UPP Social ameaçada

[ATUALIZAÇÃO 30 de Dezembro 2010] Ricardo Henriques aceitou o convite do prefeito Eduardo Paes para presidir o Instituto Pereira Passos. De acordo com O Globo, ele irá administrar uma UPP Social municipal. Não se sabe ainda se leva sua equipe de alta qualidade. Para um comentário certeiro, veja esta coluna no Globo.

A paz depende de programas de atendimento social

O ano de 2010 ainda está em curso e já se comprova como correta a resolução do RioRealblog de focar na política e nos políticos em 2011.  Praticamente na véspera de Natal, o governador Sérgio Cabral exonerou Ricardo Henriques do cargo de Secretário de Assistência Social e de Direitos Humanos. Com ele, deve sair toda sua excelente equipe, que fazia um trabalho dos mais difíceis e do qual o êxito da política de pacificação das favelas cariocas tanto depende. Henriques, “considerado um dos melhores quadros na área de políticas públicas”, conforme escreve  Míriam Leitão em sua coluna do Globo de hoje, é do Partido dos Trabalhadores– mas, de acordo com uma fonte do blog, ele trabalhava de maneira extremamente técnica, deixando de lado vontades e exigências partidárias.

Na coluna da Míriam Leitão, o governador nega ter feito a troca por motivos políticos, porém nos bastidores comenta-se que atendeu sim a políticos, ao nomear Rodrigo Neves. Deputado estadual pelo PT, oriundo de Niterói, Neves é um  jovem sociólogo e ex-lider estudantil que estaria agora começando seu segundo mandato legislativo.

Espera-se que a troca de secretários não signifique que o trabalho de Henriques, que entrou no governo estadual em abril passado, venha a ser refeito. A continuidade é crucial no contexto das mudanças sociais que acontecem atualmente no Rio de Janeiro. Um post anterior aqui no blog  projeta um cenário negativo do futuro da cidade, caso a visão de curto prazo influencie demais as políticas públicas.  Experiências de outras cidades e senso comum mostram que a ocupação de territórios pelo estado precisa ser acompanhada por programas sociais bem administrados para promover a integração urbana.

Mas o talento de Henriques– um dos formuladores do programa Bolsa Família– ainda poderá servir à cidade. De acordo com o jornal O Dia, o prefeito Eduardo Paes convidou-o para o cargo de presidente do Instituto Pereira Passos, responsável pela elaboração  de planejamento estratégico da cidade. Henriques, ainda segundo a reportagem, levaria com ele boa parte de sua equipe se aceitar o cargo.

No Globo, Cabral defende sua decisão ao dizer que o atendimento social nas favelas com UPP se resumia basicamente  a ações municipais, tais como a coleta de lixo. Mas Henriques e sua equipe estavam elaborando muito mais, como, por exemplo, parcerias com ONGs e empresas  do setor privado, para treinar e empregar a população jovem que era anteriormente alvo do tráfico de drogas na condição de mão de obra. Henriques também contava com carta branca para priorizar as favelas com UPP, a despeito de outras áreas da cidade, até mais carentes.


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Rio pacification: over the hump

An article on today’s O Globo opinion page by architect Sérgio Magalhães (who heads up the Rio chapter of the Brazilian Architects’ Institute, which held the recent Morar Carioca favela upgrade architectural contest) is emblematic of a generalized sense in Rio now that there’s no turning back. The late-November invasion and occupation of Vila Cruzeiro and the Complexo do Alemão, expected to occur only in 2011, suddenly put a spin on everything. Until then, governor Sérgio Cabral’s pacification policy seemed on track and had wide support, but had yet to fully prove itself.

This coming Tuesday, when President Lula inaugurates the cable car system built with federal funding in the Complexo do Alemão even while the drug traffic still controlled the area, will mark history. The social integration  of Rio de Janeiro is likely to deeply affect the rest of Brazil and may well serve as a model for other countries troubled by wide income gaps.

Of course, major challenges still lie ahead: adequate social programs and opportunities for Rio’s poor, wresting control from paramilitary groups in much of the city’s west zone, improving the police force, and taking Rocinha-Vidigal favelas, still in the hands of drug trafficker “Nem” and his men.

Yet “…the events in the Complexo do Alemão may signal a new perspective, where the State’s absence has come to be seen as the problem,” says Magalhães. “With the experience of the police pacification units, followed by the retaking of Vila Cruzeiro and Morro do Alemão, the constitutional protection of territories becomes central to collective desires. An understanding is building up regarding the necessity that the Brazilian State fully assume its responsibilities. If necessary, reworking what had previously been agreed on among the three levels of government.”

Until recently, the Brazilian electorate didn’t demand recognition and assumption of that responsibility. Many favela leaders are understandably incensed that it took this long– that in fact it took the Olympics, with all the foreign scrutiny that the event brings with it– to get officials’ attention to their communities’ needs.

