Os 450 anos do Rio de Janeiro: pouco para comemorar, muito por fazer

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Esses jovens, que dançaram ano passado no festival Favela em Dança, talvez estejam entre aqueles que irão pressionar os governos para que cumprem promessas e deveres

Como podemos ajudar?

Se manter a par com o Rio de Janeiro é como entrar no Jogo da Memória, a brincadeira de fazer pares de cartas, de um baralho. Vire uma, vire outra: não fez o par, vire-as de volta. Enquanto o parceiro tiver sua vez e você virar mais cartas, tente de se lembrar das localizações delas. De novo, e mais uma vez.

Agora faça isso enquanto está criando filhos, cuidando de pais idosos, trabalhando, enfrentando a hora do rush…

For Rio de Janeiro’s 450th birthday: not much to celebrate,  lots to do, click here

Acontece tanta coisa, com tantos jogadores e tanta história do passado. Quem consegue lembrar de tudo? E agora, com a desaceleração da economia, a seca das reservas de água e o enxugamento de orçamentos no Rio, não é fácil descobrir como chegamos aqui (exceto o fator óbvio da queda dos preços de petróleo e a incapacidade brasileira de investir em fontes alternativas de energia) nem, mais importante, como andar para frente.

Muitos cariocas e fluminenses têm a impressão de que não há nada que possam FAZER, ao passo que os interesses empresariais e de turismo tomam conta de partes da metrópole, o crime reacende, cresce o desemprego e os políticos não mudam de comportamento.

Temos que achar meios de manter todas aquelas cartas em nossas mentes, de fazer os pares: prestarmos atençao e levantarmos a voz.

(Lembre, quando você se sentir triste demais, como já indiquei, de um importante elemento de salvação: as pessoas que deixaram a pobreza durante a última década, mesmo que elas percam renda, já sentiram o gosto de serem cidadãos plenos. Não irão largar a nova ideia que desenvolveram de si mesmos. Nenhum de nós pode esquecer de nossos papéis de cidadãos. Precisamos e queremos uma cidade saudável, com boas escolas, moradia, sistemas de transporte, saúde e segurança pública.)

Por onde erramos? 

Há décadas, o urbanista Lúcio Costa criou um plano para a Barra da Tijuca. Incluía a preservação do meio ambiente. Infelizmente, esse aspecto ficou de fora — no calor do entusiasmo dos empreendedores imobiliários, enquanto os cariocas fugiam dos bairros tradicionais da ex-capital decadente e dava-se carta branca ao motorista de automóvel.

O Rio fez vista grossa ao axioma do urbanista, de que uma cidade com saúde financeira e sociológica é uma cidade densa, que permite que diferentes tribos possam se encontrar e se misturar, no trabalho, no lazer e ao se movimentar por ela. Fixamos os Jogos Panamericanos de 2007, e depois os Jogos Olímpicos de 2016, nos espaços vazios da Barra da Tijuca — que, desde os tempos de Lucio Costa, se tornou uma região de condomínios fechados, dependentes do automóvel, que lançam esgoto para todas suas águas.

Espraiamento urbano é o nome para aquilo que os políticos do Rio de Janeiro, inclusive o prefeito atual Mayor Eduardo Paes, presidente do conceituado C-40 Climate Leadership Group (Grupo de Liderança Climática das Grandes Cidades) encorajaram. Espraiamento urbano não é economicamente eficiente nem é inevitável.

Incapazes de manter todas as cartas nas nossas mentes, embalados pela ideia de que devemos preencher as necessidades de transporte dos que já moram na Zona Oeste, deixamos que as nossas autoridades construíssem um túnel para Guaratiba, estendessem o Metrô na mesma direção, e fizessem BRTs para conectá-la ao resto da cidade. Parecia tão normal, a expansão.

E daí, se a virada do Rio de Janeiro juntava bilhões para empreiteiras e empreendedores imobiliários? — enquanto as águas da Barra e da baía de Guanabara continuam poluídas e um quinto da população da cidade do Rio ainda habita casas abaixo do nível da moradia formal.

A mobilidade seria o legado olímpico.

Então por que, dois anos depois de enormes manifestações de rua, provocadas por um aumento de tarifa de ônibus, falta ainda cobertura adequada na Zona Norte (com ônibus demais na Zona Sul), e não temos ainda frotas plenamente munidas de ar condicionado e de GPS, com motoristas adequadamente treinados (conforme especificado nas concessões de vinte anos, outorgadas em 2010)? Por que não sabemos ainda os custos e receitas reais das empresas de ônibus? Por que a CPI da Câmara dos Vereadores não andou?

E qual o motivo dos acidentes de trem e ônibus? Como é que o Metrô atrasa tanto?

Alguém calculou o custo dos longos trajetos das novas alternativas de transporte? O custo de coletar o lixo da população da Zona Oeste que só cresce, atraída pelo brilho olímpico? De prover todos os serviços municipais e estaduais para uma população espraiada numa área vasta da cidade?

Houve amplo debate sobre locais alternativos para sediar os Jogos — ou alguma reflexão sobre a possibilidade de gerenciar o crescimento pela densificação da cidade?

Por tempo demais, não fizemos perguntas suficientes. O que aconteceu à promessa do Morar Carioca, de que todas as favelas do Rio seriam urbanizadas até 2020?  Com sua blogueira já ponderou, à luz do escândalo de corrupção Lava-Jato, pode ser que as muitas obras dos quarenta projetos propostos teriam demandado tamanha fiscalização e governança  — de urbanistas, engenheiros arquitetos e moradores– que teria sido impraticável superfaturar contas e realizar outras formas de corrupção que, supostamente, as maiores empresas brasileiras de construção utilizaram nos seus contratos com a Petrobras.

