Low-income housing in Rio de Janeiro’s port area

140 pessoas, entre moradores, pesquisadores, jornalistas e ativistas  tomaram parte na audiência

Residents, researchers, architects, journalists and activists: 140 attendees at yesterday’s public hearing, the first of six meetings, held by City Hall and  CDURP

Afterthought — or opportunity for real dialogue between residents and government officials?

Yesterday, Rio’s City Hall held a public hearing, the first of six such meetings scheduled from now until August, to create a Programa de Habitação de Interesse Social (PHIS), or Social Housing Program for the port area. Officials present said they hoped the program drafting process would involve significant community participation.

Para Moradia de baixa renda na área do porto do Rio de Janeiro, clique aqui

Residents in attendance greeted the proposal with optimism, raising some concerns while praising CDURP’s ability to deal with local issues. CDURP is the company set up by the city to manage Porto Maravilha (Marvelous Port) revitalization.

In Rio de Janeiro, not unlike other cities in the world, public hearings tend to be pro forma, held only to meet legal requirements. Invitations for true community participation are rare. Yesterday’s came somewhat late, six years after the creation of the Operação Urbana Consorciada da Área de Especial Interesse Urbanístico da Região Portuária do Rio de Janeiro, or the Consortiated Urban Operation for the Area of Special Urban Interest of the Rio de Janeiro Port Area.

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Fernando Cavallieri of the Instituto Pereira Passos, Marat Troina, of the Instituto dos Arquitetos Brasileiros, Housing Secretary Carlos Portinho, Alberto Gomes Silva, CDURP president, and Tarcísio Luiz Davi, of the federal bank, Caixa Econômica, listen as Eduarda La Rocque, IPP president, speaks

Applause rang out in the auditorium each time the word territorialidade (territoriality) was pronounced, with the idea of keeping the current 30,000 residents where they now live (and even, per one request, bringing back those who have left the area; 40% of all households are renters, with market pressure already coming to bear on them).

Only one person, former alderwoman Sonia Rabello, member of the Social Housing Municipal Council, president of the Federation of Rio de Janeiro Neighborhood Associations, criticized the city’s plans.

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Claudio speaks; the secretary listens

During the questions and comments period, she noted the lack of a residential neighborhood plan for the port area. “What instruments will City Hall use to protect tenants?” she asked, demanding an implementation schedule, commitments and information on funding for public policies to keep residents in the area. “Why not create a cota de solidariedade” (affordable housing requirement for developers), she suggested, “like in São Paulo?”

The doubts expressed are those of any metropolis in transformation: how to revitalize degraded areas, attracting investment while also maintaining certain urban characteristics and protecting citizens as much as possible? Rio de Janeiro has very little experience in fomenting this kind of equilibrium. Carlos Coutinho, the new Housing Secretary, has no urban experience on his CV nor any in the area of housing, either.

According to a post in Sonia Rabello’s blog, the city’s move to dialogue with residents comes in response to pressure from the Ministry of Cities, said to have set this as a requirement for additional Porto Maravilha funding.

At the start of yesterday’s hearing, Eduarda La Rocque, president of Rio’s municipal urban development and data analysis agency, Instituto Pereira Passos, which is incubating the new Pacto do Rio (Rio Pact) offered an incentive for CDURP to come up with a low-income housing program with real local participation: a quality seal, to be awarded by the Pact.

A quality seal would be wonderful. Better still for all would be a revitalized urban area, vibrant day and night, a place of rich encounters among people of varying professions, experience and abilities.

We’ll soon know the outcome of the process that was begun yesterday.

As of tomorrow, June 12, the information presented during the public hearing will be available here and here. If you have a proposal, question or a contribution to make to the Plan, you can write to habitação@cdurp.com.br.

The upcoming meetings are to be held at CDURP headquarters on Rua Sacadura Cabral, June 18 and 25, and July 2, 9, and 30. 

You can read an excellent analysis of the same subject here, published in Portuguese by the Observatório das Metrópoles.

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Moradia de baixa renda na área do porto do Rio de Janeiro

140 pessoas, entre moradores, pesquisadores, jornalistas e ativistas  tomaram parte na audiência

Entre moradores, pesquisadores, arquitetos, jornalistas e ativistas, 140 pessoas estiveram presentes hoje na audiência pública da prefeitura e a CDURP, a primeira de seis reuniões

Descargo de consciência, ou chance para um encontro verdadeiro entre morador e governo?

