Police shuffle: upshot for Rio

Part of a power struggle?

There’s consensus in Rio de Janeiro that police corruption and criminality must be reduced. What we don’t know is if it’s possible to achieve this to a significant degree, in an environment where politicians tomam posse (take possession [of office]), become autoridades (authorities) and then bring in  trusted people to occupy cargos de confiança (posts of confidence).

Widespread corruption and scant trust in society at large mean that every deed and every word, especially on the part of public figures, requires the interpretation of a Torah scholar. Even the media, with needs that don’t always match those of readers and viewers, cannot be trusted.

Thus we get tweets such as this one, from former State Public Safety Secretary, Marcelo Itagiba: “New commander changes everything once again. One dum-dum steps down and another one takes his place. Institutional instability. There’s no line of action. Only a changing of the guard.” Itagiba served under Governor Anthony Garotinho, accused of corruption and recently found guilty of illegal media usage for electoral purposes.

Because reading between the lines is a time-consuming process, most people either mistrust all information unless it comes from a close friend or relative– or they turn to conspiracy theory. Like gossip, theories are easy to invent and spread. And a conspiracy theory is occasionally correct.

So it could well be that, as Itagiba and many other observers posit,  the new public safety policy is mere windowdressing for Governor $érgio (this is how Itagiba writes his name) Cabral’s money-grubbing. After all, his dubious connections, long suspected, came to light just a few months ago.

In his tweets, Itagiba suggests that current Public Safety Secretary José Mariano Beltrame is in on both arms of the theory. Others believe he’s trying to do his job, but is at odds with the governor. Thus Thursday’s change in police chiefs brought speculation about whose man is or was whose, the secretary’s or the governor’s.

Then, yesterday’s and today’s news that new police chief Erir Ribeiro Costa Filho is changing the occupants of more than thirteen top positions in the Rio state military police force, including the key post of police pacification commander,  sparked new doubts and provided new information. If this is window-dressing, it’s pretty fancy stuff. Or, as the O Globo headline reads, it’s a crisis.

Or part of a long-term process?

Colonel Mário Sérgio Duarte was police chief for so long– two years!– that it’s easy to forget that Beltrame has changed chiefs several times. In January 2008, he traded in a chief who made the mistake of joining a wage protest march, for an intelligence specialist. This is probably when the police pacification strategy was being drafted. In July 2009, out went the intelligence specialist and in came Colonel Mário Sérgio Duarte.

Duarte would most likely have lasted longer, if he hadn’t chosen a battalion commander who ended up allegedly masterminding the assassination of a judge who took a strong anti-militia stance in his São Gonçalo territory. Also, if, unlike many other public officials, he hadn’t perceived himself as being responsible for the choice and all that it implied.

Colonel Ribeiro Costa Filho, Beltrame’s fourth police chief (and one also forgets that Beltrame himself has steadfastly been in office since January 2007, when Governor Cabral first took office), lives in a lower-middle-class house in the Baixada Fluminense, part of greater Rio de Janeiro. He was pulled off his job as São Cristóvão battalion commander in 2003, after accusing the then State Sports Secretary of having asked him to go easy on Mangueira favela drug traffickers. That year he won a “Faz Diferença” (Making a Difference) award from O Globo newspaper, for his whistle-blowing.

Interestingly, that same secretary, who goes by the personalist moniker of Chiquinho da Mangueira (Mangueira Frankie), is about to be reappointed to his previous post. So Ribeiro da Costa Filho may be bumping into his nemesis in halls of state. But rivalries and enmity are nothing new in those parts.

At any rate, the new chief’s personnel decisions indicate that he and Beltrame are making the most of  this unforeseen opportunity to choose their associates in the tasks of reducing police corruption and criminality, as well as reducing crime committed by those outside the force.

An Oct. 2 page 23 O Globo article, not available online, by seasoned police reporter Vera Araújo, describes the selection process: “It was from a business administration course … that Beltrame drew management concepts in choosing the new military police czars… recruitment, selection, leadership and motivation.”

See what you want to

It’s impossible to be sure what all these changes mean, and it will be especially interesting to see what the switch in command of the police pacification program will portend. A police specialist says that the new commander, Colonel Rogério Seabra, has  “a community police profile, believes in a dialogue with society, and is good at public relations”.

As the earth turns, it will be helpful to keep in mind that whatever it is that Rio’s police are doing, for better or worse, is in large part a reflection of the rest of society. As the police change their values and behavior, as Beltrame says he wants them to do (based on consensus), all of us may be called on to review our own.

We don’t see things as they are. We see them as we are.

                                                                            — Talmud

Here is an analysis of the new police personnel, by O Globo blogger Jorge Antonio Barros

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Rio de Janeiro ganha novo chefe de polícia

For Rio gets a new police chief, click here

 

[ATUALIZAÇÃO: De acordo com uma blogueira com bom acesso  aos acontecimentos policiais, o novo chefe da Polícia Militar, coronel Erir Ribeiro da Costa Filho, acabou de nomear o coronel Rogério Seabra, que atualmente preside a divisão de pessoal da PM, para substituir o coronel Robson Rodrigues como comandante das UPPs. De acordo com algumas fontes, a saída ontem do coronel Mário Sérgio Duarte como chefe da PM pode trazer maior autonomia para o Secretário Estadual de Segurança Pública Secretary José Mariano Beltrame, vis-à-vis o governor Sérgio Cabral.]