Por tempo demais, confiamos que os outros pudessem pensar por nós. Como aconteceu a pacificação? Um grupo pequeno de pensadores e cidadãos notáveis apresentou a ideia ao então governador, Sérgio Cabral. Houve êxito considerável; mostrou-se um caminho para sair da armadilha da violência onde a cidade, faz tempo, se encontrava. Porém, de novo– não houve diálogo ou participação suficiente, por parte das comunidades pacificadas. Sem participação, o que conseguimos — às vezes –, por meio da ocupação, foi uma queda nos homicídios e nas balas perdidas. Após quase sete anos, enfim, temos a pacificação.2, com uma ótima equipe — e uma crescente preocupação orçamentária.

Os recursos do petróleo, que deixavam tudo parecer tão fácil, vão diminuindo.

Tome parte, aja agora

É muito difícil manter as cartas na memória! No carnaval, ficamos chocados ao saber que a escola vencedora no desfile do Sambódromo teria recebido recursos de uma ditadura de país africano rico em petróleo, supostamente por meio de empreiteiras brasileiras com interesses naquela nação. Então o jornal O Globo nos lembrou de  três processos judiciais em andamento, relacionados com o duvidoso financiamento local das escolas de samba.

É provável, porém, que lembremos disso somente no ano que vem.

Talvez não; você pode se juntar ao secretário executivo do ISER, Pedro Strozemberg, para fazer pressão ao secretário municipal de turismo e ao presidente da liga das escolas de samba, para mudar as regras do desfile, para que seja penalizada qualquer escola que tenha como patrocinador um país ou uma empresa envolvida em corrupção ou violações de direitos humanos. A “panela de pressão” da ONG Meu Rio é uma maneira de contribuir à mudança no Rio; ela já faz muito para acompanhar as atividades da Câmara dos Vereadores e a Assembleia Estadual, a Alerj.

Você também pode participar na Casa Fluminense, uma nova entidade de ativismo e reflexão, que trata das questões urbanas do ponto de vista metropolitano, que é cada vez mais necessário. Dê uma olhada no impressionante site de notícias.

Sem piscar, temos que ficar de olho nas cartas: durante o carnaval, a prefeitura carioca divulgou o local de uma nova rodoviária, em São Cristóvão. Mas veja o que o autor de livros de história best-seller, Laurentino Gomes, diz  sobre a proximidade da rodoviária ao Palácio Imperial do Rio, que já sofre de abandono (enquanto, na área do porto, inauguram-se novos museus “icônicos”). A matéria de O Globo fala da verdadeira necessidade por integração entre ônibus, metrô e trem– mas nem o jornal nem o governo menciona o impacto na região da Quinta da Boa Vista, em termos de trânsito, turismo, meio ambiente ou em qualquer outro aspecto. Aqui você pode ler a reação de um especialista em transporte e aqui  ha informação adicional. Ah, e fique sabendo que trata-se do quartel da antiga cavalaria imperial!

A vigilância nunca é demais. O Rio de Janeiro nos chama para monitorar as obrigações contratuais das concessões de ônibus todo dia. Precisa que publiquemos diariamente as agendas do governador, do prefeito, dos deputados estaduais e dos vereadores municipais — para então checar suas atividades verdadeiras. E muito mais. Porque, infelizmente, tais atividades, aparentemente, raramente objetivam o bem comum– algo que apenas nós, juntos, podemos identificar e comunicar.

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Rio de Janeiro’s 450th birthday: not much to celebrate, lots to do

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These young people, dancers at the Favela em Dança festival last year, may be among those who pressure governments to come through on promises and duties

What can we do?

Keeping up with Rio de Janeiro is like playing Concentration, the memory game with pairs of cards. Turn one up, turn another up: no pair, turn them back over. As your partner has a go and then you turn over other cards, try and remember positions. Again and again.

Now do this while bringing up children, caring for elderly parents, working, commuting at rush hour…

So much is going on, with so many players, so much past history. Who can remember it all? And now — with the economy slowing, our water drying up and Rio budgets shrinking — it’s not easy to figure out how we got here (except for falling petroleum prices and Brazil’s failure to invest in alternative energy sources) nor, more important, how to move forward.

Many cariocas feel there is nothing they can DO, as tourism and business interests take over parts of the city, crime returns, joblessness grows and politicians go about business as usual.

We’ve got to find ways to keep all those cards in our minds, to make the matches: be vigilant and speak up.

(Remember, when you feel too sad, as I’ve said before, our one big saving grace: the people who left poverty over the last decade, even if they fall back into it, have had a taste of being full citizens. They won’t let go of their new sense of self. None of us can forget our roles as citizens. We need and want a healthy city, with adequate schools, housing, transportation, health care and public safety.)

What went wrong? 

Decades ago, urbanist Lucio Costa made a plan for Barra da Tijuca. It included environmental preservation. Unfortunately, this went by the wayside — as development there took hold, cariocas fled a decaying ex-capital, and the automobile owner was given carte blanche.

Rio turned a blind eye to the urbanist’s axiom that a sociologically and financially healthy city is a dense city that allows for different folks to meet and mix, at work, at leisure, and as they move around it. We placed the 2007 Panamerican Games, and then the 2016 Olympic Games, in the empty spaces of Barra da Tijuca — which, since Lucio Costa’s time has become an automobile-dependent region of gated communities that spew sewage into its waters.

