A baía de Guanabara pode ficar menos suja, em pouco tempo

A Cedae saindo de cena?

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Manifestantes em junho passado

Pela nossa experiência, o ceticismo é a atitude mais apropriada. Vamos cultivá-la.

E agora, uma boa notícia: existe uma possibilidade de que tenhamos, enfim, águas sensivelmente mais limpas no Rio de Janeiro metropolitano, em questão de anos.

Antes de mais nada vai a pergunta de sempre: o que aconteceu com os US$1 bilhão para a limpeza da baía de Guanabara, nos anos 1990? Foi para o bolso de quem, hein?

“Não trabalhei no Plano de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG) e portanto não conheço detalhes, mas o que se pode inferir é que se tratava de dez por cento do que se precisava,” explicou o superintendente do Grupo Executivo de Gestão Metropolitana, Luiz Firmino Martins Pereira, ao RioRealblog. No começo deste mês, ele concedeu ao blog uma entrevista de conteúdo surpreendente. “Era muito pouco para o tamanho do problema”.

Esse é um dos motivos pelos quais, diz ele, ficamos com estaçãoes de tratamento e sem redes coletoras. O dinheiro era pouco e o sonho era grande demais. Geralmente, as redes coletoras para o esgoto representam 70% do custo de um sistema de saneamento. Não se dispunha dos recursos necessários.

Nem a Cedae nem o estado como um todo tinham a capacidade de contrair dívidas para esses. E a tarifa de esgoto, cobrada ao consumidor, não pagava a conta.

Durante décadas, a ideia era fechar o abismo entre a nossa realidade e a das metrópoles mais avançadas: depois da descarga, o dejeto seria coletado, tratado e devolvido ao meio ambiente. Pensava-se instalar o sistema ideal de coleta e tratamento de esgoto, um sistema que levaria o esgoto em tubulações separadas das de drenagem — as que levam as águas pluviais.

O sistema ideal — que, na verdade, nem existe em muitas cidades do primeiro mundo — requer atualmente, de acordo com Firmino, cerca de R$1.800 por habitante. Multiplica isso pelos doze milhões de habitantes da metrópole e você chega a R$ 21,6 bilhões, ou US$ 10 bilhões.

Pode ser que tenhamos tido tal quantia; perdura, portanto, a pergunta sobre o destino da grana. E há quem discorda das afirmações do Firmino sobre a falta de recursos. “A questão não é técnica e ou monetária; é política!” escreveu Adauri Souza, superintendente do
Instituto Baía de Guanabara, num email em reposta a perguntas feitas pelo blog.  “Consideremos os 21 anos do início do PDBG e veremos que o processo nunca foi tratado como política de estado e sim como política de governo; cada um que chegou estabeleceu suas prioridades e metas o que resultou no quase nada que temos hoje”.

Com ou sem recursos adequados, a tarefa sanitária parece ter paralisado governos passados. “Mesmo que você tivesse o cheque na mão, levaria mais de uma década para a instalação das redes,” disse Firmino. “A obra não é trivial. Tem que rasgar as cidades [no entorno da baía] todas. Depois, boa parte da periferia não tem drenagem, está sem asfalto. É a ausência de urbanização, a existência de habitações subnormais. Como instalar um sistema coletor na Rocinha, por exemplo?”

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Parece muita grana, mas, diz Firmino, não bastava

Se o problema é tão espinhoso, por que prometemos em 2009 ao Comitê Olímpico Internacional, e a nós mesmos, que iríamos limpar 80% da baía até os Jogos de 2016?

“A meta de 80% certamente surgiu da vontade do momento e da espectativa se conseguir recursos”, diz Firmino.

Será que o quadro atual, tão negativo e esmagador de sonhos, seja um momento raro de realismo no Brasil? O começo de uma fase de realizações pé-no-chão? (Será que o programa Morar Carioca não sofreu do mesmo amor pelo mirabolante? Como mesmo iríamos urbanizar todas as favelas do Rio até 2020?)

Se a nova Câmara Metropolitana de Integração, a ser formalmente constituída em 2016, funcionar conforme os planos do governo estadual, pode ser que estejamos iniciando uma nova fase, sim. Vamos ver. O funcionamento depende de muitos fatores autónomos. Como organizar a atuação de 21 prefeituras, por exemplo? Como torná-la financeiramente sustentável e politicamente forte? Por outro lado, está claro que uma abordagem metropolitana é a única maneira de lidar com várias questões de nossa região, em especial com o tema do saneamento. A abordagem metropolitana é uma grande novidade, que não foi contemplada na Constituição de 1988.

O plano metropolitano para a baía, de acordo com Firmino, é construir galerias interceptoras coletando parte considerável das redes de drenagem, onde já correm praticamente 70% dos esgotos. São estas redes que hoje já afastam o esgoto dos seres humanos para então levá-lo embora com as águas pluviais. Desta forma, o esgoto seria levado às estações de tratamento existentes pela margem da baía, que atualmente operam abaixo de capacidade. Esse sistema já existe em muitas cidades. Ipanema e Copacabana possuem rede separativa, mas um grande cinturão intercepta qualquer excesso sob os calçadões das praias, sendo tudo levado (sem tratamento) para o emissário submarino.

“Imagina por exemplo fazer uma galeria bastante grande, debaixo da Linha Vermelha”, sugere Firmino. O lixo seria separado, continuamente, através do gradeamento e todo o esgoto que hoje cai na baía seria direcionado para a estação de tratamento Alegria.

De acordo com ele, com o devido investimento e obras de interceptação, durante apenas três anos, teríamos uma enorme diferença na baía.

O biólogo Mário Moscatelli, defensor da baía e das lagoas do Rio

O biólogo Mário Moscatelli, defensor da baía e das lagoas do Rio, não cansa de deunciar a falta de responsabilidade do poder público

Quem faria isso? Haveria licitações para concessões ao setor privado — PPPs — para a construção das galerias, a conexão delas às estações de tratamento e a operação dos sistemas, por trinta anos. Tais empresas, com a perspectiva da renda  proveniente de tarifas, teriam como contratar empréstimos no setor privado. Seria necessária a participação governamental tambem, diz Firmino, para continuar avançando com as redes separativas.

A solução não é ideal. Na hora de chuvas fortes, o sistema seria sobrecarregado e teríamos despejo de esgoto no mar. Firmino acredita que os dias de chuva forte são relativamente poucos durante o ano, e assegura que o “tratamento de esgoto a tempo seco”, como é chamada essa solução, seria apenas um passo num caminho longo do saneamento na região metropolitana, levando até a separação total de esgoto e águas pluviais, com tratamento 100%.

Aos poucos, as prefeituras iriam contribuir com conexões ao sistema de interceptação.

A Cedae ficaria com o abastecimento de água na região, onde ela sempre atuou mais forte e para o qual contratou recentemente empréstimos da ordem de 3,2 bilhões de reais. Está claro que o esgoto está em segundo plano nos investimentos da empresa. O Rio todo — não apenas favelas — sofre do transbordo de esgoto e mau cheiro, resultados de falta de manutenção. Com a entrada do setor privado no esgoto, talvez tenhamos  maior clareza de metas e prazos.

