What’s really happening with public safety?

We’ll be able to know so much

The new network’s team, which covers five Brazilian states

Brazil has a  long tradition of mystery, when it comes to public safety. Sometimes, neither the actual public policy nor its exact targets are known — currently the case in Rio de Janeiro (also on the national level). Sometimes management details aren’t publicly available, as occurred during the Federal Intervention last year and later, with current governor Wilson Witzel’s decision to abolish the Public Safety Secretariat. We also have no information on the real cost of the pacification program, implemented in Rio during José Mariano Beltrame’s term as state Public Safety Secretary.

Para português

The crime data itself can be surprising: contrary to what one would expect, national crime data is not the federal government’s responsibility. Instead Brazil turns to a not-for-profit organization, supported by foundations, multilateral organizations and NGOs, the Forum Brasileiro de Segurança Pública (Brazilian Public Safety Forum).

And now we’ve got a new mystery: how and why are crime numbers falling in Rio state? Should we assign kudos to greater police violence and governor Witzel’s support for police operations in the metropolitan region’s favelas? It’s easy to think that more police bullets lead to fewer robberies and other crimes.

State legislators Renata Souza e Mônica Francisco, elected in 2018 for the PSOL party, support the network

Starting June 1, the Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Center for Security and Citizenship Studies), CESeC, will provide us with more transparency. CESeC is launching a network to collect data and exchange information, the Rede de Observatórios da Segurança Pública (Public Safety Observatories Network). Composed of organizations in the states of Ceará, Bahia, Pernambuco, São Paulo and Rio de Janeiro, the network is supported by the Ford Foundation, the Open Society Foundations and the Cândido Mendes University.

From now until April 2021, the Network plans to provide solid resistance to police violence, which is growing across the country. It will provoke thinking, debates and action to draft public policy aimed at crime and violence reduction. The objective is to go beyond official numbers, documenting general policing, state agent victimization, police corruption, mass killings, the juvenile and penitentiary systems, lynchings, armed violence, actions and attacks by criminal groups, demonstrations, strikes and protests, state agents’ abuses, feminicide and other violence against women, racism and racial offenses, violence against LGBTQ+, religious intolerance and violence against children and teens.

Ironically, one area that holds zero mystery is our knowledge of effective public policies. In 2017, for example, the Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Applied Economic Research Institute, Ipea by the Brazilian acryonym), a federal body, published the thinking of some of the most prominent public safety actors and researchers, on what the federal government’s role ought to encompass. For various reasons that have little to do with citizens’ needs, government officials discard such recommendations based on reality, facts and numbers.

This week’s launch of the Network filled the National History Museum’s auditorium with public safety activists, actors and researchers. Called to the microphone, many of these told of the shock they feel as they witness government and society’s support for more violence in Brazil’s streets and jails.

Átila Roque, the Ford Foundation’s Brazil director, said he identifies a political project for the use of violence to “regulate order, supress revolt.” Monica Francisco, elected state representative last year for the PSOL party, part of what she called the “quilombo (term for formerly enslaved people’s refuges, referring now to Afro-Brazilian politicians) caucus”,  said that just a few years ago she couldn’t imagine today’s increasing [police and army] impunity for the deaths of favela residents , much less last year’s murder of city councilwoman Marielle Franco (together with her driver), with whom she worked.

Retired Colonel Íbis Pereira,  former Military Police commander (2014), wept as he tried to describe the current situation. Itamar Silva, Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Brazilian Institute for Social and Economic Analyses, Ibase by the Brazilian acronym) and Santa Marta favela resident, avoided lamenting the present, celebrating last year’s election of several legislators from favelas and other peripheral areas. He criticized the left for having ignored public safety concerns while in power.

Until we have more information, specialists say, we hone our critical thinking. Pablo Nunes, Network researcher and coordinator, told RioRealblog that today’s drop in Rio state crime rates may turn out to be similar to what happened during last year’s Federal Intervention: cargo theft dropped only while police and army soldiers clamped down on it.  Joana Monteiro, formerly in charge of Rio state crime statistics and now coordinating a data research center at the state attorney general’s office, notes that the Military Police have more functioning automobiles this year, than last.

Nunes expects crime to make a comeback; he says that what is needed, in addition to a healthy police street presence, are intelligence on the dynamics at work and crime case solutions.

This is a lesson learned before, in the 1990s and 2000s.

Nunes also points out that lethality is still high when police-caused deaths (which are rising) are tallied along with other homicides. He believes that current police behavior is unsustainable. There are no official violence reduction targets.

“The Witzel administration has put forth very little in regard to a public safety policy,” Nunes adds. “They haven’t even presented a project draft, all they have are slogans, they say the police should go and take care of business, but we have yet to see a framework for what the Military Police are supposed to do, what the Civil Police are supposed to do, or for any other public safety actors. What we’ve seen is each one acting on its own.”

