Complexo do Alemão: democracy is hard

The real war in the Alemão favela complex, one resident says, is between criminals in uniform and criminals who don’t wear uniforms

Moradores falaram as verdades deles para subsecretário estadual se segurança pública

At the Forum, residents spoke of their reality to the State Public Safety Undersecretary for Education, Value and Prevention, Pehkx Jones

Your blogger has been busy working on a book about metropolitan Rio de Janeiro. This is why she’s been writing less in the blog and leaving readers in the lurch. There’s been no analysis of the recent explosion of violence in the Alemão favela complex.

Para Complexo do Alemão: como é difícil a democracia, clique aqui

On April 2, the pot came to a boil. Ten-year-old Eduardo Jesus Ferreira was shot in the head while playing with a cell phone on the stairs of a favela alleyway, steps away from his mother. According to press reports, days later a military police officer said he thought he fired the shot in the heat of the action, thinking the phone was a weapon. Governor Pezão commented that police intelligence have photos of children bearing arms, and ordered the “reoccupation” of the Complex. Militay police complained of horrendous work conditions. The governor had armored police posts installed so they could benefit from greater protection.

Thursday night a Forum was held, bringing together residents, neighborhood association leaders, government officials, police, researchers and others — about 120 people total, for four hours of dialogue in the Glória neighborhood. This was the perfect moment to start talking about violence in Alemão, for the blog and for everyone. The Forum was organized by the O Dia newspaper, the CESeC research group, specializing in youth, police, violence and the penitentiary system, and the Instituto de Estudos da Religião, which focuses on human rights.

There have been several write-ups of the event, so here are just a few key aspects.

Brazil’s history as an authoritarian slave society, with its dependent and unequal relations, still weighs heavy. Change is so difficult! Residents complained of a police-imposed curfew, disrupting the lives of workers and students.

Up to now there has been no real conversation between the police and the community – Ignacio Cano, coordinator of the Laboratório de Análise da Violência, at UERJ.

Democracy is about the common good. It means taking on the responsibility to promote the common good, above lesser interests. It means making constant appraisals of individual interests as opposed to collective ones. It’s about leading more and reacting less. Each person defines his or her role and fulfills it. Residents said the cable car system was to halt service today, April 11, for “maintenance”, with no date set for resumption.

All cultural spaces are occupied by the police… the elite squad, BOPE, makes fun of the pacification police. “You’re not up to the job,” they say, as they pass by. – Raul Santiago, from the Papo Reto journalism collective, recently portrayed in the New York Times.

Pezão should set up a crisis room in Alemão.  – Junior Perim, executive director of the Crescer e Viver circus school.

Perhaps the war is between uniformed and non-uniformed criminals — or not. But the war, which is killing dozens of innocents, is about drugs. People aren’t fighting because of religion, a border or ideology. Drugs stir up disputes over power and territory. Must we die for drugs? A resident said that the drug traffic in Alemão is retail, that there are no big traffickers there.

We’re imprisoned in our homes, this is Governor Pezão’s peace pact. We’re running away from bullets all the time — Kléber  Araújo, shopowner.

Drugs need to be decriminalized. — André Balloco, O Dia newspaper

Ouvindo atentamente

Intent listening

About the Forum, on the site VozeRio

To watch a video of the entire dialogue

For hot and precise quotes (on April 9)

Article in O Dia on the Forum

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Complexo do Alemão: como é difícil a democracia

A verdadeira guerra no Alemão, diz um morador, é entre os bandidos fardados e os bandidos sem farda

Moradores falaram as verdades deles para subsecretário estadual se segurança pública

No Fórum, moradores falaram as verdades deles para o Subsecretário Estadual  de Segurança Pública para Educação, Valorização e Prevenção, Pehkx Jones

Sua blogueira anda muito ocupada com um livro que prepara, sobre o Rio de Janeiro metropolitano. Portanto, está escrevendo menos no blog e faltou com os leitores, deixando de fazer uma análise da explosão de violência que houve nos últimos meses no Complexo do Alemão.

No dia dois de abril, aconteceu uma espécie de estopim. O menino de dez anos, Eduardo Jesus Ferreira, foi morto barbaramente, por um tiro, enquanto brincava com um telefone celular numa escada de viela na favela, a passos de distância da mãe. De acordo com relatos de imprensa, um soldado da polícia militar disse, dias depois, que se supõe ter sido o autor do disparo, ao pensar, no calor da ação militar, que o celular era uma arma. O governador Pezão comentou que existem fotos de crianças com armas, e ordenou a “reocupação” do Complexo. Policiais militares se queixaram de péssimas condições de trabalho. O governador mandou instalar cabines blindados para que trabalhassem com maior proteção.