Urban sprawl is the name for what Rio politicians, including current Mayor Eduardo Paes, president of the prestigious C-40 Climate Leadership group of cities around the world, have fostered. It’s not cost-effective nor is it inevitable.

Unable to keep all the cards in our minds, lulled by the idea that we must meet the transportation needs of those who already live in the West Zone, we allowed government officials to build a tunnel to Guaratiba, extend the Metrô in that direction, and to construct BRTs connecting it to the rest of the city. The expansion seemed so natural. No matter that Rio’s turnaround was making billions for construction companies and real estate developers — while the waters of Barra and Guanabara Bay remained polluted, and a fifth of Rio proper’s population still lives in substandard housing, in favelas.

Mobility would be the Olympic legacy.

So why, two years after massive street demonstrations sparked by a bus fare increase, do we still lack adequate coverage in the North Zone (and too many buses in the South Zone), and still don’t have fully air-conditioned and GPS-equipped fleets, with suitably trained drivers (as specified in the 20-year concessions awarded in 2010)? Why do we still not know the real costs and revenues of the bus companies? Why did the city council investigation of these come to a halt?

Why the train wrecks and bus accidents? Why does the Metrô delay so much?

Did anyone calculate the cost of the long passenger rides that the new mass transit alternatives will soon afford us? The cost of picking up the trash of a West Zone population that’s been increasing, attracted by the Olympic glow? Of providing all city and state services to a population spread out over a vast area?

Was there broad debate about alternative locations for hosting the Games — or thought about managing urban growth by way of densification?

For too long, we haven’t questioned enough. What happened to the promise of Morar Carioca, that all Rio’s favelas would be brought up to code by 2020?  As this blogger has mused before, in light of the Lava-Jato corruption scandal, perhaps the myriad works of the 40 proposed projects involved a degree of oversight — from planners, engineers, architects and community members– that could have hindered the padding of bills and other corrupt practices which Brazil’s top construction companies are now alleged to have carried out with Petrobras.

For too long, we’ve trusted others to think for us. How did pacification come about? A small group of thinkers and notable citizens presented the idea to then-Governor Sérgio Cabral. It met with considerable success and showed a way out of the trap of violence the city had long been stuck in. But, again– there wasn’t sufficient dialogue or participation, for the pacified communities themselves. Without participation, what we got — sometimes — was a drop in stray bullets and homicides, by way of occupation. After almost seven years, we’ve at last got pacification.2, with a great team — and concern over the state budget.

The oil money, which made everything look so easy, is drying up.

Take part, act now

Those memory game cards are so tough to keep in mind! At Carnival, we were all shocked to discover that the winning samba school, Beija Flor, was said to be funded by an oil-rich African dictatorship, allegedly by way of Brazilian construction companies with interests in that nation.  Then the O Globo newspaper reminded us of three ongoing court cases regarding dubious samba school financing right here at home.

We’ll probably forget all about this, though, until next year.

Maybe not; you can join ISER‘s executive secretary, Pedro Strozemberg, in pressuring Rio’s municipal tourism secretary and the president of the samba school league to change the competition rules so as to penalize schools sponsored by countries or companies that engage in corruption or human rights violations. Meu Rio‘s pressure cooker is just one way of helping change along in Rio; the NGO has done much to track the activity of Rio’s city council and its state legislature.

You can also participate in the Casa Fluminense, a new think-and-do-tank that approaches urban issues from the ever more necessary metropolitan angle. Take a look at its impressive news site.

We have to keep our eyes on those cards, unblinking: during the Carnival festivities, City Hall announced the location of a new bus station, in São Cristóvão. But just look what best-selling historian Laurentino Gomes has to say about the station’s proximity to Rio’s Imperial Palace, which already suffers from neglect (while new “iconic” museums open in the port area). The Globo report discusses the true need for bus integration with metro and rail service, but neither the paper nor government officials mention the impact on the Quinta da Boa Vista neighborhood, traffic, touristic, environmental or otherwise. Here you can see the reaction of a transportation specialist and here is additional information. Oh, and by the way, the site is the imperial cavalry barracks!

One can never be too vigilant. Rio needs us to monitor the bus concessions’ contractual obligations every day. It needs us to publish the daily agendas of the governor, mayor, state legislators and city council members — and then check up to see what they’re really doing. And much more. Because, most unfortunately, their activities seem rarely to focus on the common good– something that only we, all together, can identify and communicate.

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Carnival 2015: whose city is it?

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Future políticians?

It’ll be a mighty Lenten season, in Rio and the nation overall

The question is part of life in any tourism destination: to whom does our metropolis belong? Each city works the visitor/local equation every day, constantly. Of course the same is true here in the Marvelous City, where street Carnival and tourism grow with every passing year.

Para Carnaval 2015: a cidade pertence a quem? clique aqui

Government responses also increase, with an ever-larger number of porta-potties and all sorts of monitoring. Rio planned for almost 50,000 police officers on patrol, just about the total military police force.

We don’t yet have final tourism figures, but a million people were expected, up 9% from 2014. At the port, more cruise liners docked than ever before, and the hope was that the visitors would spend some US$ 7 million, equivalent, in total. The 456 street parades and parties prepared for a total of five million partiers.

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Zona Sul  supermarket sells to any vendor, legal or not…

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… many of whom don’t go home to sleep during the festivities

Despite government promises of better monitoring of Carnival behavior, this year’s street Carnival seems to have been one of the most difficult in recent years. Yes, we had more tourists and more revenue, but we also got chaos. A neighborhood association plans to discuss Carnival effects and results in Ipanema with the state prosecutor’s office next month.

