Strategies for Metro Rio

Not all is halted, moldy, undone

Over the past 20 months, a team of specialists has worked, using local input, to put together Rio de Janeiro’s Metropolitan Region Integrated and Strategic Urban Development Plan. The plan may never be implemented. Still, it’s worth taking a look at some of its key points.

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This is why the Rio chapter of the Brazilian Architects Institute (IAB is the Portuguese acronym) organized an open debate about it last week. Vicente Loureiro, executive director of Rio’s Metropolitan Chamber for Governmental Integration, presented the Plan.

Other cities on Guanabara Bay can upgrade shorelines as Rio has done, restoring views such as this one of Candelária church

This is Rio’s first metropolitan plan. São Paulo and Belo Horizonte have long been working at this level. Here, though two million people commute daily from bedroom towns to the capital, we tend to ignore our connections (and their absence), as if the city of Rio were an island.

Rio city already has a Strategic Plan for the next four years, drafted per municipal law in mayor Marcelo Crivella’s first 180 days in office. Civil society institutions have discussed the plan with City Hall– and it will be partially adapted to meet their demands. This plan contains targets which society must constantly monitor.

The capital also has a Master Plan, a bill the City Council passed in 2010, signed the following year by Eduardo Paes. The Master Plan is meant to orient Rio city’s public policies, but this hasn’t always been the case.

The panel at the IAB-RJ debate, with Vicente Loureiro at center

The Metropolitan Plan came into being because of a Supreme Court decision in 2013, spurring cities to come together and create metropolitan regions and metropolitan public policies. Response has come slowly, however; our state assembly has yet to vote on the 2015 bill that formally creates the Metropolitan Integration Chamber. Nevertheless, thanks to World Bank funding, the team which drafted the Plan, made up of professionals from Quanta Consultoria and Jaime Lerner Arquitetos Associados, worked on it for 20 months.

The presentation made at the IAB is here; what follows are some of its key points, noted by this blogger.

Up to now, Rio plans and reality have not always dovetailed. Experts and government officials may develop policies but what we tend to see is the power of construction and transportation companies (often the same, with the exception of bus companies) and real estate developers. So this Plan reiterates the need to contain urban sprawl in Metro Rio, focusing on vertical growth over horizontal.

We have yet to see, now that the mega-events are over, if sustainability can triumph over business and short-term political interests. The Morar Carioca program, announced in the early years of Eduardo Paes’ administration, promised to upgrade all Rio favelas by 2020. It didn’t come through, because it’s politically touchy to remove homes to improve leisure areas, safety, health conditions and access. The state government promised to clean Guanabara Bay. It didn’t come through, because it’s hard to get sewage pipes built in the many cities bathed by its waters.

Unlike Rio’s municipal Strategic Plan, the Metropolitan one takes the long view

According to Vicente Loureiro, we’re long overdue for rethinking the favela as a response to housing needs.

“One-family production isn’t sustainable,” he said at the IAB. “Sanitation demands density.” Otherwise, he added, we’ll have to create a subsidized system. “Who will pay, in a bankrupt state?” he asked.

Loureiro claimed that relocation will have to be an option among available tools for sustainable urbanization. “There are places where it’s more sustainable to relocate [residents] than to drain existing neighborhoods, to provide sanitation.” He says that allowing people to live in unsuitable areas is part of an outdated traditional paternalist system.

Such a system includes so-called dis-economies, Loureiro continued. Housing is concentrated at the urban periphery, with jobs at the center, in the state capital. Healthcare is also centralized. Those who need to go from the town of Nova Iguaçu to neighboring Duque de Caxias have to travel a zigzag. We all, he said, pay the cost of inconvenient transportation, in high fares and hidden subsidies — for sanitation, energy and transportation, for example.

“Few people live near a train station,” Loureiro explained. “The Metrô has seen a drop in ridership, foods come from far away. We need a harmonious, integrated process to redistribute space.”

Thus the Plan proposes renewed and new central spaces for Rio — so people don’t have to cross long distances to work, see a doctor, go to class, buy local produce. “People who live in Barra [da Tijuca] don’t work there, while people who work there don’t live there,”, observed Loureiro. “That’s just not modern.”

Another backward aspect of Rio is our carelessness with Guanabara Bay. Its shoreline, Loureiro noted, is almost as long as that of Rio’s Atlantic ocean beaches. “One is highly valued, the other isn’t,” he said. The Plan proposes upgrading the Bay with a focus on shoreline towns such as São Gonçalo, Magé, Duque de Caxias and Gramacho — with parks, ferries and renewal, among other transformations.

