Funk Carioca desce o morro de vez

Click here for Funk Carioca comes all the way down the hill

Talvez você pense que todos os cariocas apoiam as mudanças que acontecem no Rio de Janeiro. Ou talvez você pense que quem apoia está mentindo, e que nada está mudando.

Algumas pessoas conseguem ficar paradas

Na verdade, a transformação do Rio se trata de uma aglomeração de forças, empurrando e puxando em direção à Zona Norte, à polícia militar, para as milícias, à Comitê Olímpica, ao subúrbio, na direção dos traficantes de droga, grandes e pequenos, à Zona Sul, para a cidade, aos políticos, os moradores de favela, os donos de frota de ônibus, a polícia civil, aos magnatas imobiliários, às ONGs, para as elites, os traficantes de armas, as autoridades governamentais, os negócios de petróleo, as construtoras, a class média nova, a classe média tradicional, o porto, a Zona Oeste… e no meio disso estamos  nós, onde com frequência parece que vamos todos acabar na Zona Leste– ou seja, o espumoso Atlântico, levando caixote.

Um dia, um deputado estadual e sua família se vêem forçados a se exilarem por um breve periódo por causa de ameaças de morte vindo de milicianos. Outro dia, oficiais do BOPE sentam com moradores de favela e até escutam suas queixas, prometendo se empenhar para acabar com os abusos policiais. Um dia, a conexão ilegal de gás num restaurante no centro da cidade mata quatro pessoas— na mesma praça onde a prefeitura acaba de tirar uma grade feiosa, com o intuito de embelezar a cidade e melhorar o acesso.

No fundo, a sede da Petrobras

Um alto comandante policial é preso por supostamente ter mandado assassinar uma juiza. Um miliciano importante foge da cadeia.

Um dia o governo estadual do Rio de Janeiro custeia sofisticados eventos culturais no Complexo do Alemão; noutro, o Exército faz buscas lá, utilizando um carro de som para mandar que os moradores fiquem dentro de casa. E em mais outro dia, um juiz decide que  não se pode fazer isso.

Mas no último domingo, uma coordenada dessa agitação toda se fez ensurdecedoramente sentida: a música funk do Rio é um fenômeno cultural para ser levado a serio.

Não há desentendimentos entre as gerações

Parada Funk

No centro da cidade, das dez da manhã até as oito da noite, nove mini palcos erguidos pela Rua da Carioca e terminando numa apoteose no Largo da Carioca, separados por paredes de caixas de som, os DJs e MCs competiam entre si para chacoalhar as entranhas de uma multidão estimada em até 150 mil pelos organizadores.

O funk faz muito sampling

“É a batida,” disse um festeiro, segurando uma gelada lata de cerveja.

Funk carioca, o nome desta música, viajou das favelas para as páginas da revista New Yorker em 2005, e para o palco do Circo Voador em 2008, e também neste ano. Mas passaram-se décadas, desde o nascimento da batida marcante nos anos 1980, até as mexidas de quadris e bundas nas ruas do centro do Rio.

O samba– banido no começo do século XX– trilhou um caminho semelhante dos morros cariocas até os espaços abertos da cidade, tais como a Praça Onze. Dizem alguns historiadores que Getúlio Vargas organizou os desfiles para cooptar os pobres. Notavelmente, Vargas destruiu a Praça Onze nos anos 1940, para construir a avenida que leva o nome dele.

O samba sobreviveu e se tornou a música nacional brasileira.

Que números!

Apesar de ocupar um lugar especial nos corações de DJs internacionais e de constar da trilha sonora de Tropa de Elite 2,  o funk carioca não goza de aceitação total aqui. A policia de pacificação em favelas com UPP tende a proibir os bailes funk ou a terminar com a festa bem antes das seis o sete da manhã costumeiras, porque tradicionalmente os traficantes organizam bailes para mostrar o poder e entreter suas comunidades. O funk “proibidão” exalta as drogas, os traficantes, e as armas. E grande parte das letras, junto com a dança, é mais informativo do que a Kama Sutra.

Para muita gente, o funk carioca preocupa pelos estereótipos de gênero e por questões de moralidade. A música passa a ideia de que os homens devem ser polígamos as mulheres devem fazer todas suas vontades.

Apesar disso, no domingo a Secretaria Estadual de Cultura permitiu o uso dos incentivos fiscais da Lei do ICMS e gastou R$ 70 mil, no palco principal. O estado anunciou recentemente que vai custear a produção e documentação da música funk, como parte de uma nova política de valorização da cultura popular.

O local da Parada, o Largo da Carioca, é nada menos do que o coração do Rio de Janeiro, com raízes no século XVII. É parada do metrô e um enorme cruzamento pedestre, para quem trabalha nos escritórios do centro.

“A importância do evento é simplesmente assumir que a o funk é a frente mais legítima e produtiva da cultura carioca no século XXI,” diz Fred Coelho, blogueiro, DJ e professor de literatura.

No fundo, o convento de Santo Antonio

Como o samba, o funk descreve a realidade diária– além de sexo, amor; a rua, a raça, a pobreza.

É som de preto
De favelado
Demoro
Mas quando toca ninguém fica parado

—  Amilka e Chocolate

A legitimação domingo passado do funk carioca faz parte de uma tendência maior, pela qual a sociedade brasileira se torna gradativamente mais inclusiva e mais igualitária.

E não é que cada ação traz uma reação?

“A Parada Funk serve para isso, para trazer a tona preconceitos e conservadorismos (para não falar de outros ismos mais graves) latentes na opinião pública carioca sobre a produção estética de jovens, negros e pobres da cidade,” diz Coelho.

E assim, um dia o jornal de maior influência do Rio de Janeiro, O Globodedica um espaço nobre à Parada Funk, na capa do Segundo Caderno, informando que o organizador vem a ser neto do querido poeta Ferreira Gullar. E no dia seguinte, a magra cobertura do jornal leva a seguinte manchete: “No Largo da Carioca, sinais de desordem na batida da Parada Funk; festa teve estacionamento irregular e pessoas urinando nas ruas”.

Clique aqui para um emocionante relato em primeira pessoa sobre um baile funk, escrito em inglês por Claudia Zmbrana, com muita informação sobre essa música.

