The promise of data: will it contribute to metro Rio?

Mapa de Instagram, num dia em Barcelona: os dados revelam nossas preferências

Map of Instagram posts in Barcelona: the data quickly reveal what we prefer

What if the city had asked bus passengers to download an app so it could keep tabs on their commutes for a short period of time? That way, we might have gotten a more realistic bus rationalization scheme, instead of the problematic one we have now.

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The technology already exists to collect such data; but the policy, as well as the politics for it, have yet to come together. (According to a blog source who worked on the bus rationalization, it was based on data collected by researchers riding buses, counting how many people got on and off at each stop. There was no data collection regarding entire trips, from start to finish. It could be that incomplete data partially accounts for the fact that so many passengers now complain about service.)

A conversation with Willy Müller, a Barcelona-based Argentine architect, prompts the imagination. How about using a map of Instagram posts to think about the flow of tourists, and how best to meet their wants and needs? Or mapping food sources and transportation routes to determine real costs, and then encourage urban agriculture?

A Rio Branco, hoje, sem carros: a desprogramação das cidades

Rio Branco Avenue today, with a line of passengers waiting for a quiet tram, instead of noisy cars and buses: “deprogramming” cities

“Why doesn’t the city create its own Uber?” Müller asks in an interview with RioRealblog, recalling the disputes arising over the transportation service that relies on the growing use of smartphones.

Such ideas are the product of two new features of our era, says the Barcelona Urban Sciences Lab director and co-founder of the Institute of Advanced Architecture in Catalunya (IAAC): velocity and preferences. Smartphones quickly allow us to tally the choices of a large number of people. We must act fast, he says, to create and implement public policy. We need to plan in anticipation of events. For example, Müller points out, we know the planet is heating up and the oceans are rising. What’s Rio de Janeiro doing about it?

He urges us to “deprogram” cities, changing infrastructure so cities can transform.

Müller, who helped plan our Porto Maravilha port revitalization, spoke Wednesday to the 110 councilors of the new Consultative Council of the Modelar a Metrópole (Modeling the Metropolis) process. Made up of representatives from public institutions, civil society, concessions, businesses and trade associations, the Council is part of a long and complex process of listening and reflection (by way of twelve workshops), to come up with a strategic plan for the Rio metro region.

Spearheading this process is the Quanta-Lerner consortium, which won a bid put out by the newly-constituted Câmara de Integração Metropolitana (Metropolitan Integration Chamber). The Rio state legislature has yet to vote on the bill to officially create the Chamber.

Other speakers at Wednesday’s meeting included the Chamber’s executive director, Vicente Loureiro, urbanist Jaime Lerner and the Plan’s technical coordinator, Alexandre Weber.

This new data abundance speeds up urban life but doesn’t mean automatic bliss, Müller notes. Smart cities can both repress and liberate citizens.

People, not technology, are responsible for public policy — in metro Rio, just as elsewhere. Asked how technology can contribute to politics, especially in a context of corruption and social inequality, Müller brought onto his computer screen the famous photo of a protesting crowd at the Puerta del Sol square in Madrid, in 2011. “It was organized using social media,” he answered. “In a matter of hours.”

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Dados: futuro promissor para o Rio metropolitano?

Mapa de Instagram, num dia em Barcelona: os dados revelam nossas preferências

Mapa de posts no Instagram, em Barcelona: os dados, com rapidez, revelam nossas preferências

Já pensou, se a prefeitura tivesse pedido aos passageiros de ônibus que baixassem um aplicativo que acompanhasse, integralmente, suas viagens durante um certo período? Talvez assim, teríamos uma racionalização de ônibus mais realista.

A tecnologia para juntar dados desta forma existe; a política, nos dois sentidos da palavra, ainda não. (De acordo com uma fonte do blog que trabalhou com a parte logística da racionalização, ela se baseou em dados coletados por pesquisadores que andaram nos ônibus, contando quantas pessoas subiam e desciam em cada ponto. Não houve coleta de dados sobre viagens inteiras, de começo ao fim. Talvez seja pela ausência de informação, em parte, que tantos passageiros hoje se queixam da falta de condução adequada.)

Uma conversa com Willy Müller, arquiteto argentino radicado em Barcelona, leva o interlocutor a sonhar. Que tal pensar no fluxo e no atendimento de turistas através de um mapa de seus posts no Instagram? Ou mapear a origem e trajetos de nossos alimentos, para avaliar o custo real deles, para então fomentar o cultivo urbano?

A Rio Branco, hoje, sem carros: a desprogramação das cidades

A Rio Branco, hoje, de VLT silencioso no lugar dos barulhentos carros e ônibus: “desprogramação” das cidades

“Por que a cidade não faz seu próprio Uber?” instiga Müller numa entrevista com o RioRealblog, ao lembrar das brigas surtidas por causa do serviço de transporte, que aproveita a crescente difusão dos smartphones.

