Prisões hoje no Rio revelam alto grau de conluio, deixam vácuo

A Alerj, presidida por um político suspeito: como sanear as contas estaduais?

A notícia, há dias, de que terremotos podem ter como causa um grande número de falhas, sem aparente conexão, espelha o momento político atual no Brasil.

A prisão hoje de cinco conselheiros do Tribunal de Contas Estadual do Rio de Janeiro, junto com a condução coercitiva do presidente da Assembleia Legislativa do estado, Jorge Picciani, faz parte de uma ruptura maior — que deixa o Rio, ainda sem fundos adequados, absolutamente sem liderança nem rumo.

O governador Pezão aparece pouco e quando aparece, é para propor planos surreais, como a extensão do Metrô da Barra para o Recreio.

Previsões são perigosas no quadro nacional, mas existe a possibilidade, semana que vem, da cassação da chapa Dilma-Temer. No mínimo, pode-se dizer que, em Brasília, a dedicação pessoal e institucional à sobrevivência deve ofuscar qualquer tentativa de levar a cabo o plano para ajudar a sanear as contas do estado do Rio.

De acordo com o jornal O Globo, “A delação premiada do ex-presidente do órgão Jonas Lopes de Carvalho Filho levou à ação contra cinco conselheiros em pelo menos dois esquemas de arrecadação de propina para fazer vista grossa para irregularidades praticadas por empreiteiras e empresas de ônibus que operam no estado. São alvos de prisão preventiva os conselheiros Aloysio Neves (atual presidente); Domingos Brazão, José Gomes Graciosa, Marco Antônio Alencar e José Maurício Nolasco”.

A ação de hoje deixou de fora uma única conselheira, Marianna Montebello. De acordo com reportagens antigas, ela, filha do presidente do Tribunal de Contas do Município, Thiers Montebello e mulher do desembargador Flávio Willeman, membro do Tribunal Regional Eleitoral (que julga políticos),  teria sido eleita ao posto com o apoio de Picciani.

Nolasco foi presidente da CEDAE nos anos 1990, época das privatizações no estado do Rio, administradas pelo irmão do conselheiro preso hoje — Marco Antônio Alencar– Marco Aurélio de Alencar, quando Secretário de Fazenda no governo Marcello Alencar, pai deles.

Placas tectônicas estão em movimento e falhas, grandes e pequenas, aparecem. Enquanto se chacoalham o estado do Rio e o governo federal, cabe mais do que nunca às instituições de fiscalização, informação, cidadania e justiça — tanto públicas como as da sociedade civil– o papel de juntar os cacos, para que possamos seguir em frente.

 

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About Rio real

American journalist, writer, editor who's lived in Rio de Janeiro for 20 years.
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