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O que realmente acontece na segurança pública?

Teremos como saber muita coisa

A equipe da nova rede, que inclui cinco estados brasileiros

O Brasil tem uma longa tradição de mistérios no âmbito da segurança pública. Por vezes não se sabe qual é, de fato, a política pública implementada nem suas metas exatas — o caso atual, no Rio de Janeiro (e a nível nacional, também). Por vezes é a atuação administrativa que fica sem detalhamento público, como aconteceu durante a Intervenção Federal e posteriormente, com a decisão do atual governador, Wilson Witzel, de abolir a Secretaria de Segurança Pública. Não temos informações, tampouco, dos custos verdadeiros do programa de pacificação, implementado no Rio durante a gestão de José Mariano Beltrame no cargo de Secretário de segurança pública estadual.

Até os próprios dados sobre o crime surpreendem: ao contrário do que se esperaria, a coleta de informações a nível nacional não é responsabilidade do governo federal. Quem se incumbe disso é uma organização sem fins lucrativos, custeada por fundações, organizações multilaterais e ONGs, o Forum Brasileiro de Segurança Pública.

Hoje, lidamos com um mistério novo: como e por que as taxas de crime diminuem no Estado do Rio? Seria possível atribuir a tendência à maior violência policial, ao apoio do governador Witzel às incursões policiais nas favelas da região metropolitana? Parece fácil concluir que mais tiros policiais levam a menos assaltos e outros crimes.

A rede conta com o apoio de legisladoras eleitas em 2018, Renata Souza e Mônica Francisco, ambas PSOL

A partir do dia primeiro de junho, o Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, CESeC, pretende trazer mais transparência ao setor, com a criação de uma rede de coleta de dados e de troca de informações. Constituída por entidades dos estados de Ceará, Bahia, Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro, a nova Rede de Observatórios da Segurança Pública recebe o apoio financeiro da Ford Foundation, da Open Society Foundations e da Universidade Cândido Mendes.

Até abril de 2021, a Rede pretende atuar como uma sólida resistência à violência policial, que aumenta em muitas partes do país. Irá também preencher lacunas de pensamento, debate e ação na elaboração de políticas públicas para reduzir o crime e a violência. Vai além dos números oficiais, documentando policiamento em geral, vitimização de agentes do Estado, corrupção policial, chacinas, os sistemas penitenciários e socioeducativo, linchamentos, violência armada, ações e ataques de grupos criminais, manifestações, greves e protestos, excessos por parte de agentes do Estado, feminicídio e outras violências contra a mulher, racismo e injúria racial, violência contra LGBTQ+, intolerância religiosa e violência contra crianças e adolescentes.

Ironicamente, uma área onde não há mistério é a de conhecimento de políticas públicas que de fato funcionam. Em 2017, por exemplo, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), entidade federal, publicou o pensamento de alguns dos mais conceituados atores e pesquisadores da área, sobre as faltas de Brasília. Por motivos variados que pouco têm a ver com os anseios do cidadão comum, são descartadas recomendações baseadas em realidades, fatos e números.

O lançamento da Rede, no começo desta semana, encheu o auditório do Museu Histórico Nacional com ativistas, atores e pesquisadores na área de segurança pública. Chamados ao microfone, vários expressaram espanto com o apoio de sociedade e governo à violência nas ruas e penitenciárias do país.

Átila Roque, diretor da Ford Foundation no Brasil, disse enxergar um projeto do uso da violência para a “regulação da ordem, a supressão de revolta”. Monica Francisco, eleita deputada estadual em 2018 pelo PSOL, membro do que ela chama de “mandato quilombo” disse não ter conseguido imaginar, há poucos anos, as impunes mortes de moradores de favela que hoje acontecem, muito menos o assassinato, ano passado, da vereadora Marielle Franco (e de seu motorista), com quem trabalhou.

O coronel de reserva Íbis Pereira, ex-comandante da Polícia Militar (2014), chorou ao tentar descrever o quadro atual. Itamar Silva, coordenador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e morador da favela de Santa Marta, evitou lamentar o presente, elogiando a eleição de vários parlamentares de origem popular nas últimas eleições. Criticou a esquerda por não ter focado em segurança pública enquanto estava no poder.

Enquanto não tivermos mais informações, dizem especialistas, é bom manter o senso crítico. Pablo Nunes, pesquisador e coordenador da Rede, disse ao RioRealblog que a queda atual nas taxas de crime fluminenses lembra o que aconteceu o ano passado, durante a Intervenção Federal: diminuiu o roubo de carga enquanto houve mais pressão policial/militar sobre esse tipo de crime, e só. A tendência, prevê, é que o crime volte a aflorar; além de atuação policial na rua, é preciso juntar inteligência sobre as dinâmicas envolvidas, solucionar casos.

