O Rio afunda junto com a Petrobras?

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A região que contava com o petróleo: um dia, o prefeito de Itaguaí (último à direita) é participante em um seminário no centro do Rio. Outro, ele é objeto de investigação da Polícia Federal

É só o começo. Mas — quem sabe–  a crise pode nos salvar, em parte pelo menos, de maiores amaldiçoes petrolíferas.

“Já são 720 engenheiros demitidos pela Chemtech, empresa do grupo Siemens com base no parque tecnológico da UFRJ, na Ilha do Fundão,” escreveu a colunista Miriam Leitão no jornal O Globo, semana passada.

De acordo com O Globo, o setor de petróleo produz quase 30% do PIB estadual do Rio de Janeiro e 60% dos investimentos programados para o período 2014-2016. Domingo passado, o jornal publicou um resumo do impacto da crise no setor sobre a economia nacional, estadual e nas cidades de Macaé e Itaboraí.

Teremos, certamente, uma queda significativa na atividade econômica do estado, parcialmente amenizada pelos investimentos e obras ligados aos Jogos Olímpicos de 2016 e pelo consumo daqueles que há pouco saíram da pobreza.

Em uma das matérias, o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Júlio Bueno, falou de maneira sincera. “- Estamos passando por uma crise, e isso afetará o Rio. Diariamente, empresas me procuram pedindo ajuda. A gente tenta contatar a Petrobras. Não tem jeito. Num primeiro momento, devemos ter problemas, demissões – prevê Bueno, que estima recuperação rápida da empresa.”

Tudo ia tão bem, há tão pouco tempo. Em junho, o presidente do BNDES pintava um futuro cor de rosa para o estado do Rio.

“Tem volume maciço, tem concentração grande no Rio de Janeiro. No Rio, é claro que tem investimentos na bacia um pouco fora, mas o grosso está no Rio de Janeiro. Então, a região toda litoral do Rio vai ter oportunidade de desenvolver grandes complexos importantes, portuária, logística, e de produçao de equipamento”, disse, há seis meses, Luciano Coutinho ao site G1.

Em 2012, a Petrobras acertara a compra do quartel-geral da Polícia Militar, no centro da cidade, para construir um segundo prédio (mas a PM ainda está lá, inclusive com seus cavalos). Na área cultural, a empresa esbanjava dinheiro, apoiando shows, teatro e filmes e também, o maravilhoso projeto para jovens de favela, a Agência de Redes para Juventude.

O primeiro abalo no setor energético foi das empresas X, de Eike Batista. A “queda” dele marcou não apenas a economia do estado e a nação, mas a face da cidade. A Lagoa Rodrigo de Freitas, cuja limpeza o Eike custeava, está perdendo o brilho, apesar dos atrativos da árvore de Natal flutuante, patrocinado pelo Banco Bradesco. O Hotel Glória, que Eike ia reformar em tempo para as Olimpíadas, teve as obras paralisadas por muito tempo, deixando um vácuo no bairro.

Aí veio a queda do preço de petróleo e a Operação Lava-Jato, uma investigação da Polícia Federal, iniciada em março deste ano, que paralisou não apenas a Petrobras, mas o setor de petróleo como um todo e até a escolha dos novos ministros para o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

O cenário lembra um pouco Londres que, na época de ser escolhida para sediar as Olimpíadas de 2012, experimentava um boom econômico. Aí veio a crise de 2008…

Todas as empreiteiras mais importantes no país estariam envolvidas no escândalo de cartel e propinas pagas, por contratos, a executivos da Petrobras, parte das quais teriam ido para os balancetes de candidatos e partidos políticos. Muitas das empresas acusadas estão empenhadas nos maiores projetos do Rio de Janeiro, como a extensão do Metrô, o Parque Olímpico e a revitalização dos trens suburbanos da SuperVia.

Existe um receio de levar a Operação Lava-Jata até todas as últimas consequências, de acordo com pelo menos um articulista. Algumas autoridades já disseram que, se as empreiteiras fossem responsabilizadas pelos subornos que supostamente praticaram, o Brasil iria parar de vez. Realmente, é difícil imaginar os canteiros parados em todo o Rio de Janeiro. (Até hoje, ninguém menciona, oficialmente, a possibilidade de abrir o mercado de construção a empresas internacionais. As empresas brasileiras dominam o mercado desde a construção de Brasília.)