Posted in Brasil, Transformation of Rio de Janeiro / Transformação do Rio de Janeiro | Tagged , , , , , , | Leave a comment

Funk Carioca comes all the way down the hill

You might think that all cariocas support the changes taking place in their city. Or you might think that the people who say they support them are lying, and nothing is really changing at all.

Some people actually do manage to stay still

In fact, the transformation of Rio is an agglomeration of forces, pushing and pulling in the direction of the North Zone, towards the military police, to the paramilitary gangs, to the Olympic Committee, to the suburbs, the druglords large and small, the South Zone, downtown, politicians, favela residents, bus fleet owners, the civil police, to the real estate moguls, NGOs, elites, arms traffickers, government officials, oil businesses, construction companies, the new middle class, the traditional middle class, the port, the West Zone… and we’re all of us in the midst, where  it often feels as though we’ll end up in the East Zone– the frothy Atlantic, levando caixote (getting pulled under by a wave).

One day, a state legislator and his family are forced into a brief exile by militia squad death threats. Another, elite military police meet with favela residents and actually listen to their complaints, promising to work to end police abuse. One day, a downtown restaurant’s undetected illegal gas hookup kills four people— on the same square where city officials had just removed unsightly fencing in a bid to beautify the city and improve access.

In the background, Petrobras headquarters

A top police commander is jailed for allegedly ordering a judge’s assassination. A bigtime militia member escapes from jail.

One day the Rio state government is suppporting sophisticated cultural events in the Complexo do Alemão, another, the  army is conducting house-to-house searches and using a sound system to tell residents to stay indoors. Yet another day, a judge rules they can’t do this.

But Sunday, one coordinate was made deafeningly clear: Rio’s funk music is a cultural phenomenon to be taken seriously.

No generation gap

Parada Funk

Downtown from ten a.m. to eight p.m., on nine competing mini-stages strung along Rua da Carioca and culminating at the Largo da Carioca, separated by walls of speakers, DJs and MCs shook the very entrails  of a crowd estimated by organizers at up to 150,000.

Funk does a lot of sampling

“It’s all about the beat,” said one partygoer, frosty beer can in hand.

Funk carioca, as this music is known, made it out of favelas into the New Yorker magazine back in 2005 and onto the stage of the Circo Voador in 2008, and also earlier this year. But from the birth of this unmistakeable beat in the 1980s to Sunday’s gyration of hips and butts in the streets of downtown Rio, decades have passed.

Samba– banned in the early 20th century, took a similar route down Rio’s hills to open public spaces such as Praça Onze. Some historians say Getúlio Vargas organized its performance to co-opt the poor. Notably, Vargas razed Praça Onze in the 1940s, to build the avenue named after himself. Samba lived to become Brazil’s national music.

What a ratio!

Although it has a warm place in the hearts of international DJs and is on the sound track of Elite Squad 2,  funk carioca isn’t fully accepted here. Because favela drug traffickers traditionally hold giant bailes funk, or funk dances, to show off their power and keep their constituencies entertained, the pacification police have tended to ban them or shut them down much earlier than the usual six or seven a.m. cutoff. Some funk music, proibidão (prohibited),  exalts drugs, drug traffickers, and weapons. And a lot of the lyrics, plus the dancing, could easily best the Kama Sutra.

For many, funk carioca raises concerns about gender stereotypes and morality. The music conveys the idea that men should be polygamous and women should cater to their tastes.

Nevertheless, the Rio de Janeiro State Culture Secretariat allowed tax breaks for the event and spent an outright US$ 41,000 equivalent, on the main stage. The state recently announced it would fund the production and documentation of funk music, as part of a new policy valuing popular culture.

The venue, Largo da Carioca, is no more and no less than the heart of Rio de Janeiro, harking back to the 17th century. It’s a metro stop and a weekday pedestrian crossroads for those who work in downtown offices.

“The importance of this event is that it simply states that funk is the most legitimate and productive front of carioca culture in the 21st century,” says Fred Coelho, blogger, DJ and literature professor.

In the background, the convent of Saint Antonio

Like samba, funk describes daily reality– in addition to sex, love; the street, race, poverty.

É som de preto (It’s the sound of blacks)
De favelado (Of favela people)
Demoro (Oh yeah)
Mas quando toca ninguém fica parado (But when it plays no one can stay still)–  Amilka and Chocolate

Sunday’s legitimation of funk carioca is part of a larger trend, whereby Brazilian society is slowly becoming more inclusive and egalitarian.

And of course, every action brings a reaction.

“The Parada Funk brings to the surface prejudices and conservative ideas that were latent in public opinion, about the esthetic production of young, black and poor city residents,” says Coelho.

And so it is that one day, Rio’s most influential newspaper, O Globo, gave prime space to the Parada Funk, on the front of its arts section, the Segundo Caderno, noting that the organizer is a grandson of the famous poet Ferreira Gullar. And on the next, the paper’s slim coverage was headlined “In the Largo da Carioca, signs of disorder in the beat of the Parada Funk: party had irregular parking and people urinating in the streets”.

Here is a recent gripping first-person description by Claudia Zmbrana of a baile funk in English, with lots of background about this music.

Posted in Brazil, Transformation of Rio de Janeiro / Transformação do Rio de Janeiro | Tagged , , , , , , | 4 Comments

Complexo da Maré: dose de outra realidade para a tropa de elite

For Complexo da Maré: reality check for the elite squad, click here

Desde do o começo da nova política de segurança pública no Rio de Janeiro, em 2008, o BOPE já se reuniu com representantes comunitários, mais nunca desse jeito.

Discutindo a relação muito muito ruim

Primeiro, ninguém convidou os policiais. “Quando a gente viu o BOPE chegando, primeiro pensamos que era para fechar a reunião,” disse Rubens Casara, um juiz que se interessa por direitos humanos. “Depois pensamos que era para limitar as denúncias,” ele contou aos três oficiais do BOPE que foram para a reunião, no fim das contas, para ouvir e responder às queixas de moradores.

Perguntam "O que que você está olhando?", invadem nossas casas

Depois, o motivo de todo mundo estar espremido numa grande sala de aula da ONG Observatório de Favelas na favela Nova Holanda no Complexo da Maré, Zona Norte, era… a primeira ponte estaiada do Rio de Janeiro– algo que normalmente não faz parte de estratégias de segurança pública.