Lição, aliás, que já se revelou nos anos 1990 e 2000.

Nunes também lembra que a letalidade em si continua alta, se tabuladas as mortes causadas por policiais (que aumentam), junto com os homicídios comuns. A atuação policial do momento é insustentável, ele acredita. Não há metas de redução de violência.

“Pouquíssima coisa foi colocada pelo governo Witzel no Rio de Janeiro, como projeto de política pública de segurança”, acrescenta Nunes. “Nunca apresentaram nem um esboço de projeto, só tem chavões, tem a fala de vão lá e os policiais que façam, mas até hoje a gente não tem nenhuma coluna vertebral do que vai ser a tarefa da Polícia Militar, o que vai ser a tarefa da Polícia Civil, e de [outros atores] de segurança pública envolvidas. O que a gente tem visto é que as duas corporações tem agido muito por conta própria”.

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Rio de Janeiro in 2019

Is the horizon beautiful or threatening? Depends on who you are

A thorough cleaning expected

It would be easy to predict Rio de Janeiro’s future if the world were divided into good guys and bad guys. Since it isn’t, we find ourselves amid conflicting trends and data, hard to analyze via panoramic mode. Yes, Rio de Janeiro is keeping up with the world when it comes to confusion.

Para português

Who is Wilson Witzel, our new governor? Will he be able to keep his promises of less corruption, more public safety, less financial crisis? Will Rio in fact become a safe and sustainable tourist destination — its natural vocation (along with its cultural role) for the local economy?

It’s not easy to get deep into the man’s nature and true capabilities. He made promises and named secretaries (almost all men), decided to do away with the Public Safety secretariat and claimed he’ll have killed all those bearing rifles. He admires Israel.

Allan de Abreu, Piauí magazine reporter, analyzed the governor-elect’s court decisions, made when he was a judge (he left the post of federal judge in early 2018 to become a candidate). A large percentage of his decisions were reversed on appeal, indicating a questionable ability to produce justice.

But we need more information on each decision and its circumstances, on the environment he was working in (for safety reasons he requested a transfer out of the state of Espirito Santo in 2011) and his personal relationships at the time. We also need to know more about the years he spent as a judge in Rio de Janeiro. How did he decide to run for office, how were his ideas on public policy shaped, who were and are the people with whom he exchanges ideas?

In the area of public safety, Witzel follows the Bolsonaro line: more shooting —-> less crime. Coincidence or not, the  Rio Federal Intervention (which ends as he takes office) results support this recipe.

fairly complete summary on the UOL site includes official data and statements, as well as those of the independent Observatório da Intervenção. On the one hand we see increases in police abuse, shootouts ( up 56% compared to last year) and mass slayings  — and of course, in the number of deaths resulting from police activity:

“Since 2007 the Rio police forces had not killed as much as they did in the year of the federal intervention. There were 1,185 victims from March to November (almost 40% more than the previous year) and everything indicates that [2018 will be a record year] in the historical series of the ISP (Instituto de Segurança Pública). The institute has compiled this data since 2003.”

On the other hand, robberies and homicides fell significantly, as did police deaths.

Hence the official explanation of these numbers, which point to a future by no means less violent than now: “In relation to crime statistics, the Public Safety Secretariat says that ISP’s initial analyses ‘point to the increase in [the number of deaths] being related to the recovery of the police forces’ operational capacity, to security forces’ activity in high crime areas and the irrational behavior of criminals when they choose confrontation’.”

Irrational criminals. Rational, one hopes, are those benefitted by a decree the new president has announced, facilitating weapon ownership. In other words, we are in a new era (which oddly, harks back in time). Before, it is believed, everyone’s lack of security was caused by bad people. Now, the security of some will depend on the insecurity of others. May the criminals put away their rifles.

In addition to hunting down bad guys, the new governor promises no mercy for the corrupt. He’s not alone. After the removal from public life of governors, state representatives (and federal representative for Rio, Eduardo Cunha) and state accounting court councillors, there remains one big piece in the state jigsaw puzzle, whereby companies and politicians kept each other in the money, with lots of people blinded by bribes: the judiciary. Impetus for this comes from jailed former governor Sérgio Cabral (he’s been talking about coming clean in this regard), as well state public prosecutors.

This phase of the local Lava Jato investigations, a sea of mud swept by a variety of currents, merits close attention. On one hand there’s popular support and support from Brasília for continued cleansing; we have the promises and intentions of the governor and of state prosecutors. On the other, politics is unlikely to cease to be an exchange of favors. Can these be kept legal? It’s hard to think of the name of a politician elected on a promise to drain a swamp who didn’t end up joining its reptile population. Nothing against real snakes and alligators.

