5 x Pacificação, o filme

Os diretores Cadu Barcellos e Cacá Diegues na telona

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Algo está faltando 

“Esse documentário é para a sociedade,” disse um dos diretores, Cadu Barcellos. “Para discutir o que ela quer.”

O filme de 96 minutos de duração estreia em 16 de novembro, mas na semana passada o RioRealblog conseguiu uma entrada graças à Afroreggae para uma pré-exibição na filial Cantagalo da ONG, que ganha destaque no filme.

Ele vem sendo exibido na cidade (e até no MoMA, em Nova York!), mas pouco se ouve a respeito em termos de crítica cinematográfica, exceto um comentário feito outra noite em um debate sobre o cinema brasileiro, organizado pela American Society. “É um filme poderoso,” disse Rodrigo Fonseca, um importante crítico de cinema do jornal O Globo.

Nessa noite, o cineasta veterano Cacá Diegues (que fez Bye Bye Brazil, dentre muitos outros filmes), explicou que na juventude ele e mais quatro diretores, incluindo Joaquim Pedro de Andrade e Leon Hirzman, fizeram um documentário chamado 5 x Favela. Dois anos atrás, sob a direção de Diegues, cinco jovens diretores que cresceram nas favelas fizeram 5 x Favela, agora por nós mesmos. São curtas ficcionais encantadores e comoventes .

Agora, quatro desses diretores produziram o documentário sobre a pacificação. O desafio era imenso. “Dizíamos ao Cacá, ‘temos que filmar aquilo, acabou de acontecer’,” contou Barcellos. “Ele nos lembrava que já estava na hora de lançar o filme, mesmo com tanta coisa que mudava o tempo todo.”

Parte da equipe no auditório do Afroreggae na favela do Cantagalo

Um episódio dos cinco que compõem o filme, Complexo, é bem ilustrativo. Nele, os cineastas mostram a transeuntes imagens feitas durante a invasão do Complexo do Alemão pelo Exército brasileiro em novembro de 2010 — e perguntam a eles sobre a sensação de assistir àquelas imagens. Há dois anos, os cariocas ficaram aterrorizados, escandalizados e também aliviados, ao assistir na TV os traficantes em fuga, pilotando motos em uma estrada de terra batida.

Há dois anos, não sabíamos se a pacificação iria dar certo. Havia doze unidades de polícia pacificadora, concentradas na Zona Sul e na Tijuca. (Agora, há 28 unidades, sendo que quatro dessas estão no próprio Complexo do Alemão).

Ainda não sabemos se vai “dar certo” – se por isso entendemos dar continuidade.

Apesar de o filme ter sido parcialmente patrocinado pelo governo do estado do Rio de Janeiro, ele não traz uma conclusão já lapidada, mas sim um mosaico de impressões e informações. É o resultado dos segmentos Morro , PolíciaBandidos e Asfalto, além do segmento sobre as favelas do Complexo do Alemão.

A pacificação é de fato um mosaico de êxitos. dificuldades e dúvidas.

Em meio a imagens por vezes confusas e talvez passíveis de um corte de uns vinte minutos, encontram-se duas certezas: as balas sumiram e isso é bom; e a pacificação precisa ser muito mais que a presença da polícia, que é preciso atender às demandas sociais também.

Mais perguntas que respostas

“Quando visitei o Complexo do Alemão,” disse Gaúcho, ex-traficante de drogas, e agora funcionário da Afroreggae, durante o debate após a exibição do filme, “as pessoas pediam para mim voltar, disseram que eu fazia coisas por eles, que ninguém faz isso agora.”

Curiosamente, os diretores entrevistaram o governador Sérgio Cabral, o secretário de segurança pública José Mariano Beltrame, e alguns comandantes e soldados da polícia militar, além da secretária estadual de cultura, Adriana Rattes – mas no filme não consta ninguém da UPP Social, que coordena a resposta dos órgãos municipais às necessidades das favelas pacificadas.

Quando o RioRealblog perguntou sobre isso, o diretor Luciano Vidigal explicou que o grupo não se propôs a cobrir toda a gama de atividades governamentais relacionadas à pacificação.

O que abre bastante espaço para que as pessoas discutam a questão das demandas sociais. Ou ela será, no final das contas, o motivo/a desculpa para justificar um possível fracasso da pacificação?

De qualquer forma, a volta para casa, já de noite, pelos becos da favela Pavão-Pavãozinho a caminho do elevador que coroa a estação de metrô General Osório na saída da rua Barão da Torre, foi de alegrar o coração. Um morador hospitaleiro se ofereceu para mostrar um caminho limpo e bem iluminado, beirando uma encosta há tempos coberta de lixo.

Mas, desta vez, estava limpa.

Tradução de Rane Souza

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About Rio real

American journalist, writer, editor who's lived in Rio de Janeiro for 20 years.
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