[UPDATE] Where do the bad guys go? / Para onde vão os bandidos?

Extra online reports that the Morro dos Macacos favela was taken by police as a first step towards pacification today (Oct. 14 2010) without any resistance, and that area drug traffickers fled last night to the south zone Rocinha and the north zone Morro do 18. Here is a video interview with the elite squad (BOPE) commander. The audio isn’t very good, but it shows a caveirão, the armored tank especially designed for police use. The commander says that the violence in the Morro dos Macacos favela, which took place almost exactly a year ago (and in which a police helicopter was downed, killing 3 officers), was mainly a battle between two factions for control of the favela and has no relation to today’s action.

O Extra online relata que a favela do Morro dos Macacos foi ocupada hoje (14 out. 2010) pela BOPE como o primeiro passo de pacificação hoje sem resistência, e que os traficantes de droga do local fugiram ontem à noite para a Rocinha e ao Morro do 18. Aqui encontra-se o vídeo de uma entrevista com o comandante do BOPE. O comandante diz (e o som é ruim) que a violência de um ano atrás na favela do Morro dos Macacos (em que abateu-se um helicóptero policial, com a perda de tres soldados da PM), foi principalmente uma batalha entre duas facções pelo controle da favela, e não tem relação com a ocupação de hoje.

WHERE DO THE BAD GUYS GO?

Where do the drug traffickers run off to, when Rio’s police invade and occupy the favelas? Where do they go when governor Sérgio Cabral’s “Pacifying Police Units” (UPPs is the acronym in Portuguese) retake the territory, as they have done so far over the last two years, in twelve of Rio’s 500-plus favelas?

Some have been arrested. But the ones still on the outside aren’t sending out resumés or packing themselves off to Miami. This was evident last Saturday morning in upscale São Conrado. A shootout there between cops and alleged bandits led to one death and unprecedented drama at the Intercontinental Hotel. Fleeing armed men ran inside the hotel, interrupting breakfast and a dentists’ convention, briefly taking guests and kitchen employees hostage. Thankfully, the savagery stopped there; police arrested ten and liberated the hostages. The story is that the bandits were simply on their way home from one favela to another, armed to kill, from a dance. Neither of the favelas have a UPP as yet.

Over the last two years the state’s favela pacification plan has brought peace. But with the invasion of the Morro do Turano on August 10, a new, more violent phase began. And violence is likely to come in handy for the challenge that looms like that one last level in a videogame: the gigantic Complexo do Alemão. The perhaps aptly named “Complex of the German” is the urban jungle of 13 favelas where public safety officials have long expected criminals from other areas to convene when the police turn up.

But criminals tend to have a mind of their own. When the police invaded the Salgueiro favela at the end of July, some of the bad guys fled not to Alemão, but to neighboring Turano. This is a favela famous for bank robbers and car thieves, the one that sent a stray bullet into the neck of a nursing student on a nearby college campus in 2003. She’s now paraplegic.

And so, Turano’s invasion date was changed to August. For the first time there were no preemptive arrests and the police scrambled up alleys at the unlikely hour of three a.m. As a result, guns went off. Two presumed bandidos died, and a police officer was shot in the stomach. This was the first serious violence the pacification program has spawned.

In Turano, no one went soft; two days after the invasion, the cops hunted down drug traffickers, arresting five, killing one and wounding two. Two bystanders were wounded, not seriously, according to O Globo newspaper.

The invasions and occupations here are based on Colombia’s successful experience. However, Colombia is going retrograde. Murder is back up; not enough has been done about unemployment, education and health. “…when there’s safety,” writes Cristina Tardáguila in Piauí magazine, “other needs become more apparent.”.

Rio’s governor, Sérgio Cabral, also has a mind of his own. Last week he launched the “social” phase of pacification, which involves social, cultural, developmental and environmental programs run in private-public partnerships over a six-year period. Yet the expenditure is unspecified; academics have been “invited” to draft and implement projects, and the fact that the government plans to rely on private sector participation leaves the door open for buck-passing.

And even if the social workers actually follow in the wake of the guns, the Alemão must still be taken. Officials are in no hurry, apparently; they say there’ll be a UPP in place there by 2014. By then of course, the bad guys may have split to whereabouts unknown.