There are many stories of gang crime and robberies during the street parades and parties, snarls at the bus station, street vendors camping out on  Zona Sul beaches and sidewalks, trash, stench, horrible accidents and the fatal stabbing of a German tourist on Rua Uruguaiana, downtown.

Though City Hall required that Ambev, the beer and soft drinks manufacturer sponsoring street Carnival, license vendors selling beer, Brazil’s classic informality coexisted with this system. One supermarket belonging to the “Zona Sul” chain sold exclusively to licensed vendors; another, much bigger one, sold to anyone.

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A healthy mix: the South Zone also belongs to the West  Zone, origin of the custom of dressing up at Carnival as a Clóvis, or “Bate-bola”

Sponsorship is falling off, generally speaking, perhaps as a result of the economic situation affecting the country and Rio’s metropolitan region, which is quite dependent on the oil and gas sector, assailed by its worst crisis ever.

Perhaps economic hard times will in future put revelers’ feet more firmly on the ground, bringing back a more democratic and authentic Carnival. This year, for the first time,  you could buy a ticket to a box seat, previously the domain of corporate and government guests. On the other hand, however, traditionalists lament that between samba schools, some Sambadrome boxes, or camarotes, were playing funk music.

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A solution to surreal prices

Carnival is a great way to forget crises, but it’s also an occasion to joke about sad aspects of reality. In this video, a fictitious samba school sings about several truths. The fact that Globo TV, the media which most exalts and profits from Carnival, produced the video, is definitely in the spirit of the season when everything is meant to turn upside down and inside out.

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Pure happiness still exists

Many cariocas who stayed in the city during Carnival are wondering if the time has come, since it seems impossible to suitably manage the partying, to reduce or centralize all the street activity. However, given the investments of Ambev and the Dream Factory, (an events organization company belonging to the creator of Rock in Rio, Roberto Medina), it won’t be easy to change the festival’s upward spiral.

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What’s up next?

This blogger confesses to a certain Scrooginess about Carnival this year. It was impossible to forget the drought affecting Brazil’s southeast, with politicians shrugging off the responsibility of leading with vision. How could one dress up and dance when our water is running out — with possibly drastic effects on the country’s energy supply?

It seemed quite fitting, that Ash Wednesday’s vote selected Beija-Flor as the winning samba school in the Sambadrome parade: the school is reported to have been financed by the dictator of Equatorial Guinea, by way of Brazilian construction companies doing work there — some of the same ones cited in the Lava-Jato corruption scandal now under investigation.

One samba school got the picture. Mocidade Independente de Padre Miguel created a parade about the end of the world. But no worries, dear reader: the focus, Brazilian style, was on how to make the most of one’s last day on earth.

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Carnaval 2015: a cidade pertence a quem?

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Futuros políticos?

Será um quaresma e tanto, no Rio e em todo o país

A pergunta faz parte da vida em qualquer cidade turística: a quem pertence nossa metrópóle? Cada cidade vai trabalhando a equação visitante/morador, todo dia, toda hora. Não seria diferente aqui na Cidade Maravilhosa, onde o Carnaval de rua e o turismo crescem com cada ano que passa.

A resposta governamental também cresce, com um número sempre maior de banheiros portáteis e fiscais de todo tipo. O Rio estava programado para ter um policiamento de quase 50 mil homens e mulheres, praticamente o efetivo total da polícia militar.

Não sabemos ainda o número total de turistas carnavalescos, mas esperava-se um milhão, mais 9% do que em 2014. No porto, mais navios transatlânticos do que nunca, e a esperança de que os marmanjos de fora gastassem uns R$ 20 milhões, total. Os 456 blocos quer iriam para as ruas aguardavam um total de cinco milhões de foliões.

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O supermercado Zona Sul vende para ambulantes de todo tipo…

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… muitos dos quais não dormem em casa durante os festejos

Apesar de promessas, por parte dos governantes, de maior fiscalização e atenções redobradas, parece que esse Carnaval — de rua– foi um dos mais difíceis. Recebemos turistas e renda a mais, sim, mas ganhamos o caos também. Uma associação de moradores pretende fazer um balanço do Carnaval em Ipanema ao Ministério Público, mês que vem.

Há relatos de arrastões e assaltos, generalizados durante os blocos, de caos na saída da rodoviária, de acampamentos de vendedores ambulantes nas praias da Zona Sul, lixo, fedor, acidentes horríveis e o esfaqueamento mortal de um turista alemão na rua Uruguaiana, centro da cidade.

Enquanto a prefeitura requereu que a Ambev, patrocinadora do Carnaval de rua, credenciasse os ambulantes para vender a cerveja dela, coexiste a clássica informalidade brasileira. Uma filial do supermercado Zona Sul vendia exclusivamente para os credenciados; outro, bem maior, vendia, e muito, para qualquer um.

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Mistura saudável: a Zona Sul também é da Zona Oeste, de onde vem o costume de se fantasiar de Clóvis, ou “bate-bola”, no Carnaval

De maneira geral, o patrocínio em si está minguando, talvez como reflexo da situação econômica do país e da região metropolitana do Rio, muito dependente no setor de petróleo em gás, que passa pela pior crise de sua existência.

Possivelmente, a dureza econômica acabe por colocar os pés dos foliões mais firmemente no chão, levando a um Carnaval mais democrático e autêntico. Pela primeira vez, neste ano, era possível comprar ingressos para um camarote, antes restrito a convidados de empresas e governos. Por outro lado, lamentam tradicionalistas, havia camarote tocando música funk, entre desfiles.