Três falhas graves, e o comandante da polícia militar carioca, Mário Sérgio Duarte, pede para sair:

O novo comandante da polícia militar é o coronel Erir Ribeiro da Costa Filho, cujo cargo mais recente foi de chefiar a operação de emergência pelo telefone 190, recentemente modernizada. Ele tem experiência na Zona Oeste do Rio de Janeiro, território de milicias, e também em São Cristóvão. Costa Filho tem histórico de denunciar malfeitores dentre a polícia militar e pelo menos uma autoridade estadual.
Em uma coletiva de imprensa, o novo comandante disse que a corregedoria terá que se tornar proativa, e que os lideres da corporação deve dar exemplo. “A formação nas academias não torna ninguém digno,” acrescentou. “Dignidade vem de berço, vem da pessoa.”
O Secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, quer que os policiais tenham que apresentar anualmente suas declarações de imposta de renda.
A resposta do estado às três falhas enumeradas acima e a renúncia em si do coronel Duarte indicam um  posicionamento firme– com transparência e responsabilidade louváveis– contra a corrupção policial e contra crimes cometidos por policiais.
Na esteira da prisão de Oliveira, Duarte pediu demissão do hospital, onde, na segunda-feira, passara por uma cirurgia de próstata.
Hoje pela manhã, de seu leito hospitalar, ele concedeu uma entrevista (não disponível na Internet, infelizmente) à Radio BandNews FM. Ao entrevistador Ricardo Boechat, Duarte contou que saiu do comando porque acredita carregar a responsabilidade final, pois foi ele quem colocou Oliveira no comando do Batalhão de São Gonçalo.
Boechat perguntou como Duarte chegou a essa decisão, sabendo que o Oliveira estava sendo investigado por comportamentos suspeitos anteriores, porém sem ser indiciado.
“Por mais que tenhamos precaução na hora da escolha, nós pesamos todas as informações, mas sempre vai haver uma possibilidade de erro na nossa escolha mesmo de policiais com a ficha completamente limpa, ” Duarte respondeu. “O coronel Claudio foi o terceiro comandante do Batalhão de São Gonçalo na minha gestão e ele vinha obtendo redução dos índices de criminalidade. Mas, o processo de escolha de comandantes é extremamente penoso. O que não pode depois é dizer: eu não sei, eu não vi, eu fui traído. A responsabilidade é minha.”
Duarte também disse que policiais militares podem ter se comportado de certa maneira no ambiente que precedeu a p0lítica de segurança pública que data de 2008, um ambiente que prestigiava a violência policial. Agora, teriam uma chance para mudar– e ele acreditava em dar segunda chance para os homens e mulheres sob seu comando.
Implícito em suas palavras é o fato de que faltam pessoas preparadas na força policial do Rio de Janeiro, em grande parte ainda ganhando mal.
Para informações sobre o que o Secretário Estadual de Segurança Pública está fazendo para mudar as atitudes e comportamentos policias logo no início de 2012, leia esse post anterior.
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Rio gets a new police chief

[UPDATE: New police chief Colonel Erir Ribeiro da Costa Filho has reportedly named Colonel Rogério Seabra, head of the military police personnel division, to replace Colonel Robson Rodrigues as commander of the Police Pacification Program. Sources say Colonel Mário Sérgio Duarte’s exit yesterday as Rio military police chief could mean more autonomy for State Public Safety Secretary José Mariano Beltrame, vis-à-vis Governor Sérgio Cabral.]

Three strikes, and Rio’s military police commander Mário Sérgio Duarte was out:

The new military police chief is colonel Erir Ribeiro da Costa Filho, who most recently headed up Rio’s newly-upgraded 190 emergency telephone number operation. He has experience in the militia-ridden West Zone of Rio, as well as in São Cristóvão. Costa Filho has a history of whistle-blowing within the military police and in the case of at least one government official.
At a press conference, the new commander said that the military police’s internal affairs division will have to become proactive, and that the force’s leaders must set an example. “The police academy doesn’t teach a person dignity,” he added. “Dignity comes from the cradle, from the person himself.”
State Public Safety Secretary José Mariano Beltrame said he wants police to present their annual tax declarations.
The state’s response to all three strikes listed above and Duarte’s resignation itself indicate a firm stance– with laudable transparency and accountability– against police corruption and crimes.
In the wake of Oliveira’s arrest, Duarte turned in his resignation from the hospital where he underwent a prostate operation this past Monday. This morning he gave a telling radio interview (not available online, unfortunately) from his hospital bed. Duarte told interviewer Ricardo Boechat that he quit because he believes he holds ultimate responsibility, having assigned Oliveira to São Gonçalo. Boechat asked how Duarte came to make that assignment, knowing that the commander was under investigation for earlier wrongdoing, although not indicted.
“As careful as we are in making choices, weighing all the data, there will always be a chance of error, even if the officer has a completely clean record, ” Duarte answered. “Colonel Claudio was the third commander under me in São Gonçalo and he was bringing down the crime rate. But the process of selecting commanders is very difficult. What is inadmissable is to say later ‘I didn’t know, I didn’t see, I was betrayed.’ The responsibility is mine.”
Duarte also said that military police may have behaved in a particular fashion in the environment that encouraged police violence, before the new public safety policy was implemented in 2008. Now, they have a chance to change– and he believed in giving the men and women under his command that chance.
Implicit in his words is the fact that Rio’s police force, largely underpaid, simply doesn’t have enough manpower prepared for the new public safety enviroment.
To learn about what State Public Safety Secretary is doing about police attitudes and behavior, set to be implemented early next year, read this earlier post.
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Crossing urban borders

A year ago, unthinkable

Para Cruzando fronteiras urbanas, clique aqui

New coordinates

All of a sudden you surprise some ladies standing in front of the Municipal Theater with the gift of your two tickets to a classical music concert, and run off to see a Shakespeareplay at the Complexo do Alemão…

You then find yourself dangling in a spacious gondola, with a breathtaking view. The Complex of favelas is so big it takes six stations to cover it. So big, and a year ago you didn’t really know where it was. About 100,000 people live here, maybe twice your own Ipanema! The Army occupation in November 2010 changed your mental map of the city. Before that, people talked about the cable car system, but it was all very strange. The federal government was building it in the midst of a territory still run by the drug traffic. Run by them for thirty years…

Morro do Adeus (Goodbye Hill) Station

Padox boggle everyone

On your return to the Morro do Adeus Station, you bump into a troop of twenty young people at very serious play, creating a theatrical intervention learnt from the French. The Mozart prankster you left behind downtown would have loved it.