Hoje foi dia de uma audiência pública na prefeitura, a primeira de seis reuniões programadas até agosto, para criar um Programa de Habitação de Interesse Social (PHIS). As autoridades presentes disseram esperar que a elaboração do programa tenha grande participação comunitária.

Os moradores presentes acolheram a proposta, já levantando algumas preocupaçãoes, ao mesmo tempo elogiando a atuação na região da CDURP, empresa gestora da revitalização do Porto Maravilha.

No Rio de Janeiro, não tão diferente de muitas outras cidades no mundo, as audiências públicas tendem a acontecer de maneira pro forma, apenas para cumprir a lei. São raros os convites para uma verdadeira participação comunitária. O de hoje veio um tanto tarde, seis anos após a criação da Operação Urbana Consorciada da Área de Especial Interesse Urbanístico da Região Portuária do Rio de Janeiro.

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Fernando Cavallieri do IPP, Marat Troina, do Instituto dos Arquitetos Brasileiros, o Secretário de Habitação, Carlos Portinho, Alberto Gomes Silva, presidente da CDURP e Tarcísio Luiz Davi, da Caixa Econômica, ouvem Eduarda La Rocque, presidente do IPP

Houve aplausos no auditório cada vez que se pronunciou a palavra “territorialidade”, ou seja, o compromisso de manter os atuais 30 mil habitantes no local (e até, conforme um pedido, trazer de volta quem teve que sair: 40% das moradias são de aluguel e a pressão do mercado já estaria afetando locatários).

Apenas uma pessoa, a ex vereadora Sonia Rabello, membro do Conselho Municipal de Habitação Social, presidente das Federação das Associações de Moradores do Município do Rio de Janeiro, criticou os planos da prefeitura.

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Claudio fala; o secretário ouve

No periodo de perguntas e comentários, ela disse sentir falta de um plano de bairro residencial para a região do porto. “Quais os instrumentos que a prefeitura vai usar para proteger o locatário?” perguntou, pedindo prazos de execução, compromissos e a determinação dos recursos para financiar políticas públicas para manter os moradores no local. “Por que não criar uma cota de solidariedade,” sugeriu, “como já fizeram em São Paulo?”

As dúvidas são as de qualquer metrópole em transformação: como revitalizar áreas degradadas, atraindo investimento e, ao mesmo tempo, manter certas qualidades urbanas, prejudicando um mínimo de cidadãos? O Rio de Janeiro tem pouca experiência em fomentar tal equilíbrio. Carlos Coutinho, o novo Secretário de Habitação, não conta com um currículo de experiência urbanistica nem mesmo na área de habitação.

De acordo com um post no blog de Sonia Rabello, o movimento da prefeitura em direção aos moradores da região veio como resposta a pressões do Ministério das Cidades, que estaria condicionando fundos adicionais para o Porto Maravilha a tal comportamento.

No início da audiência de hoje, Eduarda La Rocque, presidente do Instituto Pereira Passos, que está incubando o Pacto do Rio, ofereceu um incentivo para que a CDURP faça um programa de habitação social que atenda aos anseios dos moradores: um selo de qualidade, concedido pelo Pacto.

Um selo de qualidade seria ótimo. Melhor ainda seria podermos contar, futuramente, com uma região da cidade revitalizada, vibrante dia e noite e local de ricos encontros entre pessoas de diferentes profissões, experiências e habilidades.

Em breve, saberemos o desfecho da história que começou hoje.

A partir do dia 12 de junho, as informações apresentadas durante a audiência de hoje estarão disponíveis aqui e aqui. Quem tiver propostas, perguntas ou contribuições a fazer ao Plano pode escrever para habitação@cdurp.com.br

Leia aqui uma excelente análise do mesmo assunto, do Observatório das Metrópoles

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Metropolitan Rio de Janeiro: a chance to rethink market and service duality

The social revolution makes itself felt

O prefeito de São Gonçalo

The mayor of São Gonçalo, Neilton Mulim, spoke of his challenges and achievements in the health sector — and went off to do something important, like all the other mayors who hosted the metropolitan seminars

Clique aqui para Rio de Janeiro metropolitano: chance para repensar a dualidade dos serviços e mercados

For Rio de Janeiro observers, the seminar series on metropolitan issues, organized by the IETS think-tank and the newly created Câmara Metropolitana de Integração Governamental (Metropolitan Chamber of Government Integration) offered an abundance of useful and thought-provoking information.