Rio has always been a city where upper-class residents did their utmost to keep the lower class at a distance, except when needed as workers. In the 1980s and 1990s, it was common to hear south zone cariocas complain of changes in bus lines that brought people from poorer neighborhoods into beach areas. Even more recently, as the Praça General Osório metro station was about to open a year ago, there was apprehension about the influx it would bring.

That station is now linked to an elevator that connects Ipanema to the Pavão-Pavãozinho and Cantagalo favelas, occupied and pacified a year ago. Midway up, the “Peace Lookout” affords stunning views and guides are available to orient tourists. Before the elevator was built, favela residents had to climb hundreds of stairs.


The new elevator and passageway connect different strata, literally

Peace Lookout

Ocean view

Hazy day view of Dois Irmãos and the Lagoa

It’s ironic that the high-tech US$ 52 million panoramic room-sized elevator, inaugurated with pomp and circumstance last June, run by uniformed attendants, takes one to a ramshackle mass of dwellings and alleyways that an estimated 28,000 residents were induced to create because over centuries the Brazilian state was incapable of providing affordable housing, not to mention education and health care, for them.

Now, the expectation is that this “incapacity” is no longer tenable– for all of Brazilian society. Key to governmental responsibility will be informed political participation and mature long-term policymaking, as Rio prepares for its 2014 World Cup games and the 2016 Olympics.

These areas will be the focus of RioRealblog in 2011.

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O Theatro Municipal, reformado / The Municipal Theater, restored

Opera de Paris

The Paris Opera inspired Rio’s Municipal Theatre, completed in 19o9 in the Eclectic style. All materials were imported from Europe.

A Opera de Paris inspirou o Theatro Municipal, construído no estilo eclético e inaugurado em 1909. Todo o material de construção foi importado.


The new façade at night, daylight savings time

 

The US$ 38 million equivalent restoration took two and a half years, and reopened in May 2010. The national development bank (BNDES) and Petrobras funded it.

A reforma de R$ 65 milhões demorou dois anos e meio, e reabriu em maio de 2010. O BNDES e a Petrobras custearam os trabalhos.


Escada no foyer

Teto da escada

The stage

The audience

The Theatre has its own ballet company, orchestra and chorus.

O Theatro dispõe de seus próprios corpos artísticos de ballet, orquestra e coro.

Theater ceiling

There were some complaints about the restored bathrooms, which lost their original fixtures because they needed to be expanded. They used to have waterboxes and pullchains!

Houve reclamações sobre a reforma dos banheiros, que perderam as peças originais pela necessidade de expandi-los. Tinham caixas d’água com cordas para puxar!


The basement Assyrian Room, where Pixinguinha and the Oito Batutas played in the early 20th century

The Oito Batutas played choro and maxixe, as well as other popular Brazilian music. After a tour in Paris, they came home with saxophones and clarinets, as well as ragtime.

Os Oito Batutas tocavam choro e maxixe, além de outros tipos de música popular. Depois de um tournée em Paris, voltaram ao Brasil carregando saxofones e clarinetas, além da música ragtime.


Gorgeous enameled ceramic

Mais assírios

Incrivelmente, havia um restaurante a kilo aqui nessas ruinas, antes da reforma

Só falta uma música jazz aqui embaixo

Serve-se Prosecco e café aqui nos intervalos

Fora com o extintor, pelo amor de Deus!

You can set up a guided tour of the Theatre by calling 2299-1711

Visitas guiadas podem ser marcadas através do número 2299-1711


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The question of the hour /A pergunta que não quer calar

Pacification units are in 13 favelas

Why didn’t the transformation of Rio de Janeiro occur until now?

Porque a transformação do Rio de Janeiro não aconteceu antes?

O Theatro Municipal, reformado

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New good citizen campaign: don’t be a jerk

The latest “Sujismundo”

This sticker can be left on an illegally parked car

An advertising campaign is being launched in Rio to convince cariocas to improve their behavior. Created by the DPZ advertising agency in conjunction with the NGO RioComoVamos, it’s based on a character called Mané, or jerk, who wears a smart-aleck smile and an ice cream cone plastered to his forehead. In Brazil, a sorvetaço, or a big ice cream [to the forehead], describes a royal screwup.

The campaign defines unacceptable behaviors and encourages good citizenship. A mané doesn’t clean up after his dog, parks illegally, litters, and drives on the shoulder, among other taboos.

