O Novo Rio: o que ver e fazer

Agora, muito mais do que praias, o Jardim Botânico, o Cristo ou o Pão de Açucar

For The New Rio: what to see and do, click here

Você ou algum amigo está no Rio para a conferência da ONU Rio +20 e quer ver de perto o que mudou na Cidade Maravilhosa? Ou mora aqui e nunca parou para se dar conta das novidades?

Há algumas semanas os leitores da página Facebook do blog responderam à pergunta “Onde você levaria um amigo paulista que não vem ao Rio por muito tempo?”

As respostas no Facebook são para você e seus hóspedes ou visitantes, também. Há tanta coisa nova e diferente– e após décadas de declínio é com muito orgulho que queremos mostrar nossa cidade. Apenas meses atrás um vilarejo mofado, agora está no caminho ao status de metrôpole. Com muitos defeitos ainda, é claro.

O elevador do Dona Marta. Desde o final de 2008, essa infraestrutura de cinco estações, construída pelo estado, oferece uma alternativa a mais de 800 degraus entre a rua São Clemente e o topo da primeira favela pacificada do Rio de Janeiro. Confira a laje onde Michael Jackson gravou um vídeo musical– depois de conseguir um OK do dono do morro.

Lapa de sexta-feira ou sábado de noite, quando a avenida Mem de Sá é fechada ao trânsito, um esquema recente. Está aqui um post sobre isso. Divirta-se nos bares, cafés e com a música que hoje em dia já é muito mais do que samba.

Mirante Pavão-Pavãozinho, aberto em 2010 em cima do elevador público por sua vez em cima da saída Teixeira de Melo da estação de metrô General Osório. Você pode subir de graça, conferir as vistas, e caminhar com moradores pela passarela para dentro da favela, onde é possível andar sem problemas desde a instalação de uma UPP em 2009. Vai ver os relógios de luz nas paredes das casas; trata-se de levar as pessoas para a economia formal. Há ainda MUITO lixo.

A favela do Vidigal, que há tempo atrai estrangeiros, abriga agora um albergue que organiza festas e tem uma vista maravilhosa.

O novo pólo gastronômico da Zona Norte, com o pioneiro Aconchego Carioca e seus bolinhos de feijoada. Cerveja ótima, também.

Mercado da Cadeg na Zona Norte, famoso pelas flores, danças foclóricas portuguesas, vinho, bacalhau e azeite, e alguns restaurantes fora de série. Em plena revitalização, com planos para filial no centro, após a remoção da Perimetral.

Teleférico do Complexo do Alemão, também na Zona Norte. Construído pelo governo federal quando os traficantes de droga ainda mandavam no local, é polêmico porque ninguém perguntou aos moradores se achavam uma boa ideia. Também, como revela essa reportagem de um jovem parceiro da TV Globo , o planejamento e a construção deixam muito a desejar. Mesmo assim, é um passeio impressionante de seis paradas por cima do famoso complexo de favelas que o Exército brasileiro invadiu e ocupou em novembro de 2010, virada na história da pacificação no Rio de Janeiro. Novamente, vistas fabulosas– com mais delas ainda pertinho, da Igreja da Penha, uma igrejinha em cima de um morro íngreme com um novo plano inclinado para chegar nela (mas se você andou tomando caipirinhas e comendo aipim frito, vai pela escadaria), um sortimento impressionante de lembranças religiosas e de milagres, artefatos da escravidão e eventos como a benção das motocicletas. Para mais informação, veja esse post sobre mais um lugar que voltou ao mapa de locais que se pode visitar sem medo no Rio de Janeiro.

A área do porto, região meio lamacenta onde você pode visitar as excavações atuais do Cais do Valongo, o longamente esquecido cais de desembarque de escravos, e o assim-chamado  Cemitério dos Pretos Novos que na verdade foi um terreno de desova para escravos que não sobreviviam a viagem ao Rio (maior porto de escravos do mundo em termos de volume total). Em torno de 10 mil esqueletos jazem debaixo do chão de duas casas, e você pode ver alguns em aberturas que ali foram cavadas. Um memorial aos escravos está em fase de planejamento.

Para mudar de astral, vai mexer o quadril segunda- ou sexta-feira à noite na Pedra de Sal, onde escravos e seus descendantes tocam samba há séculos, ao pé doMorro da Conceição, outra atração que vale a pena agora que existe uma UPP. O Trapiche da Gamboa também fica perto, um local aconchegante para samba e tiragostos deliciosos.

Avenida Presidente Vargas, uma faixa que cortou a cidade em 1941 que nunca respirou por conta própria– até agora, com dezenas de obras de reforma, retrofit e construção em andamento.

A ponte Rio-Niterói, da qual se vê gigantescas plataformas de petróleo em construção, a baía de Guanabara engarrafada de cargueiros, e (geralmente no inverno do hemisfério norte), cruzeiros colossais ancorados no porto. Chove dinheiro no Rio… mas não ande de barca pela baía. As barcas estão uma bagunça, prestes a serem resgatadas por um empréstimo federal para comprar novas embarcações.

Morro da Providência, também perto do porto, outra favela do centro da cidade com uma UPP. Há críticas às obras relacionadas ao Porto Maravilha e às Olimpíadas, que destruiram uma praça e muitas casas, e removeram moradores. Mas é a primeira favela do Rio, datando de 1897, e abriga a Casa Amarela, um admirado e ativo centro de fotografia criado por Maurício Hora, filho de um traficante de drogas, para levar jovens à fotografia.

Bar do David, na favela pacificada de Chapéu Mangueira acima do Leme. David atrai um número crescente de pessoas do asfalto (inclusive, dia 19 de junho, o prefeito de Nova York Michael Bloomberg– e aliás, veja aqui uma divertida comparação prefeitural) para comer sua feijoada de frutos do mar. David foi o primeiro empreendedor de favela a ganhar um prêmio do concurso anual carioca Comida de Buteco. Chapéu Mangueira também vale uma visita por ser modelo de sustentabilidade, como parte do projeto de urbanização de favelas Morar Carioca, que pretende urbanizar todas as favelas do Rio até 2020.

Last but not least, o tradicional cinema da Zona Norte Imperator acabou de reabrir como centro cultural municipal, após uma grande reforma. Há shows maravilhosos de samba da velha guarda!

O blog agradece ao André Sampaio (confira seu WikiRio), Bruno Correia, Ana Amelia Whately, Gustavo de Almeida e Manoel de Almeida e Silva pela ajuda deles!!

Para uma listagem bastante completa das mudanças em via aqui, clique na Cariocapédia. Você pode também querer dar uma conferida no Abecedário do Rio, ainda em construção.

Você tem alguma recomendação? Deixe um comentário– e compartilhe quanto quiser, em qualquer mídia social que você preferir.

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About Rio real

American journalist, writer, editor who's lived in Rio de Janeiro for 20 years.
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3 Responses to O Novo Rio: o que ver e fazer

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  2. Cristina Rangel says:

    Tudo muito bom, tudo muito bem, mas… o cinema no Imperator , Méier, ainda não reabriu. O referido Centro Cultural foi reinaugurado em Junho passado (qdo desta sua postagem), porém sem as salas de cinema, que foram prometidas, então, para Setembro. Setembro também já passou. Estamos sem cinema no Méier já há um bom tempo e espero, como muitos, que aconteça logo a abertura das salas, fora da teoria.

  3. Rio real says:

    Cristina, não sabia. Você sabe se há alguma explicação? Vamos atrás disso!

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