Os sonhos são produto, diz o diretor do Barcelona Urban Sciences Lab e co-fundador do Institute of Advanced Architecture in Catalunya (IAAC, ou Instituto de Arquitetura Avançada na Catalunha), de duas novidades de nossa era: a velocidade e as preferências. Rapidamente, através dos smartphones, podemos saber quais são as opções de grande número de pessoas. Temos que agir com mais rapidez, diz ele, ao criar e implementar políticas públicas. Temos que planejar antecipando os fatos. Por exemplo, Müller sugere, já sabemos que a terra esquenta e os mares estão subindo. O que o Rio de Janeiro está fazendo, a respeito?

Temos que “desprogramar” as cidades, ele propõe, mudando a infraestrutura para que a cidade possa se transformar.

Müller, que já trabalhou no planejamento do Porto Maravilha, deu uma palestra ontem aos 110 conselheiros do novo Conselho Consultivo do Modelar a Metrópole. Composto por representantes de instituições públicas, da sociedade civil, concessionárias de serviços, empresários e associações de classe, o Conselho faz parte de um longo e complexo processo de escuta e reflexão (através de doze oficinas), que produz um plano estratégico para a região metropolitana do Rio.

Quem está levando esse processo adiante é o consórcio Quanta-Lerner, vencedor de uma licitação da recém constituída Câmara de Integração Metropolitana. O projeto de lei que oficialmente cria a Câmara está na assembleia legislativa estadual, ainda a ser votado.

Outros palestrantes na reunião de ontem incluiram o diretor-executivo da Câmara Metropolitana, Vicente Loureiro, o urbanista Jaime Lerner e o coordenador-técnico do Plano, Alexandre Weber.

A nova abundância de dados acelera o ritmo urbano, porém não traz a felicidade automática, Müller ressalta. Os smart cities podem reprimir, do mesmo jeito que libertam.

No contexto do Rio metropolitano, são as pessoas, e não a tecnologia em si, responsáveis por políticas públicas. Ao ser perguntado sobre como a tecnologia pode contribuir à política, sobretudo num contexto de corrupção e desigualdade social, Müller mostrou a famosa foto da multidão em protesto na praça Puerta del Sol, em Madri, em 2011. “Foi organizado por mídia social”, ele respondeu. “Em matéria de horas”.

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Olhar para dentro, para contribuir ao futuro do Rio de Janeiro

I don't want to die, I want to go to school

Moradora jovem reage aos tiros quase diários

O plano do Rio de Janeiro, ao sediar os Jogos Olímpicos, era colocar a cidade no palco mundial, atraindo turismo e investimento. Competir com outras metrópoles, fazer um branding de nós mesmos.

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No meio de tudo isso, esquecemos o próprio produto. Entre a maioria das cidades no mundo, o Rio se sobressai, quase sem esforço. Quem mais apresenta a paisagem e a percussiva mistura cultural que temos aqui?

E se tivéssemos conseguido melhorar o saneamento, a distribuição de renda, moradia, segurança pública e a educação…

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Alguns deputados estaduais assistem a uma apresentação do plano novo para o Rio metropolitano, que poderia, enfim, levar a saneamento e transporte adequados

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Trabalhadores da Comperj, que contavam com o emprego na construção da refinaria, na região metropolitana, sofrem com a repentina e duradoura perda de renda

O foco no marketing — deixando nossa realidade em segundo plano — é o motivo pelo qual muitos brasileiros não se animam com os Jogos Olímpícos.

Ao refletir no passado, vemos o fato estranho de que o legado olímpico de Londres em 2012 era de cunho social, enquanto o legado do Rio é a mobilidade. Londres mirou a moradia, basicamente; diferente de nossa vila dos atletas, o empreendimento imobiliário Ilha Pura, um conjunto de prédios requintados em regime de condomínio fechado, a vila londrina hoje abriga, acima de tudo, proprietários e locatários de classe média e baixa.

Um e cada cinco habitantes na capital fluminense mora em favela.

Talvez, porém, o legado carioca não seja tão estranho: as investigações da Lava Jato revelam, cada dia sempre mais, a importância econômica e política das empresas de construção no Brasil. Construíram não apenas empreendimentos imobiliários na Zona Oeste, os BRTs e a extensão do Metrô; são concessionárias para o Metrô, os trens, as barcas e até o novo VLT. Resta saber até que ponto essas empresas, que hoje passam por grandes dificuldades, poderão investir nas suas concessões, inclusive para a manutenção mais básica.

