How to report on Rio de Janeiro?

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Vibrancy in downtown São Paulo

Para Como contar o Rio de Janeiro, clique aqui.

It’s no big news that Organizações Globo — Rio de Janeiro’s main information source — has been struggling to staunch losses in TV viewers and readers. Young people don’t read newspapers and don’t watch television. What next?

The ninth Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Brazilian Association for Investigative Journalism, or Abraji) conference, which took place in São Paulo last week, showcased new journalistic practices and perspectives. As Brazil’s democracy develops and matures, such practices are likely to play a key role in Rio de Janeiro’s transformation.

The blog recently discussed the responsibilty and potential of local media in this context, when Gilberto Scofield left his post as Rio editor at O Globo newspaper. Evidence of corruption in the mayor’s inner circle, revealed last Friday, underscores the importance of investigative journalism regarding public funds. And it’s crucial to stay focused: in 2010, Extra newspaper reported unusual growth in the personal finances of the mayor’s right-hand man, Rodrigo Bethlem — now accused of major bribe and kickback schemes.

Conference workshops and debates introduced highly useful tools for reporters who’d like to contribute to the dvelopment of Brazil’s democracy. For example, Gil Castello Branco, Secretary General of the not-for-profit organization Contas Abertas (Open Accounts), taught reporters how to access and analyze government data. The place to begin any research is the Portal da Transparência (Transparency Portal) Incredibly, a password is still required to get into some government data bases.

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Urban occupation in São Paulo

At a panel on conflict of interest in the Judiciary, the cases presented demonstrated an impressive lack of awareness — attention? concern? — among members of this branch of government. Here too, it is the media’s role to call attention to what’s going on, for example, judges partying at a resort as guests of a company hoping for favorable decisions. Clearly, while weak institutions force Brazilians to depend on personal networks to deal with daily challenges of life, the institutions are themselves weak because Brazilians put so much stock in their personal networks.

Sometimes, the networks — i.e., conflicted relationships — of traditional media limit their capacity to question government officials, to investigate and make accusations. So now, in the Internet age, engaged journalists are turning to alternative media. Presented during one session, Ponte, a new site focusing on public safety in São Paulo state, is an example. The founders, energized by their newfound freedom, recounted several cases of police and human rights abuse where their reporting made a difference.

Food truck, ideia norte americana que já chegou em sampa

The American food truck, fruit of new urban flexibility, has made its way to São Paulo

Perhaps the most heartening development at the conference is a partnership between the American site, Vice News, and YouTube. Vice, with a bent towards in-depth print reporting and videos, intends to set up shop in Brazil, in both English and Portuguese. The site is barely known here, up to now.

As conference attendees saw, the news is no more a monolithic entity. No longer do we have a daily menu created by electronic or print media giants, telling us what we need to know.

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This was the Mappin department store; now it’s another commercial establishment, most likely threatened by e-commerce

Instead, news consumers access a varied information flow, and must choose and prioritize on their own — or depend on recommendations from social media friends and acquaintances. “Today’s youth are savvier,” Jason Mojica, Vice editor-in-chief said reassuringly, in answer to a question from RioRealblog about the prospect of a news curation vacuum. Given the merciless information flow, how can one best discover what’s really going on in Rio de Janeiro?

We’ll never know if today’s youth are in fact savvier than those of previous generations, but the fact is that, given the shrinking importance of mainstream media and the growing attachment to social media, we will all have to learn to think critically. The question is, will journalists fully take on their role? Will they go beyond simple investigation, beyond the raw news, providing their stories with global and historical context?

Journalists themselves must learn to think critically, which means keeping up a constant mental or real dialogue with readers and viewers, not just those who already see the world the way they do. It means asking oneself all the questions the public are likely to ask.

If we are to understand ourselves in the greater world and find ways to contribute to a more just democracy, this work is crucial.

  • The Brazilian chapter of the Institute for Transportation and Development Policy, which participated in the meeting, also gives a journalism award, for reporting on sustainable urban mobility. More information is here.
  • For those interested in contributing to the electoral debate, in the public policy arena, Casa Fluminense will hold the Fórum Rio and launch its 2017 Agenda Rio on August 16 at the Crescer e Viver Circus. Open to all.

 

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Como contar o Rio de Janeiro?

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Vida nova no centro de São Paulo

Não é de hoje que as Organizações Globo — fonte principal das informações no Rio de Janeiro — lutam para estancar uma perda contínua de audiência e leitores. Os jovens não lêem jornal e nem assistem televisão. O que fazer?

O nono congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que aconteceu na semana passada, em São Paulo, serviu de vitrine para novas práticas e visões jornalísticas. No contexto atual de amadurecimento democrática, essas práticas podem desempenhar um papel chave na transformação do Rio de Janeiro.

O blog já falou da responsabilidade e do potencial da mídia nesse contexto, na hora da saída de Gilberto Scofield da chefia da editoria Rio do jornal O Globo. Indicações de corrupção próximo ao gabinete do prefeito, reveladas na sexta-feira passada, demonstram fortemente a importância do papel investigativo da imprensa nas contas públicas. E é necessário manter o foco: em 2010, o jornal Extra já apontava um crescimento extraordinário nos bens do homem-forte do prefeito, Rodrigo Bethlem.