Held in the last few weeks, the seminars — on sanitation, urban mobility, public safety and health, each taking place in a different city in the metropolis,  — were a sort of warmup for when the Chamber is fully operational (meant to be this year), in compliance with a Supreme Court decision last August. They previewed the challenges and issues to be dealt with by the mayors of the 21 cities making up the new agency, directed by Vicente Loureiro, an architect and urbanist with extensive metropolitan experience.

For this blogger, the most striking aspect of the meetings is a change in approach to inequality, particularly marked when you look at the capital and its neighboring bedroom cities.

Think about this: today, 41% of the Rio de Janeiro metropolitan population have a private health plan, although the public system is meant to serve all. Statewide, growth in private health plans went from 26.5% of the population in 2000 to 38.6% in 2014.

Historically, all the seminar topics have seen dual approaches, one for the rich and one for the poor — in Rio de Janeiro and in the country as a whole. Maybe it was this dichotomy that united protesters in 2013: cars for those can buy them, and buses, subject to fare increases with no transparency regarding concession accounting, for those who can’t.

A confused meeting of the waters, like the famous pororoca of the Amazon River and the Atlantic Ocean, may be occurring (particularly confused now, in the context of the economic slowdown). The meeting might be spurring new approaches to public policy and social structures.

For example, a significant number of the millions who left poverty in the last decade purchased cars. What happened to traffic? Despite the ideas of some, who believe that new public transportation alternatives are only for the working class, traffic jams are desperate pleas incarnate for more viable and accessible mass transit. Even more desperate for those who commute to Rio from other cities.

These was also flight from the public health system, SUS, to private health plans. What happened to the private health sector? It’s become so overwhelmed that, at the last seminar, May 28 in São Gonçalo, Antonio Jorge Kropf, director for Institutional Affairs at Brazil’s largest private health business, Amil, spoke of the “need for concordance and rationalization between public and private.”

Though more difficult to see, the same phenomenon may be occurring in the area of sanitation. The centuries-long lack of sanitation has brought the state of Rio de Janeiro to a rate of untreated sewage, in 2013, of 66%, according to the Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (National Sanitation Information System). At very least, it’s interesting to note that the more vocal residents of the Complexo do Alemão and of Rocinha favela, objects of federal PAC spending, say they’d exchange the cable car system (already existing in the former, planned, for the second) for sanitation.

In any case, Cedae, the state water and sewage company, already shares water and sewage responsibility with private-sector providers in the metropolitan region — and the state government wants to see more public-private partnerships in this area. This is said to be the only way to make sanitation universally available and to clean up Guanabara Bay.

As for public safety, change has come in the inverse direction: after decades of private solutions, such as guards, walls, armored cars and alarm systems, the haves are the ones who make demands on the public sector.

What these movements show is that in the long term, the formerly poor and the more traditional classes are more and more likely to meet up in the subway, the waiting room and in their expectations for clean water and safe cities.

At the seminar on sanitation, there was talk of new models and partnerships between the state company, Cedae, and the private sector.

According to Amil’s Antonio Jorge Kropf,  what we now see in Brazil is a duplicate system, with a lot of fragmentation. “We have the same goals,” he added, speaking of public and private health care enterprises.

The meeting of the waters — of social classes and of the public and private sectors — will probably mean quite a few unruly waves, if not tsunamis, as the various actors learn, negotiate, relate and create the trust needed to leave behind old feudal and favor-exchanging patterns. This is the only way for planning and followup — public policy continuity — to find a place in Brazilian culture.

Who knows how long this will take, especially given ongoing social and economic losses. Could it be that the last decade’s social inclusion is just a blip? Could it be that, despite impoverishment, new demands will persist, at least in the political sphere if not in outright consumption?

It’s sadly symptomatic of Brazilian individualism that none of the mayors who hosted the seminars — in Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Niterói e São Gonçalo — stayed for the whole event. The Câmara Metropolitana, funded by the World Bank, clearly has its work cut out for it.

But it’s good to see that, while Brazil quietly went forward with its two systems, one for each class, for so many years, something has begun to change. Which can only be good for metropolitan Rio.

The excellent presentations from all the seminars are here.