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Uma solução aos preços abusivos

Carnaval é bom para esquecer de crises, mas é também uma ocasião para brincar com tristes realidades. Neste vídeo, uma escola de samba fictícia canta algumas verdades. É bem no espírito momesco que tenha sido produzido pela rede Globo, a mídia que mas enaltece e lucra com o Carnaval.

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Alegria pura ainda existe

Muitos cariocas que ficaram na cidade durante o Carnaval perguntam se não está na hora, já que parece impossível administrar adequadamente os festejos, de diminuir ou centralizar as atividades de rua. Diante dos investimentos da Ambev e da Dream Factory, (empresa de organização de eventos qu pertence ao criador do Rock in Rio, Roberto Medina) porém, não será fácil mudar a trajetória da festa, de crescente participação, com tudo de bom e ruim que isso nos traz.

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E agora, o que vem por aí?

Sua blogueira confessa um certo estado rabugento, no tocante a Carnaval, neste ano. Foi impossível se esquecer da estiagem que afeta o sudeste do país, com políticos se ausentando do mais do que necessário papel de liderança e visão. Como brincar, quando logo pode acabar a água — com efeitos drásticos no quadro energético do país?

[Atualização: Para combinar com o momento, na quarta-feira de cinzas os jurados selecionaram a Beija-Flor como escola vencedora do desfile no Sambódromo: supostamente, a escola recebeu fundos do ditador do Guiné Equatorial, por meio de construtoras brasileiras que fazem obras naquele país — algumas das mesmas citadas no escándalo Lava-Jato, atualmente sob investigação.]

Uma escola de samba entendeu a seriedade da situação. Mocidade Independente de Padre Miguel fez um desfile sobre o fim do mundo. Mas não se preocupe, caro leitor: o foco do enredo, bem no estilo brasileiro de aproveitar a vida, foi o que cada um de nós faria se tivéssemos apenas mais um dia na terra.

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Rio de Janeiro: crise para repensar?

Estrelas dessincronizadas 

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Entulho em Manguinhos, onde a burocracia e a ineficiência obstruem melhorias para quem vive aqui

For Rio de Janeiro: time for a rethink? click here 

Primeiro, as qualidades

  • Acabou o boom imobiliário, abrindo um período no qual podemos respirar e refletir no que seria melhor construir, para todos, nos espaços ainda desocupados da área do porto e na região da Barra da Tijuca.
  • Aqueles que deixaram a pobreza na última década não irão regredir em silêncio. Já sentiram o gosto de serem considerados (e de se considerarem) cidadãos plenos da área metropolitana. De alguma maneira, eles irão exercer pressão.
  • Aumentaram as expectativas de todos, ao passo que os governos começaram a transformar a metrópole.  E nem essas irão regredir.
  • Os Jogos Olímpicos ainda vão acontecer aqui, trazendo saudáveis atenções globais e  receitas de turismo.
  • Os patrocínios do Carnaval cairam, dos níveis do ano passado, —  e começaram as chuvas. Talvez a cidade passe por menos destruição, do que se poderia esperar.
  • Secas, apagões, desemprego, inflação– são fontes de pressão aos políticos, que podem ficar mais sensíveis ao eleitorado. Certamente haverá menos recursos para molhar mãos.
  • O sistema de justiça envia uma mensagem forte, sobre a corrupção, para toda a sociedade, o que pode orientar políticos e autoridades a transitar mais na direção do bem comum e para mais longe de objetivos pessoais e de grupos de interesse.
  • As atenções, enfim, se viraram para a Cedae, a estatal de água e esgoto que, pelos últimos sete anos, escapava à atividade regulatoria, acarreta perdas severas de água e está diante de enormes desafios de saneamento.
  • Caiu a produção de petróleo, e o Brasil poderia começar a investir em fontes alternativas de energia (fora a hidro, até então tão confiável).

Impacto da crise brasileira no Rio

As más notícias remetem ao aquecimento global, ao qual um número insuficiente de nós tem prestado atenção. O Rio não apenas sofre com as questões de água e energia da região sudeste do país, mas deixou que o boom imobiliário da Zona Oeste , estimulado pela escolha da Barra como local principal dos Jogos, acontecesse sem preocupação pelo fato de que é uma região de várzeas, com risco grande de enchentes. Sem falar do avanço dos oceanos, e a poluição da baía de Guanabara e das lagoas da Zona Oeste (que, com a estiagem, só piora). A escassez de água e de energia elétrica poderia levar à agitação social neste ano ou em 2016.

Depois temos a queda no préço de petróleo (e dos outros commodities que alimentavam a economia brasileira). E o colapso da Petrobras, proveniente desse fator externo e, mais perto de casa, da administração falha e da corrupção. O setor de petróleo e gás, centrado no estado do Rio de Janeiro, parou — e é difícil dizer quando irá engrenar novamente. Há demissões, que irão prejudicar toda a economia local.

Caiu a receita fiscal que vinha do setor de petróleo, levando a cortes nos gastos do estado. Bem na hora que as forças policiais do Rio empreendem um programa alentador, para melhorar a pacificação e voltar a reduzir a violência, o recém empossado governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, jura que irá manter os gastos em segurança pública, educação e saúde. Essas prioridades possuem grande importância, face à queda de receita em cidades vizinhas, altamente dependentes em royalties de petróleo, e à paralisação na construção do complexo petroquímico em Itaboraí, a Comperj.

As dificuldades com o petróleo e com a energia, e os aumentos de preço resultantes, levaram a previsões de inflação de 7% no país para o ano. Mais um motivo para a agitação social.