Um Fórum de quinta-feira à noite, juntando moradores, presidentes de associações de moradores, autoridades, policiais, estudiosos e outros — umas 120 pessoas, no total, por umas quatro horas de diálogo no bairro da Glória, foi uma ocasião imperdível para começar a falar do assunto, tanto para o blog como para todos.

O Fórum foi organizado pelo jornal O Dia, o grupo de pesquisas CESeC, especializado em juventude, polícia, violência e o sistema penitenciário, e o Instituto de Estudos da Religião, dedicado aos direitos humanos. Já há vários relatos sobre o evento, então vale mais destacar alguns poucos aspectos.

O passado de sociedade autoritária e escravista, com relações de dependência e desigualdade, pesa muito, hoje. Como é difícil mudar isso! Houve notícia de um toque de recolher imposto pela polícia militar, o que estaria atrapalhando a vida de trabalhadores e estudantes.

Não houve até agora uma interlocução real entre polícia e comunidade – Ignacio Cano, coordenador do Laboratório de Análise da Violência, na UERJ.

A democracia é pensar o bem comum, é tomar para si a responsabilidade de promover o bem comum, acima dos interesses menores. É fazer uma avaliação contínua dos interesses individuais versus o coletivo. É liderar mais e reagir menos. É cada um definir seu papel e cumpri-lo. Moradores disseram que o teleférico irá parar amanhã, dia 11, para “manutenção”, sem data para o retorno do serviço.

Todos os espaços culturais estão ocupados pela polícia […] o BOPE fica zoando os policiais da UPP. “Vocês não dão conta,” dizem, ao passar. – Raul Santiago, do coletivo de jornalismo Papo Reto, recentemente retratado no jornal New York Times.

Pezão deve montar um gabinete de crise no Alemão.  — Junior Perim, diretor executivo da escola de circo Crescer e Viver.

Talvez a guerra seja entre bandidos fardados e não fardados — ou não. Mas a guerra, na qual morrem dezenas de pessoas inocentes, tem a ver com drogas. Não se está lutando por causa de uma religião, uma fronteira ou uma ideologia. As drogas acirram disputas de poder e território. É preciso morrer por causa de drogas? Um morador disse que o tráfico no Alemão é de varejo, que não há grandes traficantes lá.

Estamos aprisionados dentro de casa, esse é o pacto de paz do governador Pezão. A gente foge de bala toda hora — Kléber  Araújo, comerciante.

A droga precisa ser descriminalizada. — André Balloco, do jornal O Dia

Ouvindo atentamente

Ouvindo atentamente

Sobre o Fórum, no site VozeRio Para assistir ao vídeo do diálogo inteiro Para aspas quentes e precisos (veja dia 9 de abril) Matéria em O Dia sobre o Fórum

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Innovative slavery memorial part of Rio port revitalization

More than half a million trod here; for the city that hosted the largest forced population transfer in human history, it’s never too late to remember

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Visitors will be able to get a sense of the tragic path of slaves arriving in Rio de Janeiro (map by Sara Zewde)

The Rio de Janeiro city government, together with neighborhood associations and groups involved with the Afro-Brazilian legacy, is upgrading an existing visitor circuit, that could ultimately stand out among all other locations in the world reminding us of one of the biggest tragedies of human history.

Para Memorial da escravidão fará parte do Porto Maravilha, clique aqui

In Washington D.C. the United States is building the National Museum of African American History and Culture, and the Brazilian federal government has similar plans. São Paulo boasts its excellent MuseuAfroBrasil, which even offers virtual visits. The United Nations will build a monument to memorialize Transatlantic slavery, which involved 15 million human beings. Philadelphia already has a memorial, which reminds visitors that two slave-owning American presidents lived in a house located there.

Rio de Janeiro’s project, says Rio World Heritage Institute president Washington Fajardo, will be almost complete by the opening of the 2016 Olympic Games — and will be quite different from any other memorial for this dark historic period.

Rio has good reason to innovate.

At the height of slavery, several years after the 1808 arrival of the Portuguese court as it fled Napoleon, more than half a million Africans passed through the Valongo area, disembarking from slave ships. Now, the region could become a unique point of reference, both for local residents and visitors from outside the metropolitan region.

The Circuito Histórico e Arqueológico de Celebração da Herança Africana (Historic and Archeological Circuit Celebrating the African Legacy) will include the recently-discovered Cais do Valongo (Valongo Wharf), the Instituto dos Pretos Novos (New Blacks’ Institute, final resting place of slaves who died on the journey or shortly after arrival), the recently-restored Jardim do Valongo (Valongo Gardens), the José Bonifácio Cultural Center, the Pedra do Sal (Salt Stone, now an outdoor samba venue, at the foot of the rock where slaves unloaded salt) and the Largo do Depósito (Warehouse Place), where slaves were fattened and sold. The circuit will also include the Docas Dom Pedro II warehouse (which now houses the Comitê Ação da Cidadania or Citizenship Action Committee), built by the black abolitionist André Rebouças in 1871 – without slave labor, as he had ordered.