A médio prazo, diz Firmino, a Câmara irá focar na construção de redes separativas em áreas de moradias formais e informais com grande concentração de moradores, como os Complexos do Alemão e Maré.

A expectativa é de aprovar uma lei criando a ente metropolitano e estar com uma modelagem para o saneamento regional até o fim de 2015. Essa modelagem irá conter metas ano a ano para a limpeza da baía. Inclui também uma análise das propostas recém-anunciadas do estado, além do monitoramento e acompanhamento de tudo.

Desde 1991, a democracia brasileira amadureceu. Hoje, espera-se que haja uma boa dose de participação da sociedade civil em qualquer projeto para sanear a baía e seu entorno terrestre. “É fundamental um pacto pela baía, que reúna todos os interesses existentes no espelho d’água e em sua bacia hidrográfica: poder público (municipal, estadual e federal), empresariado (indústria, comércio, turismo, lazer), pescadores e sociedade civil,” comentou Souza na sua resposta por email. “Este pacto deve possibilitar a implantação de um modelo de governança da baía, e só então, teremos a possibilidade de estabelecer metas reais, com controle e monitoramento, das melhorias socioambientais. Enquanto isso não ocorrer toda a população que reside em seu redor estará ameaçada por interesses menores”.

Os Jogos Olímpicos já deixaram de ser o incentivo central para o saneamento; agora é a nossa saúde e o crescente custo do potencial não realizado da baía. Mesmo assim, há pressa. Nos próximos meses, veremos o desenrolar dos eventos, pois no primeiro trimestre de 2016, espera-se fazer a licitação de lotes dentro da área metropolitana, às quais as empresas do setor poderão concorrer.

Será que esses prazos são realistas? Dedos cruzados para os pés no chao.

A boa notícia é que, mesmo com a continuação do despejo de esgoto na baía durante esses anos todos, há mais clareza na abordagem das políticas públicas. “É a primeira vez que esteja claramente definido quem é o poder concedente na Região Metropolitana,” diz Firmino, que já participou da instituição um sistema de saneamento de tempo seco na Região dos Lagos. “As PPPs representam um investimento expressivo,” prossegue. “É a primeira vez que temos essa chance, a primeira vez que estamos pensando integrado”.

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Dancing with the Devil in the City of God: leitura necessária

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Todo país e toda cultura tem tradições que são únicas e fazem parte da identidade do país, mas algo que faz parte de seu passado não é necessariamente certo; não quer dizer que tenha que apontar seu futuro. — presidente Barack Obama

Existem muitas maneiras de pensar a metrôpole de Rio de Janeiro. Uma é considerar as mudanças sociais, econômicas e políticas que aconteceram através do tempo. Outra é de comparar o Rio de hoje com aquilo que deveria ser, na nossa opinião, ou com outras cidades.

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A primeira maneira é útil para medir as mudanças, compreender seus elementos e suas implicações para o futuro — e, às vezes, “perdoar” os brasileiros quando não cumprem com nossas expectativas.

A segunda maneira é relativamente nova. Até uns quinze anos atrás, ainda havia gente que argumentava a necessidade de levar em conta fatores culturais, dizendo que eram injustas as comparações porque havia nelas o pressuposto de que algumas culturas, e suas éticas, seriam melhores ou piores que outras.

Porém hoje, com maior acesso global à informação e ao viajar, temos mais consenso claro sobre como as sociedades devem funcionar. Na semana passada, o presidente norte americano Barack Obama criticou a cultura queniana. Portanto, fica mais difícil manter as injustiças e desigualdades contraproducentes da sociedade brasileira, tão bem retratadas no novo livro de Juliana Barbassa, Dancing with the Devil in the City of God: Rio de Janeiro on the Brink [Dançando com o diabo na Cidade de Deus: Rio de Janeiro à beira do abismo, inédito aqui]

Juliana, amiga de sua blogueira, é brasileira porém viveu a maior parte da vida no exterior. Voltou ao Rio em 2010 como repórter da Associated Press, vindo de São Francisco. Fez reportagens de partir o coração e torcer os músculos: a invasão do Complexo do Alemão em 2010, a serra após as terríveis enchentes de 2011 (acompanhada de colegas que zoaram sua reação emotiva às mortes desnecessárias), o dia a dia de um adestrador de jacarés na Zona Oeste e a vida das prostitutas de nossa famosa Vila Mimosa.

Juliana ainda extrai sentido de tudo isso e de muito mais, no seu relato em primeira pessoa, absolutamente arrebatador.

“O Rio representava uma sensação de que a janela de oportunidade do Brasil talvez estivesse fechando antes de abrir plenamente,” ela escreve quase ao fim do livro. “Havia décadas, a cidade precisava urgentemente de investimento. Os cariocas guardavam uma grande expectativa de que o rol de eventos internacionais iniciadas com os Jogos Panamericanos trouxesse medidas para diminuir congestionamento, poluição e violência crônicos”, ela continua.

“Aprendiam, porém, a grande custo, que os grandes eventos esportivos têm metas de curto prazo e compromissos apertados que não combinam bem com os objetivos de planejamento urbano, de longo prazo. No Rio, os contratos prendiam os recursos às necessidades de organizações externas, criando um permanente estado de exeção que excluía o debate, a consideração de necessidades mais amplas, ou a reforma de instituições defeituosas. Pelo contrário, essas pressões reforçavam as hierarquias existentes; a pressa para iniciar a partida ou acender a tocha justificava a maior concentração de poder e encurtava a tomada de decisões.
Durante quatro anos, presenciei isso na remoção de favelas sem o devido process legal; nas licenças ambientais deixadas de lado; nas políticas de limpeza social que miravam ambulantes, prostitutas, usuários de drogas e os sem-teto; e no incremento no armamento de um efetivo policial ao qual ainda faltava transparência e responsabilidade à sociedade. A gentrificação piorava uma séria crise de moradia existente, enquanto programas de urbanização de favela como o Morar Carioca eram podados na raiz.”

Sua blogueira concorda com a avaliação que Juliana faz, do Rio nos anos recentes. Ao mesmo tempo, com 34 anos de experiência no Brasil, gosto de pensar sobre o que acontece no tecido social, por baixo dos eventos em si. Deixando a relatividade cultural de lado, quais são algumas de nossas suposições?

Grande parte do que ela descreve surge das noções dos cariocas, de que a cidade do Rio ainda cresce muito (falso) e que a expansão urbana continuará a depender do automóvel (apesar das desvantagens cada vez mais aparentes). As duas suposições estão arraigadas em mais uma: que o Brasil continuará a ser uma sociedade de uma grande massa de pobres e poucos ricos, os primeiros servindo aos segundos. Daqui vem a expansão para o oeste da cidade, com suas amplas avenidas e condomínios fechados — impulsionada pelos Jogos Olímpicos.

Eis o motivo pela existência das hierarquias e pelo reforço a partir das pressões dos megaeventos: para quem manda, elas ainda funcionam muito bem. O prefeito Eduardo Paes já falou publicamente que os filhos dele têm sorte de não ter que estudar em uma escola pública.

A mudança social silenciosa começa quando as hierarquias deixam de servir aos poderosos. Pode-se afirmar que o processo já está em curso aqui, mas estamos perto demais para enxergá-lo com clareza e de ter certeza disso.