The campaign was presented during a seminar Dec. 13 at the Rio de Janeiro Commercial Association, organized by RioComoVamos (which just launched an updated version of its Rio de Janeiro city indicators, with some surprising statistics). At the meeting, municipal conservation undersecretary  Joaquim Monteiro de Carvalho said that despite 250,000 trash baskets Rio has too much litter. He urged smokers to put out their cigarettes on the metal plaques set into each basket for this purpose, and then throw the butt inside. Cigarette butts aren’t biodegradable and can’t be collected on the beach. “[The trash collecting company] Comlurb is our most admired company, but the city is dirty”, Monteiro de Carvalho exclaimed. “It doesn’t make sense.”

The campaign will have a site (under construction), a Twitter account and commercials, and will partner with businesses and run periodic Mané of the week, month or year contests. Cariocas are encouraged to document “mané behavior” in photos and videos, which will be made available on the site. For those who have Facebook accounts, part of the campaign can be seen here.

The Mané character brings to mind a character featured in a 1970s federal campaign for cleanliness and hygiene, Sujismundo. He was popular, but unconvincing. Maybe this time, with Rio busily preparing to receive millions of visitors, cariocas will finally change their jerky ways.

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Nova campanha de cidadania: Deixa de ser mané

Herdeiro do Sujismundo

O adesivo poderá ser grudado em um carro infrator

Está entrando em circulação no Rio uma campanha publicitária elaborada pela agência de publicidade DPZ junto com a ONG RioComoVamos, para convencer os nativos da cidade maravilhosa a se comportarem melhor.

Centrada na figura de um “mané” com cara de espertinho e um sorvete grudado na testa, a campanha define comportamentos inaceitáveis e encoraja a boa cidadania. Mané não limpa o cocô de seu cachorro, estaciona em lugar proibido, joga lixo no chão e dirige no acostamento, entre outros tabus.

A campanha foi apresentada durante um seminário no dia 13 de dezembro na Associação Comercial do Rio de Janeiro, organizado pela RioComoVamos (que acabou de lançar uma versão atualizada de seu Sistema de Indicadores da Cidade do Rio de Janeiro, com alguns números bem surpreendentes). Durante o encontro, Joaquim Monteiro de Carvalho,  subsecretário de conservação municipal (uma nova entidade que surgiu das chuvas no último mês de abril), comentou que há lixo demais no chão da cidade, apesar das 250 mil papeleiras existentes. Ele pediu que os fumantes apaguem suas guimbas numa placa de metal que existe em cada papeleira, para depois jogá-las no cesto. Guimba não é biodegradável e é impossível de se coletar nas areias da praia. “A Comlurb é a empresa mais admirada da cidade, mas a cidade é suja”, exclamou Monteiro de Carvalho. “A conta não fecha.”

A campanha terá um site (que está em construção), uma conta no Twitter e comerciais de mídia eletrônica, e ainda contará com a participação empresarial e concursos periódicos para eleger o  mané da semana, mês ou ano. Os cariocas serão encorajados a documentar “comportamentos manés” em fotos e vídeos, que serão disponibilizados no site. Parte da campanha já pode ser vista aqui, por quem tiver conta no Facebook.

O Mané lembra o personagem veiculado numa campanha do governo federal pela limpeza e higiene nos anos 1970, o Sujismundo. Simpático e popular, ele não convenceu. Pode ser que desta vez, com o Rio de Janeiro em plenos preparativos para receber milhões de visitantes, os cariocas deixem mesmo de ser manés.

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Em que acreditar, no jornal O Globo ou no New York Times?

Êxito da pacificação depende dos moradores das favelas e do comportamento policial

O New York Times publicou esta matéria no dia 9 de dezembro, com enfoque nas queixas de moradores do Complexo do Alemão sobre o comportamento do BOPE durante a invasão e na varredura de residências no fim de novembro, e que continua este mês. De acordo com o jornal nova-iorquino, encontraram-se o equivalente a US$ 68 mil no complexo de favelas, quando o exército e as polícias federal e militar ali adentraram. Mas a polícia militar carioca não descobriu nenhuma parte desta soma, relativamente pequena comparada às dimensões do mercado local de tráfico de drogas. “Estão mostrando as drogas e as armas, mas cadê o dinheiro?” um morador pergunta na matéria, que ainda diz que “pouco se faz para reformar os policiais do Rio, notoriamente corruptos”.

O New York Times descreve uma reação fria da parte dos moradores do Complexo do Alemão, quando o Secretário de Segurança Pública José Mariano Beltrame caminhava pela área uma semana depois da invasão exitosa e uma mulher abordou-o para se queixar do comportamento truculento de um policial na casa dela. Beltrame é citado ao dizer que “as queixas têm que ser averiguadas com cuidado”. Mas a matéria não inclui informações sobre o que está sendo feito para mudar a polícia do Rio de Janeiro. Outra matéria do Times, de janeiro de 2010, menciona, sim, os bônus salariais para policiais da força de pacificação recém-treinados.