Fajardo told RioRealblog that City Hall is focusing above all on the circuit’s sustainability. The Institute is working with neighborhood partners — brought together for this purpose in the Curating Work Group for the Urban, Architectural and Museological Circuit Project. The group prepared a recommendations document, parts of which have been incorporated.

The Circuit will feature a bold memorial that Sara Zewde, a Harvard University landscape architecture masters’ student, helped to research and create. Instead of a statue, monument, building or wall, the memorial will be the public space between the Wharf, the Valongo Gardens and the Warehouse. The current plan is for this space to encourage visitors to sit, walk and reflect, among trees, shade and light.

“This is a world, and the way it operated, for a long time,” says Sara.

Slavery ended almost 127 years ago. But the Valongo Wharf, where slaves landed from 1811 to 1831, reappeared — with two superimposed anchorages — only in 2011, during the Porto Maravilha port revitalization excavations. These also revealed a large quantity of slave belongings, such as amulets.

Remodeled in 1843 so that the Princess María Mercedes of Bourbon-Two Sicilies, Teresa Cristina Maria de Bourbon, fiancée of (then) future Emperor Dom Pedro II, could disembark in comfort in Rio de Janeiro, the Wharf was buried in 1911. And then, forgotten.

Today, the location – part of a region whose history is at the core of Brazil’s African heritage — has the eye not only of City Hall and Afro-Brazilian leaders, but also draws attention from the United Nations.

In 2013, the Wharf was named part of the city’s cultural heritage. The following year, the city began to develop its candidacy for selection as a UNESCO World Heritage Site. UNESCO, the U.N.’s culture and education arm, will announce its decision in the first quarter of  2016.

The memorial will break with Western practice regarding public space, attempting instead to echo the traditions of enslaved Africans’ native lands, says Sara Zewde. The biggest challenge will be to help visitors gain a sense of the connection between past and future, a strong element in many African cultures.

Circular forms and musical rhythms seen today in samba circles, Candomblé religious rituals, Afoxé traditions and the capoeira dance/martial art, will  be part of the memorial, whose visual identity will be selected in a contest to be held this year.

In addition, Sara notes, the memorial will underscore the connections between the African continent and Brasil, using water and trees – and maybe even a baobab — that slaves would have known in their native lands. She also hopes to recreate the sad passage that slaves trod on landing in Rio, as best as can be done, given the amount of landfill that took place over time. According to her, the Circuit’s paving material will contain information about the trees.

“In [the] Candomblé [religion]” says Sara, “The universe is a tree.”

To learn more, in Portuguese: http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/saiba-tudo-cais-valongo-local-onde-entravam-africanos-escravos-brasil-seculo-xix-731373.shtml

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Memorial da escravidão fará parte do Porto Maravilha

Mais de meio milhão pisou: para uma cidade que recebeu a maior transferência forçada de população da história da humanidade, nunca é tarde  lembrar disso

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O visitante poderá sentir como foi o trágico trajeto dos escravos que chegavam ao Rio de Janeiro (mapa de Sara Zewde)

A prefeitura do Rio de Janeiro, junto com associações de bairro e grupos que cuidam da herança afro-brasileira, está aprofundando um circuito existente, que poderá se destacar entre todos os lugares no mundo que nos lembram de tragédias da história humana.

Os Estados Unidos constroem, em Washington D.C., um museu nacional de história e cultura afro-americana, enquanto o governo federal brasileiro tem planos parecidos. São Paulo pode se orgulhar de seu excelente MuseuAfroBrasil, que oferece até visitas virtuais. As Nações Unidas pretendem erguer um monumento para lembrar a escravidão transatlântica, que vitimou mais de quinze milhões de seres humanos. Na cidade de Filadélfia, já existe um memorial, que lembra aos visitantes que dois presidentes americanos, proprietários de escravos, viveram numa casa ali localizada.

O projeto carioca que, de acordo com Washington Fajardo, presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, estará quase totalmente pronto até os Jogos Olímpicos de 2016, será bem diferente de qualquer outro monumento ou memorial a esse período escuro da história.

No Rio, sobram motivos para tanto.

No auge da escravidão, poucos anos depois da chegada da corte portuguesa, em 1808, mais de meio milhão de africanos passou pelo Valongo, descendo de navios negreiros. Agora, a região deve se tornar uma referência sem igual, tanto para residentes da metrópole como para quem vem de fora.