Na face de tal incerteza e do passo devagar da transformação social, quando acontece, não se pode subestimar a importância de descrever a realidade. Aqui entram as comparações do Rio ao aquilo que gostaríamos que fosse e com outras metrópoles. É irritante, mas pode nos energizar.

Quem fala inglês (atenção, jornalistas que se preparam para cobrir os Jogos) precisa conhecer as decepções e erros do Rio de Janeiro, não apenas aos olhos da filha pródiga mas especialmente para quem aqui nasceu e cresceu. Um livro como  Dancing with the Devil nos mostra o fato duro que, como disse Obama, “algo que faz parte de seu passado não é necessariamente certo; não quer dizer que tenha que apontar seu futuro”.

Cruzemos os dedos para que o livro seja publicado logo em português. Diante do clima econômico atual no Brasil, aqui vai uma sugestão urgente: uma tradução por crowdfunding, a ser publicada online.

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Dancing with the Devil in the City of God: a must read

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Every country and every culture has traditions that are unique and help make that country what it is, but just because something is part of your past doesn’t make it right; it doesn’t mean it defines your future. — President Barack Obama

There are many ways to think about the Rio de Janeiro metropolis. One is to think about the social, economic and political change that’s taken place over time. Another way is to compare Rio today to where one thinks it ought to be, or where other cities are.

The first way is useful for gauging change, comprehending its components and implications for the future — and sometimes, to “forgive” Brazilians for where they come up short.

The second way is relatively new. Up until about fifteen years ago there were still people who argued that one had to take cultural factors into account, that comparisons were unfair because they assumed that some cultures, and their ethics, were better or worse than others.

But nowadays, with increased global access to information and travel, more people share clear ideas about how societies should function. Just last week, President Obama told Kenyans how to live. Which makes it that much harder to maintain Brazil’s unjust, unequal and ultimately, self-defeating, society, so well portrayed in Juliana Barbassa’s new book, Dancing with the Devil in the City of God: Rio de Janeiro on the Brink.

Barbassa, this blogger’s friend, is Brazilian but grew up abroad. In 2010, she returned to her native Rio to report for the Associated Press. She did back- and heart-breaking hard news reporting: waiting for the 2010 Complexo do Alemão invasion, slogging up to the mountains after the horrendous 2011 mudslides (with colleagues who made fun of her emotional reaction to the deaths involved), spending a day with a West Zone crocodile handler and interviewing prostitutes in Rio’s infamous Vila Mimosa.

More, in her page-turning first-person account she make senses of this and so much else.

“Rio embodied this sense that Brazil’s moment might be passing before it arrived,” she writes toward the end of the book. “The city had been in dire need of investment for decades. Cariocas had high hopes that the international events that started with the [2007] Pan-American Games would bring measures to curb chronic congestion, pollution and violence,” she continues.

“But they were learning, at great cost, that massive sporting events have short-term objectives and tight deadlines that do not mesh well with long-term city planning goals. In Rio, contracts bound resources to the needs of external organizations, creating a permanent state of exception that left no room or time for debate, consideration of broader needs, or the reform of flawed institutions. On the contrary, these pressures reinforced the existing hierarchies; the rush to kickoff or the torch lighting justified the further concentration of power and shortened decision-making processes.
Over four years, I’d seen this at work in the removal of favelas without due process; in the scrapped environmental reviews; in social cleansing policies that targeted street vendors, prostitutes, drug users, and the homeless; and in the further arming of a police force still lacking accountability. Gentrification worsened an already serious housing crisis even as favela-upgrading programs like Morar Carioca were cut off at the root.”

This blogger agrees with Barbassa’s assessment of Rio in recent years. At the same time, having lived in Brazil 34 years, I’m drawn to thinking about what’s going on in the fabric of society, beneath actual events. Cultural relativity aside, what are some of the underlying assumptions?

Much of what she describes derives from Cariocas’ notions that Rio proper is still growing apace (untrue) and that urban expansion will be automobile based (despite the ever more obvious drawbacks). Both these assumptions stem from yet another: that Brazil will continue to be a society of poor masses and rarefied wealth, the former serving the latter. Ergo expansion to the West, with its wide avenues and gated communities — spurred on by the Olympic Games.

Here is why the hierarchies exist and are reinforced by mega-event pressures; for those in charge, they still function nicely. Mayor Eduardo Paes has publicly stated that it’s a lucky thing that his children don’t have to go to public school.

Quiet social change begins when hierarchies start to fail the powerful. It can be argued that the process is already under way here, but we’re too close to see it clearly enough to be sure.

Given such uncertainty, and the slow pace of social transformation when it happens, the importance of describing reality cannot be underestimated. Here’s where comparing Rio to where it ought to be, and to other metropolises, comes in. It’s galling, but can be energizing.

English-speakers (heads up, journalists preparing to cover the Olympic Games) need to know just how disappointing and wrong Rio can be, not only for a prodigal daughter but especially for those who born and brought up here. A book such as Dancing with the Devil puts us face to face with the fact that, as Obama said, “just because something is part of your past doesn’t make it right; it doesn’t mean it defines your future”.

Fingers crossed that the book will soon be published in Portuguese. Given Brazil’s current economic climate, here’s an urgent suggestion: a crowd-funded translation, to be published online.

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The mayor’s spiel: a guide

Se todos escutassem

In two places at once

Para Sabatina de nosso prefeito: um guia, clique aqui

Eduardo Paes, our mayor who ends his second term in the coming Olympic year, sat down with Folha de São Paulo reporters last Wednesday. Paes knows the importance of communication. After the 2013 protests, City Hall organized three Google Hangouts so he could dialogue with a variety of citizens. But up till last week, it had been a while since Paes had opened up to questions in front of cameras.

Notably, he did this with a São Paulo publication, as we come up to a possible shortage of potential candidates for the 2018 gubernatorial and presidential elections, with many political careers threatened by ongoing corruption investigations. So far, the name Eduardo Paes is free and clear.

Your blogger has had several chances to hear the mayor’s ideas and positions. Initially, the sensation is one of having put one’s head into a centrifuge. Your brain turns to juice.

In other words, he is a top-of-the-line politician.

After a few more encounters, the senses may be recovered. So, how does the juicer work?

The trick is to occupy two places at once. He’s got dualities — and they interact, slicing up everything.

Our mayor literally occupies two spots at once, constantly reminding listeners that he was brought up in the South Zone and is also much loved in Rio’s working class neighborhoods. He cites areas his childhood buddies have probably never heard of. According to the mayor, the neighborhoods that saw the highest real estate value growth in recent years were Oswaldo Cruz, Madureira, Vaz Lobo and Bento Ribeiro. He was elected, as he said during the interview, by Rio’s lowest HDI regions, such as Santa Cruz and Guaratiba.

For a city as diverse and divided as Rio de Janeiro, such an exercise is a basic element of political life. So when Paes speaks with South Zone voters about the West and North Zones, his superior knowledge comes through — and is hard to challenge. His intimacy with the working classes is a tool to prove how much he knows about the city and its real needs. Doubting him can be tricky.

In addition to geographic duality, there is the trust/wiliness set.