Utopia? Perhaps. If the Plan’s drafting process ran funding risks, imagine its implementation — in a context still lacking a formal framework for the Integration Chamber, effective dialogue between city halls and state government and full adherence to the capital’s Master Plan. On the other hand, it is a small delight to know that people are thinking about the future of Metro Rio. After all, as IAB Rio chapter president Pedro da Luz Moreira said at the presentation, “The Brazilian city has been a machine for exclusion, not inclusion. We have to change this.”

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Estratégias para o Rio metropolitano

Nem tudo está parado, mofando, desfeito

Durante os últimos vinte meses, uma equipe especializada, em consulta com a população, vem elaborando o Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Se o plano será implementado é uma grande questão. Mesmo assim, vale a pena conhecer alguns dos pontos chave dele.

Portanto, o capítulo Rio do Instituto dos Arquitetos Brasileiros organizou um debate aberto, na semana passada. Vicente Loureiro, diretor executivo da Câmara Metropolitana de Integração Governamental do Rio de Janeiro, apresentou o Plano.

Outros municípios beirando a baía de Guanabara poderiam valorizar a orla, abrindo-se a novas perspectivas, como fizemos no Rio, com a igreja da Candelária

Trata-se do primeiro plano metropolitano para o Rio de Janeiro. São Paulo e Belo Horizonte já vêm pensando o assunto há mais tempo. Aqui, apesar de dois milhões de pessoas viajarem dos municípios vizinhos até a capital para trabalhar, todo dia útil, temos o costume de ignorar nossas conexões (e falta das mesmas), como se a cidade do Rio fosse uma ilha.

O município do Rio de Janeiro já possui um Plano Estratégico para os próximos 4 anos, elaborado, conforme a lei dita, nos primeiros 180 dias do mandato do prefeito Marcelo Crivella. Várias entidades da sociedade civil dialogaram com a prefeitura sobre o Plano, que será parcialmente adaptado para atender às demandas delas. Esse plano contém metas que precisam ser monitoradas, de forma contínua, pela sociedade.

A capital também conta com um Plano Diretor, projeto de lei votado em 2010 pela Câmara dos Vereadores e sancionado por Eduardo Paes no ano seguinte. Esse plano deve nortear as políticas públicas municipais da capital, mas nem sempre isso acontece.

A mesa do debate no IAB-RJ, com Vicente Loureiro ao centro

O Plano Metropolitano veio a existir por causa de uma decisão do Supremo, de 2013, impulsionando municípios a se unirem na criação de regiões metropolitanas e de políticas públicas metropolitanas. A resposta vem devagar, porém: nossa assembleia estadual ainda não votou no projeto de lei, de 2015, que cria, formalmente, a Câmara de Integração Metropolitana. Apesar disso, graças a recursos do Banco Mundial, a equipe que elaborou o Plano, composta pelas empresas Quanta Consultoria e Jaime Lerner Arquitetos Associados, trabalhou nele por vinte meses.

A apresentação feita no IAB está aqui; seguem alguns dos pontos sobressalientes, captadas pela sua blogueira.

Até agora, plano e realidade nem sempre coincidiram no Rio de Janeiro. Enquanto técnicos e governantes desenvolvem ideias, o que temos visto, acima de tudo, é o poder das empresas de construção, transportes (essas, com a exeção das empresas de ônibus, as mesmas) e de empreendimentos imobiliárias. Portanto, esse Plano reitera a necessidade de conter o espraiamento do Rio metropolitano, focando na verticalização em vez da horizontalização.

Resta saber se, agora, depois dos mega-eventos todos, há jeito da sustentabilidade triunfar aos interesses empresariais e políticas de curto prazo. O Morar Carioca, no começo da administração Eduardo Paes, prometia urbanizar as favelas do Rio até 2020. Não cumpriu, pela dificuldade de remover casas para melhorar o lazer, a segurança, as condições de saúde e de mobilidade. O governo estadual prometiu limpar a baía de Guanabara. Não cumpriu, pela dificuldade de construir redes de esgoto nos municípios banhados pelas suas águas.

Diferente do plano da cidade do Rio apenas, o Plano metropolitano visa o longo prazo

De acordo com Vicente Loureiro, está mais do que na hora de repensar a favela como resposta à necessidade por moradia.

“A produção unifamiliar não é sustentável”, disse, no IAB. “Saneamento precisa de densidade”. De outra forma, acrescentou, teríamos que criar um sistema de subsídios, para atender a todos. “Quem paga, num estado quebrado?” perguntou.