Obras à parte, já há reflexos da crise petroleira por toda a cidade e a região metropolitana. É assustador cogitar o efeito da crise sobre a revitalização da área do porto, por exemplo, onde a construção de prédios comerciais deve aumentar sensivelmente a oferta escritórios na cidade. Pode ser que, por um bom tempo, tenhamos daqui a pouco um centro urbano expandido, porém com pouca vitalidade.

Diz O Globo: “No mercado de locação de espaços corporativos carioca, as empresas de petróleo estão reduzindo a estrutura atual ou optando por prédios que garantam custo de aluguel menor, diz Ricardo Varella, vice-presidente da consultoria Colliers, no Rio: – O setor de óleo e gás responde por metade do mercado de aluguel de espaços corporativos no Rio. Cerca de 10% deste grupo já renegociaram contratos, derrubando o preços em 20%.”

Os salários também diminuem, de acordo com a reportagem do jornal, em até 40%.

O impacto na receita do governo estadual pode afetar os gastos, uma questão preocupante num momento em que se espera maiores gastos em áreas como a segurança pública.

Para quem perde renda e/ou emprego, a situação é bastante desalentadora. Vale a pena lembrar, porém, que a desigualdade no Estado não acompanhou a melhora constatada, nos últimos anos, da região sudeste, justamente por causa do viés dos altos salários no setor de petróleo e gás. Talvez vejamos um certo realinhamento nesse sentido, dependendo dos efeitos da crise na cadeia como um todo.

Para quem vislumbra mais futuro em fontes de energia renováveis, a desaceleração do setor de petróleo pode ser uma boa notícia, se o governo brasileiro souber aproveitar a oportunidade.

E há um outro efeito positivo, em potencial: com menos petrorreais fluindo pela economia nacional e estadual, quem sabe teremos menos situações surreais como a que o RioRealblog presenciou recentemente: a presença, num seminário sobre o município de Itaguaí (que faz parte da região metropolitana), que recebe royalties e tem um porto utilizado pela Petrobras, do prefeito, Luciano Mota que, soubemos  dias depois, estaria desviando um terço da receita mensal municipal, de R$ 90 milhões.

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Cidade Maravilhosa para quem? For whom is the Marvelous City?

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Residents protesting in 2011. They had a plan to upgrade their community, instead of moving out

Acabei de publicar um post no blog de Ruth de Aquino no site da revista Época — minhas reflexões sobre o novo documentário de Felipe Pena, que trata da remoção dos moradores da Vila Autódromo. No post, falo do contexto geral e divulgo algumas informações aparentemente inéditas. Leia o post original aqui.

I just published a post in Ruth de Aquino’s blog on the Época magazine site — my thoughts on Felipe Pena’s new documentary about the removal of Vila Autódromo residents, just next to the Olympic Park. In the post I discuss the general context of the removals and provide some heretofore unpublished information (as far as I know). You can read the original post here, or the following translation:

Late last month, I got to attend the premiere of the documentary “Se essa vila não fosse minha” (If this settlement weren’t mine), by director Felipe Pena. It’s quite a moving film, portraying Vila Autódromo residents’ hardships and the way they feel about them. The message, however, is a bit confusing.

Taking apart a story like this one is no easy task.

In every city, worldwide, eminent domain powers are used and resident removal occurs, sometimes because of mega-events, sometimes for other reasons.

The main issue is how this is carried out. In Brazil, land of inequality where housing for the less fortunate is rarely thought out fairly and with justice, there’s a complicating factor: usually, residents of informal areas don’t have title to the land where they built their homes. So even if they receive the total investment they’ve made through the years, in bricks, cement, tiles, etc., they won’t be able to find a place in the same neighborhood where they can recreate the lives they had before the land was taken over.

In addition, the other alternative — an apartment in a Minha Casa Minha Vida (government housing) building — even when well constructed and without additional charges beyond residents’ budgets, often doesn’t provide the same experience of community and commercial potential that favela residents are used to counting on.