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O Rio de Janeiro metropolitano: chance para repensar a dualidade dos serviços e mercados

A revolução social se faz sentir

O prefeito de São Gonçalo

O prefeito de São Gonçalo, Neilton Mulim, comentou seus desafios e realizações na área de saúde — e logo depois teve algo importante a fazer, o caso de todos os prefeitos que receberam os seminários metropolitanos

Para quem acompanha o Rio de Janeiro, a série de seminários sobre assuntos metropolitanos, organizada pelo think-tank IETS e a recém-criada Câmara Metropolitana de Integração Governamental, trouxe uma abundância de informações instigantes e úteis.

Os seminários das últimas semanas — sobre saneamento, mobilidade urbana, segurança e saúde, cada um acontecendo em uma cidade diferente da metrópole,  — foram uma espécie de aquecimento para quando a Câmara entrar em plena atividade (o que é esperado ainda neste ano), cumprindo uma decisão em agosto passado, do Supremo Tribunal. Trouxeram uma prévia dos desafios e questões que serão tratados pelos prefeitos das 21 cidades que constituem a nova entidade, a ser presidida por Vicente Loureiro, arquiteto e urbanista de ampla experiência metropolitana.

Para essa blogueira, o que mais ficou evidente nos encontros é uma mudança na forma de lidar com as desigualdades, particularmente marcantes entre a capital e as cidades em sua volta.

Pense nisso: hoje, 41% da população no Rio de Janeiro metropolitano possui um plano de saúde particular. Em todo o estado, o crescimento no setor foi de 26.5% da população em 2000 para 38.6% em 2014.

Todos os temas tratados nos seminários, tiveram, historicamente, duas abordagens, uma para os ricos e uma para os pobres — tanto no Rio de Janeiro como no país como um todo. Talvez tenha sido essa dicotomia que uniu os manifestantes, em 2013: carros para quem pode, ônibus, sujeito a aumentos de tarifa sem transparência nas contas das empresas de ônibus, para quem não pode.

Parece estar em curso um encontro das águas, bastante confuso (sobretudo, agora, no contexto da desaceleração econômica). Tal encontro pode estar forçando novas abordagens das políticas públicas e dos problemas estruturais de sociedade.

Por exemplo, um número significativo dos milhões que sairam da pobreza comprou automóvel. E como ficou o trânsito? Apesar da noção de alguns, de que as novas opções de transporte em massa seriam apenas para o povão, os engarrafamentos são pedidos gritantes por mais transporte de massa viável e acessível. Mais gritante ainda para quem trabalha na capital e mora em outra cidade.

Também houve uma fuga do SUS para os planos de saúde. E como ficou o sistema privado de saúde? Tão sobrecarregado que o diretor de Assuntos Institucionais da Amil, Antonio Jorge Kropf, afirmou, no último seminário, dia 28 em São Gonçalo, que “há uma necessidade de entendimento e racionalidade entre público e privado”.

Apesar de ser mais difícil de discernir, o mesmo fenômeno pode estar acontecendo na área de saneamento. A falta de saneamento, há séculos, levou o estado do Rio de Janeiro a uma taxa de esgoto não tratado, em 2013, de 66%, de acordo com o Sistema Nacional de informações sobre Saneamento. No mínimo, é interessante ver que os moradores mais vocíferos do Complexo do Alemão e do morro da Rocinha, contemplados com investimentos PAC, dizem que gostariam de trocar teleférico (existente já, no primeiro, planejado apenas, no segundo) por saneamento.

Em todo caso, a Cedae já compartilha as tarefas de suprimento de água e esgotamento com empresas do setor privado, na região metropolitana — e nesta área o governo estadual quer mais parcerias público-privadas. Somente assim, acredita-se, é que será possível universalizar o saneamento e limpar a baía de Guanabara.

Na área de segurança, o trajeto é inverso: são os ricos que apelam ao setor público, após décadas de soluções privadas de segurança, como guardas, guaritas, muros, grades e alarmes.

O que esses movimentos demonstram é que, a longo prazo, os ex-pobres e e as classes mais tradicionais tendem a se encontrar cada vez mais no metrô, na sala de espera, e nas suas expectativas de águas limpas e cidades seguras.

No seminário sobre saneamento, falou-se de novos modelos e parcerias entre a Cedae, empresa estadual, e o setor privado.