Loureiro afirmou que terá que ser encarado o reasssentamento, como ferramenta de urbanização sustentável. “Há lugares onde é mais sustentável reassentar [moradores] do que drenar bairros existentes, para prover saneamento”. Para ele, permitir que as pessoas morem em locais inadequados faz parte de um sistema tradicional paternalista.

Tal sistema inclui as chamadas deseconomias, disse Loureiro. A moradia é concentrada na periferia, o trabalho no centro, na capital. A saúde também é centralizada. Quem precisa ir de Nova Iguaçu para o município vizinho de Duque de Caxias precisa andar em ziguezague. O custo da difícil mobilidade resultante pagamos todos, de acordo com ele, em tarifas altas e subsídios escondidos — para saneamento, energia, e transporte, por exemplo.

“Pouca gente mora perto de uma estação de trem”, explicou. “O Metrô tem visto uma queda em passageiros, os alimentos vêm de longe. Precisamos de um processo harmônico, integrado, de redistribuição de espaço”.

Para tanto, o Plano propõe novas centralidades no Rio, para que as pessoas não precisem de deslocar em grandes trajetos, para trabalhar, visitar o médico, estudar, comprar alimentos de cultivo local. “Na Barra, mora gente que não trabalha [no local] e trabalha gente que não mora [no local]”, observou Loureiro. “Não é contemporâneo, isso”.

Outra particularidade do Rio nada contemporânea é o descaso com nossa baía de Guanabara. A orla dela, assinalou Loureiro, é quase igual em extensão à orla Atlântica. “Uma tem alto valor, a outra, não”, disse. O Plano propõe valorizar a baía, a partir de municípios de orla, como São Gonçalo, Magé, Duque de Caxias e Gramacho — com parques, barcas e áreas urbanizadas, entre outras transformações.

Utopia? Pode ser: se a elaboração do Plano correu risco de paralisação, por motivos financeiros, o leitor imagina sua implementação — num contexto em que faltam, ainda, o arcabouço formal para a Câmara de Integração, diálogo efetivo entre prefeituras e governo estadual e respeito pleno pelo Plano Diretor da capital. Por outro lado, é uma pequena alegria saber que há gente que pensa o futuro do Rio metropolitano. Afinal, como disse, no dia da apresentação do Plano, o presidente do capítulo Rio do IAB, Pedro da Luz Moreira, “A cidade brasileira tem sido uma maquina de exclusão e não da inclusão. Precisamos mudar isso”.

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Building Rio, yes indeed

Politicians trip themselves up but democracy moves forward

Periphery activists at the launch of a primer on youth, favelas and drugs, Complexo da Maré

The government limps along, public safety wavers, but a bunch of people are busy chopping wood for the benefit of Rio de Janeiro.

Para português, clique aqui

Casa Fluminense, Meu Rio and more than 30 other groups and organizations took part in the public consultation phase of the city’s draft 2017-2020 Strategic Plan, a phase that ends today (Friday, Sept 29).

They came to the conclusion that more participation is needed! And they’re asking citizens to sign a petition to pressure city officials into opening up to more citizen input. They listed 12 priorities to be delivered to mayor Marcelo Crivella:

  1. Expansion of sewage collection and treatment citywide. Contribution to the Guanabara Bay cleanup;
  2. Public safety for neighborhoods that most need it, not just the South Zone seaside areas;
  3. Publication of the Municipal Plan for Sustainable Urban Transportation (PMUS);
  4. Guaranteed transparency in bus fare calculations;
  5. Delivery of Social Interest Housing in the city center and review of Porto Maravilha;
  6. Transparency and dialogue on areas subject to geological risk and favela upgrades;
  7. Increased full-time schooling, with quality, to 73,7% of public school enrollment by 2020;
  8. A Culture Support Program that operates according to criteria including territorial inequality reduction and the democratization of access to and production of art in the city;
  9. Creation of a Realengo Urban Park and a Serra da Misericórdia Urban Park;
  10. Creation a Municipal Policy for Urban Agriculture;
  11. Expansion of trash recycling with inclusion of trash pickers;
  12. Creation of a site for target monitoring and advances in regional plans.

Young people at the launch of the Agência Redes para a Juventude’s new cycle

Funds are scarce now but it’s almost as if the end of the mega-event lineup has allowed us to focus on what’s really important: public debate, politics. Rethinking roles, values and assumptions.

This will be the new focus for the Agência, which plans to create a network of houses in peripheral areas, where young people can gather and talk about the metropolis.

The activists in the first photo — above — who last month launched a primer on the War on Drugs, started a constant debate in low-income neighborhoods, on the connections between violence and the difficult life experiences of residents, especially black youth. Intense shootouts in Rocinha and its brief military occupation in recent days are merely an particularly impressive example of the spreading savagery in metro Rio.