Trata-se do Circuito Histórico e Arqueológico de Celebração da Herança Africana, que deve incluir o recém descoberto Cais do Valongo, o Instituto dos Pretos Novos (paradeiro final de escravos que morriam na viagem ou logo depois da chegada ao Rio), o recém restaurado Jardim do Valongo, o Centro Cultural José Bonifácio, a Pedra do Sal e o Largo do Depósito, onde os escravos eram engordados e vendidos. O circuito também deve incluir o armazém Docas Dom Pedro II, atual sede do Comitê Ação da Cidadania, construído pelo engenheiro e abolicionista negro André Rebouças em 1871 – sem mão de obra escrava, como ele mesmo especificou.

Fajardo disse ao RioRealblog que a prefeitura se preocupa, acima de tudo, com a sustentabilidade do circuito. O IRPH trabalha com parceiros do bairro — reunidos no Grupo de Trabalho Curatorial do Projeto Urbanístico, Arquitetônico e Museológico do Circuito para esse fim. O grupo entregou à prefeitura um documento, “Recomendações do Valongo”, parte das quais foram incorporados no Circuito.

O Circuito contará com um arrojado memorial, que Sara Zewde, mestranda em arquitetura paisagística na universidade de Harvard, ajudou a pesquisar e criar. Em vez de uma estátua, monumento, prédio ou muro, o memorial será o espaço público entre o Cais, o Jardim do Valongo e o Depósito. O plano atual é que esse espaço seja um lugar no qual o visitante pode sentar, caminhar e refletir, entre árvores, sombras e luz.

“[A escravidão era] um mundo, com tudo o que contribuía para sua operação, por muito tempo,” diz Sara.

A escravidão acabou há quase 127 anos. Mas o Cais do Valongo, que recebeu escravos de 1811 até 1831, reapareceu — com dois ancoradouros sobrepostos — apenas em 2011, durante as escavações do programa de revitalização Porto Maravilha. As escavações também revelaram grande quantidade de pertences dos escravos, como amuletos.

Remodelado em 1843 para que a Princesa das Duas Sicílias, Teresa Cristina Maria de Bourbon, noiva do (então) futuro Imperador D. Pedro II, pudesse chegar em conforto à cidade do Rio de Janeiro, o Cais foi totalmente aterrado em 1911. E depois, esquecido.

Hoje, o local – parte de uma região cuja história é intimamente ligada à herança africana — recebe as atenções não apenas da prefeitura e de líderes afro-brasileiros, mas das Nações Unidas.

Em 2013, o Cais foi alçado à condição de patrimônio cultural da cidade; no ano seguinte, o município começou a elaborar a candidatura para que a UNESCO, braço cultural e de educação da ONU, o reconhecesse como Patrimônio Cultural da Humanidade. A decisão da UNESCO será conhecida apenas no primeiro trimestre de 2016.

O memorial irá romper com as tradições ocidentais do uso de espaços públicos, procurando ecoar as tradições das origens dos africanos escravizados, diz Sara Zewde. O maior desafio será de comunicar aos visitantes a ligação do passado com o futuro, elemento forte em várias culturas africanas.

Formas circulares e ritmos musicais que hoje se observam nas rodas de samba, no Candomblé, o Afoxé e na capoeira, farão parte do memorial, cuja identidade visual será determinada através de um concurso, programado para esse semestre.

Também, diz Sara, o memorial irá realçar as conexões entre o continente africano e o Brasil, utilizando água e árvores – talvez até um baobá — que os escravos teriam conhecido nas suas terras nativas e, na medida do possível (houve muito aterramento através das décadas), recriando o triste caminho que os escravos percorriam, ao atracar no Rio. De acordo com ela, informações sobre as árvores estarão disponíveis no piso do circuito.

“No candomblé,” conta Sara, “o universo é uma árvore.”

Para saber mais: http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/saiba-tudo-cais-valongo-local-onde-entravam-africanos-escravos-brasil-seculo-xix-731373.shtml

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Os 450 anos do Rio de Janeiro: pouco para comemorar, muito por fazer

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Esses jovens, que dançaram ano passado no festival Favela em Dança, talvez estejam entre aqueles que irão pressionar os governos para que cumprem promessas e deveres

Como podemos ajudar?

Se manter a par com o Rio de Janeiro é como entrar no Jogo da Memória, a brincadeira de fazer pares de cartas, de um baralho. Vire uma, vire outra: não fez o par, vire-as de volta. Enquanto o parceiro tiver sua vez e você virar mais cartas, tente de se lembrar das localizações delas. De novo, e mais uma vez.