De acordo com Antonio Jorge Kropf, da Amil, o que temos atualmente no Brasil é um sistema duplicado, com bastante fragmentação. “Os objetivos são comuns”, acrescentou, falando dos provedores públicos e privados.

O encontro das águas — das classes sociais e dos setores público e privado — vai dar, provavelmente, um monte de pororoca, senão tsunami, ao passo que os diversos atores vão aprendendo, negociando, se relacionando e criando a confiança necessária para sair dos velhos padrões de feudos e favores. Somente assim, o planejamento e acompanhamento — a continuidade das políticas públicas — irão entrar de vez na cultura brasileira.

É difícil prever o ritmo dos acontecimentos, sobretudo no quadro atual de revezes dos ganhos sociais e econômicos. Será que a inclusão social não está aqui para ficar? Será que, apesar do empobrecimento, as demandas novas persistam, se não expressadas no consumo, pelo menos presentes na esfera política?

É tristemente sintomático do individualismo tradicional que nenhum dos  prefeitos que receberam os seminários — em Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Niterói e São Gonçalo — assistiu ao evento todo. A Câmara Metropolitana, apoiada pelo Banco Mundial, claramente tem muito trabalho pela frente.

Mas é bom perceber que, se até por volta de 2010 o Brasil funcionava pacatamente com dois sistemas, um para cada classe social, isso já começou a mudar. O que só pode ser bom para o Rio metropolitano.

As excelentes apresentações de todos os seminários estão aqui.

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Rio violence reveals contradictions

Arte de rua em Ipanema

“Right to housing”: Ipanema street art

The social pact is over

A society long permeated by inequality and injustice, Brazil offers up compensations that are no secret to anyone:

  • a maid who sues her employer will most likely win
  • an arrested minor will most likely go free
  • a convicted adult will most likely leave jail before his sentence is up (and while in jail he’ll have conjugal visits, rare in other countries)
  • once a year, Carnival will bring down everybody’s stress levels, except for those in jail

Para Violência no Rio de Janeiro revela contradições, clique aqui

Inequality came down significantly in the last fifteen years. Maids went to work (and shopped, too) in shopping malls, their husbands in construction. Expectations rose for them and their children, a rising number of whom neither work nor are in school. In other words, Brazil’s relatively cheap labor pool will never be the same.

We don’t yet know how much of such gains are being lost this year, as recession hits. But one certainty affects us all:

The debate on violence, its causes and how to reduce it is extremely hot. Inequality polarizes the debate. Those who lament this week’s knifing death of a cyclist on the Rodrigo de Freitas Lagoon are criticized for not giving equal importance to the violent deaths in the city’s informal areas. Those who lament the living conditions of the youths who seem to be carrying out more armed robbery in Rio’s South Zone are criticized for lax notions of right and wrong, of punishment for crimes committed.

Some want to reduce the age of criminal responsibility, now at 18 years. Others want to reduce inequality. Each side has its certainties. There’s hatred in the air — which could easily translate into even more violence.

Maybe it’s time to recognize that we’re in the midst of a painful renegotiation of social relations? That making up for inequality with pockets of permissiveness will no longer work?

Red more about what police and public safety specialists said yesterday in Niterói at the seminar Rio Metropolitano: Desafios Compartilhados, here. The presentations made, with excellent data, are here

Read a New York Times report on Rio violence here.

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Violência no Rio de Janeiro revela contradições

Arte de rua em Ipanema

Arte de rua em Ipanema

O pacto social acabou

Sociedade longamente permeada de desigualdades e injustiça, o Brasil tem lá suas compensações, das quais todos estão conscientes:

  • a empregada que processar o patrão irá, provavelmente, ganhar a causa
  • o adolescente preso será, provavelmente, solto
  • o adulto preso será, provavelmente, solto bem antes do fim da sentença (e enquanto estiver na cadeia, terá direito a visitas íntimas, raridade em outros países)
  • pelo menos para quem não está na cadeia, o Carnaval irá, uma vez por ano, servir para desestressar a todos

Nos últimos quinze anos, a desigualdade diminuiu sensivelmente. As empregadas foram trabalhar (e comprar) no shopping, seus maridos na construção civil. Aumentaram as expectativas deles e de seus filhos, um número crescente dos quais não trabalha nem estuda. Ou seja, a mão de obra relativamente barata no Brasil nunca mais será a mesma.