Troubled waters

Brasil, terra de contrastes

Programada para abrir ao tráfego veicular no mês que vem, a moderníssima ponte de R$ 300 milhões toma vulto por meio das máquinas e homens da construtora Queiroz Galvão. Vai conectar a Linha Vermelha à UFRJ, onde duas outras façanhas de engenharia, no caso engenharia de negócios, ganham vida: o centro de R$ 800 milhões equivalentes, de pesquisa e desenvolvimento, da GE, e um centro de pesquisas de R$ 500 milhões, onde a universidade e algumas outras empresas irão desenvolver tecnologia para a exploração do pré-sal.

Por último, a comunidade mais próxima (comunidade sendo o termo politicamente correto para favela, algo um tanto irônico pois comunidade é justamente o que falta no Brasil, onde os corpos e mentes de alguns tem maior prioridade do que os corpos e mentes de todos), o Complexo da Maré, não está pacificado. Tão sem paz está, que no dia 10 de outubro, de acordo com o jornal Extra, um número desconhecido de traficantes armados chegou ao canteiro de obras e demandou R$2 milhões em troca de um ambiente pacífica de construção civil.

E o que fez a tropa de elite, para assegurar que a ponte cumprirá o cronograma? Jogou panfletos de um helicóptero, pedindo a ajuda dos moradores da Maré, e enviou 120 soldados para a área, com a missão de encontrar os extorquidores.

Contudo, os panfletos (sobras de outra favela) continham a informação errônea de que a área estava sendo pacificada; não se mencionou a caça aos extorquidores até ontem; e, dizem moradores, os soldados estão invadindo casas, atirando sem considerar transeuntes, e aterrorizando a população de maneira geral. “O mandado judicial é o uniforme deles,” disse um morador. “Eles falam, ‘O que você está olhando?’ e não portam identificação” .

“Há entre 400 e 500 traficantes aqui,” disse Jailson de Souza, fundador do Observatório, que tem um enfoque em direitos humanos. “E algo entre 140 e 150 mil pessoas moram aqui, no total. Mas os soldados parecem pensar de tudo isso como território inimigo”.

Capitã Marlisa (que conforme o hábito brasileiro, não adiantou o sobrenome), de rabo de cavalo loiro, prometeu passar os contatos dela, para que os moradores pudessem denunciar abusos policiais. “Preciso desse tipo de retorno,” ela falou. Pela lei, os soldados têm que portar etiquetas de identificação no uniforme, e pode-se adentrar uma casa apenas com um mandado judicial, ou se pegar um criminoso em flagrante.

Será possível construir um outro tipo de ponte?

Os três oficiais do BOPE pareciam sinceros na vontade de melhorar a comunicação e trabalhar junto com a comunidade. Em favelas com UPPs novas– pelo que se relata, os únicos lugares onde a tropa de elite tem se reunido com moradores para conversar– esse posicionamento tem funcionado bastante bem. Mas o Complexo da Maré é outro mundo, sem paz, um teste verdadeiro de capacitação e comportamento policial.

Tenente Alexandra Vicente, psicóloga do BOPE, disse que as denúncias seriam investigadas e que os soldados culpados iriam “para a rua” em até trinta dias.

Jailson de Souza reivindica

De Souza admitiu que a política de segurança pública representa uma mudança de paradigma, com capacitação em policiamento comunitário, a retomada de territórios até pouco tempo atrás dominados por criminosos, e a criação até agora de 17 UPPS. “Mas o que acontece aqui é o velho paradigma,” ele concluiu.

Agentes de saúde presentes na reunião disseram que o estresse na população local traz um aumento de queixas de hipertensão e diabetes e, em crianças, febre psicossomática. Um professor reclamou de um muro metralhado. Charles Guimarães, presidente da Associação de Moradores do Baixa do Sapateiro, disse que os policiais não prestaram socorro a uma mulher que levou um tiro deles mesmos.

Da tentativa de extorsão surgem perguntas sobre a geografia do enorme Complexo e de qual das três facções locais teria responsabilidade.  A área onde o BOPE tem agido nos últimos onze dias não fica perto do canteiro de obras da ponte. Mas a polícia conta com inteligência e uma estrategia, tenente Vicente assegurou ao RioRealblog. “Não estamos dizendo, ah, vamos ali hoje,” ela acrescentou.

Dos moradores a inteligência não deve estar vindo, pois estão desconfiados e furiosos com a maneira pela qual vêm sendo tratados.

Acima de tudo, eles querem que o comportamento policial real seja igual à prescrita. Sabe-se que policiais fabricam flagrantes, com drogas. “O que vou dizer [quando um soldado faz uma busca sem mandado, ou bate num morador, por exemplo], ‘Vou contar tudo à capitã Marlisa ‘?” perguntou um participante na reunião.

Após a reunião de ontem, representantes de 30 ONGs, associações de moradores, projetos comunitários, postos de saúde e uma escola municipal  divulgaram uma nota reivindicando uma reunião imediata com a Secretaria Estadual de Segurança Pública, com o comando do BOPE, e o comandante do batalhão local; uma nota do BOPE aos moradores para explicar a operação atual e descrever o comportamento correto de policiais; a investigação de todas a violações de direitos relacionadas ao BOPE; e a suspensão imediata da operação em curso até o cumprimento dessas demandas.

Posted in Brasil, Brazil, Transformation of Rio de Janeiro / Transformação do Rio de Janeiro | Tagged , , , , , , , , | 2 Comments

Complexo da Maré: reality check for the elite squad

Since the 2008 start of Rio’s new public safety policy, BOPE, the military police elite squad, has met with community members, but never like this.

Discussing the very terrible relationship

First of all, the cops weren’t even invited. “When we saw you coming in, the first thing we thought was, ‘They’re going to prevent us from meeting’,” said Rubens Casara, a judge active on human rights issues. “The second was, ‘They’re going to try to keep people from making accusations about police behavior’,” he told three elite squad members who came, it turned out, to actually listen and respond to residents.

They tell us to stop looking at them, they invade our homes

Second, the reason everybody was crammed into a large classroom at the Observatório de Favelas NGO in the Nova Holanda section of the Maré complex of favelas in Rio’s North Zone was… Rio’s first cable-stayed bridge– not the sort of thing that normally figures into public safety strategies.