Agora faça isso enquanto está criando filhos, cuidando de pais idosos, trabalhando, enfrentando a hora do rush…

For Rio de Janeiro’s 450th birthday: not much to celebrate,  lots to do, click here

Acontece tanta coisa, com tantos jogadores e tanta história do passado. Quem consegue lembrar de tudo? E agora, com a desaceleração da economia, a seca das reservas de água e o enxugamento de orçamentos no Rio, não é fácil descobrir como chegamos aqui (exceto o fator óbvio da queda dos preços de petróleo e a incapacidade brasileira de investir em fontes alternativas de energia) nem, mais importante, como andar para frente.

Muitos cariocas e fluminenses têm a impressão de que não há nada que possam FAZER, ao passo que os interesses empresariais e de turismo tomam conta de partes da metrópole, o crime reacende, cresce o desemprego e os políticos não mudam de comportamento.

Temos que achar meios de manter todas aquelas cartas em nossas mentes, de fazer os pares: prestarmos atençao e levantarmos a voz.

(Lembre, quando você se sentir triste demais, como já indiquei, de um importante elemento de salvação: as pessoas que deixaram a pobreza durante a última década, mesmo que elas percam renda, já sentiram o gosto de serem cidadãos plenos. Não irão largar a nova ideia que desenvolveram de si mesmos. Nenhum de nós pode esquecer de nossos papéis de cidadãos. Precisamos e queremos uma cidade saudável, com boas escolas, moradia, sistemas de transporte, saúde e segurança pública.)

Por onde erramos? 

Há décadas, o urbanista Lúcio Costa criou um plano para a Barra da Tijuca. Incluía a preservação do meio ambiente. Infelizmente, esse aspecto ficou de fora — no calor do entusiasmo dos empreendedores imobiliários, enquanto os cariocas fugiam dos bairros tradicionais da ex-capital decadente e dava-se carta branca ao motorista de automóvel.

O Rio fez vista grossa ao axioma do urbanista, de que uma cidade com saúde financeira e sociológica é uma cidade densa, que permite que diferentes tribos possam se encontrar e se misturar, no trabalho, no lazer e ao se movimentar por ela. Fixamos os Jogos Panamericanos de 2007, e depois os Jogos Olímpicos de 2016, nos espaços vazios da Barra da Tijuca — que, desde os tempos de Lucio Costa, se tornou uma região de condomínios fechados, dependentes do automóvel, que lançam esgoto para todas suas águas.

Espraiamento urbano é o nome para aquilo que os políticos do Rio de Janeiro, inclusive o prefeito atual Mayor Eduardo Paes, presidente do conceituado C-40 Climate Leadership Group (Grupo de Liderança Climática das Grandes Cidades) encorajaram. Espraiamento urbano não é economicamente eficiente nem é inevitável.

Incapazes de manter todas as cartas nas nossas mentes, embalados pela ideia de que devemos preencher as necessidades de transporte dos que já moram na Zona Oeste, deixamos que as nossas autoridades construíssem um túnel para Guaratiba, estendessem o Metrô na mesma direção, e fizessem BRTs para conectá-la ao resto da cidade. Parecia tão normal, a expansão.

E daí, se a virada do Rio de Janeiro juntava bilhões para empreiteiras e empreendedores imobiliários? — enquanto as águas da Barra e da baía de Guanabara continuam poluídas e um quinto da população da cidade do Rio ainda habita casas abaixo do nível da moradia formal.

A mobilidade seria o legado olímpico.

Então por que, dois anos depois de enormes manifestações de rua, provocadas por um aumento de tarifa de ônibus, falta ainda cobertura adequada na Zona Norte (com ônibus demais na Zona Sul), e não temos ainda frotas plenamente munidas de ar condicionado e de GPS, com motoristas adequadamente treinados (conforme especificado nas concessões de vinte anos, outorgadas em 2010)? Por que não sabemos ainda os custos e receitas reais das empresas de ônibus? Por que a CPI da Câmara dos Vereadores não andou?

E qual o motivo dos acidentes de trem e ônibus? Como é que o Metrô atrasa tanto?

Alguém calculou o custo dos longos trajetos das novas alternativas de transporte? O custo de coletar o lixo da população da Zona Oeste que só cresce, atraída pelo brilho olímpico? De prover todos os serviços municipais e estaduais para uma população espraiada numa área vasta da cidade?

Houve amplo debate sobre locais alternativos para sediar os Jogos — ou alguma reflexão sobre a possibilidade de gerenciar o crescimento pela densificação da cidade?