Paes offers to take interested parties to visit notorious locations. About the Metro Mangueira favela, locus of a recent altercation, he claims that, of those residents who were removed — “they must all have voted for me” —  none were were forcibly removed, that all the families now live in houses on the other side of the train tracks, in front of where their homes were. He explains that car repair shops stayed on, selling stolen parts, which are dangerous for the middle class (a reference to robbery knifings in recent months, sign of his concern for South Zone safety). Three shops were demolished, the mayor says, stirring up popular ire and a battle between police and UERJ students. “We have a project for an automotive area,” he promises. “I’ll take you there, dona Maria does up a great plate of beans.”

Bridge between poor and rich, he transmits authenticity. But then, when telling the story of how he got federal funding to build the Praça da Bandeira rain collection reservoirs, Paes takes on the role of the malandro, or trickster. “I literally ‘omitted information’, to put it nicely,” he confesses. He says he told then-president Lula and his chief of staff, Dilma: “Without the funds, Maracanã Stadium will be flooded at the Olympic opening, imagine the shame of it, around the world!” Then he switches to authenticity: “I didn’t tell them that August is the driest month of the year.”

Such talk is a perfect example of traditional clan politics. The mayor works hard to represent our clan in Brasília, going to the extreme of “omitting information”. We can trust him because the half-truth is own our behalf.

In putting himself in the position of a trusted representative who goes to battle for us, Paes feels comfortable about pointing out others’ faults. It’s all part of the same game. “Just as we invent stories, so does the opposition,” he observes. Thus, critics of resettlements/removals , of the Olympic golf course on the ecologial reserve, and other municipal actions may well be “crazies making up stories,” as he puts it, “demagogues” that don’t show up when mudslides kill favela residents — or plain cheaters.

Vila Autódromo serves to illustrate our mayor’s third set, humility/pride. “The only relocation connected to the Olympics is Vila Autódromo and there was not enough dialogue,” he admits, telling of how he personally took the situation in hand two years ago, when he became aware of the error (not his, we are led to believe, but that of others in his administration). Softening the pride, the humility contributes to his authenticity.

“We’re not taking everyone out,” says Paes, now combining humility with trust. “Only people in the access and environmentally protected areas. It’s worth seeing the houses there. There’s a judge’s son. There’s a helicopter hangar. The place we acted without respect was Vila Autódromo. Two years ago I personally got involved, I speak with the residents’ association president, I personally receive all the people who live there, I went to [the nearby] Riocentro [Convention Center], we discussed everything and now we feel a great deal of conviction about what we’re doing.”

When blogger Mario Magalhães asks about the location of the Olympic Park access area,  which is what led to the removal of Vila Autódromo residents, Paes makes a point of distrusting his distrust. Magalhães says he looked hard for the access area but couldn’t find it (on the initial Park map, the Vila was to remain; it even won a prize for an urbanization plan developed together with local universities).

“I’ll show you later, just let me answer [journalist Mônica Bergamo’s] question and I’ll answer your FBI question, there’s no secret,” the mayor teases, subtly undermining critics’ suspicions that high rises will replace Vila Autódromo, post-Olympics.

Coming back to the question, having told the rainwater collection funding story, having boasted about hosting the cheapest Olympics in history (“unlike the World Cup”), having pointed out his work in removing families from mudslide risk areas (“of all the removals, all 22,000 families, 72,2 %, or 15,937 families, were resettled to put an end to this city’s plague of deaths every summer. The demagogues aren’t around when they die. I’m going to get rid of this city’s risk areas”), Paes finally describes the accesses to the Olympic service areas, and the services themselves — which include, he notes, the Media Press Center, where the journalists present may find themselves working during the Games. A hundred thousand people will circulate through every day, he says.

In this description, the mayor uses, instead of a map, his hands in the air. When he talks about real estate values, he’s got data on paper.

For those who’d like to see more information, Paes promises a new Internet site, where he’ll reveal and respond to his critics’ lies. He will also, he says, in response to a question about a lack of transparency, “look more at the contracts” of the 2016 Games.

“Allow Cariocas to look,” Mário Magalhães corrects him.

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Sabatina de nosso prefeito: um guia

Se todos escutassem

Consegue estar em dois lugares ao mesmo tempo

Eduardo Paes, nosso prefeito que completa o segundo mandato no ano olímpico que vem, se submeteu a uma sabatina quarta-feira passada, conduzida por repórteres da Folha de São Paulo. Paes entende o valor da comunicação. Depois das manifestações de 2013, a prefeitura organizou três Google Hangouts, para que ele pudesse dialogar com uma variedade de cidadãos. Mas até a semana passada, fazia tempo que Paes não se abria a perguntas diante das câmeras.

Notavelmente, fez isso para um jornal de São Paulo, num momento em que pode faltar quadros políticos para candidaturas nas eleições estaduais e presidencial de 2018, com muitas carreiras políticas ameaçadas pelas atuais investigações de corrrupção. Até agora, o nome Eduardo Paes está livre e desempedido.

Sua blogueira já teve algumas oportunidades para estar junto ao prefeito e ouvir suas ideias e posições. Pode testemunhar que inicialmente, a sensação é de ter colocado a cabeça numa centrífuga. O cérebro vira suco.

Ou seja, ele é um excelente político.

Depois de mais alguns encontros, é possível recuperar os sentidos. Então, como funciona a centrífuga?

O truque é ocupar dois lugares ao mesmo tempo. Trata-se de dualidades que interagem entre si, recortando tudo.

Isso nosso prefeito faz literalmente, ao lembrar, constantemente, que foi criado na Zona Sul e é queridíssimo no subúrbio. Cita nomes de bairros  que devem ser pouco conhecidos pelos amigos de infância. As áreas de maior valorização imobiliária nos últimos anos, de acordo com o prefeito, foram Oswaldo Cruz, Madureira, Vaz Lobo e Bento Ribeiro. Se elegeu prefeito, disse também na sabatina, nos lugares de menor IDH da cidade, como Santa Cruz e Guaratiba.

Para uma cidade tão diversa e dividida como o Rio de Janeiro, tal exercício é um elemento primordial da vida política. Pois quando Paes dialoga com eleitores da Zona Sul e fala das Zonas Norte e Oeste, mostra conhecimento superior, difícil de desafiar. A intimidade com o subúrbio é uma ferramenta para afirmar que conhece como poucos a cidade toda e sabe quais são suas reais necessidades. Duvidar pode ser um ato leviano.

Além da dualidade geográfica, existe a dualidade confiança/esperteza.

Paes se coloca à disposição para levar a lugares notórios quem tiver interesse em visitar. Sobre a favela Metro Mangueira, local de uma briga recente, ele afirma que, dos moradores removidos — “devem ser todos meus eleitores” — ninguém foi removido com força, que todas as famílias hoje moram em casas que ganharam, do outro lado da linha do trem, em frente ao local demolido. Explica que ficaram oficinas mecânicas, que vendiam peças roubadas, um perigo para a classe média (referência aos esfaqueamentos dos últimos meses, praticados por assaltantes). Foram demolidas três oficinas, diz o prefeito, fonte das críticas à prefeitura e de uma batalha entre a polícia e estudantes da UERJ. “Temos um projeto pronto para fazer um polo automotivo,” promete. “Te levo lá, a dona Maria faz um feijão arrumado”.