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Desempregados se preparam para o protesto mais tarde, dentro da Alerj, a assembleia legislativa estadual

O legado do Rio 2016, conforme tomou forma, deixou de considerar o quadro maior, de necessidades metropolitanas, inclusive trens, o metrô e as barcas. A criação de linhas de BRT e VLT, além da extensão do Metrô para a Barra, mexeram com apenas parte do quadro. Ainda falta, no Rio, uma plena integração tarifária, a transparência dos custos, e planejamento metropolitano. Nem temos um mapa de tudo que existe de transporte público.

Diante da aversão governamental à realidade, a decepcão, as lamentações e a pura raiva dos cidadãos não devem surpreender. Os cidadãos cariocas, cujas expectativas cresceram durante a virada de 2009-2013, hoje apontam tudo que dizem ainda merecer a atenção dos políticos, depois dos mega eventos.

Mas cedo neste mês, trabalhadores do projeto abortado de refinaria de petróleo, a Comperj, assistiram a uma sessão da Alerj sobre a Câmara de Integração Metropolitana, (em vias de ser criada por conta de uma decisão do Supremo Tribunal Federal). Ao passo que minguaram os recursos federais para a refinaria, ano passado, a cidade de Itaboraí, outrora em plena expansão, virou cidade fantasma. Na sessão, sindicalistas denunciaram que trabalhadores desempregados estariam pedindo esmola e praticando crimes, que lhes falta dinheiro para comprar remédios.

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Moradores do Alemão, de “tochas” olímpicas na mão, fazem passeata, carregando um caixão contendo nomes dos mortos desde 2014

Há seis anos, no momento da histórica ocupação militar do Complexo do Alemão, um  jornal proclamou que a alma do Rio havia sido lavada. Hoje, jovens líderes denunciam a violência inaceitável que ali acontece. Sábado passado, ativistas da favela encheram um caixão de papel com os nomes de moradores e policiais que morreram a tiros desde 2014, e fizeram uma passeata de uns dois quilômetros pela avenida Itaóca, até a estrada do Itararé na altura da região Grota do Alemão. Participaram mais jornalistas do que moradores. De acordo com os líderes, um motivo era que um tiroteio aquela manhã mantinha os moradores em casa; estava parado, portanto, o famoso teleférico (anteriormente uma concessão da problemática empreiteira Odebrecht, agora gerenciado por um pouco conhecido grupo, também envolvido na investigação Lava Jato).

A segurança pública, após uma melhora entre 2010 e 2013, tornou a ser uma questão central, em favelas e também nas partes formais da cidade. O jornal Globo de segunda-feira relata que o prefeito atual, Eduardo Paes, quer ser eleito governador em 2018, para assumir essa responabilidade. Como indica o relato desta blogueira sobre o que deu errado na política de segurança pública, falar é fácil, fazer nem tanto.

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Tempos mais felizes em Copacabana, 17 dias antes do começo dos Jogos

É de se esperar que até 2018, quem for eleito terá meios de pagar nossa polícia, com as finanças do estado deixando de ser “calamitosas”, como as chamou o governador interino, Francisco Dornelles. O prefeito Paes se gaba ao dizer que as contas municipais estão melhores do que as do estado do Rio. Mesmo assim, cresceu a dívida municipal enquanto diminui a receita, como demonstra um novo estudo independente. Também, Paes pretende pedir um empréstimo de R$800 milhões, sem esclarecer o objeto, ao BNDES. De acordo com uma reportagem, os recursos seriam para repor gastos locais que se tornaram necessários porque Brasília não cumpriu seu papel no custeio das Olimpíadas.

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O caixão,  na feira de sábado na entrada da Grota ao Alemão, onde já aconteceram vários confrontos fatais

Também é de se esperar que, uma vez que caia o pano nos Jogos, voltando nossa atenção para as eleições municipais de outubro, possamos olhar para dentro e começar a trabalhar em tantas questões que demandam melhorias. Semana que vem, a Casa Fluminense lança sua Agenda Rio 2017, um portfólio de prioridades para aqueles que serão eleitos na região metropolitana do Rio.  Todos são bem vindos: dia 26 de julho, 17h, Teatro Rival, perto da Cinelândia.

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Looking inward in Rio: anybody home?

I don't want to die, I want to go to school

A young Alemão resident, on the near-daily shooting: I don’t want to die, I want to go to school

Rio’s plan, in hosting the Olympics, was to get the city on the world stage, attracting tourism and investment. We’d compete with other metropolises, brand ourselves.

In the process, we forgot to take a good look at the product itself. With almost no effort, Rio stands out from most cities around the world. Who else has scenery and a percussive cultural mix like ours?