Por tempo demais, não fizemos perguntas suficientes. O que aconteceu à promessa do Morar Carioca, de que todas as favelas do Rio seriam urbanizadas até 2020?  Com sua blogueira já ponderou, à luz do escândalo de corrupção Lava-Jato, pode ser que as muitas obras dos quarenta projetos propostos teriam demandado tamanha fiscalização e governança  — de urbanistas, engenheiros arquitetos e moradores– que teria sido impraticável superfaturar contas e realizar outras formas de corrupção que, supostamente, as maiores empresas brasileiras de construção utilizaram nos seus contratos com a Petrobras.

Por tempo demais, confiamos que os outros pudessem pensar por nós. Como aconteceu a pacificação? Um grupo pequeno de pensadores e cidadãos notáveis apresentou a ideia ao então governador, Sérgio Cabral. Houve êxito considerável; mostrou-se um caminho para sair da armadilha da violência onde a cidade, faz tempo, se encontrava. Porém, de novo– não houve diálogo ou participação suficiente, por parte das comunidades pacificadas. Sem participação, o que conseguimos — às vezes –, por meio da ocupação, foi uma queda nos homicídios e nas balas perdidas. Após quase sete anos, enfim, temos a pacificação.2, com uma ótima equipe — e uma crescente preocupação orçamentária.

Os recursos do petróleo, que deixavam tudo parecer tão fácil, vão diminuindo.

Tome parte, aja agora

É muito difícil manter as cartas na memória! No carnaval, ficamos chocados ao saber que a escola vencedora no desfile do Sambódromo teria recebido recursos de uma ditadura de país africano rico em petróleo, supostamente por meio de empreiteiras brasileiras com interesses naquela nação. Então o jornal O Globo nos lembrou de  três processos judiciais em andamento, relacionados com o duvidoso financiamento local das escolas de samba.

É provável, porém, que lembremos disso somente no ano que vem.

Talvez não; você pode se juntar ao secretário executivo do ISER, Pedro Strozemberg, para fazer pressão ao secretário municipal de turismo e ao presidente da liga das escolas de samba, para mudar as regras do desfile, para que seja penalizada qualquer escola que tenha como patrocinador um país ou uma empresa envolvida em corrupção ou violações de direitos humanos. A “panela de pressão” da ONG Meu Rio é uma maneira de contribuir à mudança no Rio; ela já faz muito para acompanhar as atividades da Câmara dos Vereadores e a Assembleia Estadual, a Alerj.

Você também pode participar na Casa Fluminense, uma nova entidade de ativismo e reflexão, que trata das questões urbanas do ponto de vista metropolitano, que é cada vez mais necessário. Dê uma olhada no impressionante site de notícias.

Sem piscar, temos que ficar de olho nas cartas: durante o carnaval, a prefeitura carioca divulgou o local de uma nova rodoviária, em São Cristóvão. Mas veja o que o autor de livros de história best-seller, Laurentino Gomes, diz  sobre a proximidade da rodoviária ao Palácio Imperial do Rio, que já sofre de abandono (enquanto, na área do porto, inauguram-se novos museus “icônicos”). A matéria de O Globo fala da verdadeira necessidade por integração entre ônibus, metrô e trem– mas nem o jornal nem o governo menciona o impacto na região da Quinta da Boa Vista, em termos de trânsito, turismo, meio ambiente ou em qualquer outro aspecto. Aqui você pode ler a reação de um especialista em transporte e aqui  ha informação adicional. Ah, e fique sabendo que trata-se do quartel da antiga cavalaria imperial!

A vigilância nunca é demais. O Rio de Janeiro nos chama para monitorar as obrigações contratuais das concessões de ônibus todo dia. Precisa que publiquemos diariamente as agendas do governador, do prefeito, dos deputados estaduais e dos vereadores municipais — para então checar suas atividades verdadeiras. E muito mais. Porque, infelizmente, tais atividades, aparentemente, raramente objetivam o bem comum– algo que apenas nós, juntos, podemos identificar e comunicar.

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Rio de Janeiro’s 450th birthday: not much to celebrate, lots to do

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These young people, dancers at the Favela em Dança festival last year, may be among those who pressure governments to come through on promises and duties

What can we do?

Keeping up with Rio de Janeiro is like playing Concentration, the memory game with pairs of cards. Turn one up, turn another up: no pair, turn them back over. As your partner has a go and then you turn over other cards, try and remember positions. Again and again.

Now do this while bringing up children, caring for elderly parents, working, commuting at rush hour…

So much is going on, with so many players, so much past history. Who can remember it all? And now — with the economy slowing, our water drying up and Rio budgets shrinking — it’s not easy to figure out how we got here (except for falling petroleum prices and Brazil’s failure to invest in alternative energy sources) nor, more important, how to move forward.

Many cariocas feel there is nothing they can DO, as tourism and business interests take over parts of the city, crime returns, joblessness grows and politicians go about business as usual.