There is so much uncertainty. Will Rio manage to straighten out its finances, with the Fiscal Recovery Plan signed by the state and federal governments, to lighten the current debt load and open the door to new loans?

At the same time, forward motion. In 2016, Rio was the 11th state to comply with a 2009 federal law, installing an ombudsman in its Public Defender’s office. Today also marks the end of the phase in which a triple list was drawn up, of candidates for the post from 2018 to 2020. By chance, we had exactly three candidates: incumbent Pedro Strozenberg, with long professional experience in the area of human rights; Alan Brum, Complexo do Alemão resident and co-founder of the Instituto Raízes em Movimento; and João Ricardo de Mattos Serafim, nominated by the Vigario Geral favela’s Neighborhood and Friends Association, with union experience.

All three spoke today before 15 social organizations from civil society, which voted so that the Defender’s Office Upper Council, which chooses the next ombudsman on October 20, receives a list of the three in order of preference.

A notable aspect of this election, a new development in the democratic panorama, is the question of representativeness — of whoever occupies the Defenders’ listening post. Favela resident or someone from the formal part of the city? Is listening a compensation for the  lack of listening in the past? When and how will Brazil manage to make reparations for its historic inequalities? These questions are at the heart of today’s turbulent politics, nationwide.

Yes there is movement in Rio: festive occupation of public space in the Port area, revitalized with the Cais do Valongo slave wharf excavation, the removal of the Perimetral overhead highway, warehouse renovations and two new museums

Alexandre Arraes lost his City Council seat as a result of the recent IPTU (real estate tax) vote. Before this, however, he innovated — by bringing METROPOLITAN sanitation and transportation issues into the plenary. Arraes had plans to bring up public safety, too.

Traditionally, city councils could only legislate on land use and the budget. This changed in 2013, when the federal Supreme Court decided that Brazilian metropolitan areas had to deal with metropolitan issues, Arraes explained to the blog. In 2014 Rio created the Metropolitan Integration Chamber. Unfortunately, it’s limited to diagnostic work and cannot execute policy, because the state assembly, Alerj has yet to pass the law which gives it this capacity. “We have to set up intermunicipal consortia,” Arraes suggests, as long as Alerj stalls.

Former PSDB city councilman Alexandre Arrães at the Parque do Martelo, Humaitá, which he helped create over 15 years ago

As individuals and groups work to make Rio more liveable, we had the closing of an institution that for six years fostered thinking on urban issues here. Last night was the farewell for Columbia University and Rio City Hall’s Stúdio X, a restored house whose light spilled far beyond its Tiradentes Square, downtown. The square changed so much in the last few years, with the removal of its fencing and gates, more public events and the VLT trolley’s arrival!

The building itself remains open, housing the Centro Carioca de Design. Studio X also continues on, as part of a Latin American academic network. Those present last night, including academics, architects and urban planners, swore they’d find a way to keep up the vitality that Studio X brought to Rio.

Could it be that we have more freedom to rethink Rio now, than we had within the limits of the Cabral-Paes years? Time to make it happen —

It helped Rio to shine; end of a cycle, said director Pedro Rivera

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Construindo o Rio, sim

Políticos tropeçam, democracia caminha

Ativistas de periferia, no lançamento de uma cartilha sobre juventude, favelas e drogas, Complexo da Maré

O governo está manco, a segurança oscila, mas há gente cortando lenha pelo bem maior do Rio de Janeiro.

Casa Fluminense, Meu Rio e mais de trinta outros grupos e organizações participaram do processo de consulta na elaboração, cujo prazo termina hoje (sexta, dia 29), do Plano Estratégico 2017-2020 municipal.

Chegaram à conclusão de que falta participação! Pedem a assinatura dos cidadãos, para pressionar as autoridades municipais a ouvi-nos mais ainda. E fizeram um relato de doze prioridades, a ser entregue ao governo do prefeito Marcelo Crivella:

1. Expansão da coleta e tratamento de esgoto para toda cidade. Afirmar a Baía de Guanabara;
2. Segurança para os bairros que mais precisam e não apenas na orla marítima da Zona Sul;
3. Publicar o Plano Municipal de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS);
4. Garantir a transparência na tarifa de ônibus;
5. Entregar Habitações de Interesse Social no Centro, revisar o Porto Maravilha;
6. Transparência e diálogo sobre áreas de risco geológico e urbanização de favelas;
7. Expandir com qualidade para 73,7% as matrículas em tempo integral na Rede Pública até 2020;
8. Programa de Fomento à Cultura que tenha dentre seus critérios a redução das desigualdades territoriais, a democratização do acesso e da produção artística na cidade;
9. Implantar o Parque Urbano de Realengo e o Parque Urbano da Serra da Misericórdia;
10. Criação de uma Política Municipal de Agricultura Urbana;
11. Expansão da coleta seletiva com inclusão dos catadores;
12. Disponibilizar portal para o monitoramento das metas e avançar nos planos regionais.