In Rio de Janeiro, Vila Autódromo, recently home to more than 500 families, is located on the shores of a lagoon in the city’s West Zone, near the main 2016 Olympic venue. The former fisher families’ outpost has become a reference, particularly for foreign journalists, in reports on resident removal connected to the Olympics.

But Vila Autódromo isn’t all that typical. To begin with, most residents have documents allowing them to occupy the land for 99 years, granted by Governors Leonel Brizola and Marcello Alencar.

The community also developed an urbanization plan, together with Rio de Janeiro’s Federal University’s Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional, and the Fluminense Federal University’s Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos  — a plan which in 2013 won the US$ 80,000 Deutsche Bank Urban Age Award.

The award was to be announced in the presence of mayor Eduardo Paes, during a fancy ceremony and celebration at the Palácio da Cidade, in October 2013, during the Urban Age Conference — organized by the London School of Economics with support from Rio’s City Hall. At the last moment however, strangely, this was all canceled. Two months later, the winning project was announced during a discreet ceremony.

As is the case with other removals, Vila Autódromo had its homes marked in spray-painted letters and numbers and has put up with unkept promises, pressure and negotiations, lack of reliable information and now, demolition machinery and lots of dust.

In August 2013, during a meeting with residents, the mayor admitted the process left much to be desired. He said he’d consider the possibility of letting them stay in their homes at Vila Autódromo, until then set aside as an area where construction was not to be permitted, over part of which the dedicated bus lanes of the Transolímpico BRT are supposed to pass.

Social issues carry a great deal of weight for those who organize Olympic Games, so much so that in 2012, London reurbanized a downtrodden section of the city where the event was held. So far, there is no sign that the International Olympic Committee has demanded the removal of Vila Autódromo, in any sort of bid to clean up the Park surroundings.

In the film “Se essa vila não fosse minha”, there’s a great deal of talk about “real estate speculation”. It’s an unhelpful term that introduces a vague notion of a person or company that buys land to wait until it increases in value.

Vila Autódromo’s land belongs to the state of Rio de Janeiro and is today part of a region undergoing rapid development, in large part due to the selection of Barra da Tijuca as the Games’ central location. Nearby, the developer Carvalho Hosken and construction company Odebrecht are building the enormous neighborhood-development called Ilha Pura (Pure Island), whose upscale 32 buildings will house the athletes. Carvalho Hosken, Odebrecht and the consrtruction company Andrade Gutierrez form the consortium that’s  building the Olympic Park.

Mayor Eduardo Paes knows the region well. It’s where he worked as sub-mayor from 1993 to 1996, named to the post by then-mayor César Maia. That job launched the young man’s political career. At 27, Paes was the most-voted city councilman, in 1996.

For his last election, to a second term as mayor, in 2012, some of the companies that made donations to his campaign were Banco Itaú-Unibanco, Barra Shopping, Coesa Engenharia (which makes urban equipment), Ambev, Schincariol — and Carvalho Hosken, whose founder and president, Carlos Fernando de Carvalho, was part of the  2009 Rio de Janeiro delegation to Copenhagen to present what turned out to be the city’s winning candidacy for the 2016 Olympics.

Other companies may have donated funds to Paes’ current political party, the PMDB, to be passed on to several political campaigns.

Up to now, City Hall hasn’t said what exactly, if anything, will occupy the space that used to be Vila Autódromo, once all the residents are gone (which should be soon; Felipe Pena’s film shows the Secretaria Municipal de Obras demolishing empty homes and damaging those of folks who chose to stay).

In the photo above, readers can see that residential buildings already exist close to the Vila.

“We’re standing on magnates’ parking garages,” comments a Vila Autódromo resident in the movie, amid rubble left by city workers.

Every city changes and undergoes population shifts. Every demolition causes change and suffering. This is what the documentary shows.

“Democracy for the rich,” says one resident.

As a gringa, I’ve always heard the saying that has guided many an athlete, coined by American sportswriter Grantland Rice: “It’s not whether you win or lose, it’s how you play the game”.  But it could turn out, for the Marvelous City as Olympic host, that another quote is more appropriate — the one from football coach Vince Lombardi: “Winning isn’t everything; it’s the only thing.”

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“Either we transform the police or shut down everything, lock it all up and throw the key in Guanabara Bay”

Tirando a armadura?