We’ve got to find ways to keep all those cards in our minds, to make the matches: be vigilant and speak up.

(Remember, when you feel too sad, as I’ve said before, our one big saving grace: the people who left poverty over the last decade, even if they fall back into it, have had a taste of being full citizens. They won’t let go of their new sense of self. None of us can forget our roles as citizens. We need and want a healthy city, with adequate schools, housing, transportation, health care and public safety.)

What went wrong? 

Decades ago, urbanist Lucio Costa made a plan for Barra da Tijuca. It included environmental preservation. Unfortunately, this went by the wayside — as development there took hold, cariocas fled a decaying ex-capital, and the automobile owner was given carte blanche.

Rio turned a blind eye to the urbanist’s axiom that a sociologically and financially healthy city is a dense city that allows for different folks to meet and mix, at work, at leisure, and as they move around it. We placed the 2007 Panamerican Games, and then the 2016 Olympic Games, in the empty spaces of Barra da Tijuca — which, since Lucio Costa’s time has become an automobile-dependent region of gated communities that spew sewage into its waters.

Urban sprawl is the name for what Rio politicians, including current Mayor Eduardo Paes, president of the prestigious C-40 Climate Leadership group of cities around the world, have fostered. It’s not cost-effective nor is it inevitable.

Unable to keep all the cards in our minds, lulled by the idea that we must meet the transportation needs of those who already live in the West Zone, we allowed government officials to build a tunnel to Guaratiba, extend the Metrô in that direction, and to construct BRTs connecting it to the rest of the city. The expansion seemed so natural. No matter that Rio’s turnaround was making billions for construction companies and real estate developers — while the waters of Barra and Guanabara Bay remained polluted, and a fifth of Rio proper’s population still lives in substandard housing, in favelas.

Mobility would be the Olympic legacy.

So why, two years after massive street demonstrations sparked by a bus fare increase, do we still lack adequate coverage in the North Zone (and too many buses in the South Zone), and still don’t have fully air-conditioned and GPS-equipped fleets, with suitably trained drivers (as specified in the 20-year concessions awarded in 2010)? Why do we still not know the real costs and revenues of the bus companies? Why did the city council investigation of these come to a halt?

Why the train wrecks and bus accidents? Why does the Metrô delay so much?

Did anyone calculate the cost of the long passenger rides that the new mass transit alternatives will soon afford us? The cost of picking up the trash of a West Zone population that’s been increasing, attracted by the Olympic glow? Of providing all city and state services to a population spread out over a vast area?

Was there broad debate about alternative locations for hosting the Games — or thought about managing urban growth by way of densification?

For too long, we haven’t questioned enough. What happened to the promise of Morar Carioca, that all Rio’s favelas would be brought up to code by 2020?  As this blogger has mused before, in light of the Lava-Jato corruption scandal, perhaps the myriad works of the 40 proposed projects involved a degree of oversight — from planners, engineers, architects and community members– that could have hindered the padding of bills and other corrupt practices which Brazil’s top construction companies are now alleged to have carried out with Petrobras.

For too long, we’ve trusted others to think for us. How did pacification come about? A small group of thinkers and notable citizens presented the idea to then-Governor Sérgio Cabral. It met with considerable success and showed a way out of the trap of violence the city had long been stuck in. But, again– there wasn’t sufficient dialogue or participation, for the pacified communities themselves. Without participation, what we got — sometimes — was a drop in stray bullets and homicides, by way of occupation. After almost seven years, we’ve at last got pacification.2, with a great team — and concern over the state budget.

The oil money, which made everything look so easy, is drying up.

Take part, act now

Those memory game cards are so tough to keep in mind! At Carnival, we were all shocked to discover that the winning samba school, Beija Flor, was said to be funded by an oil-rich African dictatorship, allegedly by way of Brazilian construction companies with interests in that nation.  Then the O Globo newspaper reminded us of three ongoing court cases regarding dubious samba school financing right here at home.

We’ll probably forget all about this, though, until next year.

Maybe not; you can join ISER‘s executive secretary, Pedro Strozemberg, in pressuring Rio’s municipal tourism secretary and the president of the samba school league to change the competition rules so as to penalize schools sponsored by countries or companies that engage in corruption or human rights violations. Meu Rio‘s pressure cooker is just one way of helping change along in Rio; the NGO has done much to track the activity of Rio’s city council and its state legislature.

You can also participate in the Casa Fluminense, a new think-and-do-tank that approaches urban issues from the ever more necessary metropolitan angle. Take a look at its impressive news site.