Jovens no lançamento do novo ciclo da Agência Redes para a Juventude

Os recursos ficaram escassos, mas é quase como se o fim dos mega-eventos trouxera foco naquilo que realmente importa: o debate, a política. Repensar papeis, valores e suposições.

Esse será o mote do novo ciclo da Agência, que pretende criar uma rede de casas de periferia, nas quais jovens irão se reunir e conversar sobre a metrópole.

Os ativistas da primeira foto, acima, que lançaram, mês passado, a cartilha sobre a Guerra às Drogas, já criaram um debate constante nos bairros perféricos do Rio, sobre as conexões entre a violência e a difícil experiência de vida dos moradores — sobretudo jovens negros. Os tiroteios intensos no morro da Rocinha e a breve ocupação militar da favela, nos últimos dias, foram apenas o exemplo mais marcante da selvageria que se espalha no Grande Rio.

Há incertezas. Será que, com o Plano de Recuperação Fiscal assinado entre o estado e o governo federal, amenizando nossas dívidas — o Rio consegue, nos próximos três ou seis anos, endireitar suas finanças?

Ao mesmo tempo, avanços. Em 2016 Rio foi o décimo primeiro estado a, no cumprimento de uma lei federal de 2009, instituir um ouvidor na sua Defensoria Pública. Hoje também termina o prazo para a elaboração  de uma lista tríplice de candidatos ao cargo para o biênio 2018-2020. Por acaso, temos exatamente três candidatos: o atual ouvidor, Pedro Strozenberg, profissional com profunda experiência na área de direitos humanos; Alan Brum, morador do Complexo do Alemão e co-fundador do Instituto Raízes em Movimento; e João Ricardo de Mattos Serafim, indicado pela Associação dos Moradores e Amigos de Vigário Geral, com experiência sindical.

Os três se apresentaram hoje diante de quinze organizações sociais da sociedade civil, que votam para que o Conselho Superior da Defensoria, que escolhe o próximo ouvidor no dia 20 de outubro, receba a lista tríplice numa ordem de preferência.

Um aspecto notável desta eleição, novidade no panorama democrático, é a questão de representatividade — de quem ouve, por parte da Defensoria. Morador de favela ou do asfalto? Ouvir é compensar o não-ouvir do passado? Quando e como o Brasil conseguirá reparar suas desigualdades históricas? Essas perguntas estão no coração da política turbulenta de hoje, em todo o país.

Há movimento no Rio, sim: ocupação festeira do espaço público na área do Porto, revitalizada com a excavação do Cais do Valongo, a retirada da Perimetral, a renovação de galpões e a criação de museus

Alexandre Arraes perdeu seu assento na Câmara dos Vereadores, como reflexo da recente votação do IPTU. Antes disso, porém, inovou no plenário– ao levar os assuntos de saneamento e mobilidade METROPOLITANOS à consideração do parlamento municipal. Arraes tinha planos de debater a segurança pública, também.

Historicamente, as câmaras de vereadores legislavam apenas sobre o uso do solo (assuntos urbanos) e o orçamento. Isso mudou em 2013, quando o Supremo Tribunal Federal decidiu que as metrópoles brasileiras teriam que encarar questões metropolitanos, Arraes explicou ao blog. O Rio criou em 2014 a Câmara de Integração Metropolitana. Infelizmente, ela está restrita à diagnosticação, sem poder executar, porque a Assembleia Legislativa estadual (Alerj) ainda não aprovou o projeto de lei que lhe outorga esse poder. “Temos que fazer consórcios intermunicipais”, sugere Arraes, enquanto nada vai adiante na Alerj.

O ex vereador pelo PSDB, Alexandre Arrães, no Parque do Martelo, Humaitá, que ele ele ajudou a criar há mais de quinze anos

Ao passo que pessoas e organizações agitam para tornar o Rio um lugar mais habitável, tivemos a triste decisão de fechar um local que fez, durante seis anos cruciais, uma descomunal contribuição ao pensamento de questões urbanas. Ontem à noite foi a despedida do Stúdio X, casarão da Columbia University e da prefeitura carioca, cuja luz derramou para muito além de sua praça Tiradentes, no centro da cidade. Quanto essa praça mudou nos últimos anos, com a retirada das grades, o crescimento de eventos populares e a chegada do VLT!