Cresce o crime, com mais roubos de rua (e menos homicídios)balas perdidas. Centenas de policiais patrulham as praias da Zona Sul, nos fins de semana, para manter a paz. Uma equipe nova faz e implementa as políticas públicas da Secretaria estadual de Segurança Pública. Espera-se que possa contar com os recursos necessários e, entre as fileiras, com uma capacidade para mudança.

A participação comunitária aconteceu pouco  durante os anos da virada do Rio, de 2009 a 2013, sendo que a maioria das mudanças veio de cima para baixo. Se o Morar Carioca, o programa municipal que pretendia urbanizar todas as favelas até 2020 (parte do legado olímpico), tivesse realmente tomado vulto, a dinâmica urbana social poderia ter sido mais saudável e melhor para todos. Mas o programa não deslanchou —  e os eventos recentes aqui poderiam, quase, levar à conclusão de que o motivo para isso (nunca enunciado, oficialmente, porque oficialmente, o programa existe sim, de forma reduzida) é que, com centenas de moradores, urbanistas e arquitetos no quadro, Morar Carioca era complexo demais para que as empreiteiras pudessem superfaturar e corromper autoridades, como, supostamente, fizeram no escándalo Lava-Jato da Petrobras.

E temos então a política municipal. O prefeito Eduardo Paes ainda está focado nos preparativos para os Jogos Olímpicos, mas já demanda sua atenção uma eleição marcada para apenas duas semanas depois da disposição da última medalha paralímpica. Paes não pode se candidatar (de acordo com alguns comentaristas, ele mira o posto de governador em 2018 e depois, a presidência), mas para sucedê-lo selecionou o Pedro Paulo Carvalho, seu fiel braço direito, recém eleito ao Congresso (porém de licença, para servir ao prefeito como secretário executivo). Tal sucessão pode requerer a saída do PMDB, que talvez prefira o Leonardo, filho de seu presidente, Jorge Picciani.

Enquanto isso tudo se trama, as mesmas clãs de sempre mandam na política stadual, na Alerj. Também, alguns comentaristas dizem que o nome do governor Pezão está na lista dos políticos corruptos da operação Lava-Jato (junto com aquele de seu predecessor, Sérgio Cabral), que logo será divulgada. Se Pezão sair do cargo, quem ocupa sua cadeira seria o vice-governador, Francisco Dornelles, de 80 anos.

Diante dos males descritos acima, e de tantos outros, está desfeito o alinhamento municipal-estadual-federal, que parecia tão fácil e que deu o pontapé inicial ao surgimento do fênix que foi o Rio de Janeiro, em 2006. Praticamente desfeito também está o próprio governo em Brasília. Não se pode esperar grande coisa de lá: a presidente, Dilma Rousseff, lembrou aos governadores que a escassez de água é problema dos estados (mas não seria global?) e fará o que pode para ajudar. Resta saber se, apesar de cortes em gastos federais, a ajuda de Brasília inclui os recursos do PAC já comprometidos, para projetos tais como saneamento e um teleférico, conectado ao metrô, na Rocinha.

E não vamos esquecer a expectativa geral de que o político carioca, deputado federal Eduardo Cunha, evangêlico e conservador (nunca condenado, porém objeto de indiciamentos por corrupção que se estendem até 1999), eleito no domingo presidente da Câmara, fará o que pode para obstruir as propostas da presidente Dilma. Ele poderia até dar uma mãozinha num impeachment dela, se surgir a oportunidade para tal.
Em 2006, quando a estatal comprou a refinaria Pasadena nos EUA, a um preço supostamente superfaturado, ela era presidente do conselho da Petrobras.

Então?

A amaldição do petróleo parece inevitável. Assim, para o Rio de Janeiro, as males que vieram para o bem, na crise atual, certamente encontram raíz na paralisação do setor. Hoje, com menos petrorreais circulando, pode se mostrar o momento ideal para fazer pressão e planejar por uma metrópole que atende aos sonhos e às necessidades da maioria que aqui vive — em vez de os objetivos de um número seleto de grupos políticos e empresariais.

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Rio de Janeiro: time for a rethink?

Stars out of sync

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Rubble in Manguinhos, where bureaucracy and inefficiency boggle improvement for residents

First, the saving graces

  • The real estate boom has ended, allowing more time to consider what’s best for us all in the still-unbuilt spaces of the port area and in the region centered on Barra da Tijuca.
  • Those who left poverty in the last decade will not quietly slide back into it. They’ve now had a taste of being considered (and considering themselves as) full citizens of the metropolitan area. Pressure will come from them, in some form.
  • Everyone’s expectations have risen, as governments have begun to transform the metropolis. And these aren’t likely to slide back, either.
  • The Olympics will still happen, bringing healthy global attention and tourism revenue.
  • Carnival sponsorship is down from last year and it’s begun to rain. Perhaps the revelry will be less damaging to the city than otherwise.
  • Shortages, unemployment, inflation– these could all put pressure on politicians to be more responsive to voters. Certainly there’ll be fewer funds with which to grease palms.
  • The public spotlight is at last on Cedae, the state water and sanitation company that has eluded regulatory activity for the last seven years, incurs severe water losses and faces enormous sanitation challenges.
  • Petroleum output has dropped, and Brazil could start investing in alternative energy sources (besides hydro, until now so dependable).

Impact of Brazil’s crisis on Rio

The bad news harks back to global warming, to which too few of us have paid attention. Not only is Rio suffering with the water and power issues of the entire Southeastern part of the country, but the West Zone building boom, spurred by the Olympic Games choice of main venue, has gone on with no regard for the fact that it’s set in a flood plain. Not to mention rising sea levels and the polluted Guanabara Bay and West Zone lagoons (which worsens, with the drought). Spotty water and power supply could lead to social unrest this or next year.