Como o Times já reportou, a invasão do final de novembro foi uma resposta improvisada a uma onda de incêndios em veículos, aparentemente orquestrada por traficantes presos em reação ao programa de pacificação, que já dura dois anos—e foi o motivo principal da fácil reeleição do governador Sérgio Cabral em outubro passado.

O Globo de 12 de dezembro apresenta os resultados de uma pesquisa em favelas que mostra uma ampla aprovação do programa de pacificação e de sua polícia. Não surpreende que haja menos confiança na polícia em favelas sem UPP, onde não houve pacificação (como é o caso do Complexo do Alemão). A polícia de pacificação se constitui de recrutas especialmente treinados, uma força policial totalmente diferente da polícia militar convencional, e do BOPE. Trabalham em 13 favelas com um total de 231 mil moradores; teriam um impacto em um total de 500 mil cariocas se levados em consideração os entornos das favelas, onde o crime se reduz e os valores imobiliários aumentam.

Também é alentador que os cariocas, muitos deles moradores de favela, estejam ligando para o Disque-Denúncia em número recorde, ajudando a polícia a encontrar e prender traficantes de drogas  que fugiram da Vila Cruzeiro e do Alemão. Do dia 28 de novembro ao dia 10 de dezembro, no Complexo do Alemão, a polícia já apreendeu 36,6 toneladas de drogas, 548 armas e 59 explosivos. Houve 133 prisões e a recuperação de 440 veículos roubados.

A pesquisa, que entrevistou oitocentos moradores de favelas, metade em comunidades pacificadas e metade em comunidades sem UPP, encontrou uma taxa de 93% de aprovação das UPPs entre o primeiro grupo, e 89% no segundo. O Globo encomendou a pesquisa, feita depois da invasão, para Instituto Brasileiro de Pesquisa. O jornal tem uma posição nitidamente a favor da pacificação, tanto em suas páginas de opinião como na sua cobertura.

Se o New York Times fosse atualizar a matéria de janeiro passado, que analisa as UPPs e os seus desafios, tais como “uma das mais altas taxas de homicídio no hemisfério, quase 30 por 100 mil moradores”, iria encontrar melhoras — e também pleno reconhecimento dos graves problemas da policia carioca, junto com evidências de um esforço sério para resolvê-los (na verdade, trata-se de mais de uma polícia, à diferença de cidades do primeiro mundo; uma das maiores dificuldades aqui é a divisão de tarefas entre as polícias civil, militar e de trânsito, entre outras, o que criou domínios separados que não costumam trabalhar em conjunto).

As melhorias incluem aumentos de salário, não apenas para a polícia das UPPs, mas também para a polícia militar do dia a dia; e uma proposta de ações ao nível federal atualmente em elaboração por Cabral e Beltrame. Tanto antes como depois da invasão do Alemão e da Vila Cruzeiro, houve prisões de policiais militares e civis corruptos. Esta fonte de notícias sobre a polícia carioca, que pertence ao jornal O Globo, faz cobertura das prisões e das mortes por arma de fogo de traficantes de drogas fugitivos, a prisão de um assaltante de cargas oriundo do Complexo do Alemão, abrigado na casa da mãe de um policial militar que trabalhava diretamente com o comandante da polícia militar (o PM foi indiciado e a mãe está sendo investigada), e também traz uma reportagem sobre uma vereadora empenhada em ajudar moradores da Vila Cruzeiro a serem ressarcidos pelos danos causados pelos tanques invasores às suas casas e aos seus carros.

No caso específico de recente comportamento policial no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro, houve uma rápida reação oficial, com a proibição do uso de mochilas pelos PMs, a criação de uma ouvidoria e a presença da defensoria pública, onde se registram denúncias para serem checadas posteriormente. De acordo com esta reportagem, moradores da área invadida fizeram um total de 37 queixas contra a polícia até dia 3 de dezembro. Estima-se que há em torno de 30 mil residências por onde a varredura policial está passando, e está prevista para terminar em um mês.

A corrupção policial sempre existiu no Rio de Janeiro; basta lembrar o tema do primeiro samba, Pelo Telefone, composto em 1916, sobre os avisos que a polícia fazia antes de chegar às casas de apostas. No ambiente atual, porém, onde existe grande consenso de que as UPPs têm que dar certo e onde a tecnologia digital está ficando cada vez mais acessível, negar o problema ou deixar de tratá-lo seria suicídio de política pública. O mau comportamento policial é amplamente divulgado e os moradores de favela até postam vídeos no YouTube mostrando os danos às suas casas, supostamente causados por policiais.

Em relação à taxa de homicídio, uma busca na internet não encontrou um número comparável com o da matéria de janeiro 2010 no New York Times, mas este relatório preparado por uma entidade estadual mostra uma queda no número de homicídios no primeiro semestre de 2010, e reduções em muitos outros crimes também, comparado ao mesmo período de 2009 e anteriores.