A casa em si continua, abrigando o Centro Carioca de Design. O Stúdio X também continua, porém sem casa, como parte de uma rede acadêmica na América Latina toda. Quem esteve ali presente, entre acadêmicos, arquitetos e urbanistas, jurou encontrar alguma forma de manter a vitalidade que o Studio X suscitou.

Talvez hoje tenhamos mais espaço para realmente repensar o Rio, do que tivemos dentro dos limites dos tempos Cabral-Paes. E vamos que vamos!

Iluminou o Rio; o ciclo fecha, disse o diretor, Pedro Rivera

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Shooting citywide, armed forces in Rocinha: what’s going on?

Worse than you can imagine

Relic outside the Public Safety Secretariat: sign of the times?

UPP failure a result of questionable management

Unlike housing, health and education, public safety is a service that doesn’t lend itself to different approaches, one for the rich, one for the poor.

Para português, clique aqui

This is because building walls, paying paramilitaries, buying weapons, hiring bodyguards, blacking out car windows and living in bubbles ultimately bump up against the fact that we live in one city. Regardless of our awareness, social and political phenomena affect us all. Yesterday’s metro Rio paralysis is the best latest evidence of this.

But Rio has long acted as if it were possible to treat public safety with the same duality we use when it comes to the other services we need.

Yesterday’s shooting tally, by Fogo Cruzado

Feudal times, still 

Yesterday there was shooting all over Rio  — especially in Rocinha— spurring tons of questions. What’s going on? What went wrong? Can this be fixed?

So this blogger decided to share information gathered in preparation for a more complete future post on police management.

The topic came to light in interviews carried out for the just-completed book (in Portuguese) on how Rio really works*. According to Professor Ignacio Cano, consultant and police reform researcher, coordinator of the Laboratório de Análise da Violência (Violence Analysis Lab), a key factor in the pacification failure was the 2013 decision to bring the UPPs — up to then, independent– into the overall Military Police administration (now, Cano says, the decision to bring the UPPs into the battalion system, dealt a mortal blow to a program meant to spread community policing).

The blog will soon present more information, with additional points of view. The working hypothesis is that our police forces are patchworks of discordant, badly sewn pieces. Specialists and former police functionaries say that many of these pieces are fiefdoms belonging to different officers, fertile areas for corruption. They claim that our police forces lack control, that the Public Safety Secretary’s power is limited to his capacity to appoint the Civil and Military Police commanders.

There’s plenty of compost. If federal Attorney General Raquel Dodge approves Justice Minister Raul Jungmann’s request (made yesterday) to create a task force to investigate organized crime in Rio, we may have a new wave of shocking revelations in the Marvelous City.

No security for Public Safety 

According to Sílvia Ramos, also a police consultant and coordinator of the Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Center for Security and Citizenship Study ), CESeC, Military Police weapons storage areas lack security cameras. Munitions are given out with little control; constant requests raise no flags. Vehicle entry in battalions is noted on papers that can’t be consulted later, in case someone wants to know who visited when. Even police reports, made on the spot, lack adequate controls.

“If [the] Lojas Americanas [chain stores] worked like this,” Ramos concludes, “they’d go bankrupt.”

Police lack adequate psychological treatment and there is practically no personnel department. It was widely known that UPP cops, even in their most golden days, worked in sweaty containers and had spotty access to bathrooms.

Not to speak of late wages, police shooting deaths or the infantile and repetitive disagreements between state and federal officials, plus mayor Marcelo Crivella’s long silence.

Maybe exercise will do some good 

To top all this off, the Public Safety Secretariat’s elevators are stopped. By law, they can’t function without a maintenance contract. No service provider was interested in signing a contract given the a risky payment situation. (Worse, as we’ll see in a future post, the state’s Fiscal Recovery Plan is quite fragile)

This is the environment in which the objective is to arrest criminals and reduce violence levels, using intelligence, working together with the armed forces.

Is there a way out? An attractive though improbable scenario would see Congress accept the federal Attorney General’s office’s second indictment of president Michel Temer, with Rio federal deputy Rodrigo Maia’s temporary rise to the presidency. Once there, he might just decide to stand out in the role of Rio savior. Maia has shown interest in the matter, you might say, calling for the current Public Safety secretary’s dismissal.

Otherwise, the solution will come together over the long term, with political renewal and slow recognition that public safety must be a single umbrella to protect everyone.

*This blogger finished writing the book that kept her busy for the last three years (Rio Real: quem manda e como manda numa cidade em transformação, os anos Cabral-Paes) and is back to the blog at full steam. Posts on the way: police, management/corruption; favela and suburban youth activists today, no more government support; the viability of the Fiscal Recovery Plan; City Council, a new role in the metropolitan area? — and much more.