Removing the armor? (Rio police symbol)

These were the words of the just-appointed interim commander of the Military Police, colonel Íbis Silva Pereira, in an interview yesterday with O Globo newspaper.

After years of investment in reforms that many observers find insufficient, the statement can only be seen as both an unburdening and a gamble, both regarding the core of the city’s turnaround. Without public safety, nothing in Rio has value, ultimately, for anyone.

Para Ou a gente transforma a polícia ou fecha tudo tranca e joga a chave na baía de Guanabara, clique aqui

In Brazil, police forces, traditionally divided up by task and partially militarized, find difficulty in working together to solve and bring down crime. They also have little experience with on-the-spot responsibility and decision-making.

A report just issued by the Forum Brasileiro de Segurança Pública (Brazilian Public Safety Forum) found that the cost of violence comes to six percent of national GDP  — and that nationally, Brazilian police killed more people in five years than American police did, in 30.

It’s hard to say why the newspaper didn’t give more play to the colonel’s statement. He’s on the job until January, when he becomes chief of staff for Colonel Alberto  Pinheiro Neto, who’ll then take up the post of commander.

Public safety specialists were pleasantly surprised by Silva Pereira’s appointment. He himself, some say, was thinking of leaving the force soon. He represents an embattled reformist school that values human rights and community policing, in conflict with a deeply-rooted war on crime, in a context of worrisome police corruption.

The new commander’s approach springs from a previous reform attempt in the 1980s, under the command of Colonel Carlos Magno Nazareth Cerqueira, when Leonel Brizola governed the state of Rio. In 1999, Cerqueira was shot dead in the lobby of a building near the Santos Dumont airport — allegedly by a military police officer.

Silva Pereira told Globo that he intends to change the military police statute, which dates to 1981, “to aproximate or perhaps even equal, the speed at which punishment and expulsions for transgressions occur for soldiers and officers. We propose that the exclusion procedure be the same for all”.

He has already appointed Colonel Wolney Dias to the position of Military Police Director for Internal Affairs, with the goal of “bringing Internal Affairs closer to other agencies, such as the Public Safety Secretariat’s Intelligence Department, the Unified Internal Affairs Office — and civil society groups”.

This sounds quite reasonable.

Silva Pereira said that Dias will also oversee police work and the degree to which police rights are met, such for as vacation and days off.

The interim commander proposes the creation of a drug prevention program in UPP (pacified) favelas and a partnership with the Guarda Municipal to patrol the streets of formal areas of the city.

Only the future can tell how much of a welcome such practicality will receive in Military Police battalions.

 

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“Ou a gente transforma a polícia ou fecha tudo, tranca e joga a chave na baía de Guanabara.”

Tirando a armadura?

Tirando a armadura?

Assim falou o recém nomeado comandante interino da Polícia Militar, o coronel Íbis Silva Pereira, em uma entrevista com o jornal O Globo, ontem.

Depois de anos de investimento em reformas que, para muitos, deixaram a desejar, trata-se de um grande desabafo e uma grande aposta, ambos focados no âmago da transformação da cidade. Sem segurança pública, nada no Rio vale a pena — para ninguém.

As polícias brasileiras, compartmentalizadas por tarefa e parcialmente militarizadas, têm dificuldade em trabalhar em conjunto para solucionar crimes e reduzir as estatísticas. Também têm pouca experiência com a responsabilidade individual e a tomada de decisões.

Um relatório divulgado nesses dias pelo Forum Brasileiro de Segurança Pública alertou que o custo da violência chega a quase seis porcento do PIB — e que, em todo o país, A polícia brasileira matou mais gente em cinco anos do que fez a polícia norte americana em trinta.

É difícil saber porque o jornal não tenha dado mais destaque à declaração do coronel, que fica no cargo até janeiro, quando deve se tornar chefe de gabinete do também coronel Alberto  Pinheiro Neto, que então assumirá o cargo de comandante.

Especialistas da área de segurança pública vêem a nomeação de Silva Pereira como uma surpresa agradável. Ele mesmo, comentam alguns, cogitava deixar a corporação em breve, pois representa a linha reformista que preza os direitos humanos e o policiamento comunitário, linha que estaria em conflito com uma filosofia bem arraigada de guerra contra o crime, num contexto de níveis preocupantes de corrupção policial.