Then there are falling oil prices (and those of other commodities that were fueling the Brazilian economy). And the Petrobras meltdown, due to this lone external factor and to local mismanagement and corruption. The oil and gas sector, centered on Rio state, is at a standstill and it’s hard to say when it might gear up again. Layoffs are on and will ripple through the local economy.

Oil and gas tax revenues have dropped, leading to cuts in the state budget. Just as Rio’s state-run police forces embark on a heartening program to improve pacification and bring violence back down, newly-sworn-in Rio Governor Pezão has vowed to maintain public safety, education and health  spending. These priorities are particularly important, given revenue reductions in neighboring cities highly dependent on petroleum royalties, and a construction halt at Petrobras’ Comperj petrochemical complex, in Itaboraí.

The petroleum and power difficulties, with resulting price increases, have led to national projections of 7%  inflation for this year. Another reason for social unrest.

Crime is on the rise, with more street robberies (homicides are down) and stray bullets. Hundreds of cops are posted to South Zone beaches on weekends, to keep the peace. A new team is making and implementing policy at the state Public Safety Secretariat. It’s to be hoped they can count on needed funding and on the police corps’ capacity for change.

Community participation was scanty during the years of Rio’s 2009-2013 turnaround, with most policies coming from the top down. If Morar Carioca, the city program meant to upgrade all favelas by 2020 (part of the Olympic legacy), had fully happened, the urban social dynamic might have been healthier and better for all. But the program never got off the ground —  and recent events here could almost lead one to conclude that the reason for this (never officially given, since officially, the program does exist, in much-reduced form) is that, with local residents, urbanists and architects galore in the picture, Morar Carioca was too complex for construction companies to pad their bills and pay off officials, as they allegedly did in the “Lava-Jato” Petrobras corruption scandal.

And then there are city politics. Mayor Eduardo Paes is still focused on getting Rio ready for the Olympics, but after the Games, in October 2016, he also has a mayoral election to think about. Paes can’t run again (he’s reportedly aiming for governor in 2018 and president after that), but has a candidate lined up, Pedro Paulo Carvalho, his longtime right-hand man, recently elected to Congress (but on leave to serve the mayor as executive secretary). The succession could involve leaving his PMDB party, which may favor another candidate.

Meanwhile, the same clans run politics on the state level, in the legislature. And some observers say Governor Luiz Fernando “Pezão” Souza’s name is on the list of bribed “Lava-Jato” politicians (along with that of his predecessor, Sérgio Cabral), soon to be made public. If he leaves office, that would put the vice-governor, 80-year-old Francisco Dornelles, in his chair.

In the face of the troubles listed above, and so many more, the seemingly easy municipal-state-federal alignment that kicked off Rio’s rise from the ashes in 2006 is undone and, you might say, so is Brasília itself. One shouldn’t expect much from those quarters — President Dilma Rousseff has reminded governors that the water shortage is a state problem (although you could say it’s global, no?) and she’ll do what she can to help. We have yet to see if, despite budget cuts, federal help also means supplying Rio with already committed PAC funds for projects such as sanitation and a cable car, connected to a metro stop, in Rocinha favela.

To top things off, longtime conservative Rio politician, congressman Eduardo Cunha (never convicted, but the object of corruption indictments reaching back to 1999), elected yesterday president of the House, is expected to do what he can to obstruct President Dilma’s wishes, and might even help along her impeachment, if such an opportunity should arise. In 2006, when the state oil company made an allegedly overpriced U.S. refinery purchase, she was Petrobras board president.

So?

The petroleum curse does seem inescapable. Thus, for Rio de Janeiro, the silver lining of the current crisis certainly lies in having been stopped, for both global and local reasons, in our very oily tracks. Now, as fewer petrorreais circulate, could turn out to be a better time than any, to pressure and plan for a metropolis focused on the welfare of most of those who live in it — instead of a select number of political and business groups.

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Polícia do Rio opta pelo policiamento de proximidade, enfim

Equipe dos sonhos descreve seus planos de segurança pública para o mandato 2015-2018 do governador Pezão 

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Comandante Geral da Polícia Militar, coronel Alberto Pinheiro Neto, Chefe de Estado-Maior, coronel Robson Rodrigues da Silva e Secretário Estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame

Se os novos encarregados de nossa segurança tiverem êxito, o polêmico termo autoritário, “pacificação”, utilizado no Rio desde 2008, pode em breve cair em desuso. No seu lugar, policiais disseram na sexta-feira passada, eles estendem a mão à sociedade civil, para que lhes ajude a trabalhar de maneira menos violenta e mais eficaz, na missão de fazer da metrópole um lugar seguro. Como é o caso de muitas cidades grandes pelo mundo.

For Rio cops opt for proximity policing, at last, click here

Não se trata de uma primeira tentativa. Nos tempos iniciais da pacificação (com o próprio coronel Robson Rodrigues no cargo de comandante das UPPs, de 2010 a 2011), descrevia-se o programa como policiamento de proximidade (o que na verdade, surgia de programas pilotos anteriores). Mas ele e outros administradores policiais, que compartilhavam ideias semelhantes, foram afastados e deu-se prioridade à meta anunciada de criar 40 unidades de pacificação policial até a Copa do Mundo de 2014 — sem a devida preocupação pela qualidade do policiamento que elas faziam. Grande parte das medidas divulgadas na sexta-feira fazem parte de uma avaliação de impacto de 2012, publicada recentemente em formato de livro.