Ponte entre pobres e ricos, transmite autenticidade. Mas também, ao contar a história de como conseguiu recursos federais para construir os piscinões da praça da Bandeira, Paes faz o papel do malandro. “Eu literalmente ‘omiti informações’, para ser educado,” confessa. Diz que falou para o então presidente Lula e sua chefe de gabinete, Dilma, o seguinte: “Se não liberar esse recurso, vai alagar o Maracanã na abertura da Olímpiada, imagina que vergonha mundial!” Aí vem, de novo, a autenticidade: “Eu só não contei que agosto é o mês mais seco do ano. ”

Essa fala é um exemplo perfeito da política tradicional, de clãs. O prefeito representa nossa clã como todo o empenho, em Brasília, indo até o extremo de “omitir informações”. Podemos confiar nele, pois a meia-verdade está a nosso serviço.

Ao se colocar na posição do confiável que batalha por nós, Paes se sente confortável para apontar as falhas dos outros: é do jogo. “Da mesma maneira que a gente inventa história a oposicao também faz”, observa. Assim, os críticos aos reassentamentos/remoçoes, ao campo de golfe olímpico na reserva ecológica, e a outras ações da prefeitura podem muito bem ser “maluco contando história”, como ele coloca, “demagogos” que não aparecem na hora das enchentes que matam moradores de favela — ou simples aproveitadores.

Vila Autódromo serve para ilustrar a terceira dualidade de nosso prefeito, a de humildade/orgulho. “O único caso de reassentamento relacionado com as Olimpíadas é Vila Autódromo e aí faltou diálogo,” reconhece, para em seguida contar que ele pessoalmente tomou as rédeas da situação, há dois anos, quando percebeu a falha (não dele, estamos levados a entender, mas de outros na sua administração). Ao diminuir um tanto o orgulho, a humildade fortalece a autenticidade.

“Não estamos tirando todo mundo,” diz o Paes, agora juntando humildade com confiança. “Só os que estão nos acessos, e nas áreas de proteção ambiental. Vale a pena conhecer as casas ali. Tem filho de desembargador. Tem hangar de helicoptero. Onde agimos com falta de respeito foi na Vila Autódromo. Dois anos atrás eu entrei pessoalmente, converso pessoalmente com o presidente dos moradores, recebo pessoalmente todas as pessoas que moram ali, fui para o Riocentro, discutimos tudo, então, a gente tem muita conviccao de tudo que a gente está fazendo.”

Quando o blogueiro Mario Magalhães pergunta a localização do acesso ao Parque Olímpico, o que teria obrigado a remoção de moradores da Vila Autódromo, Paes faz questão de desconfiar da desconfiança dele. Magalhães diz ter procurado o acesso, sem éxito (no mapa inicial do Parque, a Vila perdura; ela inclusive ganhou um prémio por um plano de reurbanização que desenvolveu junto com acadêmicos).

“Eu te mostro depois, deixa eu só responder a pergunta [de Mônica Bergamo] e respondo à pergunta FBI, não tem segredo,” cutuca o prefeito, sutilmente enfraquecendo as suspeitas de seus críticos, de que teremos prédios no lugar da Vila Autódromo, depois das Olimpíadas.

Ao voltar à pergunta, depois de ter contado a história das piscinões, de ter se orgulhado das Olimpíadas mas baratas da história (“diferente da Copa”), de lembrar de remoções de famílias por causa de chuvas (“das remoções todas, 22 mil familias, 72,2 %, ou 15,937 famílias, foram reassentadas para acabar com uma chaga dessa cidade de gente morrendo o verão inteiro. Os demagogos naõ aparecem quando eles morrem. Vou acabar com as áreas de risco nessa cidade”), Paes finalmente descreve os acessos à área de serviços e os serviços em si — que incluem, ele nota, o Media Press Center, onde os jornalistas presentes talvez se encontrem trabalhando durante os Jogos. Irão circular 100 mil pessoas por dia, diz.

Nessa descrição, o prefeito utiliza, em vez de um mapa, as mãos no ar. Para falar da valorização imobiliária, ele tem dados em papel.

Para quem quiser mais informações, Paes promete um novo site na Internet, onde vai revelar e responder às mentiras de seus críticos. Vai também, diz, em resposta a uma pergunta sobre a falta de transparência, “olhar mais os contratos” das obras dos Jogos de 2016.

“Permitir que os cariocas olhem,” corrige Mário Magalhães.

Esse post fala mais de forma do que de conteúdo. Por essa e outras razões, vale a pena ler esse post, de Mário Magalhães.

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Underground sociabilities surface, atop a Rio skyscraper

Our ever more penetrating gaze

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For many Rio young people, hair grows long as identity and belonging develop

Some of the key actors in Rio de Janeiro’s transformation met this past Tuesday at the top of the downtown Universidade Cândido Mendes building, to put their heads together about the current moment. The occasion was the launch of a toolbox for bottom-up social development in Rio favelas — the result of a study undertaken by the London School of Economics, UNESCO, and the Banco Itaú’s departments dealing with social and cultural support. The study focused on the work of two pioneers, Afroreggae and  CUFA.

Para Sociabilidades subterrâneas vêm à tona no alto da cidade, clique aqui

Da apresentação marcante de Pedro Strozemberg, diretor executivo do ISER

A new moment — slide from ISER director Pedro Strozemberg’s presentation

Pedro Strozemberg, as seen in his slide, above*, drew an accurate portrait of 2015, thus far a year of intense drama. Notably, until recently the picture was vastly different: few voices spoke out, without broad use of the Internet there were fewer connections and less dynamism, young people were less visible, identity/belonging was a confused category, basic needs trumped quality of public services, violence reduction didn’t seem possible and dialogue was narrower.

In his next slide**, Strozemberg went further, suggesting what lies ahead:

Caminho das pedras

A rocky path

The day was gorgeous and it was a gift to be able to contemplate Rio de Janeiro on high.

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Better, only from a helicopter. Worse, at sidewalk level.

Washington Fajardo, however, reminded us that the city happens on the ground level. Fajardo, who quite possibly fills a city post with the longest name of all (President of the  Rio World Heritage Institute and of the Municipal Council for Cultural Heritage Protection), lamented our tendency to still think it desirable to build a new, car-dependent Brasília. Perhaps only when we walk along the renewed waterfront, without the (recently demolished) elevated Perimetral highway, will we see just how horrific Guanabara Bay is, said Fajardo. “We need to rebuild the city’s ground floor,” he urged.

Fred Coelho, PUC literature and scenic arts professor, described the new environment at this private university, which now includes, thanks to scholarships, students from poor families. The professor, he said, no longer mediates reality for his or her students. The Complexo do Alemão student is present to share his or her truths about urban life, with those who grew up in Arpoador.

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Marlova Noleto, lead program coordinator at UNESCO in Brazil, and Washington Fajardo

René Silva, founder of the community newspaper Voz da Comunidade (Community Voice), born in the Complexo do Alemão about a decade ago, represented the young people who are changing the cultural and psycho social face of Rio, as participants in NGO projects, collective initiators or in activist roles. He told of the experience of learning the power of media to express local residents’ needs. Silva has expanded his paper to other parts of Brazil.