Troubled waters

Brazil, land of contrasts

Set to open to vehicle traffic next month, the ultra-modern US$ 176 million equivalent bridge is taking shape by way of the machinery and men of the Queiroz Galvão construction company. It will connect the “Red Line” highway to UFRJ, the federal university campus where two other engineering feats are coming to life: the US$ 500 million GE research and development center, and a US$ 300 million equivalent research center where the university and several other companies will develop pre-salt oil exploration technology.

Third, the closest “community”, as the politically correct like to call favelas, the Complexo da Maré, isn’t pacified. So not pacified is it that on October 10, an unidentified number of armed drug traffickers reportedly showed up at the construction site, demanding two million reais (US$ 1.2 million, equivalent) in exchange for a peaceful construction environment.

So what did the elite squad do, to make sure the bridge will be finished on time? They dropped pamphlets out of a helicopter, asking Maré residents for their help, and sent 120 men into the area to find the extortionists.

Except that the pamphlets (leftovers from another favela) erroneously said the area was being pacified, the extortionist chase wasn’t mentioned until today, and, residents say, the men have been searching homes without knocking, shooting their weapons without regard for passersby, and generally terrorizing people. “Their search warrants are their uniforms,” said one resident. “They say, ‘What are you looking at?’ and don’t wear nametags,” as required.

“There are from 400 to 500 drug traffickers here,” said Jailson de Souza, founder of the Observatório, which has a strong focus on human rights. “And anywhere from 140,000 to 150,000 people live here, altogether. But the soldiers seem to think of all this as enemy territory”.

Blonde-ponytailed Captain Marlisa (no last name given, per Brazilian habit) said she’d give out her contact information, so residents can report police misdeeds. “I need this kind of feedback,” she said. Officers are supposed to wear nametags, and may only enter private property with a search warrant, or when catching a criminal in the act.

Can another sort of bridge be built?

All three BOPE officers appeared to sincerely want to improve communication and to work together with the community. In favelas with new police pacification units– from all accounts the only places where the elite squad has sat down to exchange ideas with locals– this posture has worked fairly well. But Complexo da Maré is another world, without peace, a true test of police training and performance.

Lieutenant Alexandra Vicente, a corps psychologist, said investigations would be carried out and that soldiers found to have abused their authority could be fired in as little time as a month.

Jailson de Souza makes demands

De Souza recognized that the state public safety policy represents a change of paradigm, with the corps being trained in community policing, the retaking of territories until now dominated by criminals, and the establishment so far of seventeen police pacification units. “But what’s going on here is the old paradigm,” he concluded.

Health workers present at the meeting said the stress on the local population has brought on increases in hypertension, diabetes and, in children, psychosomatic fevers. A teacher complained of a machine-gunned wall. Charles Guimarães, president of the Baixa do Sapateiro neighborhood association, said that the police didn’t stop to help a woman he claims they shot.

The bridge extortion attempt brings up questions about the geography of the huge Complex and just which one of three drug gangs might be responsible.  The area where BOPE has been active for the last ten days isn’t contiguous to the building site. But the police do have intelligence and a strategy, Lt. Vicente assured RioRealblog. “We’re not just saying, oh, let’s go here today,” she added.

Intelligence isn’t likely to be coming from residents, both wary and weary of the way they’re being treated.

They demanded, above all, that actual police behavior match the prescribed one. Police are known to fabricate in flagrante delicto crime scenes by providing drugs. “What am I going to say [when a cop conducts a search without a warrant, or hits a resident, for example], ‘I’m going to tell Captain Marlisa on you’?” asked a meeting participant.

After the meeting, thirty NGOs, neighborhood associations, community projects, municipal health clinics and a city school released a document demanding an immediate meeting with the State Public Safety Secretariat, with the BOPE command, and the local battalion commander; a communiqué from BOPE to residents explaining the current incursion and describing legally correct police behavior; the investigation of all human rights violations reported to BOPE; and the immediate suspension of the current operation until the above requests are fulfilled.

Posted in Brazil, Transformation of Rio de Janeiro / Transformação do Rio de Janeiro | Tagged , , , , , , , , , | 3 Comments

Rio public safety policy: everything you always wanted to know

[UPDATE] Secretary Beltrame announced Oct. 21 that Mangueira favela will have a police pacification unit in two weeks at the most, with 403 police officers, serving an estimated 20,000 residents. The elite squad moved in to occupy the area in June; this will be Rio’s 18th “UPP”.

Highlights of an extensive Época magazine interview published yesterday, with State Public Safety Secretary, José Mariano Beltrame, by Ruth de Aquino