Como saber o que realmente acontece no Rio de Janeiro? É possível algum jornalista fazer uma avaliação objetiva da evolução da política de segurança pública nesta cidade de mais de 6 milhões, com cerca de mil favelas, um milhão de moradores de favelas e 15 mil PMs?  Há um ano, a Human Rights Watch publicou um relatório sobre a violência policial e a segurança pública no Rio, mas até agora não existe nenhuma atualização. A ONG RioComoVamos analisa a segurança pública e outros indicadores, mas o trabalho baseia-se em dados do governo estadual.

A resposta, é claro, é a informação – sempre mais, sempre de melhor qualidade, sempre mais acolhida e analisada por sempre mais gente. Uma fonte nova surgiu no dia 12, com o lançamento, pelo jornal O Globo, de um blog, uma conta no Twitter, um canal no YouTube, um email (favelalivre@gmail.com) e um perfil no Orkut, que forma o Favela Livre, um projeto pelo qual moradores das favelas podem escrever textos anônimos, que serão publicados ao lado de contribuições de repórteres do jornal e de especialistas em assuntos urbanos e violência. As contribuições dos cidadãos comuns serão selecionadas por dois editores.

Enquanto isso, RioRealblog continuará a procurar notícias, reportagens e informações sobre a transformação do Rio de Janeiro.

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What to believe, O Globo or the New York Times?

Pacification success depends on favela residents and police behavior

The New York Times published this story Dec. 9, focusing on the complaints of Complexo do Alemão residents about the behavior of Rio de Janeiro’s military police special operations battalian (BOPE) as they invaded to wrest control of the area from drug traffickers, and then conducted house-to-house searches in late November, continuing this month. According to the Times, US$ 68,000 equivalent was found in the complex of favelas as army, federal and military police moved in– but none of this relatively small sum, given the dimensions of local drug trafficking, was discovered by Rio’s military police. “They have been showing you drugs and arms, but where is the money?” a resident is quoted as asking in the story, which goes on to state that “little is being done to reform Rio’s notoriously corrupt police officers”.

The Times describes a cool reception on the part of Complexo do Alemão residents, as public safety secretary José Mariano Beltrame walked through the area a week after the successful invasion, with one woman accosting him to complain of a police officer’s truculent behavior in her home. Beltrame is quoted as saying that “complaints must be carefully checked”, but the story doesn’t  discuss what is being done to change Rio’s police force. A January 2010 NYT piece does mention police pay bonuses for officers in the freshly-trained pacification force.

As the Times has reported, the late-November invasion, which counted on help from Brazil’s army and navy, was an improvised response to a wave of vehicle torchings apparently ordered by imprisoned drug traffickers displeased with the two-year-old pacification program, the basis for governor Sérgio Cabral’s easy reelection in October.

Today’s O Globo presents the results of a favela survey showing widespread approval of the pacification program and its police. Unsurprisingly, favelas where pacification hasn’t yet taken place (as is the case in the Alemão complex) revealed greater distrust of the police. Pacification police are specially-trained recruits, a wholly different corps from Rio’s everyday military police and the BOPE. They’re working in 13 favelas with a total of 231,000 residents and are said to have an impact on a total of 500,000 cariocas when surrounding areas are taken into consideration, where crime has fallen and real estate values have risen.

It’s also a positive development that cariocas, many of them favela residents, are calling the police hotline in record numbers, aiding police to find and arrest drug traffickers who got away from Vila Cruzeiro or the Alemão complex, through sewage pipes or otherwise. From Nov. 28 to Dec. 10 in the Complexo do Alemão, police have apprehended 36.6 tons of drugs, 548 weapons and 59 explosives. Arrests total 133 and 440 stolen vehicles have been recovered.

The survey, which interviewed 800 favela residents, half in pacified communities and half in communities without pacification units, found 93% approval among the former for the state government’s “UPP” pacification program, and 89% among the latter. O Globo paid for the survey, which was carried out after the latest invasion by a research group, the Instituto Brasileiro de Pesquisa. Globo has taken a clear pro-pacification position in both its opinion pages and its coverage.

If the New York Times were to update its January 2010 report on Rio’s favela pacification program and its challenges, such as “one of the highest murder rates in the hemisphere, at nearly 30 for every 100,000 residents”, it would find improvement– as well as acknowledgement of and serious attention to the city’s flawed police force (forces, really; one of the difficulties is that the Rio police are divided up by tasks and had turned into fiefdoms with almost no cooperation. Civil police do intelligence work, for example, while the military police do the street work. There is also a separate traffic police force).