PARA ONDE VÃO OS BANDIDOS?
Para onde fogem os traficantes de drogas quando a polícia carioca invade e ocupa as favelas? Aonde vão quando as UPPs retomam o território, como já fizeram nos últimos dois anos em 12 das mais de quinhentas favelas do Rio de Janeiro?

Alguns foram presos. Mas aqueles que estão em liberdade não estão distribuindo seus CVs ou pegando o voo para Miami. Isso ficou evidente na manhã de sábado passado em São Conrado. Um tiroteio entre tiras e supostos bandidos levou a uma morte e momentos dramáticos no Hotel Intercontinental. Homens armados refugiaram-se dentro do hotel, interrompendo o café da manhã e um congresso de dentistas, fazendo reféns dos empregados na cozinha por um período curto. Felizmente, logo acabou-se com a selvageria; a polícia prendeu dez e liberou os reféns. Conta-se que os bandidos estavam simplesmente no caminho de uma favela para outra, armados para matar, saindo de um baile funk. As duas favelas ainda não tem UPP.

Durante os dois últimos anos, o programa estadual de pacificação trouxe paz. Mas com a invasão do Morro do Turano, em 10 de agosto, inaugurou-se uma nova fase, mais violenta. E a violência pode ser útil, diante do desafio que aguarda a todos como o último nível de um videogame: o gigantesco Complexo do Alemão. Com nome talvez mais do que adequado, o Complexo é a selva urbana de 13  favelas já identificadas pelos governantes da área de segurança pública como o ponto de encontro dos criminosos de outras favelas quando ocupadas pela polícia.

Mas os criminosos são livres-pensadores. Quando a polícia invadiu o Morro do Salgueiro no fim de julho, alguns bandidos não fugiram para o Complexo, , em vez disso, instalaram-se no vizinho Morro do Turano. Notório por abrigar quadrilhas de assalto a bancos e roubos de carro, foi do Turano que partiu, em 2003, uma bala perdida que se alojou no pescoço de uma aluna de enfermagem em um campus universitário próximo. Ela ficou paraplégica.

Assim, a data de invasão do Turano foi antecipada em um mês, para agosto. Pela primeira vez, não houve prisões de antemão, e os soldados subiram as vielas no horário inusitado de três horas da madrugada. Portanto, houve tiros. Dois supostos bandidos morreram e um policial foi baleado na barriga. Esta foi a primeira violência grave resultante do programa de pacificação.

No Turano, ninguém amoleceu; dois dias depois da invasão, os tiras caçaram os traficantes de drogas, prendendo cinco, matando um e ferindo dois. Dois transeuntes se feriram sem gravidade, de acordo com O Globo.

Estas invasões e ocupações se baseiam na experiência colombiana, de grande êxito. Contudo, a Colômbia está regredindo. A taxa de homicídio sobe novamente; não foi feito o necessário nas áreas de desemprego, educação ou saúde. “[…] quando há segurança, as outras faltas ficam mais evidentes,” escreve Cristina Tardáguila na revista Piauí. “E a insatisfação popular se volta contra a polícia, que passa a marcar para os moradores o começo e o fim do Estado.”

O governador Sérgio Cabral também é livre-pensador. Na semana passada, anunciou a fase “social” da pacificação, que envolve programas sociais, culturais, ambientais e de desenvolvimento, concebidos e administrados em parcerias público-privadas, durante um período de seis anos. Mas não se falou em saúde, escolas, ou orçamento; convidaram acadêmicos a criar e implementar os projetos, e o fato de que o governo pretende trabalhar em conjunto com o setor privado deixa muitas oportunidades para que se fuja de responsabilidades.

E se os assistentes sociais seguirem os passos da PM morro acima, será preciso tomar o Complexo. Aparentemente, o governo não vai se apressar; diz apenas que até 2014 ali haverá uma UPP. Os bandidos terão quatro anos para se mandar, para Deus sabe onde.

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About Rio real

American journalist, writer, editor who's lived in Rio de Janeiro for 20 years.
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12 Responses to [UPDATE] Where do the bad guys go? / Para onde vão os bandidos?

  1. David says:

    I’d like to see/read a detailed comparative analyses of the past 20-30 years public investments profile in the favelas and in the tax-paying areas. Political rhetoric and semantical tricks can be very effective in dissimulating true goals, real changes and concrete plans.
    Even more sad than ineffective public policies, is the lack of public discussions on the need for evidence-based policy design.
    There is little discussions, I feel, on the costs of the current strategy. What are the expected benefits? Peace is just a word, and as such, given to different interpretations. Are we aiming at obtaining peace? When are we going to know we are there? How much are we willing to invest? Are we certain we know how much what we want cost?
    These are some of the questions which, unfortunately, are still looking for answers.