Padox live in flocks;

Then you watch– in the most awful cold, since Goodbye Hill is in fact on a hill, with a polar wind to boot–  the play Sua Incelença, Ricardo III, staged by a troupe from the state of Rio Grande do Norte. They’ve just given a series of workshops for actor, director, musicians and theater students, all Alemão residents. Young members of a local theater group sit next to you, wearing t-shirts and jeans. They shiver just like you.

Full house, despite an infernal chill

Last, a blindfolded dancer from Porto Alegre moves with great confidence. She even climbs the wire fence around a soccer field, accompanied (musically) by a local composer. You identify. But she knows the territory like the palm of her hand; she’s done a two-week residence here.

I came face to face with a fear and personal prejudice formed by generalizations about people who live [in favelas]. I took away beautiful images in my memory, I met fabulous people and artists, people who have a great deal of power to transform the precariousness of their reality into creative potential. — Roberta Savian

Southern dancer Roberta Savian and Eddu Grau, local composer

Sign of the times…

Switzerland in the Alemão

But…

“Having tourists is a pain,” says Itamar Silva, coordinator of IBASE, the Brazilian Institute of Social and Economic Analysis. “They say we have to get ready for tourism,” he continues. “What do they mean? Cleaning up? Having Perrier on hand?”

Hostels are appearing in favelas with police pacification units. And the middle class goes up the mountain to eat feijoada with a touch of authenticity, much cheaper than in the formal city.

A resident of the Santa Marta favela, Silva easily lists the post-pacification cultural novelties (i.e., parties with live samba) : Morro de Alegria, Favela Chique, Por do Santa.

Botafogo, a neighborhood where stray bullets used to rain into the gardens of the City Palace (the mayor’s headquarters), has become a favela gateway. Another map mutation.

Itamar Silva, at the Rede de Pesquisa em Favelas workshop, at the BNDES

Son of a maid and a samba composer, Silva also complains that the folks who climb the hill to get a kick out of the samba de raíz revival end up marginalizing the kind of samba the locals prefer, pagode. And the pacification authorities tend to ban funk music, especially when the words glorify the drug traffic. Silva fears that samba schools will lose their place in carioca culture. It’s getting to the point, he adds, when schools will have a section just for favela residents– who used to save a section for outsiders.

"The good things of Rio are coming back"

Yup, pacification and its ramifications are, as do the Padox, poking holes in the logic of people, barriers, and territories. Silva suggests a kind of protected area in favelas, and to “think about [urban] integration”. Historic preservation? And what of the hilltop resident who wants to make the most of his real estate’s appreciation?

It’s not easy to say what ought to be preserved, who will stay, who arrives and who leaves as soon as possible. Public policy for Rio’s favelas evolved through the decades from removal in the 1970s, to urbanization in the 1990s, and, starting in 2008, urban integration. By 202o, the Morar Carioca program is supposed to upgrade housing and general life quality conditions in all of Rio’s favelas, to the level of all its other neighborhoods. The architects’ drawings are lovely, full of greenery and clean environments.

Carioca hutong

In 2020, in nine years, who will a favela resident be? How many will be poor, and where will they live? And by 2030? There’s no debate going on about this.

Reality pricks our imaginations. Just as a cultural outing at the Complexo do Alemão was until recently unthinkable, few foresaw that Brazil could become a mostly middle class country.

Favelas were never meant to exist–  that’s why they were ignored for so long. Now that they’re getting attention and investment, they risk becoming mere quaint districts. Is that a bad thing?

While the future gets itself into some kind of shape, a great deal of money is being spent by companies such as Petrobras and Oi, as well as state and municipal governments, so that cariocas from different parts of the city can share experiences and create new partnerships. In August, the state of Rio announced a record investment of US$ 21.6 million equivalent in culture for this year and next. Of this, US$ 263,000 equivalent will go towards the production of music videos, CDs and projects related to the history, communication and circulation of the controversial funk style of music.

This is a positive accessory to the urban mobility we’ve just gained–one which can only strengthen peace and democracy.

A worthwhile exchange

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Cruzando fronteiras urbanas

Impensável, um ano atrás

Novas coordenadas

De repente, você surpreende duas senhoras paradas na frente do Theatro Municipal com o presente de seus dois ingressos para um concerto de música clássica, e vai voando para assistir a uma peça de Shakespeare no Complexo do Alemão…

Logo você se encontra pendurada numa espaçosa gôndola, diante de uma vista deslumbrante. O Complexo é tão grande que comporta nada menos do que seis estações. Tão grande, e um ano atrás, você nem sabia direito onde ele ficava. Cerca de 100 mil pessoas moram aqui, talvez o dobro de sua Ipanema! A ocupação pelo Exército em novembro de 2010 mudou sua mapa mental da cidade. Antes disso, falava-se em teleférico, mas era tudo muito estranho. O governo federal o construía no meio de um território ainda dominado pelo tráfico. Dominado há trinta anos…

Estação do Morro do Adeus

Padox mexe com todo mundo

Na volta ao estação do Morro do Adeus, você esbarra com uma tropa de vinte jovens brincando com toda a seriedade, criando uma intervenção teatral que aprenderam com um francês. O brincalhão Mozart, a quem você deixou para trás no centro da cidade, teria adorado.

Padox vive em bando

Aí você assiste– sentindo o maior frio, pois o Morro do Adeus se encontra de veras num morro, com direito a vento polar–  à peça Sua Incelença, Ricardo III, encenada por uma trupe do Rio Grande do Norte. Eles acabaram de oferecer uma oficina para atores, diretores, músicos e estudantes de teatro, moradores do Alemão. Ao seu lado estão sentados jovens membros de um grupo de teatro local, vestidos de camiseta e jeans. Tremem igual a você.

