RioRealblog turns four

The time flew by!

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Rapper Marcão Baixada                                                                                                                                                                 A young  man with many questions about metropolitan Rio de Janeiro, at a Rio de Encontros debate on the Olympic legacy

Para RioRealblog faz quatro anos, clique aqui

The first post here saw the light exactly four years ago, on August 22 2010, a day after a gang under the direction of Rocinha’s druglord, “Nem”, invaded the São Conrado Hotel Intercontinental. Today, Nem is in jail, Rocinha has a (much-challenged) UPP, and the Intercontinental carries a new name and owner.

So much has changed since those days, when pacification was still a novelty. The post was actually a home video made on a cell phone to give the viewer some idea of the changes taking place on Avenida Presidente Vargas, in downtown Rio. Today, the avenue is dotted with new and renovated buildings, the Campo de Santana park is set to be adopted by French companies and the São Francisco de Assis Hospital just entered a remodeling phase.

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Skeleton of the bygone Perimetral flyover, in the background of Praça Quinze, downtown Rio

Since 2010 this blogger has crossed and recrossed the city, learned huge amounts, met inspiring people, written 374 posts, garnered more than 176,000 page views, created the Abecedário (ABCs) of the transformation of Rio, the Cariocapédia, and produced, along with videographer Jimmy Chalk, two videos. She’s published a Portuguese-language memoir and a bilingual coffee-table book about iconic Arpoador Beach, and these days is in the early research stages of a book about Greater Rio.

Check out the Mission Statement in the column to the right, dating back to early days. It’s been overtaken by myriad events, but signals the blog’s origins. During this electoral season, the issue of continuity (and rethinking some public policies, of course) is more relevant than ever.

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Actor and cultural activist Leandro Santanna, from Queimados, has a turn during the day of debates organized by the Casa Fluminense, speaking on what cultural collectives are looking for in terms of public policy

The transformation phase that began in 2008 sparked a wave of demands, heretofore held in check by a general sense of impotence and impossiblity. The city changed a great deal over these four years, and the reader can begin to get an idea of what’s been going on by looking at Cariocapédia catalogue, though it needs updating. The blog itself documents much of the change and the challenges (you can also like the blog’s Facebook page, for constant Rio news, and follow it on Twitter).

Perhaps mobility is what’s changing the most, though it’s early to evaluate the overall impact of the new BRTs, BRSs and VLTs (dedicated bus lanes and trolleys), the Metrô Line 4 extension, three cable car systems, a ban on vans on much of the city, bicycle path growth and a more efficient bus system.

So now let’s talk about what’s still missing.

On this score, Casa Fluminense (that this blogger held to found) just launched its Agenda 2017, to be presented to gubernatorial candidates. Drafted collectively, the ten-page Agenda is worth a careful read. It presents a selective few concrete proposals focused on four bases: metropolitan administration, the promotion of equality, the deepening of democracy, and sustainable development.

All are welcome to reflect on the Agenda and join the Casa Fluminense, created in 2013 “by activists, researchers and citizens who identify with a vision of a more just and integrated Rio”.

O anfitrião para os debates da Casa Fluminense foi o Circo Crescer e Viver

The Casa Fluminense debates, held August 16, were hosted by the Crescer e Viver circus

As last year’s demonstrations indicated, our horizon seems to drift further away, the more the metropolis moves in its direction. We’re all critics; we think, for example, that we lack a general vision of the city we want, that government officials have been too authoritarian. We want more participation and transparency, more urban integration.

The good news is that there has never been so much discussion about Rio de Janeiro. This was evident during a debate on the legacy of the Olympic  Games, organized last week by Rio de Encontros. At the Casa do Saber, young people from all over the metropolitan area interrogated representatives of the Organizing Committee and the Municipal Olympic Company, about their legacy plans. There was also a rich exchange with two veteram athletes, on sports competitions in general.

This awakening is crucial to the near future, before and after the Games. Without discussion, dialogue and debate, the 26% who believe that Rio’s transformation won’t last — as shown in the blog’s opinion poll (at right) — will turn out to be correct. What is your vote?

Will it last? Vai durar?
 