  2. Rio real says:

    David, I couldn’t agree with you more, and was shocked a couple of weeks ago to discover that school performance statistics are a novelty here. But they ARE happening now, at least. Do you know IETS? They are engaged in some evaluation studies. Here is a link, in case you’re interested, to their site: http://iets.org.br/
    I’ll find out more and provide more info in the future.

  3. Richard Filippone says:

    Drugs need to be legalized and when they are, these problems will cease virtually overnight.

  4. luiz paulo rocha says:

    para onde vão os bandidos?…

    uma interessante estratégia, eu acho, para que esta pergunta possa ser pensada — talvez não respondida — seria formula-la de outro modo. de onde vieram estes bandidos? se a resposta a esta pergunta não faz sentido, a resposta à primeira também não faz. mais interessante perguntar, talvez, para onde vai o banditismo? ou, de onde veio o banditismo? em um mundo cada vez mais globalizado estas questões se multiplicam e entrelaçam. para onde vão as populações famintas e pobres? para onde vão os desempregados? para onde vão os excluídos?

    trapalhadas da policia à parte, eu tenho pensado — talvez por otimismo irreal — que este movimento, o da pacificação das favelas, tem resultado em melhoria na qualidade de vida dos moradores das comunidades, primeiramente, e da população em geral, por consequência. é uma força centrífuga de ordem social. nós vivemos nos últimos dez anos o paroxismo de um movimento contrário — de fora para dentro — de uma certa barbárie social. talvez a física nos ajude a compreender isso.

    em ultima análise, não será o estado o grande responsável pela manutenção de uma vida saudável, pacifica e criativa nas nossas cidades. serão os próprios habitantes, com suas escolhas — de governantes a lifestyle… participando ou não, reproduzindo hábitos sociais nocivos ou não, consumindo drogas ou não. enfim, é uma longa jornada, mas neste ponto concordo como beltrame. é preciso perseverar neste caminho.

    • Rio real says:

      Muito obrigada pelo comentário sensato, Luiz Paulo. Acho que está claro que os excluídos foram para a favela, há muito tempo. Mas concordo com você que a pacificação está funcionando; peça chave nisso tudo é o consenso de que este fenômeno não é mais aceitável para a sociedade brasileira. Vejo sinais de que ele está de fato sendo reavaliado por vários setores da população. Assim, eu também estou otimista. Mas quero que dure!!!

  5. Addison says:

    Great Julia! This is my first look at your blog. Your mission statement resonates and the piece on the latest shoot-out reported some things not in O Globo. Your goals are noble and I hope you realize them — and that you don’t wind up like Zé do Rádio.

  6. Mostly agree w/ above comments.

    From another, highly pragmatic, angle, one should take a look at the growth in crime statistics in Rio nearby cities, both at Região dos Lagos and Serrana.

    It’s impossible to wipe social exclusion to under the carpet; in RIo, it goes uphill and cries (also shoots) out loud!.

    The socially excluded made the common noun favela proper, “The Favela”, and later, the addition of more and more excluded, expanded favelas all over and the proper noun became common… now with a different meaning.

    Unfortunately, an old “causo” in either sense…

    The “excluded” from Paraguay War.

    The original favela was a long, soft leaf herb that covered many hills in Rio. The government promissed land/houses to those who fought the Paraguay war; higher ranks got their roof; lower ranks kept coming to Rio to wait for the (never granted) houses.

    Meanwhile, these poeple had to live somewhere.

    They mowed the favela, camped, then began to build improvised barracos at a place the cariocas baptized “The Favela Hill” (today, Morro da Providência, behind Central do Brasil).

    In less than a year, the first favela was built with a whole army living in it.

    • Rio real says:

      Thank you, Guilherme. I plan to look at those statistics at some point. Interestingly, I heard the other night that the poorest areas of Rio now are not the favelas where the UPPs are being implemented, but the western part of the city and the Baixada Fluminense, cities contiguous to Rio proper and part of greater Rio.

  7. Rio real says:

    Thanks for your feedback and interest. I’d love to have ads but your product is at odds with what I’m doing here, unfortunately– best to you, Julia

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