Casa cheia, apesar dum frio desgraçado

Por final, uma bailarina gaúcha anda com confiança, apesar de usar uma venda nos olhos. Ela até escala o arame cercando um campo de futebol, acompanhada (musicalmente) por um compositor local. Você se identifica. Mas ela conhece o território como a palma da mão, pois aqui fez uma residência de duas semanas.

Enfrentei um medo e um preconceito pessoal formados por informações generalizadoras sobre o pessoal que vive no morro. Levo imagens lindas na memória, conheci pessoas e artista fabulosos, gente que tem um poder muito grande de transformação da precariedade da realidade em potencial criativo. — Roberta Savian

Bailarina gaúcha Roberta Savian e Eddu Grau, compositor do morro

Sinal dos tempos…

Suiça no Alemão

Mas…

“Receber turistas é muito chato,” diz Itamar Silva, coordenador do  Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas, IBASE. “Ficam avisando que a gente tem que se preparar para o turismo,” ele conta. “O que querem dizer? Limpeza? Oferecer água Perrier?”

Surgem albergues em algumas favelas que têm UPP. E a classe média sobe para comer uma feijoada com um quê de autenticidade, bem mais barata do que no asfalto.

Morador da favela Santa Marta, Silva logo enumera as novidades culturais (leia-se festas com roda de samba) pós-UPP: Morro de Alegria, Favela Chique, Por do Santa.

Botafogo, bairro por onde balas perdidas choviam nos jardins do Palácio da Cidade (sede do prefeito), virou porta de entrada ao morro. Mais uma mudança no mapa.

Itamar Silva, no workshop da Rede de Pesquisa em Favelas, no BNDES

Filho de doméstica empregada e compositor de samba, Silva ainda reclama que quem agora chega no morro para curtir um samba de raíz acaba por marginalizar o samba que os moradores mais ouvem, o pagode. E  a pacificação em si tende a barrar o funk, sobretudo quando as letras glorificam o tráfico de drogas. Silva prevê que a escola de samba vai perder seu lugar. Só falta, ele acrescenta, criar a ‘ala da comunidade’.

Não se trata apenas de nostalgia

Pois é, a pacificação e suas ramificações mexem, como os Padox, com gente, barreiras, e territórios. Silva sugere uma espécie de reserva de mercado em favelas, para “proteger algumas áreas, para pensar a integração”. APAC? E o morador que quer aproveitar a valorização de seu imóvel?

Difícil é saber agora o que preservar, quem fica, quem entra e quem vai embora logo que puder. Através das décadas, a política pública para as favelas cariocas evoluiu de remoção nos anos 1970, para a urbanização nos anos 1990, e, a partir de 2008, para a integração urbana. Até 202o, o programa Morar Carioca pretende igualar as condições de moradia e de qualidade de vida em geral entre todas as favelas da cidade e todos os seus bairros. Os desenhos dos arquitetos são lindos, repletos de verde e de ambientes limpos.

Hutong carioca

Em 2020, daqui a 9 anos, quem será o morador de favela? Quantos serão pobres, e onde irão morar? E em 2030? Não existe debate em torno disso.

A realidade atiça nossas imaginações. Do mesmo jeito que não se cogitava fazer um programa cultural no Complexo do Alemão, nem se pensava que o Brasil poderia se tornar um país de classe média preponderante.

Nunca foi para favela existir–  por isso mesmo elas foram ignoradas por tantos anos. Foco de atenção e investimento agora, elas perigam se tornar meros distritos urbanos de uma certa singularidade.  Há mal nisso?

Enquanto o futuro não toma vulto, gasta-se muito dinheiro, da parte de empresas tais como a Petrobras e a Oi, e dos governos municipal e estadual, para que cariocas de diferentes partes da cidade compartilhem experiências e façam novas parcerias. Em agosto, o estado do Rio anunciou um investimento inédito em cultura para este ano e 2012, de quase R$ 41 milhões. Disso, R$ 500 mil irão para a produção de videoclipes, CDs e projetos de memória, comunicação e circulação da polêmica música funk.

É uma contrapartida positiva para a mobilidade urbana que acabamos de ganhar– que só pode fortalecer a paz e a democracia.

A troca compensou

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Secretary says police training is top priority

Para Beltrame sobre UPPs: capacitação é primordial, clique aqui

And the process will continue

Today State Public Safety Secretary José Mariano Beltrame, star of the Getúlio Vargas Foundation law school seminar UPP: a new public safety model?, organized with the Folha de São Paulo newspaper, said he trusts in the future of Rio’s pacification policy.

The state agency just announced the results of research on homicide rates in pacified favelas. Beltrame wanted to remind the crowded auditorium about the pacification program’s achievements, sometimes sidelined by news of police corruption, drug trafficking resistance, and the return of violence.

The Secretary's retinue

“There are places where [the homicide rate] is zero,” said Beltrame in a low voice, calculated to impress. “Homicide influences the Human Development Index, the HDI.” His voice rose. “We’re going to build, we’re building. [They’ll say] ‘ah, but that, further down the line, it’s going to melt away.’ People, it’s not going to melt away. Because it’s yours. It’s not mine, I’m out of here,” he added, distinguishing himself from the personalism that marks so much Brazilian public policy.

He went on to defend what he calls a process, not a project, explaining why pacification is here to stay: “When a politician gets hold of this, he’s going to keep doing it because if you don’t, you lose votes. If a technocrat takes up this policy, he’ll do it because there’s data, he has research that shows what’s good and what’s bad.”

Referring to last January’s state regulation of the  UPPs, Beltrame added that the state now “has a decree that establishes this, too”.

In a particularly awkward sentence, the secretary let evidence slip through of the pressure he must have felt to increase the number of pacification units, which now number seventeen.

Building the foundations

“I intend not to inaugurate more UPPs if I can’t build the foundations, because before we started, because we started, because we’ve been adjusting certain, certain things that are not just right.”