The backdrop to all this is the state’s financial situation, which stays on its fiscal recovery regime track. Though Witzel wants distance from oldtime politics, it will be tough to move forward without them. The public pension system weighs on the shoulders of almost all the country’s elected executives. The challenge is to create a pact with legislators and society as a whole. Meanwhile, oil prices are falling (as are our royalties), yet important investments must be made in health, education and again, public safety. The Intervention was just getting started.

The day-to-day financial prognosis is not heartening, and yet there is another challenge– metropolitan public policy. The lack of a metropolitan perspective is at the root of the pollution of Guanabara Bay, chaotic public transportation and the spread of crime beyond the state capital. Just before yearend, state legislators and Governor Dornelles — three years late — finally approved a law officially creating the legal framework for this. Now all that’s missing, in the midst of a financial crisis, is to work on transportation, environment and public safety (among other areas) with a metropolitan outlook.

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O Rio de Janeiro de 2019

Horizonte belo ou ameaçador? Depende de quem você seja

Limpeza geral é a expectativa

Seria fácil prever o futuro do Rio de Janeiro se o mundo se dividisse entre bons e maus sujeitos. Como não é o caso, nos encontramos no meio de tendências e dados conflitantes, difíceis de analisar de forma panorâmica. Sim, o Rio de Janeiro acompanha o mundo todo, no quesito confusão.

Quem é Wilson Witzel, nosso novo governador? Conseguirá cumprir suas promessas, de menos corrupção, mais segurança pública, menos crise financeira? O Rio de fato se tornará um destino turístico confiável e sustentável — vocação natural (além de pólo cultural) para a economia local?

Difícil aprofundar a natureza e as verdadeiras capacidades dele. Fez promessas e nomeações (quase todas homens), resolveu extinguir a Secretaria de Segurança Pública e afirmou que mandará abater quem carregue fuzil. Admira o Israel.

Allan de Abreu, repórter da revista Piauí, analisou as sentenças do governador eleito, de quando era juiz (deixou o cargo de juiz federal no começo de 2018, para se tornar candidato). Grande porcentagem de suas decisões foram revertidas em instâncias superiores, o que indicaria, enfim, uma questionável habilidade de produzir justiça.

Precisamos, porém, de mais informações, sobre cada decisão e suas circunstâncias, sobre o ambiente no qual trabalhava (por motivos de segurança em 2011 pediu transferência para fora do estado de Espirito Santo) e suas relações na época. Precisamos saber, também, mais sobre os anos que passou como juiz no Rio de Janeiro. Como foi que decidiu se candidatar, como chegou a formar suas ideias sobre políticas públicas, quais eram e quais são, hoje, seus interlocutores?

No âmbito de segurança pública, Witzel segue a linha Bolsonaro: mais tiros —-> menos crime. Coincidência ou não, os resultados da Intervenção Federal, que termina na hora que ele assume o cargo, batem com a receita.

Um balanço bastante completo, do site UOL, inclui dados e declarações oficiais e do independente Observatório da Intervenção. Vemos, por um lado, um aumento de abusos policiais, tiroteios ( 56% comparado com o ano anterior) e chacinas  — e, claro, no número de mortes por atuação policial:

“Desde 2007 as polícias do Rio não matavam tanto como no ano da intervenção federal. Foram 1.185 vítimas de março a novembro (quase 40% a mais do que o ano passado) e tudo indica que, após dezembro, terá sido o recorde da série histórica do ISP (Instituto de Segurança Pública). Os dados são compilados pelo órgão desde 2003.”

Por outro lado, os roubos e homicídios diminuiriam de forma significativa, como também aconteceu com as mortes de policiais.

Aí vem a explicação oficial do quadro, que assinala um futuro não menos violento do que o atual: “Em relação aos índices de criminalidade, a Secretaria de Segurança afirmou que análises iniciais dos dados do ISP ‘apontam que o aumento [do número de mortes] está relacionado à recuperação da capacidade operacional das polícias, à atuação das forças de segurança na mancha criminal e ao comportamento irracional dos criminosos quando escolhem o enfrentamento'”.

Irracionais os criminosos. Racionais, é de se esperar, aqueles beneficiados pelo decreto já anunciado pelo novo presidente, facilitando a posse de armas. Ou seja, estamos numa nova era (que, estranhamente, remete ao passado). Antes, acredita-se, a insegurança de todos era fruto da “segurança” de alguns maus elementos. Agora, a segurança de alguns depende da insegurança de outros. Que os bandidos escondam seus fuzis.