A linha do novo comandante tem base numa tentativa anterior de reforma, nos anos 1980, durante o comando do coronel Carlos Magno Nazareth Cerqueira, quando Leonel Brizola era governador do estado. Cerqueira foi assassinado em 1999 no saguão de um prédio perto do aeroporto Santos Dumont — supostamente por um policial militar.

Silva Pereira disse ao Globo que pretende mudar o estatuto da PM, que data de 1981, “para aproximar ou, até mesmo, igualar a rapidez para punições e expulsões entre oficiais e praças, em caso de transgressões. A proposta é que o ritual de exclusão seja único, com os mesmos prazos e recursos”.

Ele já nomeou o coronel Wolney Dias para o posto de corregedor da PM, com o objetivo de de “aproximar a Corregedoria da PM de outros órgãos — como a Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança, a Corregedoria Geral Unificada (CGU) — e de entidades da sociedade civil”.

Parece uma ideia sensata.

Disse Silva Pereira que Dias também irá fiscalizar o trabalho de policiais e o cumprimento dos direitos deles, como férias e folgas.

O comandante interino propõe a criação de um programa de prevenção do uso de drogas em favelas com UPPs e o patrulhamento de ruas nas áreas formais da cidade em pareceria com a Guarda Municipal.

Resta saber se tanta praticidade encontra acolhimento nas batalhões da Polícia Militar.

 

 

 

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Sixth Military Police commander since 2006

Neat formation

Ever-changing lineup

Tough job

José Mariano Beltrame announced yesterday the fifth change in command of Rio’s Military Police since he began racking up his own record seven-plus years as state public safety secretary, in 2007.

Para Assume o sexto comandante da Polícia Militar desde 2006, clique aqui

Beltrame said that as of January the new commander will be Colonel Alberto Pinheiro Neto, former BOPE (elite squad) commander, who leaves his post as head of TV Globo’s security force to return to active PM duty. From now until January Colonel Íbis Silva Pereira will run the Military Police and then become Pinheiro Neto’s chief of staff.

José Luis Castro Menezes is the departing commander, defenestrated (with a slight delay due to the elections) by  a corruption crisis — affecting top Military Police echelons — that broke in September.

The reasons for the parade of commanders over the 47,000 men and women of the Military Police reveal the troubled institution’s greatest challenges. Previous substitutions took place because of a lack of adequate control over troops; alleged incompetence in policing the 2013 street demonstrations; a fatal personnel choice; and apparent difficulty in modernizing the force.

Beltrame’s continued supremacy, as determined by reelected governor Luiz Fernando “Pezão” Souza, indicates confidence in his ability to still try and get management of the Military and Civil Police forces right, despite enormous problems.

This time, the Silva Pereira/Pinheiro Neto duo may be a good cop/bad cop approach. Until the Brazilian police undergo deep reform, including demilitarization, which requires constitutional change, administrators will have to perform the acrobatic feats of conducting the transition from a war on crime to crime prevention, keeping order in the ranks, and reducing corruption. Plus the additional task of hosting the Olympics with full, just security.

humanist and Foucault reader, Silva Pereira admires Carlos Magno Nazareth Cerqueira, community policing pioneer assassinated in 1999. He plans to make the police more agile, modernize work conditions and deepen the fight against corruptionPinheiro Neto is a specialist in management and operations planning, and headed up the Complexo do Alemão occupation.

According to specialists, paramilitary gangs have been moving away from direct roles in state and Rio city politics to focus on getting rich on their illegal activities. They are said to be collecting fees during normal police shifts, in uniform and driving police vehicles.

The September crisis, which involves the suspicion that bribes and payoffs were shared at various levels of the police hierarchy, suggests that corruption is more common than many of us would have liked to believe. Indirectly, the accusations that have appeared in testimony given by former Petrobras director Paulo Roberto Costa and a black market dollar dealer in a kickback scheme at the oil company and among politicians reinforce the sense that integrity is scarce among Brazilian officials, in and out of uniform.

If Secretary Beltrame stays until the end of Governador Pezão’s term, he’ll be sitting in his office atop the Central do Brasil train station for another four years. Who knows how many more Military Police commanders we’ll see in that time?