  • Paramilitary gangs, milícias, are the priority now, not drug traffickers. “Almost every week we arrest a militia member,” Beltrame said. When a judge who’d been tough on milicianos was gunned down in front of her home this past August, it was instantly clear they’d gone too far. Eleven military police, including a battalion commander, are behind bars now, accused of the killing. The assassination touched off a major shakeup in the military police hierarchy, starting with the chief’s resignation.
  • Rocinha favela will be pacified soon, and its druglord, Nem, may turn himself in.  “Bring Nem. Great. It’s just a question of finding a time and place. No problem.”
  • The next police pacification units will be in Complexo da Maré, Vila Kennedy, Favela do Juramento, Cerro-Corá, Vidigal, Rocinha and Mangueira. The elite squad went into Maré Friday and residents have reported shooting since then. Mangueira residents, says Beltrame, still don’t understand what pacification police are. This might be because one of the city’s first acts there after the initial occupation was to knock down food trailers and booths outside the samba school rehearsal hall, a key source of income. Beltrame added that pacification will also include greater Rio municipalities, and the interior of the state, that it’s not just about the Olympics.
  • Pacification depends on energy mogul Eike Batista, in addition to substantial state and federal funding. Seven businessmen met with the governor last year to promise support, but Beltrame says that only Eike is shelling out the dough– US$ 12 million equivalent per year until 2014. Peanuts, for him. Previously, Beltrame said that he hands Eike a shopping list and then gets whatever Rio’s Medici decides to buy. He’s bought pickup trucks for Morro do Borel and motorcycles for trash pickup on narrow steep streets. Beltrame added that Petrobras is paying for three administrative buildings on the Morro São Carlos and the Metro is helping out with soccer fields.
  • A full, rapid reform and unification of Rio’s several police forces, as recommended by public safety specialist and sociologist Luiz Eduardo Soares (and others) isn’t doable. “The institutions themselves have to feel the need,” said Beltrame. “Gradually they’re getting closer to each other. As they integrate, they prove that each one has a function…We inherited [the division between civil, investigative police and military, enforcement police] from the times of the [Portuguese] empire. You can’t decree things. Today, as Secretary, I think we’re still very far from having a police force with the whole cycle, from investigation to patrolling.”
  • The Army’s planned September exit from the Complexo do Alemão set of favelas was delayed until June 2012 because of a lack of manpower. “The Alemão pacification units [which will replace the Army] means 2,200 officers. It’s a lot. That’s why we have to train more people and make a gradual transition.” The Army presence has become controversial in the area, with residents complaining of violent treatment. Beltrame also said that police intelligences shows that drug traffickers are not returning to the area. “They go in and out, but they don’t stay. It’s minor stuff.”
  • Five hundred new police officers graduate every month. “We’re producing an average of 6,000 officers a year. We want to attract [candiates] who come with a different mentality. They must come not to kill. Today, still, when you take the rifle away from a police officer, he feels naked. It can’t be like this. One day it will be different.” The police academy is undergoing a makeover, with a new curriculum set for January 2012.
  • The issue of funk dances, a sore spot for many communities, will gradually be sorted out by way of dialogue between police and residents. Drug traffickers used to hold these dances but they were initially banned in most pacified favelas because the words to many songs glorify drugs and violence, and the noise level was high until early morning.
  • Crime in parts of the city such as Ipanema will continue to be investigated and patrolled against, despite the focuse on pacification. The civil and military police must work together to find the “Rolex gang”, and others.
  • Despite rumors, Beltrame has no political ambitions, but doesn’t expect to stay in this job until the task is complete. Preferring investigatory work to politics, he wouldn’t mind a challenge on Brazil’s borders next, working to block drug and arms traffic.
Posted in Brazil, Transformation of Rio de Janeiro / Transformação do Rio de Janeiro | Tagged , , , , , , , , , , | 1 Comment

Mexida na arte do carioca

Quinta de uma série de pepitas conversacionais, sobre a transformação da vida cultural na cidade maravilhosa.

For Rio art moves, click here

Escultor (e blogueiro) Raul Mourão trabalha com grades desde o fim dos anos 1980. Não do tipo para carregar garrafas de cerveja, ou aquele que organiza horários de aula, mas a espécie que ele observou tomando conta de todo portão e janela, ao passo que os cariocas se enjaulavam, como proteção contra a crescente criminalidade.

“Eu pensei que a gente ia ter que conviver com o tráfico de drogas e as milícias sempre. Sempre morei no Rio, sempre fui apaixonado pelo Rio,” diz ele, confessando que já pensou em se mudar, mas que a ideia “demorou cinco minutos”.

“São Paulo é uma cidade muito interessante,” acrescenta. “A maior parte dos meus colecionadores está lá, os museus. Aqui no Rio a cena é mais frágil. As galerias são menores.”

Já fazia uns vinte anos que Mourão trabalhava com as grades, quando a companhia de acrobacia Intrépida Trupe lhe pediu permissão em 2009 para usar suas esculturas no palco. Mourão não gostou da ideia; temia que as pontas machucassem os bailarinos, que a solda não aguentasse o peso deles.

Quem sabe os bailarinos pressentiam alguma coisa que fugia ao artista. Foram até seu atelier para brincar com as esculturas. Num ensaio, Mourão presenciou um momento quando alguém colocou uma escultura em cima da outra, e deu uma empurrada leve. O improviso balançou até acabar a energia do toque.

“Desde então, eu parei com as grades e fiz as cinéticas,” Mourão explica a dois visitantes ao atelier dele, na Lapa. “Antes, eu tinha uma mensagem. Agora é arte anticonceitual, não tem ideia por trás.” Levanta-se da cadeira, caminha pelo atelier e, um por um, toca uns oito conjuntos de barras de ferro soldadas, pendurados nas paredes ou fincados no chão.

O primeiro conjunto lembra um grande relógio de pendulo; outro um pênis que balança. Um terceiro é uma casa cujo teto mexe de um lado para o outro. Alguns são simplesmente geométricas lúdicas.

A mudança de Mourão de estase para a kinese aconteceu bem quando o Rio de Janeiro começava a se transformar. “O trabalho ganhou uma beleza, leveza e interatividade, o que coincidiu com o momento em que as grades estão sumindo,” ele comenta, feliz.

Ainda existem muitas grades no Rio de Janeiro. Mas em agosto a prefeitura removeu a grade que cercava a Praça Tiradentes, em parte para encorajar quem pensasse fazer igual. Com um ar mais artístico, a praça se torna uma extensão da Lapa, o primeiro bairro carioca a se revigorar, já nos anos 2000. Em março, a Universidade de Columbia inaugurou um laboratório de pesquisa urbana na praça.

Outro fenômeno sincrônico, Mourão ressalta, foi o filme de animação, Rio. “Foi pensado há seis ou oito anos,” calcula ele. “Estreia no momento que a cidade está ficando legal. Rio é tão importante quanto as Olimpíadas e a Copa. Está entre os dez filmes mais vendidos para crianças entre cinco e dez anos. Em cinco anos, eles terão dez ou quinze anos, e vão ver as Olimpíadas acontecendo numa cidade real que eles conheciam apenas como um desenho animado”.

No mês passado, o Rio de Janeiro ofereceu uma feira de arte contemporânea no revitalizado Pier Mauá, com 28 exibidores estrangeiros, de um total de 77. As curadoras Elisangela Valadares e Brenda Valansi Osorio se juntaram aos craques de negócios Luiz Calainho e Alexandre Accioly, e, de acordo com a imprensa, conseguiram um milhão de reais em investimento municipal, mais cinco milhões em recursos privados para o projeto. Apesar dos quatro dias do ArtRio terem competido com uma igualmente concorrida Bienal do Livro na outra ponta da cidade, a feira de arte foi um sucesso estrondoso.