Such improvement includes pay raises not only for the pacification police, but for the mainstream military police as well; and a proposal for federal action now being drafted by Rio governor Sérgio Cabral and Beltrame, to unify the civil and military police and undertake other reforms. Both before and since the Alemão invasion, corrupt military and civil police officers have been arrested. This Globo-owned source of police news in Rio covers arrests and shooting deaths of drug traffickers on the run, the arrest of a Complexo do Alemão cargo thief being harbored by the mom of a military policeman who worked directly with Rio’s military police commander (the subordinate has been indicted and the mom is under investigation), and also reports on a city councilwoman helping Vila Cruzeiro residents to get compensation for tank damage to their homes and cars during the invasion.

In the specific case of police behavior in the recent Complexo do Alemão and Vila Cruzeiro invasions and occupations, officials reacted quickly to complaints by banning policemen from wearing backpacks and setting up a makeshift office where complaints are registered for later confirmation. According to this report, area residents had registered a total of invasion-related 37 complaints against police as of Dec. 3. There are an estimated 30,000 residences undergoing search procedures expected to take a month to complete.

Police corruption goes back as far as anyone can remember in Rio; the first samba, Pelo Telefone, composed in 1916, was about how the police used to call ahead to warn gamblers of raids. But in the current environment, where consensus is high that favela pacification must succeed and access to digital technology is becoming widespread, it would be public policy suicide to deny the problem or fail to act. Poor police conduct has been highlighted in the Brazilian media and favela residents have even videoed alleged police damage to their homes and posted this on YouTube.

As for the murder rate, an internet search found no number that could be compared with the one in the Jan. 2010 NYT story, but this report prepared by a state agency provides numbers showing a drop in murders in the first half of 2010, and reductions in most other crimes as well, compared to the same period in 2009 and earlier, too.

How to know what is really going on in Rio? Is it possible for any journalist to come to an objective evaluation of the evolving public safety policy in this city of over six million, with about a thousand favelas, a million favela residents, and 15,000 military police?  A year ago, Human Rights Watch published a report on police violence and public security in Rio, but no followup is available so far. The NGO RioComoVamos tracks  public safety and other indicators, but these are based on data provided by the state government.

The answer, of course, is information– ever more, ever better in quality, ever more read and analyzed by ever more people. A new source came into being today, with O Globo‘s launch of a blog, a Twitter account, a YouTube channel, an email address (favelalivre@gmail.com), and an Orkut profile which make up Favela Livre (Free Favela), a project whereby favela residents can write anonymous contributions, that will run side by side with those of O Globo reporters and urban policy and violence specialists. Residents’ contributions will be selected by two editors.

Meanwhile, RioRealblog will continue to scout out news, reporting and information on the transformation of Rio de Janeiro.


 

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Wikileaks out of Rio de Janeiro: 2009 pacification report from consul

Catchy title: COUNTER-INSURGENCY DOCTRINE COMES TO RIO’S FAVELAS

U.S. consul Dennis W. Hearne’s September 2009 report on Rio de Janeiro’s pacification program is excellent; if only it were more recent!

This and other documents have been discusssed in Brazilian blogs and the press, here and here, for example. In response to the leaks, U.S. Ambassador Thomas Shannon published this article in the Dec. 2 Folha de São Paulo.

At the time Hearne wrote his September report, Rio had but four UPPs, or  pacification units, and taking down the drug traffic of the Complexo do Alemão was no more than a pipe dream. Hearne quotes state public safety secretary José Mariano Beltrame as calling that part of Rio “the epicenter of the fight”, stating that taking the complex of favelas would entail a vast operation with a potentially “traumatic”  scale of violence. According to Hearne, Beltrame expected the invasion to occur in early 2010.

From a detailed discussion in the cable of the state government’s plans and priorities, it appears that Beltrame at the time expected to enter the Alemão earlier this year because he thought the number of UPPs would be limited to 12 or so. But this was later officially increased to a goal of 40  by 2014, a decision which must have postponed the Alemão until a wave of vehicle torchings in late November of this year made an invasion unavoidable; at the moment 13 favelas have pacification units and Alemão is already transitioning toward one in 2011.

The cable contains no surprises, and its final comment provides a good summary of the challenges that the state pacification program faces, as seen in RioRealblog and much of the Brazilian press. “If, however, the program wins over ‘hearts and minds’ in the favelas,” Hearne concludes, “and continues to enjoy genuine support from the governor and the mayor, bolstered by private enterprise lured by the prospects of reintegrating some one million favela residents into mainstream markets, this program could remake the social and economic fabric of Rio de Janeiro. [The consulate] will work closely with the relevant state authorities to facilitate exchanges, seminars, and institutional partnerships towards this end.”