Now if we’d just managed to produce better sanitation, income distribution, housing, public safety, an integrated and efficient transportation system, public health and education…

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Members of the state legislature hears about new plans for metropolitan Rio, which might at last lead to adequate sanitation and transportation

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Construction workers, who had depended on the metro-region Comperj refinery construction, are angry at the sudden and lasting loss of income

The focus on marketing — instead of our reality — is why many locals aren’t exactly psyched for the Olympic Games.

Looking back, it’s quite odd that London’s 2012 Olympic legacy addressed social needs , while Rio’s legacy is public transportation. London focused on housing, mostly; in contrast to our Ilha Pura upscale gated development, where athletes will stay, the 2012 Athlete’s Village now houses largely middle- and low-income owners and renters.

One out of five residents in Rio proper lives in informal (mostly favela) housing.

Though maybe the Rio legacy isn’t odd at all, given the Lava Jato corruption investigations, which have revealed construction companies’ powerful economic and political roles in Brazil. They’ve not only built the West Zone real estate developments, the dedicated bus lanes and the metro extension; they are concessionaires for Rio’s subway, trains, ferries and the VLT trams. Just how much these troubled companies will be able to invest in the concessions, if only for maintenance, is unknown.

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Jobless workers ready for their protest later, inside the state legislature

Rio’s avowed transportation legacy failed to take in the macro picture of metropolitan needs, including trains, the metro and ferries. The creation of dedicated articulated bus and tram lines and the metro extension dealt with only part of that picture. Rio still lacks full fare integration, cost transparency and metropolitan planning.We don’t even have a map showing the public transportation gamut.

Given the governmental aversion to reality, it should come as no surprise that we’ve got a fair share of disillusionment, grumbling and downright anger. Rio citizens, whose expectations rose during the city’s 2009-2013 turnaround, today point to what they say still needs politicians’ attention, post-mega-events.

Earlier this month, workers from the aborted Comperj federal petroleum refinery project attended a state legislature session on the Supreme Court-mandated Metropolitan Integration Chamber. As federal funds for the refinery ran out last year, the Rio metropolitan-area city of Itaboraí, once booming, turned into a ghost town. At the session, union leaders complained that workers have turned to crime and begging, that they lack resources to buy needed medicines.

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Alemão residents, Olympic “torches” in hand, march with a coffin full of names to remember the dead since 2014

Six years ago, at the time of a groundbreaking 2010 military occupation of the North Zone agglomeration of favelas called Complexo do Alemão, a newspaper proclaimed that Rio’s soul had been washed clean. Today, young leaders decry unacceptable levels of violence there. This past Saturday, favela activists filled a cardboard coffin with the names of residents and police whose lives ended with a bullet since 2014, and marched a couple of kilometers up the Avenida Itaóca, to the Estrada do Itararé as far as the entrance to the Grota section of Alemão. More journalists participated than anyone else; the leaders said one reason was that residents were stuck at home because of shooting; the vaunted cable car system (formerly a concession held by the troubled Odebrecht construction firm, now run by a little-known group also involved in the Lava Jato investigation) was at a standstill.

Public safety, after improving between 2010 and 2013, has once again become a key issue, both in favelas and in formal parts of the city. Monday’s Globo reports that current mayor Eduardo Paes would like to be elected governor in 2018, so as to take on this responsibility. As this blogger’s tale of public safety policy gone wrong indicates, easier said than done.

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Happier times in Copacabana, 17 days before the Games begin

One hopes that by 2018 whoever is elected will easily pay our police force, with state finances no longer “calamitous”, as acting governor Francisco Dornelles has termed them. Mayor Paes boasts that the city budget is in much better shape than Rio state. Still, municipal debt has increased while revenues are down, a new independent study shows. Meanwhile, Paes has asked the national development bank, the BNDES, for a R$800 million loan, with no clear spending objective. According to one report, the funds are to make up for local spending that occurred because Brasília failed to help out on Olympic costs, as promised.

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The coffin,  at the Saturday outdoor market at the Grota entrance to Alemão, where many fatal confrontations have taken place

It’s also to be hoped that once the curtains close on the Olympics and we turn to the October municipal elections, we’re able to look inward and get to work on so much that demands improvement. Next week, Casa Fluminense launches its Agenda Rio 2017, a portfolio of priorities for those who’ll be elected in metropolitan Rio.  All are welcome: July 26, 5 p.m., Teatro Rival, close to Cinelândia.

 

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Corruption in Rio de Janeiro

State is at scandals’ center: what will the cleanup be like?

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State assembly facade in 2014: few smiles today

The gas station where the Lava Jato investigation began is in Brasília, but you could say that the biggest corruption scandal of all time began and will most likely end in Rio de Janeiro.