“A estimativa oficial é que vendeu três vezes  (R$ 120 milhões) o que a feira de São Paulo vendeu neste ano,” diz Mourão.  De acordo com a imprensa, os organizadores esperavam 20 mil visitantes– e tiveram 46 mil. “A feira pode suscitar novas coleções, pode dar esse clique em jovens, em um cara que nunca comprou nada,” diz Mourão, explicando que as feiras de arte derrubam barreiras que existem normalmente em museus e galerias, ambientes mais formais.

Não satisfeito com o movimento do dinheiro em direção á arte, nem com a novidade de movimento no atelier, Mourão se propulsiona para lugares e parcerias inusitados para a arte contemporânea e para os artistas. Em novembro, ele irá participar de uma exposição coletiva, Travessias, num galpão abandonado no Complexo da Maré, junto com Luiz Zerbini, Lucia Koch, Marcelo Cidade, e Marcos Chaves, entre outros. A exposição conta com a curadoria de Daniela Labra, Frederico Coelho e Luisa Duarte. Geógrafo Jailson de Souza, fundador do ONG Observatório de Favelas, localizado no Maré, é coordenador da iniciativa.

“A gente está circulando. Enxergo o Rio no futuro como uma das cidades principais do mundo,” comemora Mourão. “A cultura pode ser uma ferramenta de transformação gigantesca.”

Diferente de muitos outros idiomas, a palavra de  língua portuguesa  mudar conota tanto transformação quanto movimento físico. A cidade que abrigou os compositores Noel Rosa e Tom Jobim, o poeta Carlos Drummond, o cineasta Glauber Rocha, e escritores Machado de Assis e Nelson Rodrigues, e que também foi o berço do samba, choro, bossa nova, a inovação arquitetônica e tantas coisas mais está… mudando, e chegou a hora de se aproveitar de tudo que ela nos oferece, exorta Mourão, enquanto suas esculturas mexem, mexem, e mexem.

Posted in Brasil, Brazil, Transformation of Rio de Janeiro / Transformação do Rio de Janeiro | Tagged , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Leave a comment

Rio art moves

Fifth in a series of conversational nuggets about the transformation of cultural life in the marvelous city.

Sculptor (and blogger) Raul Mourão has been working with grilles since the late 80s. Not the barbecue kind, but the sort he saw taking over Rio de Janeiro’s every portal and orifice, as residents put up bars to protect themselves against rising crime.

“I thought we were going to have to live with the drug traffic and the paramilitary gangs forever. I’ve always lived in Rio, I’ve always loved it,” he says, confessing that he has considered moving, “for five minutes”.

“São Paulo is a very interesting city,” he adds. “Most of my collectors are there, the museums. Here in Rio the scene is more fragile. The galleries are smaller.”

After Mourão had been working with the grilles for about twenty years, the Intrépida Trupe acrobatics company asked him in 2009 if they could use his sculptures onstage. Mourão was against the idea; he feared the sharp edges would hurt the dancers, that the soldering wouldn’t  take their weight.

Maybe the dancers sensed something that escaped the artist. They went to his studio and played with the sculptures. At a rehearsal that Mourão attended, a performer put one sculpture on top of another and gave it a push. It swung until the momentum gave out.

“Since then, I stopped working with the grilles and have been doing kinetic work,” Mourão explains to a couple of visitors in his studio. “Before, I wanted to send a message. Now, it’s anti-conceptual, there’s no idea behind what I do.” Getting up from his chair, he walks around and one by one taps into motion about eight sets of raw welded iron rods hanging on the walls, or placed on the floor.

The first set brings to mind a grandfather clock; another, a swinging penis. A third is a house with a roof that rocks. Others are simply playful geometrics.

Mourão’s move from stasis to kinesis took place just as Rio was starting to transform. “The work gained beauty, lightness, interactivity, that coincided with the moment when grilles began to disappear,” he happily notes.

There are still a lot of grilles in Rio. But last August the city removed the iron fencing around the downtown Tiradentes Square, partly to give courage to those who would venture to do the same. With a more artistic cast, the square is becoming an extension of the reinvigorated Lapa neighborhood. In March, Columbia University opened an urban research laboratory there.

Another timely phenomenon, Mourão notes, was the animated movie Rio. “That was conceived of six to eight years ago,” he says. “It premiered at the moment the city was turning around. Rio is as important as the Olympics and the World Cup. It’s among the ten top-selling DVDs for children ages five to ten. In five years, they’ll be ten or fifteen years old, and will be seeing the Olympics in a real city that they’ve only ever seen in a cartoon.”

Last month Rio de Janeiro hosted a new contemporary art show on the refitted Mauá dock, with 28 foreign exhibitors out of a total 77. Curators Elisangela Valadares and Brenda Valansi Osorio teamed up with business pros Luiz Calainho and Alexandre Accioly, and received a reported US$ 600,000 equivalent investment from city hall, plus a reported almost US$ 3 million equivalent in private funding for the project. Even though ArtRio‘s four days competed with a giant (and equally successful) book fair at the other end of the city, it was a stunning success.

“The official estimate is that it sold three times (US$ 70 million equivalent) what the São Paulo art fair last sold,” says Mourão. The organizers reportedly expected 20,000 visitors– and got 46,000. “The fair can encourage new collections, get young people , people who’ve never bought anything, to buy art,” says Mourão, explaining that art fairs remove barriers usually posed by the more formal museums and galleries.

Not satisfied with the movement of cash towards art nor with the novelty of movement in his Lapa studio, Mourão is propelling himself to places and partnerships not usually associated with contemporary art or artists. In November, he’ll participate in the group show Travessias in an abandoned warehouse in the Complexo da Maré set of favelas, along with Luiz Zerbini, Lucia Koch, Marcelo Cidade, and Marcos Chaves, among others. The show is curated by Daniela Labra, Frederico Coelho and Luisa Duarte. Geographer Jailson de Souza, creator of the Complexo da Maré-based Observatório de Favelas NGO, is coordinating the show.

“We’re moving around more. I see Rio as one of the world’s principal cities in the future,” Mourão exults. “Culture can be a gigantic tool for transformation.”