Recent problems may have strengthened what is likely to have been his position since the inauguration of the first UPP at the end of 2008, in the Dona Marta favela, in Botafog0. At the time it was said that the pacification troops were fresh recruits, specially trained in community policing and untainted by corruption. But there are reports of inadequate training. The problems may result from this, at least in part.

The issue of training came up in a study of pacification police, presented during the seminar by sociologist Julita Lemgruber, director of the Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, CESec.

Also present at the seminar– sitting in the front row, nodding her head — was Juliana Barroso, Undersecretary for Training and Prevention Programs, in charge of police curriculum reform.

This article , published last month in O Globo newspaper, reported that six months into her job Barroso “completed an x-ray of the teaching at Rio’s five police academies and found a frightening situation. She discovered that there are police officers who have gone ten years with no additional coursework.”

Changing their tune

The story also says that the “destruction of values cultivated in the past, such as the preparation of a police force for fighting a war, will be the first lesson learned by officers after the curriculum reform.”

At the seminar, Beltrame said that the Rio police must transform even to the point of changing their “war chants”, used to motivate recruits.

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Beltrame sobre UPPs: capacitação é primordial

E o processo continua, sim

Hoje, o Secretário Estadual de Segurança Pública José Mariano Beltrame, estrela do seminário UPP: um novo modelo de segurança pública?, organizado pela escola de direito da Fundação Getúlio Vargas em conjunto com o jornal Folha de São Paulo, se mostrou confiante sobre o futuro da pacificação carioca.

A Secretaria de Segurança acabou de revelar o resultado de uma pesquisa sobre homicídios em favelas com UPP. Ao auditório repleto, Beltrame quis lembrar  as conquistas do programa de pacificação, às vezes marginalizadas pelas notícias de corrupção policial, da resistência do tráfico de drogas, e do retorno da violência.

O séquito do Secretário

“Tem lugares que [a taxa de homicídios] é zero,” disse Beltrame, num tom de voz baixo, calculado para impressionar. “Homicídio influi em Indice de Desenvolvimento, IDH.” Levantou a voz. “Vamos construir, vamos construindo. [Vão dizer] ‘ah, mas isso ali, na frente, vai fazer agua.’ Não faz mais água, pessoal. Porque é de vocês. Não é meu, eu já fui embora,” ele acrescentou, se diferenciando do personalismo que se estampa em tantas políticas públicas brasileiras.

Ele continuou a defesa do que chama de processo, em vez de projeto, explicando porque a pacificação é fadada a continuar: “Se político pegar isso aí, ele vai tocar porque se você não tocar, vai perder voto. Se um técnico tocar, ele vai tocar porque tem dados, ele tem pesquisas que mostram o que tá bom, e o que tá ruim.”

Fazendo referência à regulamentação das UPPs em janeiro deste ano, Beltrame acrescentou que o estado agora “tem um decreto que estabelece isso aí, também”.

Numa fala bastante truncada, o secretário deixou escapar evidência de pressões que ele deve ter sentido para aumentar o número de UPPs, hoje totalizando 17.

Fazer as bases

“Eu pretendo não inaugurar mais UPPs enquanto eu não conseguir fazer as bases, porque antes a gente começou, porque a gente começou, porque a gente vai adequando certas, certas coisas que não estão muito bem.”

Os problemas recentes podem ter contribuído agora para fortalecer o que se supõe ter sido a posição dele desde a inauguração do primeiro UPP, no fim de 2008, na Dona Marta, em Botafog0. Naquela época, dizia-se que os policiais de pacificação eram recrutas novos, livres de corrupção e treinados especialmente em policiamento comunitário. Mas há notícias de capacitação inadequada. Os problemas que já surgiram podem ser resultado disso, pelo menos em parte.

A questão de capacitação também ficou evidente em uma pesquisa entre policiais de UPP, apresentada durante o seminário pela socióloga Julita Lemgruber, diretora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania.

Estava também presente no seminário– na primeira fileira da plateia, apenas, fazendo sim com a cabeça– Juliana Barroso, Subsecretaria de Ensino e Programas de Prevenção, encarregada pela reforma dos cursos policiais.

Esta matéria do mês passado no jornal O Globo relata que “[h]á seis meses como subsecretária de Ensino e Programas de Prevenção, a socióloga Juliana Barroso fez uma radiografia do ensino nas cinco escolas das polícias do Rio e encontrou um quadro assustador. Ela descobriu que existem policiais que há mais de dez anos não voltam às academias para reciclagem.”

Mudando de tom

A matéria diz ainda que a “destruição de valores cultuados no passado, como a formação de uma polícia voltada para a guerra, será a primeira lição a ser aprendida pelos agentes depois da reforma dos cursos das polícias.”

Na FGV, Beltrame, gaúcho, mencionou que a polícia carioca tem que mudar “até os cantos”. Diante dos rostos perplexos na plateia, ele se corrigiu. “Os cânticos,” disse, se referindo às “canções de guerra” utilizadas para motivar recrutas da polícia militar.

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Pacificação em risco no Rio de Janeiro?

Somente se existisse uma máquina do tempo.

For Rio pacification at risk? click here

O Rio está em plena fase de pavimentação de suas ruas, parte da revitalização na expectativa de todos aqueles megaeventos. Tampos de bueiro (explodindo ou não) são um desafio para qualquer cidade. Sempre ficam em um nível mais baixo do que a rua que acabou de ser pavimentada.

Retoque bagunçado

Arestas como essas são comuns no Rio, onde, depois de um hiato de um ano, ressurgem a violência e tumultos. Em setembro de 2010 houve uma onda de arrastões, seguida por um crescendo de incêndios a veículos, o que levou à ocupação militar em novembro último, das  favelas do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro. Depois ficou tudo relativamente calmo– até agora.