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Today, the slogan of Rio’s Olympic candidacy — “Viva sua paixão” (Live your passion) — points more toward greed for Swiss bank account deposits than any other sort of fascination.

Rio is home to Petrobras headquarters, the vipers’ nest of the famed construction cartel. It’s also the hometown of the story’s greatest villain, congressman Eduardo Cunha, who began his political career as Rio treasurer for presidential candidate Fernando Collor. National treasurer Paulo César Farias, involved in the corruption scandal that led to Collor’s impeachment in 1992, brought Cunha on board.

The headquarters of Furnas,Eletrobras and Eletronuclear, all under investigation in connection with the cartelization of construction contracts and bribes that are said to have fed election campaigns, are in Rio. Out of the FGTS financing of the Rio de Janeiro port area revitalization, Porto Maravilha, came the fatal plea bargain testimony of Fábio Cleto, who named Eduardo Cunha as its alleged manager. Cunha is said to have used his connections to put Cleto in the key job of managing FGTS funds at the Caixa Econômico bank (which is in Brasília).

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Swiss francs more sought after than reals

Here we also have Maracanã stadium and the enormous, aborted refinery, Comperj, both mentioned in plea bargained testimony detailing bribe payment and money laundering by builders and politicians.

Part of the Lava Jato investigations were sent to Federal Police offices in Rio (from Curitiba, seat of the main investigation) . Today, Globo columnist Lauro Jardim published the news that a new task force will be set up here to investigate the national development bank, BNDES, another federal institution that never moved to Brasília.

Does Rio incite wrongdoing? Economist Mauro Osório, president of the municipal Instituto Pereira Passos and a specialist on metropolitan Rio, told RioRealblog that this is not the case. Corruptor and corruptee find each other anywhere, he said, in private as well as public business arenas. “I think we need to improve our institutions and make elections less costly,” he added.

In a recent article, New York Times correspondent Simon Romero suggested that the current national crisis is rooted in the modus operandi of the PMDB, Rio’s dominant political party.

At very least, the state is certainly at the heart of the petroleum curse, which afflicts almost every place where the fossil fuel lies. In addition, for decades Rio has constituted a troubled political patchwork, largely unconcerned with the common good, united by a constant exchange of favors– not so different from the country as a whole.

Who knows if this quasi-medieval system has anything to do with the former capital’s decadence, as of 1960. The move to Brasília left behind several federal institutions, which apparently became piggy banks for election campaigns. The Rio state sewage and water company Cedae, some observers say, also served the same function for many years (instead of investing in sewage collection and treatment), especially under Cunha’s influence, up to 2008.

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With petroleum royalties, Rio metro region Itaguaí mayor Luciano Mota (second from right to left) bought a Ferrari

He certainly cut his teeth here. Named by then-president Fernando Collor, he was president of Telerj, the Oi telephone company’s predecessor from 1991 to 1993.

Of course our rival metropolis, São Paulo, has its own issues. The names of Governor Geraldo Alckmin and of former governor and current Foreign Minister José Serra have appeared in Lava Jato documents. And there are previous corruption cases, such as that of the French company, Alsthom.

While corruption gets investigated and corrected at the national level, we do have our local scandals.

In Rio, governors and mayors tend to rule with little interference from legislators or the courts. The system of appointing secretaries, judges and councilors supports and protects them.

Despite investigations and media reporting, this has been the case for a long time.

Former governor Sérgio Cabral (2007-2014), for example, has figured since 2011 in suspicions and accusations of illegal behavior. His name has come up in Lava Jato plea bargained testimony. If the information is proven, he can be tried and jailed. For now, he’s quietly living and working in Leblon, according to a recent report.

His sucessor, Luiz Fernando “Pezão” de Souza, is also said to be involved in the case, according to testimony. On medical leave, Pezão is in treatment for lymphatic cancer.

It could be that not even the acting governor, eighty-year-old Francisco Dornelles, will be free of the Lava Jato investigations.

Last week, Dornelles issued a decree that could absolve  pre-2014 corporate VAT tax evaders. Later, he explained that the impoverished state of Rio won’t close an eye to repeat offenders.

In May of this year, O Globo newspaper published a series of investigative stories about Jorge Picciani, president of the state assembly, known as Alerj. According to the paper, he is allegedly involved in a VAT tax evasion scheme, in league with state Finance Secretariat inspectors and Itaipava beer manufacturer Grupo Petrópolis. The scheme includes the purchase and sale of cattle semen at exorbitant prices — well above the market, according to a São Paulo blog source.

Picciani also has a share, set up in an unusual manner, of a company that supplies gravel for public works, including the Olympics.

