Dados: futuro promissor para o Rio metropolitano?

Mapa de Instagram, num dia em Barcelona: os dados revelam nossas preferências

Mapa de posts no Instagram, em Barcelona: os dados, com rapidez, revelam nossas preferências

Já pensou, se a prefeitura tivesse pedido aos passageiros de ônibus que baixassem um aplicativo que acompanhasse, integralmente, suas viagens durante um certo período? Talvez assim, teríamos uma racionalização de ônibus mais realista.

A tecnologia para juntar dados desta forma existe; a política, nos dois sentidos da palavra, ainda não. (De acordo com uma fonte do blog que trabalhou com a parte logística da racionalização, ela se baseou em dados coletados por pesquisadores que andaram nos ônibus, contando quantas pessoas subiam e desciam em cada ponto. Não houve coleta de dados sobre viagens inteiras, de começo ao fim. Talvez seja pela ausência de informação, em parte, que tantos passageiros hoje se queixam da falta de condução adequada.)

Uma conversa com Willy Müller, arquiteto argentino radicado em Barcelona, leva o interlocutor a sonhar. Que tal pensar no fluxo e no atendimento de turistas através de um mapa de seus posts no Instagram? Ou mapear a origem e trajetos de nossos alimentos, para avaliar o custo real deles, para então fomentar o cultivo urbano?

A Rio Branco, hoje, sem carros: a desprogramação das cidades

A Rio Branco, hoje, de VLT silencioso no lugar dos barulhentos carros e ônibus: “desprogramação” das cidades

“Por que a cidade não faz seu próprio Uber?” instiga Müller numa entrevista com o RioRealblog, ao lembrar das brigas surtidas por causa do serviço de transporte, que aproveita a crescente difusão dos smartphones.

Os sonhos são produto, diz o diretor do Barcelona Urban Sciences Lab e co-fundador do Institute of Advanced Architecture in Catalunya (IAAC, ou Instituto de Arquitetura Avançada na Catalunha), de duas novidades de nossa era: a velocidade e as preferências. Rapidamente, através dos smartphones, podemos saber quais são as opções de grande número de pessoas. Temos que agir com mais rapidez, diz ele, ao criar e implementar políticas públicas. Temos que planejar antecipando os fatos. Por exemplo, Müller sugere, já sabemos que a terra esquenta e os mares estão subindo. O que o Rio de Janeiro está fazendo, a respeito?

Temos que “desprogramar” as cidades, ele propõe, mudando a infraestrutura para que a cidade possa se transformar.

Müller, que já trabalhou no planejamento do Porto Maravilha, deu uma palestra ontem aos 110 conselheiros do novo Conselho Consultivo do Modelar a Metrópole. Composto por representantes de instituições públicas, da sociedade civil, concessionárias de serviços, empresários e associações de classe, o Conselho faz parte de um longo e complexo processo de escuta e reflexão (através de doze oficinas), que produz um plano estratégico para a região metropolitana do Rio.

Quem está levando esse processo adiante é o consórcio Quanta-Lerner, vencedor de uma licitação da recém constituída Câmara de Integração Metropolitana. O projeto de lei que oficialmente cria a Câmara está na assembleia legislativa estadual, ainda a ser votado.

Outros palestrantes na reunião de ontem incluiram o diretor-executivo da Câmara Metropolitana, Vicente Loureiro, o urbanista Jaime Lerner e o coordenador-técnico do Plano, Alexandre Weber.

A nova abundância de dados acelera o ritmo urbano, porém não traz a felicidade automática, Müller ressalta. Os smart cities podem reprimir, do mesmo jeito que libertam.

No contexto do Rio metropolitano, são as pessoas, e não a tecnologia em si, responsáveis por políticas públicas. Ao ser perguntado sobre como a tecnologia pode contribuir à política, sobretudo num contexto de corrupção e desigualdade social, Müller mostrou a famosa foto da multidão em protesto na praça Puerta del Sol, em Madri, em 2011. “Foi organizado por mídia social”, ele respondeu. “Em matéria de horas”.

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About Rio real

American journalist, writer, editor who's lived in Rio de Janeiro for 20 years.
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