In Portuguese, the word for change is the same as the word for move, mudar. The city that was home to composers Noel Rosa and Tom Jobim, poet Carlos Drummond, film director Glauber Rocha, and writers Machado de Assis and Nelson Rodrigues, as well as the birthplace of samba, choro, bossa nova, architectural innovation and so much more is… mudando, and the time has come to make the most of what it has to offer, says Mourão, while his sculptures swing and swing and swing.

Posted in Brazil, Transformation of Rio de Janeiro / Transformação do Rio de Janeiro | Tagged , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | 2 Comments

Você já foi à Penha?

For Have you ever been to Penha, click here

Além-túnel

No caminho do aeroporto surge a Igreja da Penha, empoleirada num pequeno morro. E dá para vê-la de muitos outros lugares…

Nossa Senhora da Penha

Curiosamente, a palavra penha, ou montanha (prima de penhasco)– entrou na língua portuguesa pelo hebraico. A pequena igreja data do século XVII, do qual não sobrevive nenhum resquício evidente. Mesmo assim, é muito bonita, com vistas deslumbrantes. Dá para ver o mar, e até  a famosa estrada pela qual os traficantes fugiram da Vila Cruzeiro, há quase um ano.

A subida vale a pena

A história do nome é confusa. No norte da Espanha, um monge francês viu Nossa Senhora da Penha em 1434, num penhasco chamado de Penha da França.

Pode-se subir a escadaria à Penha carioca para fazer penitência– mas existe um bonde, para quem preferir.

Mais seguro do que antes

Aqueles que pedem favores à Nossa Senhora da Penha sempre agradecem quando ela cumpre. No pé da escadaria há uma loja de suvenires onde se compram partes do corpo em cera, para deixá-los como agradecimento em uma sala de museu no andar de cima. A sala também contém vitrines com vestidos de noiva, fotos, rabos de cavalo, tranças e cachos, medalhas e uniformes militares…

Não custam os olhos da cara

A região em volta à igreja também já foi um quilombo. Por isso o museu expõe ferramentas de escravidão.

Muita dor

A igreja e o bairro de Penha ficaram meio abandonados nos últimos anos. Agora é mais fácil morar na Penha ou fazer visitas, após a diminuição do uso de armas nas favelas contíguas do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro.

A paz permite a mobilidade além túnel

No fundo dá para ver o novo teleférico do Complexo do Alemão

A indústria da Penha, tal como o Cortume Carioca, cujo primeiro dono foi o pai do famoso paisagista Roberto Burle Marx, atraia imigrantes portugueses e alemães. Como aconteceu com muitas indústrias cariocas, o curtume faliu na década de 1990.

O terreno vazio atrás dos prédios brancos à esquerda é onde ficava o Cortume Carioca

A Festa da Penha acontece em outubro e novembro, com barracas de comida e dança nas áreas por onde se chega à igreja. Conta-se que o primeiro samba, Pelo Telefone, composto em 1917, estreou na festa.

Passeio familiar

Festeiros e romeiros não são os únicos que chegam para conhecer a Penha…

Fé na igreja, pé na estrada

Nossa Senhora de Aparecida é padroeira dos motoqueiros. Domingo passado esses entusiastas de Harley Davidson esquentavam os motores e recebiam um benção, antes de rumar para o santuário de Aparecida do Norte.

O BRT Transcarioca, corredor expresso de ônibus articulado, passará pela Penha.

Posted in Brasil, Brazil, Transformation of Rio de Janeiro / Transformação do Rio de Janeiro | Tagged , , , , , , | 3 Comments

Have you ever been to Penha?

Beyond the tunnel

Going to or coming from the airport, you can pick out the church, Igreja da Penha, sitting atop a very small mountain. And you can see it from a lot of other places…

Nossa Senhora da Penha

Strangely enough, the word penha, or mountain (related to penhasco, crag)– came into Portuguese from Hebrew. The small church dates to the 17th century, though you’d hardly know it now. Still, it’s very pretty, with astounding views.

Worth the climb

It’s confusingly named for a version of Mary called Nossa Senhora da Penha (Our Lady of Peñafrancia), glimpsed in 1434by a French monk on a rock called Penha da França, in northern Spain .

People walk up the steps to Rio’s Penha church as penance– though there’s a cable car, if you prefer.

Safer than it used to be

Those who ask for favors from Nossa Senhora da Penha make sure to recognize her good works. At the bottom of these steps there’s a souvenir shop where you can buy wax body parts and leave them in a museum room upstairs, as a thank-you. The room also features cases of wedding gowns, photos, chopped-off pony tails, curls and braids, military medals and uniforms…

They don't cost an arm and a leg

The area surrounding the church was also once home to a quilombo, a community of escaped slaves.  Thus the museum has some slavery equipment.

Slavery implements

The church and the neighborhood of Penha have suffered neglect in recent years. But as weapons use has diminished in the nearby favelas of Complexo do Alemão and Vila Cruzeiro, it’s become easier to live in and visit the area.

Peace is possible: it depends on us, too

In the distance you can see the new Complexo do Alemão cable cars

Industry in Penha such as the Cortume Carioca, a tannery once owned by the father of Brazil’s famous landscape architect, Roberto Burle Marx, drew Portuguese and German immigrants. Like many Rio de Janeiro factories, the tannery went out of business in the 1990s.

The empty space behind the white buildings to the left is where the tannery used to be

The Festa da Penha takes place in October and November, with food booths and dancing in the areas leading up to the church. The first samba, Pelo Telefone, composed in 1917, is said to have premiered at the Penha party.

Family outing

Partygoers and pilgrims aren’t the only ones who go to Penha…

Motorcycle faith

October is the month of Brazil’s patron saint, Nossa Senhora de Aparecida, who also favors motorcyclists. Last Sunday, these Harley enthusiasts were revving their engines and receiving a blessing before heading off to the sanctuary in Aparecida do Norte, in the state of São Paulo.

The Transcarioca dedicated bus corridor will run through Penha.

Posted in Brazil, Transformation of Rio de Janeiro / Transformação do Rio de Janeiro | Tagged , , , , , , | 3 Comments

Trocas policiais no Rio de Janeiro: balanço

For Police shuffle: upshot for Rio, click here

Luta pelo poder?