Além de caçar esses, o novo governador promete clemência nenhuma aos corruptos. Não estará sozinho nesse compromisso. Após a eliminação de vida pública de governadores, deputados estaduais (e do deputado federal do estado do Rio, Eduardo Cunha) e de conselheiros do Tribunal Estadual de Contas, falta mais um grande pedaço do quebra-cabeças estadual, no qual empresas sustentavam políticos que sustentavam empresas, com muita gente cegada por propinas: o judiciário. Há impeto nesse sentido tanto do encarcerado ex governador Sérgio Cabral (falou recentemente em delação) como do Witzel e do Ministério Público.

Essa fase da Lava Jato local, um mar de lama varrido por correntezas diversas, merecerá bastante atenção. Por um lado, há apoio de Brasília e também popular pela limpeza continuada; temos as promessas e intenções do governador e o MP estadual. Por outro, a política dificilmente deixará de ser uma troca de favores. Não se sabe se há jeito de manter tais favores dentro da legalidade. É difícil lembrar o nome de algum político que se elegeu prometendo drenar um pântano que não tenha se juntado à população réptil ali abrigada. Nada contra cobras e jacarés de verdade.

O pano de fundo disso tudo é a situação financeira do estado, que continua em regime de recuperação fiscal. Será difícil mesmo agir sem os recursos da velha política, da qual Witzel tanto diz querer se distanciar. A previdência pesa nos ombros de quase todos os executivos eleitos no país. Eis o desafio: como criar um pacto com o legislativo e a sociedade como um todo? Também, o preço de petróleo cai (e nossos royalties também), porém há investimentos importantes a serem feitos nas áreas de saúde, educação e, de novo, segurança pública. A Intervenção apenas iniciou o trabalho.

O quadro do sustento dia a dia do estado desanima; o que dizer de políticas públicas metropolitanas? A falta destas é grande fator na poluição da baía de Guanabara, no caótico transporte público e no crescimento do crime para fora da capital. No apagar das luzes de 2018, legisladores estaduais e o governador Dornelles — com um atraso de três anos — finalmente aprovaram uma lei que cria, oficialmente, o arcabouço legal para isso. Agora só falta — em situação continuada de crise —  trabalhar mobilidade, meio ambiente e segurança pública (entre outros temas) de forma metropolitana.

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Security or danger: what awaits us in Rio?

Gym trainer exhorts man to relax. I can’t, he shouts; this is Brazil!

“This is the last dance… of the Titanic” said one of the participants at a public safety seminar last week, making indirect reference to the infamous luxurious last dance of the Ilha Fiscal, which took place in Rio just before independence, in 1889.

Português aqui

Dialogue has always been faulty between government officials and public safety experts, even in the good old days of pacification (2009-2013). Police resisted the changes experts recommended. Despite the drop in crime and violence statistics, it wasn’t easy to relinquish the “good criminal is a dead criminal” mindset; military police nicknamed pacification police “Smurfs”. The latter, initially newbies on the force, got special training and uniforms with blue shirts.

The abyss is bigger than ever now. Regardless of proof against its results, collected in dozens of cities around the world, including Rio de Janeiro, the newly-elected heads of state and the nation, persist in the belief that we need more violence to combat crime.

Information from the Observatório da Intervenção (Intervention Observatory) made available yesterday (with a full report coming in February), supports its conclusion that  the “Armed Forces’ federal intervention didn’t solve Rio’s structural public safety problems. What we saw was the reaffirmation of the armed conflict strategy, expenditures focused on large [military-style] operations and the absence of public safety structural reform.”

The data show increases in violent deaths and street theft, while the only crime that dropped significantly was cargo theft, indicating more emphasis on goods than lives.

Costs of the intervention, decreed in February of this year, set to end Dec. 31

Of even greater concern in Rio are signs of growing paramilitary power. Are milicianos in fact taking over the metropolis, as this article, published yesterday, indicates?

In it, author Washington Fajardo (former aide to former mayor Eduardo Paes and former president of the city’s Rio Humanity Heritage Institute) explains that given the “longtime incapacity of the Brazilian state to order urban territory, foment housing policy and provide public safety, a criminal, terrorist parallel power force developed. The milícias responded to people’s fears, offering order; they supplied pirated cable TV, providing information; met transportation needs, controlling mini-vans; then they sold basic consumer goods such as water and cooking gas.”

The deaths of city council member Marielle Franco and her driver Anderson Gomes nine months ago point to such forces’ power and brazenness. How can an investigation take so long? And when action is taken to seek evidence and arrest suspects, as was the case last Thursday, it results in huge confusion (and the possibility that targets were forewarned). Despite the activity we still don’t know who killed them or why. Names of alleged milicianos appear most in the media; Franco’s opposition to llegal milicia West Zone real estate development is said to be at the root of the crime.

