O caos da mobilidade no Rio: tem chance de dar certo?

Aguardando o VLT

Aguardando o VLT

Uma reunião do Fórum de Mobilidade Urbana, do Clube dos Engenheiros, ontem à noite, começou a desvendar alguns mistérios do dia a dia do carioca/fluminense, com informações ainda a serem checadas.

Esse post é, acima de tudo, um convite para o compartilhamento de mais dados. A falta de informação oficial e de cobertura constante deste assunto, pelos meios tradicionais de imprensa, nos deixa no escuro.

Sua blogueira assistiu à reunião, aberta ao público, como parte das pesquisas para um livro sobre o Rio de Janeiro metropolitano. Os bairros e cidades de origem dos participantes, umas quinze pessoas no total, demonstram justamente a necessidade por um enfoque que vá além das fronteiras da capital.

O grupo conversou sobre um site novo e independente, ainda em teste, criado em conjunto com a Associação de Defesa dos Usuários de Transportes no Estado do Rio de Janeiro, para criar um banco de dados de reclamações sobre o transporte público. Inicialmente, o propósito seria de contabilizar queixas, para depois encaminhar os dados aos órgãos responsáveis e de fiscalização. Todos concordaram que o site 1746, da prefeitura da capital, não atende adequadamente aos passageiros da região metropolitana.

Cada dia, dois milhões de pessoas saiem de municípios da região para trabalhar no Rio de Janeiro, de acordo com a Casa Fluminense que, no mês passado no OsteRio, fez uma apresentação de seu Mapa de Desigualdade. “É o Reveillon todo dia na cidade”, lembrou Vitor Mihessen, economista e coordenador de informação da Casa.

Sua blogueira já fez pedidos repetidos para entrevistar autoridades estaduais e municipais sobre o assunto de mobilidade, ainda não atendidos. Assim, fica difícil checar as informações que vêm de passageiros. O setor de transportes, sobretudo nesse momento de crise financeira estadual e entre concessionários como a Odebrecht (SuperVia e VLT), a OAS (Metrô e VLT), Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa (Barcas SA e VLT) e nos fundos de pensão do Banco do Brasil, Petrobras e Caixa Econômica (Metrô e VLT), é cada vez mais opaco aos olhos de quem quer entender o que acontece.

O Globo de hoje traz a notícia de que o Metrô, de acordo com a agência reguladora, Agetransp, estaria devendo R$ 198 milhões ao estado; pretende recorrer. De acordo com o colunista Lauro Jardim, os acionistas da concessão do Metrô estariam querendo vender 49% do negócio, que valeria R$1,2 bilhão.

A racionalização das linhas de ônibus parece agradar a ninguém, mas não sabemos por onde errou– se errou (tampouco sabemos quanto as queixas se devem à uma resistência normal à mudança e quanto a problemas reais). Ilesas da Lava-Jato, as empresas de ônibus talvez estejam em melhores condições financeiras do que as outras concessionárias de transporte público no Rio. Contudo, são também o que os manifestantes de 2013 chamaram de “caixa preta” pois a Câmara dos Vereadores não deu andamento à CPI dos Ônibus, constituída naquele ano para que a população tivesse acesso a informação sobre seus reais custos e receitas.

Assim, a mobilidade se torna um enorme quebra-cabeça. Não é assunto fácil em muitas cidades do mundo. Costuma ser espinhosa a questão básica de lucro ou, pelo menos, saúde financeira, na provisão do serviço de transporte. Nem essa questão está em debate aqui, porém.

Não há como responder à pergunta do título deste post: a informação é tão escassa que muitos passageiros brincam que gostariam de saber onde fica o tal “Troncal”, suposto destino assinalado em tantos letreiros de ônibus, depois da racionalização.

No meio tempo, seguem algumas informações colhidas no encontro de ontem, ainda a serem checadas com outras fontes (comentários e maiores informações serão bem vindas, abaixo):

  • O cartão Bilhete Único empresarial não funciona mais. Agora pagam suas próprias passagens os funcionários de empresas que ofereciam esse benefício.
  • Os motoristas de ônibus trabalham por número de viagens, não por número de horas. Isso explicaria a prevalência de velocidade indevida.
  • Não há mais ônibus entre 2h e 4h no Rio de Janeiro. Os próprios motoristas de ônibus estão com dificuldade para chegar em casa.
  • As empresas de ônibus não oferecem um número adequado de ônibus durante os horários de pico, o que explicaria as baldeações ineficientes e custosos (caducando o Bilhete Único) ao passageiro. Para cumprir com o número de ônibus requerido pela prefeitura, elas estariam oferecendo ônibus para além da demanda, fora da hora do rush.

O Fórum, que dialoga com autoridades e se encontra no Clube dos Engenheiros toda sexta-feira às 18h30, é uma descoberta feliz, englobando uma variedade de localidades e experiências de vida. Um dos membros do Fórum, Guilherme Fonseca, escreve sobre mobilidade e outros assuntos urbanos no blog Diário do Rio.

O movimento #QueroMeuOnibusDeVolta programa uma manifestação dia 28 deste mês, 17h, em frente à Câmara Municipal, Cinelândia.

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About Rio real

American journalist, writer, editor who's lived in Rio de Janeiro for 20 years.
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