As drogas matam por um caminho tortuoso, porém cada vez mais conhecido

Laerte, com seu cartum que aponta quem aproveita da Guerra às Drogas

Laerte, com seu cartum que aponta, como poucos, a quem a Guerra às Drogas realmente beneficia

De casal lésbico para fumantes de maconha?

Ethan Nadelmann, fundador e diretor executivo da Drug Policy Alliance (Aliança por políticas públicas sobre drogas, uma importante organização norte americana que luta por políticas baseadas em ciência, compaixão, saúde e direitos humanos), tem uma sugestão para quem quiser ver reforma nesse campo no Brasil. Participando ontem, no Museu de Arte do Rio, da Discussão sobre Reforma de Políticas para Drogas e Implicações para a América Latina, organizada pela Open Society, ele falou das novelas de televisão.

A visão de

Por André Dahmer

“Nos Estados Unidos, começamos, há vinte anos, a falar do uso de maconha por motivos médicos. Houve muita menção disto, na época, nos programas de TV, tanto de comédia como em programas mais sérios. Vocês aqui poderiam criar uma personagem branca, uma velhinha, uma avó, que estivesse com câncer, fazendo quimioterapia, sentindo muita dor, e para quem a maconha seria imprescindível. Aí a novela mostra o desfecho, com a vovó fumando maconha, a dor sumida.”

Será que ele sabia da atual novela das nove da Globo, “Babilônia”, com duas personagens, as de Fernanda Montenegro e de Nathalia Timberg — perfeitas para o papel que ele imagina?

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A visão de Arnaldo Branco

Nos EUA, a legalização da maconha em alguns estados começou pela sensibilização dos eleitores diante da questão de dor, da medicina. Claro que a mesma questão existe no Brasil.

Diferente de lá, porém, nós aqui sentimos a dor de tragédias mais abrangentes, diárias, resultantes de nossa longa e violenta guerra sobre drogas. Como relatou, durante o evento no MAR, Julita Lemgruber, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), no Brasil a polícia mata seis pessoas por dia– e a maioria das mortes tem relação com o tráfico de drogas. Lançando mão do humor para chegar ao cerne da questão, o CESeC acabou de lançar a campanha pioneira, Da proibição nasce o tráfico.

Um debate que surpreendeu

De auditório lotado, o jeito foi assistir pelo telão: dados e experiências surpreendentes, com a presença da ex presidente da Suiça, que  focou na saúde de viciados

Sua blogueira se sensibilizou à essa realidade durante o diálogo sobre o Complexo do Alemão, que aconteceu dia 9 de abril, entre moradores, policiais, estudiosos e outros. No Alemão, até a morte do menino Eduardo, no dia 2 de abril, as balas voavam e os moradores se protegiam da guerra, na medida do possível. Muitos deixavam de sair de casa, abdicando do trabalho, do estudo, do lazer, de negócios e das tarefas do dia a dia. Morriam também policiais, trabalhando em condições precárias. Durante uma única semana no começo deste mês, morreram quatro pessoas — e o ano de 2015, até a morte do Eduardo, foi de tiros todos os dias.

Em 27 de junho de 2007, 19 pessoas morreram, num massacre durante uma operação policial e militar.

Mais um, do

Mais um, do Angeli

E tudo isso, como escrevi neste post, não acontece por causa de uma religião, uma fronteira ou uma ideologia– os motivos de tantas outras guerras no mundo. É por causa das drogas, cujos efeitos na saúde da população em geral pode ser menos nocivo do que a própria guerra contra ela. A Discussão de ontem trouxe as experiências positivas de outros países, com a descriminalização de drogas e foco nas raízes do vício, além de muitas outras informações surpreendentes. Para saber mais sobre o debate, leia aqui e aqui.

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O que faz uma invasão

E, para entender um pouco a liberdade que um morador de favela busca, no meio da violência, fique com esse vídeo, da música Pipas Avoadas, pelo morador do Complexo do Alemão, Eddu Grau.

(Aqui vai a letra:

A liberdade às vezes é um barquinho de papel e uma pipa no céu, dançando o funk dançando o pancadão. A liberdade às vezes é um barquinho de papel e uma pipa no céu, dançando o funk dançando o pancadão. Muitos veem na pipa a sua própria liberdade, projetam-se no céu, como se fosse a sua imagem viajam na ideia de estar acima da cidade. Pássaros de papel no céu. A pipa deixa de ser madeira e papel, é como se eu e quem estivesse lá no céu. Sentindo, lá de cima a sensação do vento, toda a liberdade, todo o movimento. Já não há bandeira raça ou facção ja não há cão polícia ou ladrão tudo lá de cima, todos são iguais, o limite lá é você quem faz. Já não há fronteiras, raça ou facção já não há cão polícia ou ladrão, tudo lá de cima, todos são iguais, o limite lá é você quem faz. Todo o barquinho de chuva que desce o beco tem nele sementes e sonhos da gente que o tempo ajuda a crescer. Que a gente quer ver crescer.)

 
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About Rio real

American journalist, writer, editor who's lived in Rio de Janeiro for 20 years.
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