In the boom years, the state of Rio awarded companies with tax cuts that have become huge headaches for budget balancing.

While the mud surfaces at the state level, mayor Eduardo Paes touts his untarnished record. Last week, however, the Municipal Accounts Court, which had always cooperated with his administration, recommended that the city’s revenue and expenditure accounting be rejected — but this may spring from politics.

In March of this year came the news that Paes was allegedly the man behind the code name “nervosinho” (little nervous guy), in an Odebrecht construction company bribes spreadsheet.

Some good things we never had before

Didn’t turn out this way

Aside from this we have no public concrete information linking Paes to illegal activity. Olympic-related construction contracts are said to be under investigation. Just as he blocked the City Council’s bus investigative committee in 2013, Paes has weakened the Council’s committee to investigate the Olympics.

When we get to the end of Lava Jato and its court decisions and sentences, given the way the story has been going (read Vladimir Netto’s newly-launched book, on this), Rio will surely see local politicians in jail.

We will then have to deal with a serious power vacuum. Rio’s financial/economic problem, however, demands more attention just now.

One hopes the arrested criminals will be taken to another state; a report delivered last week to acting governorFrancisco Dornelles reveals that much crime here is run from behind Rio prison bars.

Friday, a judge released five arrestees, accused of Lava Jato construction company bribe money laundering, from the local Bangu 8 prison. The release order came after the state realized it couldn’t comply with another order regarding the five, for house arrest. It had run out of ankle monitors.

The state government owes almost R$ 3 million to the device supplier.

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Corrupção no Rio

Estado é foco de sujeira: como será a limpeza?

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Fachada da assembleia legislativa em 2014: hoje nem todos sorriam

O posto de gasolina onde a Lava Jato começou fica em Brasília, mas pode-se dizer que o maior escândalo de corrupção de todos os tempos começou e, provavelmente, terminará, no Rio de Janeiro.

Hoje, o slogan da candidatura do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas de 2016 — “Viva sua paixão“– aponta mais a avareza pelo se deposita numa conta na Suiça, do que qualquer outra espécie de fascínio.

É aqui que fica a sede da Petrobras, antro das propinas e do cartel das empreiteiras. É daqui que surgiu o maior vilão da história, o deputado federal Eduardo Cunha, que iniciou sua trajetória política como tesoureiro da campanha presidencial do alagoano Fernando Collor no Rio de Janeiro. Foi convidado por Paulo César Farias, envolvido no escândalo de corrupção que levou ao impeachment de Collor em 1992.

Ficam aqui também as sedes da Furnas, da Eletrobras e a Eletronuclear, todas objeto de investigações relacionadas à cartelização de contratos de construção e a propinas que teriam alimentado campanhas políticas. Foi do financiamento da revitalização da área do porto do Rio de Janeiro, o Porto Maravilha, pelos recursos do FGTS, que surgiu a fatal delação premiada de Fábio Cleto, apontando Eduardo Cunha como suposto gestor. Indicado por Cunha, Cleto administrava os recursos do FGTS, pelo Caixa Econômico (este sim, localizado em Brasília).

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Francos suiços mais procurados do que reais

Aqui também temos o estádio de Maracanã e a faraónica porém abortada refinaria, Comperj, ambos mencionados em delações premiadas, detalhando o pagamento e a lavagem de propinas de construtoras a políticos.

Parte das investigações Lava Jato foi distribuída à Polícia Federal do Rio. Hoje, o colunista do Globo, Lauro Jardim, deu a notícia de que teremos uma nova força-tarefa aqui para investigar o BNDES, outra instituição federal que nunca se mudou para Brasília.

Será que o Rio suscita malvadeza? Ao RioRealblog, o economista Mauro Osório, presidente do Instituto Pereira Passos e especialista sobre o Rio metropolitano, disse que não. Corruptor e corrupto se encontram em qualquer lugar, ele lembra, inclusive em empresas privadas. “Acho que é necessário melhorar as instituições e baratear as eleições”, opinou.

Em uma matéria recente, o correspondente do New York Times, Simon Romero, sugeriu que as raízes da atual crise política nacional podem ser encontradas no modus operandi do PMDB, partido dominante no Rio de Janeiro.

No mínimo, pode-se dizer que o estado é o cerne da maldição do petróleo, que aflige quase todos os lugares onde o combustível se encontra. Além disso, o Rio é, há décadas, uma trabalhosa e pouco republicana manta de retalhos, unida pela incessante troca de favores — não tão diferente do país como um todo.

Difícil saber se esse sistema quase medieval tem algo a ver com a decadência da ex capital, pós 1960. A mudança para Brasília deixou para trás várias instituições federais, que aparentemente, se tornaram cofres para campanhas eleitorais. A estadual Cedae, dizem alguns observadores, passou a desempenhar a mesma função (em vez de investir na coleta e tratamento de esgoto) durante muitos anos, sobretudo sob a influência do Cunha antes de 2008.