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Assume o sexto comandante da Polícia Militar desde 2006

Neat formation

Nem tão certinhos

Cargo árduo

O secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, anunciou hoje a quinta substituição no comando da Polícia Militar durante a permanência recorde dele mesmo no cargo, desde 2007.

Disse que o novo comandante, a partir de janeiro, será o coronel Alberto Pinheiro Neto, ex comandante do BOPE que sai da chefia de segurança da TV Globo para retornar à ativa. Até janeiro, o coronel Íbis Silva Pereira comandará a PM, para então assumir o cargo de chefe de gabinete de Pinheiro Neto.

Quem sai do cargo é José Luis Castro Menezes, defenestrado (com um certo atraso por causa da eleição) por uma crise de corrupção — atingindo a cúpula da PM — que estourou em setembro.

Os motivos pelo desfile de homens que já comandaram os 47 mil homens e mulheres da PM revelam os maiores desafios à mão. As trocas  anteriores acontecerem por causa de uma falta de controle adequado das tropas; suposta incompetência no policiamento durante os protestos de 2013; uma escolha fatal de recursos humanos; e aparentes dificuldades com a modernização da polícia.

A manutenção de Beltrame no cargo de secretário, por parte do governador reeleito Luiz Fernando Souza, o Pezão, indica confiança na capacidade dele ainda acertar, apesar das enormes dificuldades, na administração da Polícias Militar e Civil.

Desta vez, a dupla Silva Pereira/Pinheiro Neto talvez seja uma receita good cop/bad cop (tira bom/tira mau), personagens dos clássicos filmes policiais norte americanos. Enquanto a polícia brasileira não passa por uma reforma profunda, incluindo a desmilitarização, a partir de mudanças constitucionais, será justamente necessário fazer o malabarismo de conduzir a transição entre a guerra ao crime e a prevenção do crime, manter a ordem militar e reduzir a corrupção entre o efetivo. Há ainda o desafio de receber os Jogos Olímpicos de 2016 com segurança plena e justa.

Humanista, leitor de Foucault, Silva Pereira admira Carlos Magno Nazareth Cerqueira, pioneiro de policiamento comunitário assassinado em 1999. Pretende agilizar a PM, modernizar estruturas e aprofundar o combate à corrupçãoPinheiro Neto é especialista em gestão administrativa e planejamento operacional e esteve à frente da ocupação do Complexo do Alemão.

De acordo com especialistas, as milícias, hoje um tanto afastadas de papeis diretos na política estadual e municipal da capital, estão focadas no enriquecimento pelos seus negócios ilícitos e estariam trabalhando durante o expediente normal do policiamento da região metropolitana, fardados e motorizados em viaturas policiais.

A crise de setembro, que envolve a suspeita de que as propinas e extorsões eram compartilhadas em diferentes níveis da polícia militar, sugere que a corrupção é mais comum do que muitos de nós teriam gostado de acreditar. Indiretamente, as denúncias que aparecem nos depoimentos do ex diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e de um doleiro envolvido num esquema de superfaturamento e propinas na empresa e entre políticos reforçam a sensação de escassa probidade entre autoridades brasileiras com e sem fardo.

Se o secretário Beltrame ficar até o fim do mandato do governador Pezão, estará trabalhando no gabinete acima da Estação Central do Brasil por mais quatro anos. Resta saber quantos comandantes da Polícia Militar teremos nesse tempo.

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Pacificação: acertar, agora ou nunca

Repressão à violência renovada, atendimento de necessidades sociais

Fez a parte dele, diz

Ele fica

O jornal O Globo divulgou ontem que José Mariano Beltrame, secretário estadual de segurança pública, está definitivamente confirmado no cargo, no governo do recém reeleito governador, Luiz Fernando Souza, o Pezão.

For Pacification: get it right now or never, click here

De acordo com o jornal, Beltrame está finalizando um relatório sobre a reformulação das 38 UPPs da cidade, e irá “redimensionar” o programa, “dando a entender que agregará ações sociais e reforçará equipes”. O governador, que falou em “solidificar” a pacificação, disse que logo será estendida para além do Rio de Janeiro propriamente dito, para as cidades vizinhas de Niterói e São Gonçalo. Disse também que espera trabalhar em conjunto com a Polícia Federal para combater a entrada de drogas e armas no estado e terá um encontro em breve com a presidente reeleita, Dilma Rousseff, e seu ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para buscar mais recursos federais direcionadas à segurança pública.