Contudo, o que surpreende nesta semana não são os tumultos de três noites seguidas entre moradores do Complexo do Alemão e o Exército brasileiro, ou o ataque pós-baile-funk na UPP de Cidade de Deus— mas que demorou tanto tempo para que a violência voltasse à cena. Os cariocas são notórios pela irreverência e o descumprimento das leis, mas muitos brasileiros se curvam facilmente perante a autoridade, ou pelo menos escondem seus delitos. Tal é o legado da escravidão.

E o que não surpreende são as comparações sendo feitas por cariocas, entre as forças da ordem pública e as forças do domínio criminoso. Entre alguns moradores de favela, ouve-se “pelo menos, quando os traficantes mandavam, a gente sabia as regras”.

Isso, numa sociedade altamente autoritária, é uma mera variação do “Tudo era melhor quando os generais estavam no poder”, frequentemente repetido depois de 1985 pelos que temiam as forças soltas pelo regime democrático.

E forças soltas– não os males da repressão– estão no cerne desta história.

Pois o que a pacificação está fazendo — com suas muitas falhas— é integrar os territórios formais e informais do Rio de Janeiro. A integração faz parte de uma irreversível tendência de longo prazo no Brasil. Os pobres do país estão arrebentando as portas de uma festa até então restrita àqueles com Quem Indica, abençoados com uma capacidade nata para o jeitinho, o GPS de uma burocracia criada com a pérfida intenção de barrar os menos afortunados.

A eleição de Lula em 2002 foi um sinal claro da tendência, e ele acelerou o processo.

Aqueles que pensam que a pacificação é apenas mais um zigue num extenso ziguezague de ignorar as favelas para depois daí invadi-las e então ignorá-las novamente, ou que os traficantes e milicianos serão os vencedores, podem estar praticando uma forma perversa de wishful thinking.

Os dados de censo indicam que quase 40 milhões entraram na classe média nos últimos oito anos. Isso quer dizer que temos menos peões, e mais competição. Quer dizer lavar a própria roupa e focar nos estudos.

Novos comportamentos são a ordem do dia para todos: exército, polícia, moradores de favela, membros da classe média tradicional, a elite, políticos, empresários, e muitos outros.

[A pacificação] é um processo de educação recíproca: força de segurança e comunidade. É um aprendizado diário. Há ainda resquícios de um viés de aparato violento, no caso das forças de segurança, e da cultura do poder paralelo, no caso das comunidades. Mas isso é minoria. É um processo de aprendizado que não tem fim e que vai melhorar a cada dia.

Quem disse isso foi o governador Sérgio Cabral, na terça-feira. Talvez ele esteja metido em amizades e finanças questionáveis, e pode ser que tenha administrado questões trabalhistas de maneira incompetente, mas a colocação mostra inteligência e uma apreciação pela complexidade da vida carioca.

Nesta semana, um seminário estava programado para avaliar as UPPs, com participação inicial dos agentes de segurança e posterior de moradores. Uma recente pesquisa de opinião entre moradores de favelas com UPP mostra apoio significativo, apesar de problemas.

Uma obra e tanto

A crescente classe média (alguns membros da qual hoje em dia se encontram em favelas) faz parte de uma tendência global. O Rio de Janeiro certamente pode agradecer aos Jogos Olímpicos e à Copa do Mundo para seu makeover, mas uma verdade já vinha se anunciando: o simbiótico apartheid socioeconômico deixa de ser opção.

Como se vê num vídeo da primeira de três noites de violência no Complexo do Alemão, postado no YouTube, milhões de pessoas possuem agora a capacidade tecnológica para expor seu mundo a todos. Faça uma pesquisa no YouTube por “Complexo do Alemão” você encontrará nada menos do que  5.330 vídeos.  Tente passar direto.

De acordo com o blogueiro do RioRadar  Andrew Fishman, a força ocupadora inicial, composta de patrulheiros veteranos de favelas haitianas, recentemente se substituiu por tropas menos experientes. O vídeo linkado acima mostra soldados do Exército hesitantes e incertos, que acabaram por atirar balas de borracha e lançar spray em moradores. Quatro soldados foram afastados e haverá um inquérito.

“Dois [traficantes] entraram no bar e provocaram toda a confusão,” disse ao Globo o comandante militar do Leste, Adriano Pereira Júnior. “Esse foi o motivo de todo o conflito filmado pela comunidade, e não a história de se pedir para abaixar o som. Ocorre que alguns militares não tiveram a percepção de que aquilo era uma armadilha e acabaram fazendo uma ação errada.”

Não está claro o que aconteceu no Alemão. O Globo dá crédito à posição do Exército e da Secretaria Estadual de Segurança Pública, de que os traficantes insuflaram os moradores a violência contra o Exército, em reação à coibição às vendas ilegais de gás, supostamente um negócio novo para ex-traficantes. Na semana anterior, anunciou-se que o Exército ficará no Complexo até junho de  2012, em vez de sair no mês que vem.

Outros observadores dizem que os moradores do Alemão estão realmente frustrados com a ocupação, com suas revistas, desconfianças, e ordens.

Talvez haja verdade em ambas versões. Talvez os dois lados estejam se adaptando às mudanças de regras, comportamentos e expectativas. Pois a democracia se trata, no fim das contas, de organizar, apresentar, pesar e cumprir ou negar demandas e interesses. Não se trata de obediência cega a uma autoridade maior, seja traficante ou general.

Enquanto se debate a pacificação, cairam de forma significativa os autos de resistência (homicídios praticados por policiais em confrontos) em áreas pacificadas, prendem-se narcotraficantes e milicianos, e as taxas de muitos crimes caem em toda a cidade, apesar de exceções assustadoras como esta e esta , e do fato que ainda exista o tráfico de drogas (em qual cidade não há?).  As milicias persistem, também.