Coordinator Bryony Duncan described the success of the Fight for Peace project which changes influences on young people in the Complexo da Maré and many other locations, worldwide.

The Dialogue included two Rio police officers: the Rio de Janeiro Military Police Chief of Staff, Robson Rodrigues, and PM Major Victor Fernandes de Souza. We heard from them both about the recognition of errors and difficulties and great effort in the areas of training and communication. “The police owe a debt to society,” said Fernandes.

Sandra Jovchelovich, co-autora do guia prático ao Desenvolvimento Social de Base em Favelas do Rio de Janeiro

Sandra Jovchelovich, co-author of Bottom-up Social Development in Rio de Janeiro Favelas: a Toolkit, and professor at the London School of Economics: it’s possible to provide missing psycho-social/cultural ingredients of personal development, in poor communities

Eduarda La Rocque, who moderated the afternoon “I have a dream”conversation , spoke about the pact she’s determinedly forging, among government, the private sector, universities and NGOs. Rio’s problems, after all, belong to us all.

Describing recent change in Rio, Sílvia Ramos, CESeC/UCAM coordinator and social scientist, echoed Pedro Strozemberg.

Afrorreggae and CUFA (and other groups), she said, “effected a radical shift” in Brazil. After the massacres of the 1990s, they brought to the fore issues that the country preferred to avoid. They were, she added, a sort of founding fathers. At last, the logic of truth prevailed.

Now is the moment to deepen change. “We’re not doing what we should be doing,” she observed. The Minha Casa Minha Vida (My House My Life) federal housing program, for example, has built record numbers of homes — with no debate on any aspect of it. This is why, she added, dialogues such as Tuesday’s are so crucial.

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Eduarda La Rocque, untiring energy

Ivana Bentes, Secretary for Citizenship and Cultural Diversity at the Ministry of Culture, said she heard participants’ call for public policies to help with the construction of psycho-social scaffolding, particularly in the areas of sharing experiences and networking.

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Ivana Bentes, every finger firmly on the cultural pulse

*Translation of first slide:

  • Expression of multiple voices
  • Internet establishes new frontiers and new dynamics
  • Youth expressing urgency while older actors step back
  • Low institutionalization with high identity/belonging
  • Demand for quality replaces demands for basic needs
  • Shifts with the UPP presence, including unstable territories and wavering police presence
  • Broader dialogue
  • With continued distrust, limits to violence, cronyism in relations with public sector, legitimacy of victim role

** Translation of second slide:

Premises

  • Focus on recognized conflicts (without equivocation, but based on an agenda that calls participants to dialogue)
  • Actor movement (departing from stable positions)
  • Personal exposure (being honest about positions)
  • Experiencing conflict (positions carry intent)
  • Focused questions and direct responses (real dialogue)
  • Kindness and humor (relaxing the environment)
  • Systematization and movement forward (next steps)
  • Legitimacy of mediator(s) (those who call participants to dialogue)
  • Multiple languages (plural and convergent initiatives)
  • Continual exercise (dialogue is a learning process)
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Sociabilidades subterrâneas vêm à tona no alto da cidade

Nosso olhar fica cada vez mais penetrante

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O cabelo foi crescendo, conforme a identidade e o pertencimento foram se desenvolvendo, caso de muitos jovens no Rio

Algumas das pessoas mais atuantes na transformação do Rio de Janeiro se reuniram ontem, no topo do prédio da Universidade Cândido Mendes, para pensar o momento atual. A ocasião foi o lançamento de um guía de bem sucedidas práticas para o desenvolvimento social, nas favelas do Rio — resultado de um estudo levado a cabo pela London School of Economics, a UNESCO, e as entidades do Banco Itaú que lidam com as áreas social e cultural. O estudo focou na atuação de duas entidades pioneiras no setor, o Afroreggae e a  CUFA.

Da apresentação marcante de Pedro Strozemberg, diretor executivo do ISER

Vivemos um momento novo — slide da apresentação marcante de Pedro Strozemberg, diretor executivo do ISER

Pedro Strozemberg, como se pode ver no slide dele, acima, fez um retrato certeiro de 2015, um ano em que, até o momento, já vivemos grandes dramas. Vale a pena notar que, até pouco tempo atrás, o quadro era diferente: poucas vozes se expressavam, não havia tantas conexões e dinâmicas como a Internet hoje nos oferece, os jovens falavam baixo, o quesito identidade/pertencimento era confuso, a carência tinha mais prioridade do que a qualidade dos serviços públicos, não se enxergava a possibilidade de redução de violência, e o diálogo era mais estreito.

Strozemberg foi além, no seguinte slide dele, sugerindo o que vem pela frente:

Caminho das pedras

Caminho das pedras

Do alto, contemplamos, o dia todo, a vista deslumbrante do Rio de Janeiro.

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Melhor, só de helicóptero. Pior, da calçada.

Washington Fajardo, porém, nos lembrou que a cidade acontece no térreo. Fajardo, que talvez carregue o cargo com o nome mais longo da municipalidade (Presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade e do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural), lamentou a nossa propensão para ainda cogitar a construção de uma nova Brasília, dependente do automóvel, como uma verdadeira possibilidade. Disse talvez apenas na hora que pudermos caminhar pela renovada frente marítima, sem a Perimetral, é que sentiremos na pele o estado deplorável da baía de Guanabara. “Precisamos reconstruir o primeiro andar da cidade”, reconheceu.

Fred Coelho, professor de literatura e artes cênicas na PUC, descreveu o novo ambiente na universidade privada, que hoje inclui, por meio de bolsas, estudantes de famílias pobres. O professor, disse, não é mais mediador. O aluno do Complexo do Alemão logo relata verdades para quem cresceu no Arpoador.

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Marlova Noleto, diretora da Área Programática da UNESCO no Brasil, e Washington Fajardo

René Silva, fundador do jornal comunitário Voz da Comunidade, que surgiu há quase dez anos no Complexo do Alemão, fez as vezes dos jovens que estão mudando a cara cultural e psicossocial do Rio, seja como participantes de projetos de ONGs, seja como criadores de coletivos ou no papel de ativistas. Ele relatou a experiência de sentir o poder da mídia para expressar as necessidades dos moradores do Complexo. Já expandiu o jornal para outras partes do Brasil.

Bryony Duncan, coordenadora, relatou  o sucesso do projeto Luta Pela Paz que, através do boxe consegue mudar as influências sobre jovens no Complexo da Maré e vários outros pontos do mundo.

O Diálogo incluiu dois policiais do Rio: o chefe do Estado Maior da Polícia Militar, Robson Rodrigues, e o major da PM Victor Fernandes de Souza. Deles, soubemos do reconhecimento de erros e dificuldades e um enorme esforço nas áreas de formação e comunicação. “A polícia tem um passivo com a sociedade”, disse Fernandes.