É difícil saber quanto já se perde desses ganhos neste ano, de começo de recessão. Mas uma certeza há:

Está quente o debate sobre a violência, suas causas e o que fazer para diminui-la. A desigualdade polariza o debate. Os que lamentam a morte nesta semana, a facadas, do ciclista na Lagoa Rodrigo de Freitas, são criticados por não dar importância igual às mortes que acontecem nas áreas informais da cidade. Os que lamentam as condições de vida dos jovens que parecem estar praticando cada vez mais assaltos na Zona Sul do Rio são criticados por não serem firmes nos conceitos de certo e errado, do castigo pelo crime cometido.

Uns querem diminuir a maioridade penal. Outros querem diminuir a desigualdade. Cada lado tem suas certezas. Há ódio no ar — o que facilmente pode se traduzir em mais violência ainda.

Quem sabe está na hora de reconhecer o fato de que estamos no meio de uma dolorosa renegociação das relações sociais? Que não dá mais para compensar a desigualdade com bolsões de frouxidão?

Leia mais sobre o que disseram a polícia e especialistas de segurança pública no seminário Rio Metropolitano: Desafios Compartilhados, ontém em Niterói, aqui. As apresentações, com dados muito úteis, estão aqui.

Veja uma reportagem do New York Times sobre a violência no Rio, aqui.

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Metro Rio: a way into to shared problems?

The time for a broader outlook has finally come.

When this blogger started out, almost five years ago, she wasn’t thinking of reporting and writing on the Rio de Janeiro metropolitan region. She only had eyes for the city of Rio de Janeiro.

Funny, in the last couple of weeks, there’s been a couple of important events in neighboring Magé and Duque de Caxias.

Para A Força Metropolitana: uma solução enfim, aos problemas compartilhados?, clique aqui

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Light rail transit (VLT in Portuguese) isn’t just for the revitalized Porto Maravilha area. In Magé, there was talk of LRT for Macaé

Last April in Magé, there was a meeting on mobility and employment, focused on bringing back Rio’s metropolitan trains (beyond what’s now being done by the SuperVia concession) and more locally, turning to light rail transit. The train lines, which date to 1854, were a key factor in the development of what are now Rio’s bedroom cities and their relationships with the state capital. In fact, the first railroad line passed through Magé. The imperial family used to leave Rio by steamboat and then take the train from Magé to Petrópolis.

Today, while the capital is home to only six million inhabitants, the metropolitan region of Rio de Janeiro is made up of almost 13 million people, spread across 21 cities, covering more than 2,700 square miles. We share thorny issues such as sanitation, mobility, employment and health.

Of the 13 million population, a third lives in informal areas, i.e. favelas and subdivisions lacking formal land titles.

On May 5, the city of Duque de Caxias hosted the first of a series of seminars on metropolitan themes, organized by the IETS thinktank  and the new Câmara Metropolitana de Integração Governamental (Metropolitan Chamber for Government Integration), which began to take shape last August, as a result of a Supreme Court decision requiring states to set up metropolitan agencies where applicable.

O prefeito de Duque de Caxias, Alexandre Cardoso

On stage, Duque de Caxias Mayor Alexandre Cardoso– and what a performer!

The seminars are a sort of warm-up for those who make or execute metropolitan public policy. Once the state legislature approves the Chamber’s legal framework, the 21 mayors and Governor “Pezão” will tackle the complexities that, for example, led to our inability — for the time being, anyway– to keep an Olympic promise to clean up Guanabara Bay.

There was a lot of official venting at the May 5 seminar, bringing up some pretty outrageous information. Duque de Caxias Mayor Alexandre Cardoso plans to do away with his city’s chronic flooding. He showed a striking video of the Meriti River, which hasn’t seen a dredge in thirty years. Silting has built up some parts of the river to a point where they’re higher than the city itself. So when it rains hard, the water backs up into Caxias.

The city has very few inspectors, he added, and tax collection is minimal. Caxias was never consulted about mobility projects such as the Washington Luís highway, the Red Line highway or the Transcarioca BRT, although 110,000 people commute daily from Caxias to Rio de Janeiro.

“There were abandoned sewage treatment stations in Caxias,” said Luiz Edmundo Costa  Leite, Caxias Secretary of Housing, Planning and Urbanism for the past two years. “There was never any basin or regional planning.” The few existing sewage networks weren’t mapped, he added.