Alguém tem uma ideia melhor do que a política atual de segurança pública, que na quarta-feira aumentou a presença militar? “Eu tenho sido bastante enfático ao dizer que, após 30, 40 anos do abandono de algumas áreas e total domínio do tráfico, ninguém vai resolver isso a curto prazo,” disse o secretário estadual de Segurança Pública José Mariano Beltrame em uma coletiva de imprensa anteontem. “Nós abrimos uma janela para que os serviços públicos e a própria sociedade cumpram o seu papel nessas comunidades.”

Apesar de ser possível instalar uma “riser” de borracha reciclada em uma tampa de bueiro para produzir uma superfície uniforme, as equipes cariocas parecem ter se inspirado com as manicures daqui, que passam esmalte em excesso na unha da gente, para depois fazer uma meticulosa limpeza com um pedaço de algodão molhado em removedor, na ponta de um pauzinho. Em contraste, as manicures vietnamitas passam o esmalte como se estivessem andando em corda-bamba, economizando tanto em esmalte como removedor.

As vietnamitas perfeccionistas talvez não tenham muito a contribuir para a política carioca de pacificação, implementada em 2008 e contando já com 18 UPPs, de um total planejado de pelo menos 40 até 2014. Com poucos países para servir de modelo e uma gama grande de atores e variáveis cujos comportamentos não podem ser plenamente previstos, o percurso é necessariamente tão acidentado quanto a longa e complicada avenida Brasil– que ainda não foi totalmente repavimentada.

Serve?

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Rio pacification at risk?

Only if a time machine existed.

Rio de Janeiro has been busily repaving its streets, as part of the revitalization in the runup to all those mega-events. Manhole covers (exploding or not) are a challenge for any city. They end up lower than the newly paved street.

Messy touchup

Rough edges such as these are rife in Rio, where violence and unrest have returned after a yearlong hiatus. September 2010 saw a wave of motorist robberies (arrastões) that were followed by a crescendo of car- and bus-torchings, culminating with the Army’s November occupation of Complexo do Alemão and Vila Cruzeiro. Then all was relatively calm–until now.

Yet what’s surprising isn’t this week’s three-night altercation between Complexo do Alemão residents and the Brazilian Army, or the post-baile-funk attack on the local pacification unit in Cidade de Deus— but that it took so long for violence to resurface. Cariocas are famous for their irreverence and noncompliance but many Brazilians bend easily to authority, or at least hide their misdemeanors. Such is the legacy of slavery.

And what’s not surprising are the comparisons being made by some cariocas, between the forces of public order and the forces of criminal dominion.  “At least when the drug traffickers ran things, we knew the rules,” favela residents have been heard saying.

This, in a society as authoritarian as Brazil’s, is but a a variation of “Things were so much better when the military were in power”, often repeated after 1985 by those fearing the forces unleashed by democracy.

And unleashed forces–not the evils of repression– are what this story is all about.

For what pacification– with its many faults— is doing is to integrate the formal and informal territories of Rio de Janeiro. Integration is part of a long-term irreversible trend in Brazil. The country’s poor are bursting through the doors of a party heretofore restricted to those with connections, blessed with a silver-spoon knack for the jeitinho, the hallowed improvised solution to the conundrums posed by a bureaucracy meant insidiously to function as a socioeconomic barrier.

Lula’s 2002 election was a clear sign of the trend, and he helped the process along.

Those who think that pacification is just another zig in a long public policy history of zigzags of ignoring favelas and then cracking down on them, or that drug traffickers and militia members will win out, could be practicing a perverse form of wishful thinking.

Census data show that almost forty million people came into the middle class in the last eight years. This means fewer folks to boss around, and more to compete with. It means doing your own laundry and studying hard.

New behavior is the order of the day for all: army, police, favela residents, traditional middle class members, the elite, politicians, business, and many more.

[ Pacification] is a process of reciprocal education: security forces and the community. It’s a daily learning process. There are still vestiges of the bias of a violent apparatus, in the case of the security forces, and of the culture of parallel power, in the case of the communities. But this is a minority. It’s an endless learning process and it will improve each day.

The speaker is Governor Sérgio Cabral, last Tuesday. He may be mixed up in questionable friendships and finances, and he may have done an incompetent job of managing labor issues, but the statement shows intelligence and a rare appreciation for the complexity of carioca life.
This week, a seminar to evaluate the police pacification units was scheduled, with initial participation by security agents and later participation from community members. A recent opinion survey among residents of favelas with pacification units has found significant support, despite problems.

Major work

The growing middle class (some of which can nowadays be found in favelas) is part of a global trend. Rio can certainly thank the Olympics and the World Cup for its makeover, but the writing was already on the wall: no more can a city or a country practice socioeconomic apartheid.

As indicated by a video of the first of three nights of violence in the Complexo do Alemão, uploaded to YouTube, millions of people now have the technological capability to expose their world to everyone else. Do a search on YouTube for “Complexo do Alemão” and you’ll find no fewer than 5,330 videos.  Try ignoring those.

According to RioRadar blogger Andrew Fishman, the initial occupying force, comprised of Haitian shantytown patrol veterans, was recently replaced by less experienced troops. The video linked above shows initially uncertain and hesitant Army soldiers, who ended up shooting rubber bullets and lacing residents with spray. Four soldiers have been taken off duty and there will be an inquest.

“Two [drug traffickers] went into the bar and started all the confusion,” East Military Commander Adriano Pereira Júnior told O Globo. “This was the reason for the conflict filmed by the community, not the [earlier reported] story about asking [residents] to turn down the volume. What happened is that some soldiers didn’t realize it was a setup and they ended up taking the wrong action.”

It’s not clear what’s been happening in Alemão. O Globo gives credence to the Army’s and state Public Safety Secretariat’s view that drug traffickers are instigating locals to violence against the Army, as a reaction to a crackdown on illegal sales of bottled gas, supposedly a new business for former drug traffickers. Officials had also just announced that the Army will stay until June 2012, instead of leaving next month.