Last week we saw the (almost chance) revelation of a miliciano plot to assassinate PSOL congressman-elect Marcelo Freixo (now a state legislator).

Governor-elect Wilson Witzel’s decision to abolish the state public safety secretariat raises enormous concern. Can the two police forces be managed without it? The job was tough enough with the secretariat, weaked as it was by corporatism, longtime feuds (even within each force) and corruption. Specialists –including the military folk with nine months here under their belts, carrying out the Federal Intervention — agree that we need more integration and cooperation between the Civil and Military Police forces, not less. Here’s why former secretary José Mariano Beltrame created RISPs, which helped reduce crime by encouraging cooperation and information sharing.

In a tweet, Witzel barely explained his management plans: “The end of the Public Safety Secretariat is a necessary measure. We will optimize activity, bring the forces, including the Federal Police, closer together, to effect deep investigation and get to the “drug barons”, the crime bosses, breaking apart these gangs.” In another tweet, he said that “cooperation between Civil and Military police will be a new page in the fight against organized crime in Rio de Janeiro.”

According to the G1 site, Witzel “is looking at the creation of a kind of security bureau connected to the governor’s office. The bureau will house the data-collecting Instituto de Segurança Pública (ISP), the Subsecretaria de Inteligência (intelligence subsecretariat) and the Corregedoria Geral Unificada (CGU, the internal police corrections office )”.

In his interview published today in Globo, interventor General Walter Braga Netto claims that the future governor himself will have to manage intra-police force issues (which lessened during the intervention, according to Braga Netto).

Corporatist feuds may end up less problematic than other issues. Who will be responsible for police behavior in favelas, now that the future governor has encouraged them to kill anyone carrying a rifle? How to ensure that each officer has adequate training to target (and hit) armed criminals only? Or that the shooting drones Witzel has proposed won’t be hacked, sold or themselves brought down, for improper use?

It’s worth remembering that, according to the Intervention Observatory, Military Police munitions rooms keep only paper records, using no security cameras.

Reducing the formal police forces’ management structure can dangerously increase their autonomy. We may see less transparency and accountability to society as a whole. Existing police problems — largely due to inadequate wage, work and equipment conditions (as reported in the blog) — led us to partial “solutions”, such as private security companies (many of which are owned by police), the mini-“Centro Presente”-type forces and milícias.

In other words, a worn patchwork of holes and mismatches, with weak results for all of society.

For now, we see few official proposals to create a public safety policy based on data and best practices. Meanwhile, specialists — facing closed government doors — propose, among other ideas, coming together as a united group and a focus on the protection of public school favela students.

It may also be time to work, somehow, for greater dialogue.

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Segurança ou insegurança: o que nos aguarda no Rio?

“Isso aqui é o último baile… do Titanic” disse um dos participantes de um encontro de especialistas em segurança pública, semana passada.

Sempre faltou diálogo entre governantes e estudiosos de segurança pública, mesmo nos bons tempos de pacificação (2009-2013). Policiais resistiam às mudanças recomendadas pelos especialistas. Apesar da queda nos índices de crime e da violência, continuava difícil mudar a cultura de “bandido bom é bandido morto”; policiais militares chamavam os policiais de pacificação, inicialmente novatos na corporação, com treinamento e uniforme diferenciados, de “Smurfs”.

Hoje, o abismo é maior do que nunca. Apesar de provas contra a efetividade, colhidas em dezenas de cidades pelo mundo, inclusive no Rio de Janeiro, os novos governantes, do estado e da União, persistem na ideia de precisarmos de mais violência para combater o crime.

Informações do Observatório da Intervenção, disponibilizadas ontem (virá um relatório completo em fevereiro), apontam que a “intervenção federal pelas Forças Armadas não resolveu os problemas estruturais da segurança pública do Rio. O que vimos foi a reafirmação da estratégia de confrontos armados, gastos concentrados em grandes operações e a ausência de uma reforma estrutural da política de segurança”.

Os dados mostram que mortes e roubos de rua cresceram, enquanto o único crime que diminuiu sensivelmente foi o roubo de cargas, o que demonstra uma prioridade maior para bens do que para vidas.

Preocupam mais ainda, no Rio, indícios de crescimento do poder miliciano. Será que está de fato tomando as rédeas da metrópole, como indica este artigo, publicado ontem?

Explica nele o autor Washington Fajardo, ex assessor do ex prefeito Eduardo Paes e ex presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, que na “ausência histórica do Estado brasileiro para ordenar o território urbano, fomentar políticas habitacionais e prover segurança pública, um poder paralelo, criminoso e terrorista, foi montado e se desenvolveu. As milícias deram respostas ao medo da população, ofertando ordem; forneceram TV a cabo pirata, dando informação; resolveram a mobilidade, controlando vans; depois venderam bens de consumo básico, como água e gás.”