Here are some additional noteworthy points:

  • it cites analysts saying that the Rio economy could grow by US$ 21 billion equivalent if and when its favelas are integrated with the rest of the city, as current policies intend. In addition, tax revenues could increase by US$ 45 million equivalent.
  • it refers to the pacification process by the English-language term “clear and hold”, described as “pushing criminal elements out of the community, establishing a permanent police and government presence, then providing basic services and civic privileges to favela residents”. As the Brazilian press has already noted, Hearne, whose last post was in Afghanistan, compares Rio’s public safety push to work he’s seen there and and in Iraq.
  • it quotes Beltrame as follows: “‘You cannot imagine what government neglect of the favelas ha[s] done to this city. It is a failure of public service,’ he said. Stating the Rio government was now ‘at war,’ Beltrame explained, ‘We have a few hundred criminals causing terror in a few million.'”
  • it notes that one UPP commander, Colonel José Carvalho, is a former U.N. peacekeeping commander, and that he said “We need fresh, strong minds, not a Rambo… The older generation of cops is more oriented to kicking down doors and shooting people.” This is in fact just what some Complexo do Alemão residents have complained about in regard to the BOPE (special ops battalion) behavior during the late November invasion.
  • Carvalho also is reported to have stated that active UPP officers are “subject to internal affairs undercover operations, to ensure  UPP officers are not abusing their power within the favelas.” RioRealblog hasn’t seen this information elsewhere; it appears to be a sensible response to the real danger that the freshly- and especially-trained new recruits who make up the UPP corps could become corrupt.
  • the report cites statistics from the state government’s Instituto de Segurança Pública showing an increase in robberies in residences and businesses from 2008 to 2009, and quotes Beltrame and crime and police specialist Julita Lemgruber as saying this was caused by the UPPs. However, crime of almost every type has dropped this year compared to 2009.
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Violência no Rio de Janeiro: quem serve o café do prefeito de Nova York?

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A ocupação inesperada do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro levanta mais do que armas, drogas e bandidos.

Após uma semana de violência, medo e incerteza, no dia 29 de novembro o Rio de Janeiro se acalmou o suficiente para um agradecimento emocionante da parte do garçom do prefeito Eduardo Paes ao Secretário Estadual de Segurança Pública José Mariano Beltrame. Gyleno dos Santos, 73, comentara aquela manhã com o prefeito que pela primeira vez na vida ele saíra para trabalhar sem medo, já que as favelas do Complexo do Alemão haviam sido “tomadas” dos traficantes de drogas, pela polícia militar e pelas tropas do exército, e que gostaria de agradecer ao responsável. Por acaso, naquela tarde Beltrame viria almoçar no Palácio da Cidade.

“No almoço, Gyleno pediu licença e deu um abraço no Beltrame,” Paes contou ao Globo. “Ele foi às lágrimas. Quem conhece o Beltrame sabe que ele é um sujeito esquisito. Ele não ri, não chora. Tem aquele jeito fechado de uma pessoa centrada no trabalho. O Gyleno, na verdade, foi responsável por expressar o sentimento de toda a população.”

Na foto que acompanha a matéria, Gyleno segura uma bandeja com copos de água, vestido com uma jaqueta branca de gola alta e botões dourados, um braço por trás das costas.

Agora veja a foto que acompanha um artigo da revista New York de outubro 2010 sobre o ambiente de trabalho com divisórias para 52 pessoas, do prefeito nova-iorquino Michael Bloomberg. Será que um senhor de jaqueta branca teria como passar por entre os assessores dele, com bandejas de café, chá e água, como fazem os garçons e as moças do café nos escritórios brasileiros? Até agora, o RioRealblog não conseguiu descobrir se Bloomberg tem um garçom — com ou sem abraços– mas uma brasileira que recentemente mostrou seu apartamento em Manhattan ao Bloomberg diz que o Big Apple apareceu sozinho para conhecê-lo, de trena na mão. “Nem trouxe arquiteto,” ela conta maravilhada.

Separados e desiguais

No dia 1 de dezembro, o secretário Beltrame e outras autoridades da área de segurança pública visitaram o Complexo usando camisas de times de futebol, numa tentativa aparente de reduzir o enorme espaço socioeconômico entre pessoas como o Gyleno – que na verdade não mora no Complexo, apenas próximo o bastante para se apavorar – e eles mesmos. Com quatro grandes times na cidade, os cariocas tendem a se aproximar de uma pessoa desconhecida perguntando o time pelo qual ela torce, para então partir de semelhanças ou diferenças, brincando para que ambas se sintam à vontade.