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Sérgio Besserman: when a child’s immune system fights infection caused by lack of sanitation, cognitive damage or delays can result. This affects generations.

Cedae, the state water and sewage company, plans to spend R$ 4,3 billion (US$ 1.4 billion, at today’s exchange rate) on public works in the Baixada (lowlands) region, said Jorge Briard, its new president. But the problem was never just a lack of funds. Briard, who’s worked his whole life at Cedae, bemoaned those who throw trash into rivers because neighborhood collection doesn’t occur often enough. “Trash collection is municipal, sanitation is state. Who is responsible?”

On hearing the stories of decades-long buck-passing, this blogger recalled a sad account of the Rio 2016 Organizing Committee’s daily challenges. According to a source who preferred not to be identified, there’s a serious lack of coordination among the agencies that should be cleaning up the Bay in time for the Games. The Committee has thus taken on itself the task of telling each one what what to do and when, with exacting timelines and constant followup.

Though since the start of the nineties we’ve already spent millions on the would-be bay cleanup, seminar participants said that we now need some R$ 14 billion (US$ 4.6 billion, at today’s rate) to meet sanitation needs in the entire metropolitan region. We don’t have the funds, admitted André Corrêa, the state Environment Secretary who had bathed in the Bay’s waters two days earlier, in the style of old-time politicians, to prove that the acquatic Olympic games can indeed take place in them. The solution would be a strong private sector role.

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The drama of Caxias: zero sewage filtration

Sérgio Besserman, economist and president of the Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável (Technical Chamber of Sustainable Development) for the city of Rio de Janeiro, pointed out that millions of people around the world know the name of a neighborhood in the state’s capital city: Copacabana. Such knowledge is unusual, he added, for most countries. For this and other compelling reasons, he said, we must take on the responsibility of looking after our metropolis and the bay at its heart, as well as our three unique urban forests, the largest being Pedra Branca (increasingly threatened by real-estate development in the city’s West Zone), followed by Tijuca and Mendanha, which separates Rio from Nova Iguaçu, another neighboring city.

Besserman emphatically suggested the creation of an Authority to “answer for the waters of the Bay”, as other cities have done around the world, as they organize their battles against pollution.

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Jorge Briard, the new Cedae president, says the company is studying association with the private sector, unlike the more independent private-public partnerships that others support

Readers who’d like to believe that the Metropolitan Chamber’s creation signals a new chapter regarding Bay cleanup and many other problems shared by the 13 million inhabitants of the metropolitan area would do well to avoid reading articles from the 1990s in O Globo’s online archives. Plans back then were equally full of hope. The paper even mentions sewage piping  that would be built and connected to today’s abandoned treatment stations…

But these might just be different times. Maybe Rio state’s petroleum crisis (paired with the court order that led to the Chamber’s creation) will reveal, at last, a very inconvenient truth — a reality that won’t allow us to continue on in our customary blindness and egotism, forcing us into the political maturity that has so long been missing.

For more information on the first seminar, on sanitation, there is this report on the new VozeRio site and this one, on the news site created by Casa Fluminense, which works on ideas for the metropolis and is open to participation from one and all. To access the excellent presentations in Caxias (except for the mayor’s), click here.

The seminars continue, open to all (just sign up by sending an e-mail to seminario.riometropolitano@iets.org.br).

Tomorrow, May 13, the theme in Nova Iguaçu will be mobility, with state Transportation Secretary Carlos Roberto Osório; Rio de Janeiro municipal Transportation Secretary Rafael Picciani; regional director of the Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP-RJ), William Alberto de Aquino Pereira; executive director of the  Institute for Transportation and Development Policy (ITDP), Clarisse Linke; vice-president of the Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) José Armênio de Brito Cruz; and information coordinator of the Casa Fluminense, Vitor Dias Mihessen. It will run from 9 AM to 1 PM at the Firjan Representação Regional Baixada Fluminense Área I – Unidade Senai de Nova Iguaçu, Rua Gerson Chernicharo, s/nº, Bairro da Luz, Nova Iguaçu.

The May 20 seminar will deal with public safety, in Niterói. One the 28th there’ll be a debate on health, in São Gonçalo. The final seminar will be June 1 at the Firjan auditorium in downtown Rio.

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Vicente Loureiro, executive director of the new Metropolitan Chamber — resident of neighboring Nova Iguaçu

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