Novidades ainda, num Rio de Janeiro “derretido”

Na Casa Pública, ontem: as contas andam mal há muito tempo, disse Paulo Lindesay. Poucos se interessavam

Hoje acontecem manifestações contra a corrupção no Brasil. No Rio, não se sente grande entusiasmo pelo ato, com cara, a essa altura, de mais do mesmo (apesar de a Lava Jato ser alvo repetido de políticos alvos dela).

O que realmente incita alguns fluminenses a irem para a rua são as propostas do governo estadual para diminuir despesas: cortar salários, aumentar a taxa previdenciária dos funcionários estaduais. Talvez a saída da ex primeira dama do Rio, Adriana Ancelmo, da cadeia para a prisão domiciliar, aguardada para em breve, leve a protestos no Leblon.

Ontem na Casa Pública, houve uma conversa sobre a falência do estado, organizada em conjunto com a revista Piauí. Participaram Adriano Belisário, autor de uma matéria da Agência Pública sobre isenções fiscais no Rio, Paulo Lindesay do Núcleo da Auditoria Cidadã, e Malu Gaspar, jornalista da Piauí, autora de um recente perfil do presidente da assembleia estadual do Rio de Janeiro, Jorge Picciani.

Picciani, político veterano do PMDB, fecha o artigo da Malu — com palavras shakespearianas, proferidas à jornalista pelo WhatsApp: “O país está derretendo e o estado já derreteu”.

Malu apontou, ontem, uma probabilidade alta de intervenção federal aqui. Só que… qual governo federal? Acessível online apenas para assinantes, o artigo leva à conclusão de que são contados os dias de liberdade do chefão, apelidado de “Rei do Gado”.

Contados também são os tiros, tiroteios, homicídios e outros atos violentos. Durante anos, a fonte mais citada sobre crimes era do Instituto de Segurança Pública, do estado. A partir da semana passada, contamos também com a ferramenta de âmbito nacional, DataCrime, criada pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas, da Fundação Getúlio Vargas no Rio. No evento de apresentação, semana passada, Cecília Olliveira também descreveu seu aplicativo de grande utilidade, tanto para quem pesquisa como para quem convive com tiroteios, Fogo Cruzado.

Mais dados, melhor — sobretudo num ambiente de tiroteios diários, por toda a região metropolitana. Para que tenhamos políticas públicas eficazes na diminiução da violência, precisamos de dados, além da vontade de mudar um quadro que se reverte rapidamente para a vida pré-pacificação.

Mesmo que o estado do Rio esteja derretido, há gente que não desiste. Amanhã, segunda-feira, dia 27 de março,  às 18:30, a Casa Fluminense levará até o Salão Nobre da Câmara Municipal do Rio uma demanda para que o prefeito Marcelo Crivella cumpre com a lei que requer um Plano Estratégico municipal, com metas a serem monitoradas. O prefeito tem até o dia 29 de junho deste ano para apresentar as metas para os próximos quatro anos do mandato (2017-2020).

O Rio, mesmo falido, continua palco de debates nacionais. Sua blogueira teve a oportunidade de assistir, ontem, ao novo documentário Meu Corpo Minha Vida, de Helena Solberg. A história da jovem moradora da Zona Oeste, Jandyra, sua família e sua igreja serve para examinar a complexa questão do aborto no Brasil. Jandyra morreu numa clínica clandestina de aborto, em 2014. O filme estreia na GNT quinta-feira, dia 30 de março, às 23:30. Tomara que seja bastante veiculado.

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About Rio real

American journalist, writer, editor who's lived in Rio de Janeiro for 20 years.
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