âmbito nacional, DataCrime, criada pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas, da Fundação Getúlio Vargas no Rio. No evento de apresentação, semana passada, Cecília Olliveira também descreveu seu aplicativo de grande utilidade, tanto para quem pesquisa como para quem convive com tiroteios, Fogo Cruzado.

Mais dados, melhor — sobretudo num ambiente de tiroteios diários, por toda a região metropolitana. Para que tenhamos políticas públicas eficazes na diminiução da violência, precisamos de dados, além da vontade de mudar um quadro que se reverte rapidamente para a vida pré-pacificação.

Mesmo que o estado do Rio esteja derretido, há gente que não desiste. Amanhã, segunda-feira, dia 27 de março,  às 18:30, a Casa Fluminense levará até o Salão Nobre da Câmara Municipal do Rio uma demanda para que o prefeito Marcelo Crivella cumpre com a lei que requer um Plano Estratégico municipal, com metas a serem monitoradas. O prefeito tem até o dia 29 de junho deste ano para apresentar as metas para os próximos quatro anos do mandato (2017-2020).

O Rio, mesmo falido, continua palco de debates nacionais. Sua blogueira teve a oportunidade de assistir, ontem, ao novo documentário Meu Corpo Minha Vida, de Helena Solberg. A história da jovem moradora da Zona Oeste, Jandyra, sua família e sua igreja serve para examinar a complexa questão do aborto no Brasil. Jandyra morreu numa clínica clandestina de aborto, em 2014. O filme estreia na GNT quinta-feira, dia 30 de março, às 23:30. Tomara que seja bastante veiculado.

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