Há consenso no Rio de Janeiro de que é preciso reduzir a corrupção e a criminalidade da polícia. O que não sabemos é até qual grau se consiga fazer isso, num ambiente onde as autoridades tomam posse e daí chamam pessoas próximas para ocupar cargos de confiança. Não que a política não seja suja em países de língua inglesa, mas é um contraste marcante que nesse idioma officials (oficiais) são sworn in (fazem juramento) e depois fazem political appointments (nomeações políticas).

A ampla corrupção e a pouca confiança na sociedade brasileira criam a necessidade de interpretar cada ato e cada palavra, especialmente os que proveem de autoridades, com o afinco de um estudioso talmúdico. Nem se pode confiar na mídia, cujas necessidades podem divergir das de seus leitores e espectadores.

Pois vemos tweets tais como esse, do ex Secretário Estadual de Segurança Pública, Marcelo Itagiba: “Novo comandante muda tudo outra vez. Sai uma patota entra outra. Instabilidade institucional. Não ha um linha de acao. Apenas troca da guarda.” Itagiba serviu o estado no governo de Anthony Garotinho, acusado de corrupção e  recentemente julgado culpado por uso ilegal de mídia para fins eleitorais.

Já que se gasta muito tempo para ler nas entrelinhas, a maioria das pessoas desconfia de toda a informação que não venha de um amigo próximo ou parente– ou desenvolve uma preferência por teorias de conspiração. Igual às fofocas, as teorias são fáceis de inventar e espalhar. E, ocasionalmente,  uma teoria de conspiração acerta.

Então pode ser que, como acreditam o Itagiba e muitos outros observadores, essa nova política de segurança pública seja mera maquiagem para a ganância do governador $érgio (é assim que Itagiba grafa o nome dele) Cabral. Pois há meses algumas conexões duvidosas dele, há muito tempo alvo de comentários desconfiados, se revelaram.

No seus tweets, Itagiba sugere que o atual Secretário Estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, seja participante pleno de sua teoria. Outras pessoas dizem que Beltrame tenta trabalhar direito mesmo, mas briga com o governador. Assim, a troca de chefe de polícia na quinta-feira passada levantou especulação sobre qual homem teria sido ou seja atualmente partidário do secretário ou do governador.

Depois vieram as notícias de sexta-feira e sábado, de que o novo chefe de polícia Erir Ribeiro Costa Filho está trocando mais de 13 cargos de cûpula, inclusive o posto chave de comandante das UPPs. Isso criou novas dúvidas e trouxe novas informações. Se é tudo maquiagem, deve ser das mais chiques. Ou, como diz a manchete de O Globo, é crise.

Transformação longo-prazo?

O coronel Mário Sérgio Duarte foi chefe de polícia por tanto tempo– dois anos!– que é fácil esquecer que Beltrame já trocou de chefe várias vezes. Em janeiro de 2008, ele substituiu um que cometera o erro grave de se juntar a uma marcha de protesto sobre salários, por um especialista em inteligência. Na época, é provável que se elaborava a estratégia da pacificação policial. Em julho de 2009, saiu o especialista de inteligência e entrou o coronel Mário Sérgio Duarte.

Duarte teria durado mais tempo, se não tivesse escolhido  um commandante de batalhão que acabou por ser o suposto mandante do assassinato de uma juiza que estava punindo milicianos em São Gonçalo. Duarte teria durado mais tempo também se, ao contrário de muitas outras autoridades, não tivesse assumido a responsabilidade pela escolha do comandante e de tudo que isso acabou por implicar.

O coronel Ribeiro Costa Filho, quarto chefe de polícia militar do Beltrame (e é fácil se esquecer de que o próprio Beltrame está firme e forte no seu cargo desde janeiro de 2007, quando o governador Cabral iniciou seu primeiro mandato), mora em uma casa de classe média baixa na Baixada Fluminense. Em 2003, ele foi exonerado de seu cargo de comandante do batalhão de São Cristóvão, depois de acusar o então Secretário Estadual de Esportes de ter lhe pedido para dar trégua nos traficantes de droga da Mangueira. Naquele ano, Ribeiro Costa Filho ganhou o prêmio “Faz Diferença” do jornal O Globo, pela denúncia.

Notávelmente, o secretário em questão, conhecido pelo apelido personalista de Chiquinho da Mangueira, está para ser nomeado novamente ao mesmo cargo. Pode ser que Ribeiro da Costa Filho se esbarre com seu ultor nos corredores do poder. Mas rivalidades e inimizades são frequentadores comuns naqueles cantos.

Em todo caso, as decisões de recursos humanos do novo chefe de polícia militar indicam que ele e Beltrame estão aproveitando dessa oportunidade inesperada para escolher seus companheiros nas tarefas de redução de corrupção e criminalidade policiais, além da de reduzir os crimes cometidos por civis.

Uma matéria do dia 2 de outubro na página 23 de O Globo, não disponível online, escrita pela veterana repórter policial Vera Araújo, descreve como acontece a seleção: “Foi no curso de administração de empresas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul [… ] que Beltrame tirou conceitos de gestão para escolher a nova cúpula da Polícia Militar […] recrutamento, seleção, liderança e motivação.”

Veja o que você quer ver

É impossível saber exatamente o significado de todas essas mudanças, e será muito interessante acompanhar os desdobramentos da troca de comando das UPPs. De acordo com um observador da área policial, o novo comandante, coronel Rogério Seabra, “tem o perfil completo do policial comunitário, acredita nas relações com a sociedade, e é excelente ‘relaçoes públicas’ “.

No correr do tempo, será útil lembrar que o quer que seja a atuação da polícia do Rio de Janeiro, para melhor ou pior, é basicamente reflexo da sociedade em geral. Ao passo que a polícia mudar seus valores e comportamentos, como manda o Beltrame (com base no consenso), todos nós talvez tenhamos que rever os nossos.

Não vemos as coisas como são. Vemos as coisas como somos.

                                                                            — o Talmude

Clique aqui para uma análise dos nomes novos da polícia militar, pelo blogueiro de O Globo, Jorge Antonio Barros.

Posted in Brasil, Brazil, Transformation of Rio de Janeiro / Transformação do Rio de Janeiro | Tagged , , , , , , , , , , , , , | Leave a comment