As mortes da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, há nove meses, apontam o poder e a ousadia desse setor. Como pode uma investigação demorar tanto tempo? E quando acontece uma ação para buscar evidências e prender suspeitos, como foi o caso na quinta-feira passada, surge uma grande confusão (com a possibilidade dos alvos terem sido avisados). Não sabemos ainda, apesar dessa ação, quem os matou. Nomes de supostos milicianos são os que mais aparecem na mídia. A oposição da Marielle a negócios imobiliários de milicianos na Zona Oeste teria levado ao assassinato dela e de Gomes.

Na última semana, tivemos a descoberta (quase por acaso) de um plano de milicianos para assassinar o deputado federal eleito pelo PSOL, Marcelo Freixo (hoje deputado estadual).

Suscita desconfiança enorme a decisão do governador eleito do Rio, Wilson Witzel, de extinguir a secretaria estadual de Segurança Pública. Como administrar as polícias sem ela? Já era difícil a gestão com a secretaria, enfraquecida pelo corporativismo, rixas históricas (até, inclusive, dentro de cada corporação) e a corrupção. Especialistas –inclusive os militares já com nove meses de experiência aqui, da Intervenção Federal — concordam que precisamos de mais integração e cooperação entre as polícias, não menos. Para tanto, o ex secretário José Mariano Beltrame instituiu as RISPs que, ao incentivar a cooperação e compartilhamento de informação, por um tempo contribuíram à redução do crime.

Num tuíte, Witzel pouco explicou como fará, em termos de gestão: “O fim da Secretaria de Segurança é uma medida necessária. Nós vamos otimizar as ações, aproximar as polícias, inclusive com a Policia Federal, para investigar a fundo e chegar aos “barões da droga”, aos executivos do crime, desarticulando essas quadrilhas.”  Em outro, disse que a “cooperação entre as polícias Civil e Militar será uma nova página no combate ao crime organizado no Rio de Janeiro”.

De acordo com o site G1, Witzel “estuda criar uma espécie de gabinete de segurança, que será ligado à Casa Civil. O gabinete irá abrigar o Instituto de Segurança Pública (ISP), a Subsecretaria de Inteligência e a Corregedoria Geral Unificada (CGU)”.

Na sua entrevista publicada hoje no Globo, o interventor general Walter Braga Netto afirma que, na ausência de uma secretaria, quem terá que administrar diferenças entre as polícias (reduzidas, de acordo com o general, durante a intervenção) será o futuro governador.

Rixas corporativas podem chegar a ser menos preocupantes do que outras questões. Quem se responsabilizará pelo comportamento de policiais em favelas, agora incentivados pelo futuro governador ao “abate” de quem carrega fuzil? Como se certificar de que cada policial terá o treinamento adequado para mirar (e acertar) somente traficantes armados? Ou que os drones atiradores propostos pelo Witzel não serão hackeados, vendidos ou abatidos, eles mesmos, para uso impróprio?

É bom lembrar que, de acordo com o Observatório da Intervenção, os depósitos de munição da Polícia Militar hoje contam com controles na base de papel apenas, sem câmeras de segurança.

A diminuição da estrutura formal de gestão para as polícias pode aumentar, de maneira perigosa, a autonomia destas. Podemos ver menos transparência e responsabilidade direta à sociedade como um todo. Os problemas existentes nas polícias — em grande parte, decorrentes da falta de condições adequadas salariais, de trabalho e equipamento (como já reportado no blog) — levaram a “soluções” parciais, como empresas de segurança particular (muitas das quais pertencem a policiais), as mini-forças tipo “Centro Presente” e milícias.

Trata-se de uma colcha de retalhos cheio de buracos e padrões destoantes, com resultados fracos para a sociedade como um todo.

Por enquanto, vê-se poucas propostas oficiais para criar uma política de segurança pública baseada em dados e práticas já comprovadas. No meio tempo, os especialistas — diante de portas governamentais fechadas — propõem, entre outras ideias, criar uma entidade em conjunto e lutar pelo resguardo de alunos de escolas públicas em favelas.

Talvez seja a hora de lutar, também, por mais diálogo.

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Proposal for a safer Rio: technology — or flight from human contact?

Can this work?

Boys from one of the Complexo do Alemão favelas listen to Mothers’ Day testimonies about the loss of sons to police bullets

Governor-elect Wilson Witzel declared in an interview published Sunday in O Globo that he’s never been to Rocinha favela. “I passed nearby, never went up. But you don’t need to go up to know it’s really bad there,” he said.