Sandra Jovchelovich, co-autora do guia prático ao Desenvolvimento Social de Base em Favelas do Rio de Janeiro

Sandra Jovchelovich, co-autora do Guia Prático ao Desenvolvimento Social de Base em Favelas do Rio de Janeiro e professora na London School of Economics: é possível suprir o que falta, do psicossocial/cultural, em comunidades pobres

Eduarda La Rocque, que moderou a conversa “Eu Tenho um Sonho”, falou do pacto que ela forja, com grande energia, entre governo, setor privado, universidades e ONGs. Os problemas são, afinal, de todos nós.

Ao descrever as mudanças no Rio, Sílvia Ramos, coordenadora do CESeC/UCAM, cientista social, fez coro às palavras de Pedro Strozemberg.

A Afrorreggae e a CUFA (e outros grupos), disse ela, “deram uma guinada radical” no Brasil, ao levantar, após as chacinas dos anos 1990, assuntos que o país não queria ver. Foram, acrescentou, uma espécie de founding fathers, ou visionários nacionais. Surgiu, enfim, a lógica da verdade.

Hoje é outro momento, de aprofundar as mudanças. “Nós não estamos dando nosso jeito,” ela observou. O programa Minha Casa Minha Vida, por exemplo, constrói números recorde de moradia. Sem discussão do projeto, porém. Portanto, acrescentou, diálogos como o de ontem são cruciais.

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Eduarda La Rocque, incansável e determinada

Ivana Bentes, Secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, sentiu, nas falas dos participantes, a necessidade de políticas públicas que ajudem os atores na construção de andaimes psicossociais, facilitando redes e compartilhamento.

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Ivana Bentes, todos os dedos firmemente no pulso da cultura

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Low-income housing in Rio de Janeiro’s port area

140 pessoas, entre moradores, pesquisadores, jornalistas e ativistas  tomaram parte na audiência

Residents, researchers, architects, journalists and activists: 140 attendees at yesterday’s public hearing, the first of six meetings, held by City Hall and  CDURP

Afterthought — or opportunity for real dialogue between residents and government officials?

Yesterday, Rio’s City Hall held a public hearing, the first of six such meetings scheduled from now until August, to create a Programa de Habitação de Interesse Social (PHIS), or Social Housing Program for the port area. Officials present said they hoped the program drafting process would involve significant community participation.

Para Moradia de baixa renda na área do porto do Rio de Janeiro, clique aqui

Residents in attendance greeted the proposal with optimism, raising some concerns while praising CDURP’s ability to deal with local issues. CDURP is the company set up by the city to manage Porto Maravilha (Marvelous Port) revitalization.

In Rio de Janeiro, not unlike other cities in the world, public hearings tend to be pro forma, held only to meet legal requirements. Invitations for true community participation are rare. Yesterday’s came somewhat late, six years after the creation of the Operação Urbana Consorciada da Área de Especial Interesse Urbanístico da Região Portuária do Rio de Janeiro, or the Consortiated Urban Operation for the Area of Special Urban Interest of the Rio de Janeiro Port Area.

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Fernando Cavallieri of the Instituto Pereira Passos, Marat Troina, of the Instituto dos Arquitetos Brasileiros, Housing Secretary Carlos Portinho, Alberto Gomes Silva, CDURP president, and Tarcísio Luiz Davi, of the federal bank, Caixa Econômica, listen as Eduarda La Rocque, IPP president, speaks

Applause rang out in the auditorium each time the word territorialidade (territoriality) was pronounced, with the idea of keeping the current 30,000 residents where they now live (and even, per one request, bringing back those who have left the area; 40% of all households are renters, with market pressure already coming to bear on them).

Only one person, former alderwoman Sonia Rabello, member of the Social Housing Municipal Council, president of the Federation of Rio de Janeiro Neighborhood Associations, criticized the city’s plans.

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Claudio speaks; the secretary listens

During the questions and comments period, she noted the lack of a residential neighborhood plan for the port area. “What instruments will City Hall use to protect tenants?” she asked, demanding an implementation schedule, commitments and information on funding for public policies to keep residents in the area. “Why not create a cota de solidariedade” (affordable housing requirement for developers), she suggested, “like in São Paulo?”

The doubts expressed are those of any metropolis in transformation: how to revitalize degraded areas, attracting investment while also maintaining certain urban characteristics and protecting citizens as much as possible? Rio de Janeiro has very little experience in fomenting this kind of equilibrium. Carlos Coutinho, the new Housing Secretary, has no urban experience on his CV nor any in the area of housing, either.

According to a post in Sonia Rabello’s blog, the city’s move to dialogue with residents comes in response to pressure from the Ministry of Cities, said to have set this as a requirement for additional Porto Maravilha funding.

At the start of yesterday’s hearing, Eduarda La Rocque, president of Rio’s municipal urban development and data analysis agency, Instituto Pereira Passos, which is incubating the new Pacto do Rio (Rio Pact) offered an incentive for CDURP to come up with a low-income housing program with real local participation: a quality seal, to be awarded by the Pact.

A quality seal would be wonderful. Better still for all would be a revitalized urban area, vibrant day and night, a place of rich encounters among people of varying professions, experience and abilities.

We’ll soon know the outcome of the process that was begun yesterday.

As of tomorrow, June 12, the information presented during the public hearing will be available here and here. If you have a proposal, question or a contribution to make to the Plan, you can write to habitação@cdurp.com.br.

The upcoming meetings are to be held at CDURP headquarters on Rua Sacadura Cabral, June 18 and 25, and July 2, 9, and 30. 

You can read an excellent analysis of the same subject here, published in Portuguese by the Observatório das Metrópoles.

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Moradia de baixa renda na área do porto do Rio de Janeiro

140 pessoas, entre moradores, pesquisadores, jornalistas e ativistas  tomaram parte na audiência

Entre moradores, pesquisadores, arquitetos, jornalistas e ativistas, 140 pessoas estiveram presentes hoje na audiência pública da prefeitura e a CDURP, a primeira de seis reuniões

Descargo de consciência, ou chance para um encontro verdadeiro entre morador e governo?

Hoje foi dia de uma audiência pública na prefeitura, a primeira de seis reuniões programadas até agosto, para criar um Programa de Habitação de Interesse Social (PHIS). As autoridades presentes disseram esperar que a elaboração do programa tenha grande participação comunitária.

Os moradores presentes acolheram a proposta, já levantando algumas preocupaçãoes, ao mesmo tempo elogiando a atuação na região da CDURP, empresa gestora da revitalização do Porto Maravilha.

No Rio de Janeiro, não tão diferente de muitas outras cidades no mundo, as audiências públicas tendem a acontecer de maneira pro forma, apenas para cumprir a lei. São raros os convites para uma verdadeira participação comunitária. O de hoje veio um tanto tarde, seis anos após a criação da Operação Urbana Consorciada da Área de Especial Interesse Urbanístico da Região Portuária do Rio de Janeiro.

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Fernando Cavallieri do IPP, Marat Troina, do Instituto dos Arquitetos Brasileiros, o Secretário de Habitação, Carlos Portinho, Alberto Gomes Silva, presidente da CDURP e Tarcísio Luiz Davi, da Caixa Econômica, ouvem Eduarda La Rocque, presidente do IPP

Houve aplausos no auditório cada vez que se pronunciou a palavra “territorialidade”, ou seja, o compromisso de manter os atuais 30 mil habitantes no local (e até, conforme um pedido, trazer de volta quem teve que sair: 40% das moradias são de aluguel e a pressão do mercado já estaria afetando locatários).