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Com royalties do petróleo, Luciano Mota, prefeito de Itaguaí (segundo de direita para a esquerda), região metropolitana do Rio, comprou uma Ferrari

Ele, diga-se de passagem, certamente lapidou suas práticas aqui. Nomeado pelo então presidente Fernando Collor, foi presidente da Telerj, predecessora da empresa de telefonia, Oi, de 1991 a 1993.

Vamos lembrar que São Paulo, nosso eterno rival, também tem suas questões. Os nomes do governador Geraldo Alckmin e do ex governador e hoje chanceler José Serra já apareceram nos documentos da Lava Jato. E há casos anteriores de corrupção, como o da empresa francesa, Alsthom.

Enquanto se investiga e corrige a corrupção a nivel nacional, temos os nossos escândalos fluminenses.

No Rio, os governadores e os prefeitos costumam governar com pouca interferência do legislativo ou do judiciário. O sistema de nomeações de secretários,juizes e conselheiros os sustenta e protege.

Apesar de investigações e reportagens, funciona assim há muito tempo.

O ex governador Sérgio Cabral (2007-2014), por exemplo, figura desde 2011 em suspeitas e acusações de comportamento ilícito. O nome dele surgiu em depoimentos de delação premiada, da Lava Jato. Se as informações forem provadas, ele pode ser preso e julgado. Por enquanto, ele vive e trabalha, sem alarde, no Leblon, de acordo com uma matéria recente.

O sucessor dele, Luiz Fernando “Pezão” de Souza, também estaria envolvido no caso, de acordo com um delator. Afastado do cargo, o Pezão está em tratamento para câncer linfático.

Possivelmente, nem o governador interino, Francisco Dornelles, de 80 anos, se salve da Lava Jato.

Semana passada, Dornelles baixou um decreto que pode absolver quem evadiu o pagamento de ICMS antes de 2014. Depois, ele explicou que o empobrecido estado do Rio não pretende abrir mão dos recursos devidos de sonegadores repetentes.

Em maio deste ano, o jornal O Globo publicou uma série de matérias investigativas sobre Jorge Picciani, presidente da assembleia legislativa do estado, a Alerj. De acordo com o jornal, ele estaria envolvido em uma esquema de evasão de ICMS, junto com inspetores da Secretaria estadual de Fazenda do Rio e o Grupo Petrópolis, fabricante da cerveja Itaipava. O esquema inclui a compra e venda de matrizes de gado a preços exorbitantes — e fora do padrão do mercado, de acordo com uma fonte do blog em São Paulo.

Picciani também participa, de forma inusitada, de uma empresa que fornece brita para obras públicas, inclusive das Olimpíadas.

Nos anos de boom econômico, o estado do Rio presenteava empresas com isenções fiscais que hoje viraram uma grande dor de cabeça.

Enquanto, no âmbito estadual, a lama começa a chegar à superfície, o prefeito Eduardo Paes se vangloria de sua lisura. Semana passada, porém, o Tribunal de Contas Municipal, que até então cooperava com sua gestão, pediu a rejeição da contabilidade dos gastos e receitas do município — mas isso pode ter motivação política.

Em março deste ano, soubemos que Paes seria dono do codinome “nervosinho” numa planilha de pagamentos de propina da construtora Odebrecht.

Some good things we never had before

Não foi bem assim

Fora isso, não temos informações concretas, públicas, sobre Paes e qualquer atividade ilícita. Os contratos de construção relacionados à Olimpíada estariam sendo investigados. Da mesma forma que conseguiu barrar uma CPI dos ônibus, em 2013, Paes enfraqueceu a CPI das Olimpíadas, na Câmara dos Vereadores.

No fim das contas e dos julgamentos, do jeito que anda a Lava Jato (para se informar sobre a história dela até maio deste ano, leia o recém-lançado livro de Vladimir Netto), o Rio seguramente verá políticos seus na cadeia.

Teremos portanto, um grave vácuo de poder. Contudo, o problema financeiro-econômico do Rio é mais gritante.

Tomara que os corruptos presos sejam levados para outro estado; um relatório entregue semana passada ao governador interino Francisco Dornelles, revela que grande parte dos crimes aqui são administrados justamente por quem está atrás de grades fluminenses.

Sexta-feira, um juiz soltou cinco presos que estavam no presídio Bangu 8, acusados de lavagem do dinheiro de propinas de construtoras na investigação Lava Jato. A ordem para soltá-los veio depois que o estado constatou que não pode cumprir outra ordem relacionada aos cinco, de prisão domiciliar. As tornozeleiras eletrônicas, necessárias para que fossem enviados para casa, estavam em falta.