Others say Alemão residents are truly tired of being occupied, of being searched and suspected and ordered around.

Perhaps there is truth in both versions. Maybe both sides are adjusting as rules, behaviors and expectations change. Democracy is, after all, a process of organizing, presenting, weighing and meeting or denying demands and interests. It isn’t unblinking obedience to a higher authority, either drug trafficker or general.

Meanwhile, police shootings of civilians have dropped dramatically in pacified neighborhoods, narcotraffickers and militia members are being arrested and many crimes are falling all over Rio, though there have been some frightening exceptions such as this and this and drug trafficking still exists (in what city doesn’t it?). Militias do, too.

Does anyone have a better idea than the current public safety policy, which beefed up the Army presence yesterday?  “I’ve said quite emphatically that after thirty or forty years of abandonment of some areas and total drug traffic dominion, no one is going to solve this in the short term,” State Public Safety Secretrary José Mariano Beltrame said in a press conference yesterday. “We opened a window so that public services and society itself would fill their roles in these communities.”

Though it’s possible to install a recycled-rubber riser on a manhole cover to get a smooth street, the carioca crews seem to have taken a cue from local manicurists, who messily splash nail enamel all over your fingers and then clean up the excess with cotton wrapped on a stick, dipped in remover liquid. In contrast, Vietnamese manicurists do the painting as if walking a tightrope, saving on nail polish and remover, both.

The just-so Vietnamese may not have much to contribute to Rio’s public safety pacification policy, implemented in 2008 and up to eighteen favelas now, out of a planned total of at least forty by 2014. With only a few countries to serve as models and a plethora of actors and variables whose behavior can’t be fully predicted or planned for, the process is necessarily as bumpy as Rio’s long and troubled Avenida Brasil– which hasn’t yet been fully repaved.

Workable

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Artes visuais: o Rio de Janeiro se espreguiça

Quarta de uma série de pepitas conversacionais, sobre a transformação da vida cultural na cidade maravilhosa.

For Visual arts: Rio yawns and stretches, click here

“Durante muito tempo, eu pensei morar em São Paulo,” diz a curadora, crítica de arte, jornalista e blogueira Daniela Name. “O Rio perdeu importância, o carioca permitiu que a gente virasse mais uma cidade no circuito. Os artistas jovens iam para São Paulo.”

Agora, ela acrescenta, “A gente se organiza.”

Daniela Name

Recentemente, Name organizou a exposição Jogos de Guerra no Caixa Cultural, em cartaz até 28 de agosto. Muitas peças não são assinadas por cariocas, e antedatam a atual integração da cidade, iniciada no final de 2008. Contudo, grande parte do conflito ao qual fazem referência surge da perturbadora desigualdade que não sumiu.

Diz o texto da curadora: Os efeitos de nosso despreparo individual e coletivo para lidar como este território novo – outra pessoa, outra língua, outro credo e mesmo outro time de futebol – são o tema desta mostra.  Somos inábeis com a mesa de negociações e a arte tem sido uma boa estratégia para evidenciar, analisar e, com sorte, minimizar nosso baixo rendimento.

Jogos de Guerra leva quem conhece a exposição a refletir sobre como os artistas no Rio de Janeiro percebem o ambiente em transformação, e se ela influencia suas obras. Mas provavelmente seja cedo demais para dizer se a integração urbana está energizando a arte em terras cariocas.

Há muito tempo, o Rio já atrai e inspira os artistas. Em 2003, criou-se um grupo chamado Imaginário Periférico, com o objetivo de “amplia[r] para a periferia o cenário da produção artística, atualmente centralizada e monopolizada por curadores, instituições e marchands.”

Sempre houve artistas que moram e trabalham na periferia, tais como Jarbas Lopes, ativo desde os anos 1990.

Até agora, a única novidade é que o Rio de Janeiro enfim tem dinheiro para criar, promover e investir nas artes.

No dia 11 de agosto, a secretaria estadual de cultura anunciou que irá  gastar um total recorde de R$ 40 milhões neste ano e 2012, em iniciativas que vão desde filmes de orçamento baixo, ao restauro arquitectônico e música funk.

E no começo de setembro, a primeira ArtRio, uma feira de arte, será instalada no Cais do Porto, numa área em plena revitalização. Com duração de quatro dias, a feira já atraiu em torno de 80 galerias brasileiras e estrangeiras, da América Latina, Europa, e Nova York. Pelo menos um artista carioca, o Smael, viaja diretamente da ArtRio para expor suas obras em Paris. [Uma reportagem do jornal O Globo do dia 9 de setembro relata o enorme sucesso da feira, com estandes inteiros sendo esvaziados (e supridos novamente) por causa das compras de visitantes. Uma visita do RioRealblog constatou que a exposição, sobretudo das obras nacionais, é mais impressionante do que muitas exposições de museu].

Em geral, falta muito para que a nova Rio de Janeiro consiga inspirar e atrair o mundo das artes de maneira marcante. “Precisa de estrutura,” ressalta Name. Diz ela que a renovação do antigo Cinema Imperator, localizado no Meier (Zona Norte), é um bom modelo. Transformado em centro cultural, irá oferecer três cinemas, um teatro grande, uma área para exposições, livraria, restaurante, café/bistro e um jardim– tudo com o auxílio dos governos estadual e municipal. O perigo aqui, é claro, é uma volta à decadência, quando os políticos atuais não estejam mais nos cargos de hoje.

Por enquanto, tais empreendimentos podem ter um efeito multiplicador nas crescentes energias culturais do Rio de Janeiro, e nos forçar a sair de nossas zonas de conforto. “A gente experimenta a cidade por imagem,” considera Name. “Isolados em Ipanema, podemos ver a Etiopia.” Ao passo que o Rio de Janeiro se une, diz ela, podemos ver, ouvir e sentir muito mais, sobretudo em um lugar com tanta história. “Existem mil cidades sobrepostas ali!”

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