Para português

Witzel did nothing to soften the message; didn’t say if he has personal knowledge of any other favela. Neither did he state what exactly is bad about Rocinha. He also promised to open streets in Rio’s ten biggest favelas.

In the 2010 census we learned that more than two million people out of the state’s then-total population of 16 milllion lived in “subnormal agglomerations”, i.e., favelas. That’s 12.5% of the population. With the recession, this number may be higher today.

It’s hard to say if the new governor has ever set foot in an alley of one of the hundreds of informal areas of the state he’ll rule over (bumping into him at a restaurant last week, where he was dining at a male-only table, this blogger asked for an interview; Witzel swore half his secretaries will be women and said he was prioritizing the transition). Not that alleyways serve to fully understand favelas nor the lives of their residents, as the blog discovered in 2014.

As many UPP police must have learned, setting foot in a favela isn’t enough to bring about a definitive drop in crime and violence levels. Pacification, as implemented in some Rio favelas, never was actual proximity policing, as originally planned back in 2008.

Yes, there were soccer games and débutante balls. There were friendships and happy exchanges between residents and police. Yet we saw no protocols or lasting structures for working towards peaceful problem solving — to prevent violence and institute just and democratic behaviors for both police and residents. There were no exchanges nor collaborative projects to build trust. Residents ended up avoiding contact with UPP police.

This blogger watched and heard enough over the last eight years to conclude that “pacified” favelas lacked orientation on how to fill the power vacuum left by drug traffickers. In general, commanders and those under them improvised to fill this regulatory space. Frequently, instead of involving communities to create new, democratic problem-solving methods, they reproduced the traffickers’ prior pattern  — of maximum, unquestionable authority. Weapons topped all else.

Proximity policing implies a loss of control, some might think. Not true, if there are suitable protocols, training, and monitoring. If we’d had the chance to experience true proximity policing (as seen in many of the world’s cities), pacification would not have failed. It would have innovated, reducing crime in sustainable fashion, opening the way to other public policies that bring people together, with a range of positive results for all of society. Low-income folks suffer crime the most.

Proximity policing doesn’t solve everything. Witzel is right to say we need a stronger hand against crime. But the Rio police are ill-equipped, as this post describes. Actually, the recipe for making Rio safer is no secret. Specialists recommend sophisticated measures such as better training, equipping, paying, controlling and managing police forces; effectively using intelligence and information; integrating the judiciary and penitentiaries as actors in public safety policy and increasing the role of federal government in controlling and funding this key area of national life. One hopes the Federal Intervention has progressed in some of these areas (despite an increase in deaths). We don’t know if this is the case nor if the future governor has spoken with the generals here.

If Witzel has never been to Rocinha, intermittent locus for decades of battles among trafficking gangs and between these and police, who’s advising him on favelas and public safety? Sílvia Ramos, a key specialist in this area, doesn’t know. The  Igarapé Institute, normally part of any such conversation, isn’t involved, according to co-founder Rob Muggah. Ignacio Cano, a scholar who’s carried out important consulting projects for the state Military Police isn’t in the picture, either: “I think he has ideas of his own and a group of police likeminded officers,” he adds.

A Rio public safety specialist who preferred anonymity explains that some judges in fact are often surrounded by police officers. Police assigned to the judiciary, this person adds, sometimes build close relationships with the judges they protect. They solve problems, exchange ideas, honor them with medals, invite them to shooting ranges and to take courses with elite squad members. “At best, we’re talking about a lobby,” the person said.

Witzel’s technological approach — sharpshooters and drones flying over favelas, targeting anyone carrying a rifle — suggests advisers with limited vision. As they did during pacification, won’t traffickers adapt to the new reality of being walking targets? Back then, they went low-profile with their businesses or fled to other cities in the state, spreading violence to the West Zone and the Itaguaí-Angra dos Reis-Paraty coastal area. Nor will police bring all of them down. What happens if traffickers use residents as human shields to move around their territories?

The decision to implement such high-tech proposals, if taken, puts the responsibility on favela residents for the risks they live with daily. It will be as if the rest of Brazilian society has nothing to do with the poverty that led two million people (in Rio state) to live in informal areas, supplying cheap labor to large cities. Residents as wartime civilians, collateral damage, will have such status made formal.

Authoritarianism limits and blocks relations among people. It reinforces bubbles, minimizing the need to get one’s hands dirty, to connect with people and places that are different from one’s norm. Witzel risks, with his territorial ignorance, yet another failure for Rio de Janeiro’s public safety. He may encourage, as seen in Los Angeles and Paris, more violence, more rage and more deaths.

What about repressing the drug trade? The focus has to be on intelligence: illegal acquisition and transportation of weapons and drugs. In other words, corruption within the state’s own institutions. There, drones and sharpshooters will be of little use.

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