We have to keep our eyes on those cards, unblinking: during the Carnival festivities, City Hall announced the location of a new bus station, in São Cristóvão. But just look what best-selling historian Laurentino Gomes has to say about the station’s proximity to Rio’s Imperial Palace, which already suffers from neglect (while new “iconic” museums open in the port area). The Globo report discusses the true need for bus integration with metro and rail service, but neither the paper nor government officials mention the impact on the Quinta da Boa Vista neighborhood, traffic, touristic, environmental or otherwise. Here you can see the reaction of a transportation specialist and here is additional information. Oh, and by the way, the site is the imperial cavalry barracks!

One can never be too vigilant. Rio needs us to monitor the bus concessions’ contractual obligations every day. It needs us to publish the daily agendas of the governor, mayor, state legislators and city council members — and then check up to see what they’re really doing. And much more. Because, most unfortunately, their activities seem rarely to focus on the common good– something that only we, all together, can identify and communicate.

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Carnival 2015: whose city is it?

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Future políticians?

It’ll be a mighty Lenten season, in Rio and the nation overall

The question is part of life in any tourism destination: to whom does our metropolis belong? Each city works the visitor/local equation every day, constantly. Of course the same is true here in the Marvelous City, where street Carnival and tourism grow with every passing year.

Para Carnaval 2015: a cidade pertence a quem? clique aqui

Government responses also increase, with an ever-larger number of porta-potties and all sorts of monitoring. Rio planned for almost 50,000 police officers on patrol, just about the total military police force.

We don’t yet have final tourism figures, but a million people were expected, up 9% from 2014. At the port, more cruise liners docked than ever before, and the hope was that the visitors would spend some US$ 7 million, equivalent, in total. The 456 street parades and parties prepared for a total of five million partiers.

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Zona Sul  supermarket sells to any vendor, legal or not…

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… many of whom don’t go home to sleep during the festivities

Despite government promises of better monitoring of Carnival behavior, this year’s street Carnival seems to have been one of the most difficult in recent years. Yes, we had more tourists and more revenue, but we also got chaos. A neighborhood association plans to discuss Carnival effects and results in Ipanema with the state prosecutor’s office next month.

There are many stories of gang crime and robberies during the street parades and parties, snarls at the bus station, street vendors camping out on  Zona Sul beaches and sidewalks, trash, stench, horrible accidents and the fatal stabbing of a German tourist on Rua Uruguaiana, downtown.

Though City Hall required that Ambev, the beer and soft drinks manufacturer sponsoring street Carnival, license vendors selling beer, Brazil’s classic informality coexisted with this system. One supermarket belonging to the “Zona Sul” chain sold exclusively to licensed vendors; another, much bigger one, sold to anyone.

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A healthy mix: the South Zone also belongs to the West  Zone, origin of the custom of dressing up at Carnival as a Clóvis, or “Bate-bola”

Sponsorship is falling off, generally speaking, perhaps as a result of the economic situation affecting the country and Rio’s metropolitan region, which is quite dependent on the oil and gas sector, assailed by its worst crisis ever.

Perhaps economic hard times will in future put revelers’ feet more firmly on the ground, bringing back a more democratic and authentic Carnival. This year, for the first time,  you could buy a ticket to a box seat, previously the domain of corporate and government guests. On the other hand, however, traditionalists lament that between samba schools, some Sambadrome boxes, or camarotes, were playing funk music.

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A solution to surreal prices

Carnival is a great way to forget crises, but it’s also an occasion to joke about sad aspects of reality. In this video, a fictitious samba school sings about several truths. The fact that Globo TV, the media which most exalts and profits from Carnival, produced the video, is definitely in the spirit of the season when everything is meant to turn upside down and inside out.

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Pure happiness still exists

Many cariocas who stayed in the city during Carnival are wondering if the time has come, since it seems impossible to suitably manage the partying, to reduce or centralize all the street activity. However, given the investments of Ambev and the Dream Factory, (an events organization company belonging to the creator of Rock in Rio, Roberto Medina), it won’t be easy to change the festival’s upward spiral.

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What’s up next?

This blogger confesses to a certain Scrooginess about Carnival this year. It was impossible to forget the drought affecting Brazil’s southeast, with politicians shrugging off the responsibility of leading with vision. How could one dress up and dance when our water is running out — with possibly drastic effects on the country’s energy supply?

It seemed quite fitting, that Ash Wednesday’s vote selected Beija-Flor as the winning samba school in the Sambadrome parade: the school is reported to have been financed by the dictator of Equatorial Guinea, by way of Brazilian construction companies doing work there — some of the same ones cited in the Lava-Jato corruption scandal now under investigation.

One samba school got the picture. Mocidade Independente de Padre Miguel created a parade about the end of the world. But no worries, dear reader: the focus, Brazilian style, was on how to make the most of one’s last day on earth.

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