Sim / Yes  47.92%  (196 votes)
 
Não / No  26.41%  (108 votes)
 
Parcialmente /Partially  25.67%  (105 votes) 
Total Votes: 409
Uma boa dose de caos, na transformação da cidade (no Porto)

A good dose of chaos, in the city’s transformation (Port area)

Have you watched RioRealblogTV’s new video, about favela alleys? Watch here, and make sure to click on the captions icon for English translation.

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RioRealblog faz quatro anos

Passaram rápido!

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Rapper Marcão Baixada                                                                                                                                                       Jovem com muitas perguntas sobre o Rio de Janeiro metropolitano, no Rio de Encontros

O primeiro post aqui foi no dia 22 da agosto de 2010, um dia depois de uma invasão do Hotel Intercontinental, em São Conrado, por um bando do traficante “Nem”, da Rocinha. Hoje, ele está na cadeia, a Rocinha tem uma (combalida) UPP e o Intercontinental mudou de nome e dono.

Tanta coisa mudou desde aqueles dias, quando a pacificação ainda era novidade. O post era, na verdade, um vídeo precário, feito com um telefone celular, que tentava apresentar o começo da transformação da avenida Presidente Vargas. Hoje, a avenida está repleta de prédios novos e reformados, o Campo de Santana será adotado por franceses e o Hospital São Francisco de Assis já entrou em reforma.

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Esqueleto da finada Perimetral, ao fundo, na Praça Quinze, centro do Rio

Desde 2010, sua blogueira andou muito na cidade, aprendeu demais, conheceu muita gente inspiradora, fez 373 posts, recebeu mais de 176 mil cliques, criou o Abecedário da transformação do Rio, a Cariocapédia e produziu, junto com o videógrafo Jimmy Chalk, dois vídeos. Publicou um livro de memórias e outro sobre o Arpoador e hoje está na fase inicial de pesquisa, para um livro sobre o Grande Rio.

Dos dias primevais, fica, na coluna à direita, a Declaração de Missão. Está desatualizada, mas é um marco importante da origem do blog. Neste momento eleitoral, a questão da continuidade (e de repensar algumas políticas públicas) é mais relevante do que nunca.

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O ator e agitador cultural de Queimados, Leandro Santanna, fala em dia de debates organizado pela Casa Fluminense, sobre o que falta para os coletivos culturais, em termos de políticas públicas

A fase de transformação, que começou em 2008, despertou uma onda de demandas, represadas até então por uma sensação geral de impotência e impossibilidades. Nesses quatro anos a cidade mudou muito, como o leitor pode constatar ao conferir a listagem da Cariocapédia, mesmo que esteja desatualizada. O próprio blog documenta grande parte das mudanças e desafios.(Você pode também curtir a página Facebook do blog, para notícias constantes sobre o Rio, e segui-lo pelo Twitter)

Talvez a mobilidade seja o que mais está mudando, mesmo que seja cedo para avaliarmos o conjunto de novos BRTs, BRSs e VLTs (bondes), a extensão da Linha 4 do Metrô, três teleféricos, a proibição de vans em grande parte da cidade, o crescimento das ciclovias e o ordenamento do sistema de ônibus.

E agora vamos falar do que falta.

Pensando nisso, a Casa Fluminense (que sua blogueira ajudou a fundar) acaba de lançar a Agenda 2017, que será apresentada aos candidatos a governador. Elaborada através de um processo coletivo, a Agenda, de apenas dez páginas, vale uma leitura cuidadosa. Apresenta propostas concretas — poucas e boas– focadas em quatro eixos: gestão metropolitano, promoção de igualdade, aprofundamento democrático e o desenvolvimento sustentável.

Todos são convidados a refletir sobre a Agenda e a participar da Casa Fluminense, formada em 2013 “por ativistas, pesquisadores e cidadãos identificados com a visão de um Rio mais justo e integrado”.

O anfitrião para os debates da Casa Fluminense foi o Circo Crescer e Viver

O anfitrião para os debates da Casa Fluminense, dia 16 de agosto, foi o Circo Crescer e Viver

Como vimos durante as manifestações do ano passado, ao passo que a metrópole anda em direção ao horizonte, mas longe esse parece ficar. Todos temos reclamações; achamos, por exemplo, que falta uma visão geral da cidade que queremos, que as autoridades têm sido autoritários demais. Queremos mais participação e transparência, mais integração urbana.