Apenas uma pessoa, a ex vereadora Sonia Rabello, membro do Conselho Municipal de Habitação Social, presidente das Federação das Associações de Moradores do Município do Rio de Janeiro, criticou os planos da prefeitura.

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Claudio fala; o secretário ouve

No periodo de perguntas e comentários, ela disse sentir falta de um plano de bairro residencial para a região do porto. “Quais os instrumentos que a prefeitura vai usar para proteger o locatário?” perguntou, pedindo prazos de execução, compromissos e a determinação dos recursos para financiar políticas públicas para manter os moradores no local. “Por que não criar uma cota de solidariedade,” sugeriu, “como já fizeram em São Paulo?”

As dúvidas são as de qualquer metrópole em transformação: como revitalizar áreas degradadas, atraindo investimento e, ao mesmo tempo, manter certas qualidades urbanas, prejudicando um mínimo de cidadãos? O Rio de Janeiro tem pouca experiência em fomentar tal equilíbrio. Carlos Coutinho, o novo Secretário de Habitação, não conta com um currículo de experiência urbanistica nem mesmo na área de habitação.

De acordo com um post no blog de Sonia Rabello, o movimento da prefeitura em direção aos moradores da região veio como resposta a pressões do Ministério das Cidades, que estaria condicionando fundos adicionais para o Porto Maravilha a tal comportamento.

No início da audiência de hoje, Eduarda La Rocque, presidente do Instituto Pereira Passos, que está incubando o Pacto do Rio, ofereceu um incentivo para que a CDURP faça um programa de habitação social que atenda aos anseios dos moradores: um selo de qualidade, concedido pelo Pacto.

Um selo de qualidade seria ótimo. Melhor ainda seria podermos contar, futuramente, com uma região da cidade revitalizada, vibrante dia e noite e local de ricos encontros entre pessoas de diferentes profissões, experiências e habilidades.

Em breve, saberemos o desfecho da história que começou hoje.

A partir do dia 12 de junho, as informações apresentadas durante a audiência de hoje estarão disponíveis aqui e aqui. Quem tiver propostas, perguntas ou contribuições a fazer ao Plano pode escrever para habitação@cdurp.com.br

Leia aqui uma excelente análise do mesmo assunto, do Observatório das Metrópoles

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Metropolitan Rio de Janeiro: a chance to rethink market and service duality

The social revolution makes itself felt

O prefeito de São Gonçalo

The mayor of São Gonçalo, Neilton Mulim, spoke of his challenges and achievements in the health sector — and went off to do something important, like all the other mayors who hosted the metropolitan seminars

Clique aqui para Rio de Janeiro metropolitano: chance para repensar a dualidade dos serviços e mercados

For Rio de Janeiro observers, the seminar series on metropolitan issues, organized by the IETS think-tank and the newly created Câmara Metropolitana de Integração Governamental (Metropolitan Chamber of Government Integration) offered an abundance of useful and thought-provoking information.

Held in the last few weeks, the seminars — on sanitation, urban mobility, public safety and health, each taking place in a different city in the metropolis,  — were a sort of warmup for when the Chamber is fully operational (meant to be this year), in compliance with a Supreme Court decision last August. They previewed the challenges and issues to be dealt with by the mayors of the 21 cities making up the new agency, directed by Vicente Loureiro, an architect and urbanist with extensive metropolitan experience.

For this blogger, the most striking aspect of the meetings is a change in approach to inequality, particularly marked when you look at the capital and its neighboring bedroom cities.

Think about this: today, 41% of the Rio de Janeiro metropolitan population have a private health plan, although the public system is meant to serve all. Statewide, growth in private health plans went from 26.5% of the population in 2000 to 38.6% in 2014.

Historically, all the seminar topics have seen dual approaches, one for the rich and one for the poor — in Rio de Janeiro and in the country as a whole. Maybe it was this dichotomy that united protesters in 2013: cars for those can buy them, and buses, subject to fare increases with no transparency regarding concession accounting, for those who can’t.

A confused meeting of the waters, like the famous pororoca of the Amazon River and the Atlantic Ocean, may be occurring (particularly confused now, in the context of the economic slowdown). The meeting might be spurring new approaches to public policy and social structures.

For example, a significant number of the millions who left poverty in the last decade purchased cars. What happened to traffic? Despite the ideas of some, who believe that new public transportation alternatives are only for the working class, traffic jams are desperate pleas incarnate for more viable and accessible mass transit. Even more desperate for those who commute to Rio from other cities.

These was also flight from the public health system, SUS, to private health plans. What happened to the private health sector? It’s become so overwhelmed that, at the last seminar, May 28 in São Gonçalo, Antonio Jorge Kropf, director for Institutional Affairs at Brazil’s largest private health business, Amil, spoke of the “need for concordance and rationalization between public and private.”

Though more difficult to see, the same phenomenon may be occurring in the area of sanitation. The centuries-long lack of sanitation has brought the state of Rio de Janeiro to a rate of untreated sewage, in 2013, of 66%, according to the Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (National Sanitation Information System). At very least, it’s interesting to note that the more vocal residents of the Complexo do Alemão and of Rocinha favela, objects of federal PAC spending, say they’d exchange the cable car system (already existing in the former, planned, for the second) for sanitation.

In any case, Cedae, the state water and sewage company, already shares water and sewage responsibility with private-sector providers in the metropolitan region — and the state government wants to see more public-private partnerships in this area. This is said to be the only way to make sanitation universally available and to clean up Guanabara Bay.

As for public safety, change has come in the inverse direction: after decades of private solutions, such as guards, walls, armored cars and alarm systems, the haves are the ones who make demands on the public sector.

What these movements show is that in the long term, the formerly poor and the more traditional classes are more and more likely to meet up in the subway, the waiting room and in their expectations for clean water and safe cities.

At the seminar on sanitation, there was talk of new models and partnerships between the state company, Cedae, and the private sector.

According to Amil’s Antonio Jorge Kropf,  what we now see in Brazil is a duplicate system, with a lot of fragmentation. “We have the same goals,” he added, speaking of public and private health care enterprises.

The meeting of the waters — of social classes and of the public and private sectors — will probably mean quite a few unruly waves, if not tsunamis, as the various actors learn, negotiate, relate and create the trust needed to leave behind old feudal and favor-exchanging patterns. This is the only way for planning and followup — public policy continuity — to find a place in Brazilian culture.

Who knows how long this will take, especially given ongoing social and economic losses. Could it be that the last decade’s social inclusion is just a blip? Could it be that, despite impoverishment, new demands will persist, at least in the political sphere if not in outright consumption?

It’s sadly symptomatic of Brazilian individualism that none of the mayors who hosted the seminars — in Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Niterói e São Gonçalo — stayed for the whole event. The Câmara Metropolitana, funded by the World Bank, clearly has its work cut out for it.

But it’s good to see that, while Brazil quietly went forward with its two systems, one for each class, for so many years, something has begun to change. Which can only be good for metropolitan Rio.

The excellent presentations from all the seminars are here.

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