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Tiroteios por todo lado, exército na Rocinha: o que acontece?

Buraco muito mais em baixo

Relíquia do lado de fora da secretaria de Segurança Pública: sinal dos tempos?

Fracasso das UPPs resulta de gestão questionável

Segurança é um serviço que, diferente de moradia, saúde e educação, não se presta a soluções diferentes, uma para ricos, outra para pobres.

Isso porque ao construir muros, pagar milicianos, comprar armas, contratar segurancas, escurecer vidros e viver em bolhas acabamos por esbarrar no fato de morarmos num lugar só, a cidade. Os fenômenos sociais e políticas envolvem a todos, sejamos ou não conscientes disso. A parálise da metrópole ontem é a maior evidência atual disso.

Só que o Rio de Janeiro até hoje agiu como se fosse possível tratar a segurança com a mesma abordagem dupla com a qual tratamos os outros serviços das quais dependemos.

Feudos 

Ontem o Rio de Janeiro — sobretudo a Rocinha— fervilhava de tiroteios, suscitando muitas perguntas. O que está acontecendo? Onde foi o erro? Há conserto?

Portanto, sua blogueira resolveu compartilhar informações que vem reunindo, no preparo de um post redondo, mais adiante, sobre gestão policial. O assunto veio à tona nas entrevistas para o livro que agora ficou pronto*. De acordo com o professor Ignacio Cano, consultor e pesquisador em reforma policial, coordenador do Laboratório de Análise da Violência, um fator grande no fracasso das UPPs foi a decisão de trazer o programa — até então independente–  para dentro da administração geral da Polícia Militar, no fatídico ano de 2013 (Agora, diz Cano, a decisão de levar as UPPs para dentro das batalhões, deu o golpe mortal num programa que propunha espalhar o policiamento comunitário).

Dentro de pouco, o blog trará informações mais detalhadas, com mais pontos de vista. Por enquanto, a hipótese é de que as polícias são colchas de retalhos compostas de pedaços dissonantes e mal costurados. Especialistas e ex policiais dizem que muitos desses pedaços funcionam como feudos para diversos oficiais, terrenos férteis para a corrupção. Afirmam que falta controle nas forças policiais, que o poder do secretário de Segurança Pública reside apenas na capacidade de trocar os comandantes da Polícia Civil e da Polícia Militar.

Nesses terrenos, há adubo de sobra para desvios. Se a Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, aprovar o pedido de ontem do ministro da Justiça Raul Jungmann, para que seja criado uma força tarefa para investigar o crime organizado no Rio, podemos ter mais uma onda de revelações impactantes no território fluminense.

Segurança sem sistema de segurança para si mesma

De acordo com Sílvia Ramos, também consultora à polícia e coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, CESeC, as salas em que a Polícia Militar guarda suas armas não contam com câmeras de segurança. As munições são distribuídas com pouco controle: pedidos constantes não são questionados. A entrada de veículos nos batalhões é registrada em papéis impossíveis de serem consultadas, no caso de querer saber, posteriormente, quem frequentou o local. Até os boletins de ocorrência, preenchidos na rua, não passam por controle adequado.

“Se as Lojas Americanas funcionassem assim”, conclui Sílvia, “iriam à falência”.

Os policiais não contam com tratamento psicológico adequado e não há, praticamente, um departamento de recursos humanos. Lembremos que os policiais das UPPs, mesmo nos tempos aúreos, trabalhavam em contêineres quentes, com difícil acesso a banheiros.

Nem se fala de salários atrasados, mortes policiais, armas disfuncionais ou dos desencontros infantis e repetitivos entre os governos federal e estadual, mais o longo silêncio do prefeito Marcelo Crivella.

Quem sabe, o exercício físico faça bem 

Fique sabendo, leitor, que os elevadores na secretaria de Segurança Pública, acima do Central do Brasil, estão parados. Pela lei, não podem funcionar sem contrato de manutenção. E nenhuma empresa se interessou em assinar um contrato, pois é grande demais o risco de ficar sem receber. (Para piorar, como veremos num post mais adiante, o Plano de Recuperação Fiscal do estado é bastante frágil)

Esse é o ambiente em que se propõe trabalhar com inteligência, em conjunto com as forças armadas — para prender criminosos e baixar os níveis de violência.