A boa notícia é que nunca se debateu tanto o Rio de Janeiro. Evidência disso foi um debate sobre o legado dos Jogos Olímpicos organizado pelo Rio de Encontros, semana passada. Na Casa do Saber, jovens de toda parte da área metropolitana sabatinaram representantes do Comitê Organizador e da Empresa Olímpica Municipal, sobre o que se pretende como legado. Houve uma rica troca também com dois atletas veteranos, sobre as competições esportivas em geral.

Esse despertar é crucial para o desenrolar dos próximos anos, antes e depois dos Jogos. Sem questionamentos, diálogos e debates, irão vingar os 26% que votaram na pesquisa de opinião do blog (à direita), dizendo acreditar que a transformação em curso não vai durar. E você? Já votou?

Will it last? Vai durar?
 
Sim / Yes  47.92%  (196 votes)
 
Não / No  26.41%  (108 votes)
 
Parcialmente /Partially  25.67%  (105 votes) 
Total Votes: 409
 

Uma boa dose de caos, na transformação da cidade (no Porto)

Uma boa dose de caos, na transformação da cidade (no Porto)

Você já assstiu ao segundo vídeo da RioRealblogTV, sobre becos de favela? Veja aqui.

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The favela alley: asset or liability?

Favela alleyways may be one of the next big public policy challenges for Rio de Janeiro.

Para Becos de Favela: prejudicam ou facilitam? clique aqui

RioRealblog TV went to Rocinha favela to learn about becos, or alleys. There, we found that a huge part of the favela, most of it in fact, is made up of these narrow passages.

We spent several hours in an alley making our video. We shared the joy of children playing and the seriousness of adults, hurriedly squeezing past our tripod, carrying babies, backpacks, groceries and building materials.

Alleys came into being because Brazil doesn’t have enough low-income housing to meet demand. Where land is available — usually where no one else wants to live — people build their homes. In West Zone favelas, with cheaper real estate, there are fewer alleys and more streets. In the North and South Zones, more central areas where people have been living longer, the sought-after square meter is worth more. Favela construction is denser and there are more alleys.

Some favelas are basically made up of alleys, with just one main road that cars can drive on.

We know that alleys present challenges for health, sanitation and public safety, among other urban needs. How to deal with these challenges?

See our new video — and don’t forget to click on the captions icon to read the English subtitles

And here, see what the state government is plannning to do regarding another Rocinha alley, Rua Um:

You can read more about this project, part of the Rocinha PAC III, here.

And leave a comment!

 

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Becos de favela: prejudicam ou facilitam?

Lidar com becos pode ser o próximo grande desafio para as políticas públicas, no Rio de Janeiro.

O RioRealblog TV foi até a favela da Rocinha, para entender melhor a questão. Lá constatamos que uma parte enorme da favela, a maior parte, na verdade, é constituída de becos.

Por algumas horas, ficamos num beco, gravando o nosso vídeo. Sentimos a alegria das crianças que ali brincavam, e a seriedade dos adultos, que andavam apressados e espremidos, carregando filhos, mochilas, compras e material de construção.

Os becos surgiram porque o Brasil não tem moradia acessível para atender à demanda do povo. Onde há terrenos livres — geralmente aqueles onde ninguém mais queria morar — as pessoas constroem suas casas. Em favelas da Zona Oeste, com o metro quadrado mais barato, há menos becos e mais ruas. Em favelas das Zonas Sul e Norte, ocupados há mais tempo, e historicamente, mais procurados, o metro quadrado tem mais valor. Os terrenos são mais densamente construídos e há mais becos.

Existem favelas que são praticamente só becos e vielas, com apenas uma rua principal, onde passam carros.

Sabemos que o beco cria desafios de saúde, saneamento e segurança, entre outros. Como lidar com esses desafios?

Veja nosso novo vídeo

 

E aqui, veja o que o governo de estado pretende fazer com outro beco da Rocinha, a rua Um:

Leia mais sobre o assunto, parte do PAC III para a Rocinha, aqui.