O governo estadual deve quase R$ 3 milhões à fornecedora dos apetrechos.

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Estado de choque e trauma: Rio de Janeiro

What a tangled web exclusion weaves

O emaranhado, criado para favorecer alguns, excluir outros: perdura por causa disso

Riorealblog nasceu há quase seis anos. Sua blogueira pensou várias vezes em revisar a declaração de missão (à direita), mas acabou por deixar intocada, testemunha a tempos de maior esperança (e inocência).

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Em agosto de 2010, ninguém imaginava que iríamos nos encontrar, na véspera dos Jogos Olímpicos, numa situação tão trágica. Parecia, então, que a aliança dos governos federal, estadual e municipal tinha verdadeira intenção de enfrentar alguns dos piores problemas do Rio, e que os cidadãos daqui, com uma boa dose de ceticismo, apoiavam a tentativa.

Descobrimos, dia após dia, até que ponto as elites brasileiras viviam jogando com uma mão de cartas marcadas  — marcadas com informações de insider e trocas de favor. Como pudemos acreditar que o jeitinho brasileiro fosse um charmoso traço cultural?  Ou que a burocracia existisse por puro atraso? Pois é, os trâmites e emaranhados judiciais têm por objetivo barrar os intrusos e favorecer aqueles que dispõem de amigos, para encurtar e saltá-los.

As cartas marcadas propiciam vantagem aos poderosos, na competição que é a vida. Assim, eles tendem a economizar na educação, tanto para si como para os menos favorecidos. Talvez a falta de preparo formal em todos os níveis explique a sensação atual no Rio de Janeiro, do fajuto, de coisa de última hora .

É uma democracia profundamente falhada, essa; pouco adianta focar no assim-chamado golpe dos últimos dias, ponta dum iceberg. Há tanta coisa por mudar.

Na metrópole do Rio de Janeiro, anfitriã olímpica, sugerem as investigações (tanto policiais como jornalísticas) que o bem comum é a última prioridade dos políticos e dos empresários. Por qual motivo alguém deveria ter parado para pensar no que iria acontecer hora que caísse o preço de petróleo?

Face às revelações praticamente diárias, precisamos nos preparar para absorver o pior. Por exemplo, algumas “prioridades” podem residir, muito além de meros evasão de imposto, propinas, contratos superfaturados ou conflitos de interesse, no âmbito do tráfico internacional de drogas. Numa recente entrevista do jornal El País, Misha Glenny, autor do recém-lançado O Dono do Morro: Um homem e a batalha pelo Rio, comenta que os maiores traficantes brasileiros não moram em favelas, como era o caso do objeto do livro dele, o chefe de morro, Nem da Rocinha.

“Quem faz esse serviço no Brasil costuma ser pessoas de classe média e classe alta que têm negócios legítimos operando, geralmente nas áreas de transporte e agricultura”, ele disse ao site de língua portuguesa do jornal espanhol.

Cabe perguntar: quem são eles?

Para sua blogueira, uma das mais chocantes acusações (parte do depoimento de um delator) é de que uma empreiteira pagou propina ao presidente do Tribunal de Contas estadual  durante a reforma do Maracanã.

Enquanto a mídia brasileira noticia há muito tempo os escândalos entre legisladores e governadores fluminenses, sabe-se muito pouco sobre quem deve estar fiscalizando-os — a não ser uma ideia geral de que o corpo técnico está bem preparado, mas que suas conclusões, por vezes, são ignoradas ou revertidas pelos que presidem o órgão, nomeados pelo governador e a Alerj.

Esses profissionais já questionaram partes da parceria pública-privada criada para construir o Parque Olímpico na Zona Oeste do Rio — e não tiveram respostas plenas, com a justificativa de que havia pressa para construir o Parque a tempo de receber os Jogos.

Sem os Jogos, sem o Parque, a Zona Oeste dificilmente teria experimentado o recente boom imobiliário. Esse boom já resultou num ultrapassado espraiamento urbano, dependente no automóvel, de shoppings, apartamentos e escritórios vazios, criando custos novos em termos de serviços governamentais, para o estado e o município.

No país, as atuais investigações de corrupção apontam a necessidade de repensar o Brasil como um todo.

Para que o Rio de Janeiro faça uma segunda tentativa de reinvenção urbana, será preciso uma enorme reflexão profunda, para dentro de almas e consciências, com uma mudança de rumo no sentido do bem maior. Enquanto isso não acontece, talvez seja útil procurar, com toda humildade, pistas num lugar tal como Detroit, Michigan.

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