Esse enorme espaço é a raiz de todo o mal; ao passo que se aumenta o preço perigoso das diferenças, e os brasileiros viajam mais e conhecem culturas mais igualitárias, se tornam mais críticos em relação a elas, e em alguns casos, (se já não viu, veja o vídeo inserido no post anterior) começam a trabalhar para diminuí-las. Enquanto a política de segurança pública avança rapidamente num ambiente bastante positivo – dia 3, o governador Sérgio Cabral disse que ele e Beltrame estão elaborando uma proposta para levar a Brasília para mudar a constituição e unificar as polícias militar e civil, e fazer outras mudanças necessárias – a antropóloga Alba Zaluar comentou em uma apresentação na Casa de Rui Barbosa que os soldados da polícia militar e seus superiores comem em refeitórios separados, sublinhando a hierarquia e dificultando a comunicação. Tal diferenciação é rara em organizações e empresas multinacionais brasileiras que estão em contato constante com as práticas no exterior, mas esse legado da escravidão ainda é comum.

A estratificação social até se encontra no transporte carioca, que Paes também se esforça para organizar antes das Olimpíadas. O norte-americano que chega ao calçadão com o objetivo de entrar em algum veículo a caminho do centro deve logo se lembrar do famoso slogan da Burger King nos Estados Unidos, Have it Your Way (ou Peça seu Sanduíche do Jeito que Mais Goste) Enquanto as opções em NY são ônibus, táxi, metrô ou limusine, aqui ele pode ir de van por R$2,40 reais, de ônibus pirata sem ar por dois reais, de ônibus legal sem ar por R$2.40, de ônibus com ar e assentos padrão por três reais, de frescão por cinco reais, ou de táxi comum por mais ou menos 25 reais. E ainda pode se programar e ligar para um rádio taxi comum, um rádio taxi chique ou combinar com um motorista particular na porta do hotel.

Não é fácil encurtar as muitas ladeiras da vida cotidiana. Claro que não é o caso de demitir o Gyleno, que trabalha no Palácio desde 1982. As camisas de futebol são um bom começo; o governo também já comunicou o reconhecimento de necessidades humanas legítimas ao efetuar uma limpeza rápida das ruas do Complexo e instalar serviços sociais, enquanto a polícia e o exército conduzem uma varredura casa a casa por bandidos, armas e drogas, que deve durar meses. E por uma semana três repórteres do Globo dormiram no Complexo, fazendo reportagens. Vários programas de TV gravaram diretamente da área na semana passada, e no sábado até alguns turistas apareceram num lugar que até então ninguém procurava conhecer.

Por quanto tempo o Complexo do Alemão e a Vila Cruzeiro permanecerão no mapa? Muitos de seus traficantes fugiram, aparentemente por tubulações de esgoto, e pode ser que eles apareçam novamente. Tantas outras comunidades pobres precisam da atenção do governo. E os cariocas sabem, pela longa experiência com o Carnaval, que quando os pobres se vestem de nobres do século XVIII nas comissões de frente, na quarta-feira de cinzas as carruagens viram abóboras.

Quem Indica

Gyleno acertou. Beltrame, 53, é um herói local merecedor de muitos agradecimentos, apesar de ser gaúcho, tendo feito carreira na polícia federal. Mas seu comportamento traz à tona um atributo um tanto preocupante entre as autoridades brasileiras.

Perguntado nesta entrevista do Globo sobre como sua equipe preparou a invasão da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão, Beltrame disse que conseguiu o apoio da polícia federal porque “Ela é minha casa”, e mencionou o nome do chefe da polícia federal no Rio de Janeiro pelo primeiro nome, Ângelo, com o mesmo grau de familiaridade que Paes utilizou ao falar de seu garçom.

Então, Ângelo e José Mariano torcem pelo mesmo time?

Talvez melhor do que Wikileaks

Está claro para todos que o ímpeto principal para o programa carioca de pacificação, que atualmente se estende a 13 favelas estratégicas e logo que possível chegará aos que já se tornaram as comunidades mais famosas da cidade, são os eventos esportivos internacionais que estão por vir. Pela primeira vez, o mundo todo está de olho no Rio de Janeiro — e os cariocas querem fazer bonito.

E um elemento novo e saudável na equação social brasileira, tão carregada que é de tradições – a tecnologia—, também permite aos cariocas se vigiarem, pela primeira vez, no Twitter, no YouTube, nos sites de notícias e na mídia eletrônica cada vez mais realtime e ligada à internet. Está aqui o vídeo de um morador da Vila Cruzeiro transtornado, acusando a polícia de ter destruído sua casa; de acordo com reportagens, eles também teriam levado uma grande quantia de dinheiro.

Ao responder a um morador do Complexo que perguntou por email se moradores podem filmar a polícia enquanto fazem as suas buscas, o governador Sérgio Cabral disse, “Claro que podem. Neste mundo da tecnologia, é um direito do morador filmar o trabalho da polícia e as revistas em sua própria casa“. Como prevenção, a polícia militar acabou de proibir seus homens de usar mochilas, em resposta a dezenas de acusações que estão sendo investigadas por uma nova ouvidoria.

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