E deixe seu comentário!

 

 

 

 

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How to report on Rio de Janeiro?

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Vibrancy in downtown São Paulo

Para Como contar o Rio de Janeiro, clique aqui.

It’s no big news that Organizações Globo — Rio de Janeiro’s main information source — has been struggling to staunch losses in TV viewers and readers. Young people don’t read newspapers and don’t watch television. What next?

The ninth Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Brazilian Association for Investigative Journalism, or Abraji) conference, which took place in São Paulo last week, showcased new journalistic practices and perspectives. As Brazil’s democracy develops and matures, such practices are likely to play a key role in Rio de Janeiro’s transformation.

The blog recently discussed the responsibilty and potential of local media in this context, when Gilberto Scofield left his post as Rio editor at O Globo newspaper. Evidence of corruption in the mayor’s inner circle, revealed last Friday, underscores the importance of investigative journalism regarding public funds. And it’s crucial to stay focused: in 2010, Extra newspaper reported unusual growth in the personal finances of the mayor’s right-hand man, Rodrigo Bethlem — now accused of major bribe and kickback schemes.

Conference workshops and debates introduced highly useful tools for reporters who’d like to contribute to the dvelopment of Brazil’s democracy. For example, Gil Castello Branco, Secretary General of the not-for-profit organization Contas Abertas (Open Accounts), taught reporters how to access and analyze government data. The place to begin any research is the Portal da Transparência (Transparency Portal) Incredibly, a password is still required to get into some government data bases.

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Urban occupation in São Paulo

At a panel on conflict of interest in the Judiciary, the cases presented demonstrated an impressive lack of awareness — attention? concern? — among members of this branch of government. Here too, it is the media’s role to call attention to what’s going on, for example, judges partying at a resort as guests of a company hoping for favorable decisions. Clearly, while weak institutions force Brazilians to depend on personal networks to deal with daily challenges of life, the institutions are themselves weak because Brazilians put so much stock in their personal networks.

Sometimes, the networks — i.e., conflicted relationships — of traditional media limit their capacity to question government officials, to investigate and make accusations. So now, in the Internet age, engaged journalists are turning to alternative media. Presented during one session, Ponte, a new site focusing on public safety in São Paulo state, is an example. The founders, energized by their newfound freedom, recounted several cases of police and human rights abuse where their reporting made a difference.

Food truck, ideia norte americana que já chegou em sampa

The American food truck, fruit of new urban flexibility, has made its way to São Paulo

Perhaps the most heartening development at the conference is a partnership between the American site, Vice News, and YouTube. Vice, with a bent towards in-depth print reporting and videos, intends to set up shop in Brazil, in both English and Portuguese. The site is barely known here, up to now.

As conference attendees saw, the news is no more a monolithic entity. No longer do we have a daily menu created by electronic or print media giants, telling us what we need to know.

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This was the Mappin department store; now it’s another commercial establishment, most likely threatened by e-commerce

Instead, news consumers access a varied information flow, and must choose and prioritize on their own — or depend on recommendations from social media friends and acquaintances. “Today’s youth are savvier,” Jason Mojica, Vice editor-in-chief said reassuringly, in answer to a question from RioRealblog about the prospect of a news curation vacuum. Given the merciless information flow, how can one best discover what’s really going on in Rio de Janeiro?

We’ll never know if today’s youth are in fact savvier than those of previous generations, but the fact is that, given the shrinking importance of mainstream media and the growing attachment to social media, we will all have to learn to think critically. The question is, will journalists fully take on their role? Will they go beyond simple investigation, beyond the raw news, providing their stories with global and historical context?

Journalists themselves must learn to think critically, which means keeping up a constant mental or real dialogue with readers and viewers, not just those who already see the world the way they do. It means asking oneself all the questions the public are likely to ask.

If we are to understand ourselves in the greater world and find ways to contribute to a more just democracy, this work is crucial.

  • The Brazilian chapter of the Institute for Transportation and Development Policy, which participated in the meeting, also gives a journalism award, for reporting on sustainable urban mobility. More information is here.
  • For those interested in contributing to the electoral debate, in the public policy arena, Casa Fluminense will hold the Fórum Rio and launch its 2017 Agenda Rio on August 16 at the Crescer e Viver Circus. Open to all.