Há saída? Um cenário bonito porém improvável seria a aceitação da segunda denúncia da Procuradoria Geral da República contra o presidente Michel Temer, com a acensão temporária de Rodrigo Maia, deputado do Rio, à presidência. Quem sabe, ele resolveria se destacar, já no cargo, no papel de salvador da Cidade Maravilhosa. Maia já se mostrou interessado no assunto, por assim dizer.

De outra forma, a solução tomará vulto a longo prazo, com a renovação da política e o convencimento lento da população de que a segurança pública precisa ser um único guarda-chuva para proteger a todos.

*Sua blogueira terminou de escrever o livro que a ocupou nos últimos três anos (Rio Real: quem manda e como manda numa cidade em transformação, os anos Cabral-Paes) e está de volta aqui a todo vapor. Posts a caminho: polícia, gestão/corrupção; jovens de periferia hoje, orfãos de editais; a viabilidade do Plano de Recuperação Fiscal; Câmara dos Vereadores, novo papel no âmbito metropolitano? — e muito mais.

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Old Cidade Nova is new again

Owner of a restaurant, one of many abuzz at lunchtime in Cidade Nova, in downtown Rio de Janeiro

Rio is done for… Except it’s not!

With so many new skyscrapers built in the last ten years, you’d think that the downtown neighborhood of Cidade Nova (New City) was actually new. But the name harks back to the nineteenth century!

The new-not-newness is lucky for people who work in the skyscrapers. They were plunked down in the midst of some very old streets, until recently left on the margins of urban life (aside from Carnival, as they border on the Sambadrome, where the parades take place).

Restored townhouses on Salvador de Sá Avenue

In the midst of the economic downturn, we bet on the simpler things of life: coffee among friends. It happens that the Astúcia Coffee entrepreneur, Australian Daniel Hobbs, introduced this blogger to a longtime neighborhood resident, retired Swiss diplomat Ferdinand Isler.

By no coincidence, American urban activist Jane Jacobs (author of Death and Life of Great American Cities) immediately popped up in the conversation, fueled not only by coffee but also a delicious (and inexpensive) banana cake, baked by Ferdinand’s neighbor. He’s one of those residents whose existence strengthens the urban fabric– he knows everyone. He embodies the “eyes on the street” that Jacobs identified as vital to urban health.

Ferdinand with the owner of a café whose back room contains a surprise

Thus ensued a visit in the best Swiss-Brazilian style: a race to see cafés and restaurants before the lunch hour noon rush, punctuated by hugs, smiles and comments on soccer and Fernando’s clothing. Apparently he usually dresses more casually.

In the café’s hindmost room, a clothing business, making novela and samba school costumes

This blogger was initially confused between the Portuguese words confeitaria (bakery) and confecção (clothing factory). The confusion dissipated with the walk back into the depths of the narrow townhouse, past cakes and pies in various stages of preparation. At the end, two sewing machines chugged away.

Impossible to forget samba in Cidade Nova, where the Estácio samba school is located. Nearby is Praça Onze, “cradle of the samba”, practically razed by Getúlio Vargas in 1941.

For decades, Cidade Nova was known as Rio’s red light district. Once the “Teleporto” office building was finished in 1996, then-mayor César Maia transferered hundreds of sex workers to Vila Mimosa, near the Praça da Bandeira.

Cidade Nova retains a sort of transgressive spirit. Today, a Middle Eastern restaurant comes up with all kinds of delicious mixtures.

Funny pictures bring welcome lightness to lunchtime

Of course Cidade Nova was revitalized during the boom years of the Eduardo Paes and Sérgio Cabral administrations. Today, new businesses do all they can to attract and keep clients: events, deliveries, cooking classes, catering, breakfast, baskets.

Camels from the desert approaching the Lapa Arches, which used to be an aqueduct!

Another restaurant allows clients to post notices, right

Small-town feeling

Despite tight budgets, it might be worth it to burst the bubble so many people stick to, in the South Zone and downtown. How about expanding your personal geography and checking out Cidade Nova, next time you plan coffee or lunch? More photos:

This blogger ate too much banana cake …

Ferdinand shows a charming detail of the old architecture, a fountain, perhaps for horses?

Rio or Paris?

Not Botafogo, Humaitá or Lapa

This spot has an explanatory beer menu, almost an encyclopedia

Restored townhouses; now just to get those wires underground…

Rua Correia Vasques

Mini and maxi sweets

Another townhouse, retro style

Variety of architectural and décor solutions, as well as menus

Life does go on, despite the recession

Jars for light; tiles bring the past to the present

Open kitchen

Ceilings made for giants

Really truly old-fashioned

Another sort of retro

There’s a restaurante behind the church!

These ladies sell the banana cake in front of #5, Rua Viscondessa de Pirassinunga

 

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