Já houve vários momentos-chave da pacificação, mas esse parece ser o mais crucial desde o início do programa, em 2008. Com a Copa do Mundo e as eleições fora da pauta diária, Beltrame e Pezão agora podem focar nos desafios mais profundos do policiamento e da integração das partes formais e informais da cidade — na janela relativamente curta que nos resta, antes do começo dos Jogos Olímpicos de agosto de 2016.

Tiroteios nos últimos dias no Complexo da Maré, com duas mortes oficiais, demonstram a dificuldade contínua que se enfrenta, na tentativa de diminuir a violência, em muitas partes da cidade. Uma incursão policial ontem de manhã na Rocinha (e uma ação simultânea para ocupar parcialmente o Morro do Banco, na Zona Oeste, refúgio para alguns traficantes da Rocinha) pareciam indicar uma estrategia de melhorar  o controle policial de algumas áreas (semi) pacificadas. O Complexo do Alemão é outro local problemático, entre outros. Após uma queda, a violência aumentou a partir do ano passado, afetando diretamente tanto moradores de favelas como policiais, alimentando dúvidas sobre o impacto e o futuro da pacificação.

No mês de setembro houve uma queda na taxa de homicídios, comparado com o mesmo período de 2013. Trata-se de a menor taxa deste ano; não se sabe ainda por quais motivos a queda aconteceu, mas pode ter sido um reflexo do momento eleitoral.

A corrupção policial nos níveis mais altos está fora do noticiário desde setembro, quando mais de vinte policiais militares, entre os quais um oficial do topo do comando, foram presos, acusados do que se poderia chamar, enfim, de atividade miliciana. Apesar da responsabilidade final pela corrupção policial residir na cadeira do Beltrame, o mandato renovado dele (após um recorde de mais de sete anos no cargo) pode ser entendido como reconhecimento que, mesmo que ele tenha falhado nessa área, trata-se de uma tarefa herculeana.

[ATUALIZAÇÃO 7 nov.] Esperava-se que o Beltrame anunciava hoje a troca de comando da Polícia Militar, entre outras medidas.

Um livro recém publicado, Os Donos do Morro, avalia o impacto da pacificação nos primeiros anos. As conclusões e recomendações são as de um estudo publicado há dois anos — a maioria das quais nunca se concretizaram.

No fim das contas, a polícia do Rio, comprometida pela corrupção (e a ideia, tão comum aqui, de que os mercados são oportunidades a serem agarradas antes que mais ninguém o faça), está em transição entre (ou hesitando?) lutar contra crimes de drogas e servir às necessidades de segurança pública dos moradores de favela. E tal transição, como o Beltrame bem sabe, é cheio de percalços.

Segue o que os autores de Os Donos do Morro — Ignacio Cano, Doriam Borges e Eduardo Ribeiro — ainda acham que deve ser feito:

1) utilizar taxas locais de homicídio para decidir onde criar UPPs

2) padronização de critérios e procedimentos para todas as UPPs

3) melhoras nas condições de trabalho e pagamento de policiais

4) treinamento mais prolongado e melhor

5) metas de redução de violência policial para reforçar a legitimação interna da pacificação

6) repensar a guerra às drogas e aos inimigos relacionados a elas, nas favelas

7) fortalecimento da participação comunitária nas áreas de UPP

8) promoção de mecanismos para processos decisórios comunitários, em casos de conflitos locais

9) promover participação política e relegitimar estruturas de representação comunitária

Convite a todos

Os leitores são convidados ao lançamento de Palavra de Gringo, uma coletânea de textos sobre o Brasil, escritos por jornalistas estrangeiros, publicada pela editora Língua Geral: 13 de novembro, Livraria da Travessa em Ipanema, 19 hs.

Esta blogueira escreveu sobre seus 33 anos de experiência com empregadas e outros funcionários domésticos — um exercício para pensar as mudanças socioeconômicas e os desafios que elas nos apresentam hoje. Veja um gostinho do texto aqui.

comedia mundana martins fontes

 

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