 

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Como contar o Rio de Janeiro?

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Vida nova no centro de São Paulo

Não é de hoje que as Organizações Globo — fonte principal das informações no Rio de Janeiro — lutam para estancar uma perda contínua de audiência e leitores. Os jovens não lêem jornal e nem assistem televisão. O que fazer?

O nono congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que aconteceu na semana passada, em São Paulo, serviu de vitrine para novas práticas e visões jornalísticas. No contexto atual de amadurecimento democrática, essas práticas podem desempenhar um papel chave na transformação do Rio de Janeiro.

O blog já falou da responsabilidade e do potencial da mídia nesse contexto, na hora da saída de Gilberto Scofield da chefia da editoria Rio do jornal O Globo. Indicações de corrupção próximo ao gabinete do prefeito, reveladas na sexta-feira passada, demonstram fortemente a importância do papel investigativo da imprensa nas contas públicas. E é necessário manter o foco: em 2010, o jornal Extra já apontava um crescimento extraordinário nos bens do homem-forte do prefeito, Rodrigo Bethlem.

As mesas do congresso trouxeram ferramentas de grande utilidade para o repórter que queira contribuir para uma democracia mais plena. Por exemplo, Gil Castello Branco, secretário geral da organização sem fins lucrativos Contas Abertas, ensinou como acessar e analisar dados governamentais. O site onde tudo começa é o Portal da Transparência. Incrivelmente, ainda existem dados do governo acessíveis apenas por meio de senha.

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Ocupação urbana em São Paulo

No painel sobre conflitos de interesse no judiciário, foi marcante, pelos casos descritos, a falta de consciência — ou atenção? ou preocupação? — entre os membros deste braço de governo. Aqui também, cabe à imprensa chamar, constantemente, a atenção da sociedade. Ficou claro que, enquanto o brasileiro depende de redes pessoais para enfrentar os desafios do dia a dia porque as instituições são fracas, as instituições são fracas porque o brasileiro prestigia demais essas mesmas redes pessoais.

Às vezes, as redes — ou seja, os comprometimentos — da mídia tradicional limitam a capacidade de questionar autoridades, investigar e fazer denúncias. Portanto, na era da Internet, os jornalistas começam a apostar em mídias alternativas. Ponte, novo portal focado na segurança pública do estado de São Paulo, apresentado em um dos painéis, é um exemplo disso. Os fundadores, animados com a maior liberdade para trabalhar, contaram vários casos de abuso policial e de direitos humanos, cujos desfechos conseguiram influenciar.

Food truck, ideia norte americana que já chegou em sampa

Food truck, ideia norte americana, fruto de uma nova flexibilidade urbana que já chegou em sampa

Talvez a notícia mais animadora do congresso tenha sido a parceria entre o site de notícias norte americano, Vice News, e a YouTube. A Vice, que costuma oferecer reportagens e vídeos mais profundos e detalhados do que o noticiário tradicional, pretende trabalhar no Brasil, em inglês e português. Por enquanto, é pouco conhecida aqui.

Pelo que se viu no congresso, não mais teremos um noticiário monolítico, um cardápio diário criado por uma grande mídia eletrônica ou impressa, que nos apresenta o que deveríamos saber.

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Era o Mappin, agora é outro estabelecimento comercial, seguramente ameaçado pelo comércio eletrônico

Em vez disso, o consumidor de notícias irá acessar uma variedade de informações em fluxo, tendo que escolher e priorizar por si mesmo — ou depender de indicações de amigos ou conhecidos nas mídias sociais. “O jovem de hoje é mais esperto,” Jason Mojica, editor-chefe do Vice assegurou, em reposta a uma pergunta do RioRealblog sobre a possibilidade de sofrermos de um vácuo de curadoria do noticiário. Como, por exemplo, se manter informado sobre o que realmente acontece no Rio de Janeiro?