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As metas são muitas, para o policiamento de proximidade

Como se viu em uma entrevista de agosto 2014 no jornal O Globo, com Rodrigues,  e como esta blogueira constata, ao observar os eventos dos últimos anos, também dificultaram a reforma policial a corrupção policial, divisões e resistência à mudança internas, o autoritarismo e uma predileção pela violência.

Sem fuga?

O que ainda é o caso. Desta fez, porém, existe uma grande novidade: as autoridades policiais dizem que o policiamento de proximidade será a política não apenas nas favelas, mas no resto da metrópole — e, de fato, até 2018, em todo o estado. Nesse sentido, o governo estadual deve publicar dois decretos nesta semana: um constituirá um conselho para a segurança pública — atuante — , capitaneado pelo governador Pezão; o outro irá estabelecer metas e mecanismos de monitoramento policiais.

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Muita coisa a se fazer

O primeiro Batalhão Legal será na Tijuca, e fala-se dele como sendo uma UPP do asfalto, ou seja, na parte formal da metrópole.

Abrindo mão de toda e qualquer ferramenta disponível (menos mudar um artigo na Constituição, que prevê uma polícia militarizada em cada estado, o que tem suscitado propostas de revisão), a equipe nova parece querer tanto seduzir como coagir o efetivo policial, para que adote novos comportamentos. Sexta-feira, divulgaram planos para mais apoio à saúde mental e física de policiais, menos burocracia, a decentralização de decisões e a utilização de quadrantes para identificar e lutar contra o crime.

Ao mesmo tempo, a nova declaração de missão inclui uma lista de valores encabeçada por “hierarquia e disciplina” — e, notavelmente, o novo Comandante Geral, Pinheiro Neto, já liderou a BOPE, batalhão dos maiores durões da polícia fluminense (para fazer um contraste, veja os valores da polícia de Nova York).

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Rubem César Fernandes, fundador da ONG Viva Rio: um de muitos que apoiam, com felicidade, a nova política

Se isso tudo não for o suficiente para cativar a tropa, o secretário Beltrame  fez questão, na sexta-feira, de assinalar que 74% do pleito de outubro de 2014, em áreas pacificadas, foi para o governador Pezão, cuja eleição representava alguma forma de continuidade da política de segurança pública já em vigor. “É um índice silencioso”, disse ele, acrescentando que, para muitos moradores de favela, a urna eleitoral é o único lugar para se fazer ouvir sem receio.

A longo prazo, a pacificação diminuiu o crime na cidade, mas em meados de 2013 ela saiu dos trilhos. As manifestações de rua se tornaram perigosas, manchando uma imagem que a polícia tinha acabado de melhorar. No começo deste mês de janeiro, a revista Veja publicou uma reportagem dizendo que, naquela época, um comandante policial e seus subordinados trocaram uma enxurrada de mensagens no Whatsapp, enaltecendo a violência e incitando sua prática, chegando ao extremo de fazer referência à Alemanha nazista. Depois, veio a tortura policial e morte do morador da Rocinha, Amarildo, seguida por um número crescente de casos de tiros direcionados a policiais, resultando em mortes em favelas pacificadas e em outros lugares da cidade. As estatísticas de crime começaram a dar saltos.

Pode ser que a pior notícia, para a Polícia Militar, tenha surgido em setembro último, com a prisão de 22 policiais, entre eles o terceiro do comando geral do efetivo, pelo que pode ser caracterizado como crimes de milícia (e Beltrame na sexta-feira indicava que há mais limpeza pela frente, dizendo que “a curto prazo, há situações difíceis que vão acontecer”).

A nova política — apesar de ter sido apresentada por meio de um cansativo formato Power Point, repleto de jargão policial e de difícil leitura — arrancou aplausos do auditório do novo Centro Integrado de Comando e Controle.  Estavam presentes autoridades municipais e estaduais e da justiça, representantes de entidades de direitos humanos e de ONGs — enfim, praticamente os atores principais que lutam diariamente para tornar o Rio um lugar melhor.

Jailson de Souza e Silva, diretor do Observatório de Favelas, falou de “esperança renovada” — e aproveitou para lembrar que há grande necessidade para maior coordenação entre o município e o estado, já que o Exército, que ocupa o Complexo da Maré, não consegue tirar os trailers de comida das calçadas da região. Rubem César Fernandes, fundador da ONG pioneira, Viva Rio, disse que o Rio passara por uma “disagregação da sociedade” durante o recente período eleitoral, e falou da importância de se ter fé num programa que ele vê como “muito promissor e difícil de realizar”.

Uma área que ainda pede maior atenção é o sistema de justiça, que tende a rapidamente libertar prisioneiros, que então voltam ao crime. Beltrame disse que Fabrício Mirra, ex-PM e miliciano condenado por homicídio, sua pena já cumprida, estará de volta às ruas do Rio nesta semana.

A nova política policial também irá depender do êxito de uma recente iniciativa municipal para criar parcerias com a sociedade civil e com o setor privado, para atender às necessidades sociais, algo que o Beltrame demanda há muitos anos.

A segurança é prioridade, de acordo com o governador Pezão, que está cortando outros gastos face a uma queda esperada na receita estadual. Estranhamente, porém, houve relatos, na semana passada, de uma escassez de combustível para as viaturas policiais. No contexto das metas ambiciosas anunciadas na sexta-feira, encher o tanque talvez seja a menor das preocupações da polícia (mas essa explicação em potencial indica a possibilidade de questões maiores).

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