Polícia do Rio revela treinamento diário para manifestação violenta

Fazendo o papel de black blocs até

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Police in protesters' shoes

Na pele do outro

Commander Vidal Araújo

O comandante Vidal Araújo, à direita

O Batalhão de Choque da Polícia Militar do estado, responsável pelo controle de multidões, apresentou ontem a jornalistas estrangeiros um exercício de treinamento que faz parte da preparação diária da cidade para a Copa do Mundo.

Tool box

Caixa de ferramentas

Trabalhando em parceria com policiais de motocicleta e uma equipe que recebe e analisa imagens captadas a partir de helicópteros, o Batalhão de Choque passou por uma hierarquia de respostas, desde a negociação via megafone com líderes (que, segundo o comandante André Luiz Araújo Vidal, resolve 90% das ocorrências), prisões (que há pouco tempo era competência de outra unidade) a disparos de gás lacrimogênio (fumaça colorida, ao invés de o verdadeiro gás). As balas de borracha não constavam da hierarquia,  apesar de elas terem sido utilizadas no ano passado, em episódios reais de violência nas ruas. Voltaram ao almoxarifado em outubro do ano passado, após alguns incidentes graves. Um canhão d’água deve estar à disposição da polícia antes da bola começar a rolar no gramado.

Police on high

Polícia ao alto

In the act

No flagra

Clique aqui para assistir a um vídeo da filmagem aérea e terrestre da manifestação encenada pelos policiais. O comandante Vidal disse que a polícia carioca adaptou técnicas e estratégias compartilhadas pelas polícias francesa e espanhola.

Policiais à paisana desempenharam com garra o papel de manifestantes e até mesmo cantaram o tradicional refrão: “Acordou, o gigante acordou”. Jogaram garrafas de PET vazias nos companheiros de batalhão, que se apresentavam em formação; em seguida, atearam fogo em um pneu recheado de lixo. O desafio dos policiais uniformizados era prender quem estivesse cometendo crimes, como atos de vandalismo, e dispersar os manifestantes. Vidal enfatizou que protestar é um direito assegurado aos brasileiros pelo regime democrático do país.

Yellow for tear gas

Fumaça amarela seria gás lacrimogênio

More tools

Assustador

O Congresso Nacional está tentando elaborar uma resposta legislativa à violência nas ruas dos últimos tempos,  após a morte de um cinegrafista brasileiro, atingido por um rojão supostamente atirado por manifestantes.

Segundo Araújo Vidal, a princípio, duzentos soldados do Batalhão de Choque, de um efetivo de mil homens, estarão de prontidão durante as manifestações futuras. Técnicas de artes marciais são usadas para realizar prisões, porém a polícia carioca não se autodenomina ninjas, ao contrário dos policiais de São Paulo. No final de semana passado, durante uma manifestação Não vai ter Copa em São Paulo, a polícia prendeu mais de 200 pessoas, entre elas alguns jornalistas.

Prontos

Preparados

Neat formation

Encaixados

“Estamos preocupados com os jornalistas, queremos que utilizem equipamento de proteção e pedimos que fiquem atrás de nossa formação, para que vejam o que é arremessado na nossa direção e também para proteção deles,” Araújo Vidal disse.

Ao ser perguntado sobre o impacto que a Copa das Confederações do ano passado teve sobre os preparativos do Batalhão, o comandante disse que o evento foi um laboratório para a Copa do Mundo e para os Jogos Olímpicos de 2016. “Nós aprendemos todos os dias,” ele acrescentou.

Que tal uma reforma?

Talvez uma reforma fosse uma boa ideia

SONY DSC

Apesar das melhorias em treinamento e equipamentos, o quartel general do Batalhão, um prédio centenário, sofre com o abandono. Plantas brotam a partir de rachaduras e a decoração antiga ainda enaltece o militarismo, algo que o Secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, vem tentando minimizar na Polícia Militar, desde o começo do programa de pacificação, em 2008, com o objetivo de pacificar até a Copa, no mínimo, quarenta favelas cariocas.

Porém, trata-se, neste caso, do Batalhão de Choque.

Enquanto isso, os cariocas estão atipicamente mal humorados, com calor intenso, preços surreais e trânsito insano dominando cabeças e conversas. Quem pode sairá da cidade durante o Carnaval, que começa nesta sexta-feira. Os que ficarem para trás buscarão os prazeres do Rei Momo — ou o ar condicionado.

Tradução por Rane Souza

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About Rio real

American journalist, writer, editor who's lived in Rio de Janeiro for 20 years.
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