Não é possível determinar se os jovens hoje são mesmo mais espertos do que os de gerações anteriores, mas o fato é que, face à importância reduzida das mídias tradicionais e ao apego crescente às mídias sociais, temos todos que aprender a pensar com senso crítico. Resta saber se os jornalistas desempenham plenamente o papel deles: ou seja, não apenas investigar, mas ir além das notícias cruas — para contextualizá-las dentro da atualidade global e do quadro histórico.

Também, o próprio jornalista precisa aprender a pensar: dialogar com todo tipo de leitor ou espectador, não apenas com aqueles que já enxergam o mundo do mesmo jeito que ele. Para tanto, é essencial posar para si mesmo as perguntas que os membros de sua audiência fariam.

Somente assim, o indivíduo se entende no mundo e contribui para uma democracia mais justa.

  • Anunciou-se, durante o congresso, um novo prêmio para a cobertura jornalística sobre políticas públicas e legislação relacionadas ao tema das drogas, o Prêmio Gilberto Velho de Mídia e Drogas. Saiba como se inscrever aqui.
  • Também, o Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil), que participou do congresso, promove este ano o 2º Prêmio de Jornalismo Mobilidade Urbana Sustentável. Saiba mais aqui.
  • Para quem quer contribuir ao debate eleitoral, pensando políticas públicas, a Casa Fluminense realiza o Fórum Rio e o lançamento da Agenda Rio 2017 no dia 16 de agosto no Circo Crescer e Viver. Aberto a todos.

 

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Misconduct in the mayor’s office?

Beware a woman scorned

While scandal has tainted the reputation of former Rio de Janeiro governor Sérgio Cabral since his alleged connections with a top construction company came to light in 2012, mayor Eduardo Paes has managed to keep his name fairly clean — until this past Friday. Even so, he may well manage to steer clear of accusations.

Friday, Veja and Época magazines came forth with audio and video evidence of kickbacks received by a top official in the Paes administration, national congressman Rodrigo Bethlem.  Candidate for reelection in the upcoming October elections, most recently Paes right-hand government coordinator (Secretário de Governo), Bethlem entered politics in his twenties, has citywide experience  and made his mark helping the mayor to bring order to the city and forcibly remove young crack users from the streets.

Monday, a new tape appeared in the press, with Bethlem describing what appears to be an illegal relationship with the owner of Rio’s largest bus company.

His reelection motto is “Doing the right thing”, but the evidence his ex-wife handed over to the publications has him making outright claims that he was up naughtiness to the tune of 85,000 reais a month. “You know I went to Switzerland to open an account,” he tells her, unaware she was taping the 2011 conversation, held as they sorted out their divorce settlement. The video shows her allegedly receiving a packet of cash in 2012 from his chauffeur, complaining of resultant income tax issues.

According to a 2010 article in the Extra newspaper, part of the Globo empire, Bethlem’s personal estate had previously quadrupled over four years, to R$1.2 million. O Globo  newspaper reports that third-party contracts grew enormously while he was in charge of them, then shrank once he left government to run the mayor’s reelection campaign in 2012.

The genealogy here is a striking example of the web of local politics. Bethlem, son of a well-known telenovela actress and a TV Globo director, was until Friday thought to be a natural successor to Paes, whose second term ends in 2016. Vanessa Felippe, Bethlem’s ex-wife, is the daughter of Jorge Felippe, president of the City Council and a key member of Bethlem and Paes’ PMDB party. Felippe’s political support comes from the Bangu district of Rio’s West Zone, an area rife with politically active “militia” groups.

And Vanessa, herself a former national congresswoman, is the mother of Bethlem’s two children, one of whom is a candidate, at age 22, for a spot in the state legislature this year.

Yesterday, Paes ordered an audit of the third-party contracts that Bethlem was responsible for during his time working for the city. Funds in any Swiss bank account would be recovered, he said.

The main contract in question involves a firm hired to care for crack users and screen for low-income families qualified to receive government cash transfers, run by a retired military police major with a questionable record.

Blaming his wife’s poor psychiatric condition — she reportedly tried committing suicide several times, the last being only a few days ago — Bethlem, who has remarried, denied any wrongdoing. Yesterday, Vanessa released a signed statement, now displayed on Bethlem’s Facebook page, saying she “manipulated the tapes”. Nonetheless, an expert hired by Época magazine said they were legitimate and pristine.

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