As mesas do congresso trouxeram ferramentas de grande utilidade para o repórter que queira contribuir para uma democracia mais plena. Por exemplo, Gil Castello Branco, secretário geral da organização sem fins lucrativos Contas Abertas, ensinou como acessar e analisar dados governamentais. O site onde tudo começa é o Portal da Transparência. Incrivelmente, ainda existem dados do governo acessíveis apenas por meio de senha.

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Ocupação urbana em São Paulo

No painel sobre conflitos de interesse no judiciário, foi marcante, pelos casos descritos, a falta de consciência — ou atenção? ou preocupação? — entre os membros deste braço de governo. Aqui também, cabe à imprensa chamar, constantemente, a atenção da sociedade. Ficou claro que, enquanto o brasileiro depende de redes pessoais para enfrentar os desafios do dia a dia porque as instituições são fracas, as instituições são fracas porque o brasileiro prestigia demais essas mesmas redes pessoais.

Às vezes, as redes — ou seja, os comprometimentos — da mídia tradicional limitam a capacidade de questionar autoridades, investigar e fazer denúncias. Portanto, na era da Internet, os jornalistas começam a apostar em mídias alternativas. Ponte, novo portal focado na segurança pública do estado de São Paulo, apresentado em um dos painéis, é um exemplo disso. Os fundadores, animados com a maior liberdade para trabalhar, contaram vários casos de abuso policial e de direitos humanos, cujos desfechos conseguiram influenciar.

Food truck, ideia norte americana que já chegou em sampa

Food truck, ideia norte americana, fruto de uma nova flexibilidade urbana que já chegou em sampa

Talvez a notícia mais animadora do congresso tenha sido a parceria entre o site de notícias norte americano, Vice News, e a YouTube. A Vice, que costuma oferecer reportagens e vídeos mais profundos e detalhados do que o noticiário tradicional, pretende trabalhar no Brasil, em inglês e português. Por enquanto, é pouco conhecida aqui.

Pelo que se viu no congresso, não mais teremos um noticiário monolítico, um cardápio diário criado por uma grande mídia eletrônica ou impressa, que nos apresenta o que deveríamos saber.

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Era o Mappin, agora é outro estabelecimento comercial, seguramente ameaçado pelo comércio eletrônico

Em vez disso, o consumidor de notícias irá acessar uma variedade de informações em fluxo, tendo que escolher e priorizar por si mesmo — ou depender de indicações de amigos ou conhecidos nas mídias sociais. “O jovem de hoje é mais esperto,” Jason Mojica, editor-chefe do Vice assegurou, em reposta a uma pergunta do RioRealblog sobre a possibilidade de sofrermos de um vácuo de curadoria do noticiário. Como, por exemplo, se manter informado sobre o que realmente acontece no Rio de Janeiro?

Não é possível determinar se os jovens hoje são mesmo mais espertos do que os de gerações anteriores, mas o fato é que, face à importância reduzida das mídias tradicionais e ao apego crescente às mídias sociais, temos todos que aprender a pensar com senso crítico. Resta saber se os jornalistas desempenham plenamente o papel deles: ou seja, não apenas investigar, mas ir além das notícias cruas — para contextualizá-las dentro da atualidade global e do quadro histórico.

Também, o próprio jornalista precisa aprender a pensar: dialogar com todo tipo de leitor ou espectador, não apenas com aqueles que já enxergam o mundo do mesmo jeito que ele. Para tanto, é essencial posar para si mesmo as perguntas que os membros de sua audiência fariam.

Somente assim, o indivíduo se entende no mundo e contribui para uma democracia mais justa.

  • Anunciou-se, durante o congresso, um novo prêmio para a cobertura jornalística sobre políticas públicas e legislação relacionadas ao tema das drogas, o Prêmio Gilberto Velho de Mídia e Drogas. Saiba como se inscrever aqui.
  • Também, o Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil), que participou do congresso, promove este ano o 2º Prêmio de Jornalismo Mobilidade Urbana Sustentável. Saiba mais aqui.
  • Para quem quer contribuir ao debate eleitoral, pensando políticas públicas, a Casa Fluminense realiza o Fórum Rio e o lançamento da Agenda Rio 2017 no dia 16 de agosto no Circo Crescer e Viver. Aberto a todos.

 

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Misconduct in the mayor’s office?

Beware a woman scorned

While scandal has tainted the reputation of former Rio de Janeiro governor Sérgio Cabral since his alleged connections with a top construction company came to light in 2012, mayor Eduardo Paes has managed to keep his name fairly clean — until this past Friday. Even so, he may well manage to steer clear of accusations.

Friday, Veja and Época magazines came forth with audio and video evidence of kickbacks received by a top official in the Paes administration, national congressman Rodrigo Bethlem.  Candidate for reelection in the upcoming October elections, most recently Paes right-hand government coordinator (Secretário de Governo), Bethlem entered politics in his twenties, has citywide experience  and made his mark helping the mayor to bring order to the city and forcibly remove young crack users from the streets.

Monday, a new tape appeared in the press, with Bethlem describing what appears to be an illegal relationship with the owner of Rio’s largest bus company.

His reelection motto is “Doing the right thing”, but the evidence his ex-wife handed over to the publications has him making outright claims that he was up naughtiness to the tune of 85,000 reais a month. “You know I went to Switzerland to open an account,” he tells her, unaware she was taping the 2011 conversation, held as they sorted out their divorce settlement. The video shows her allegedly receiving a packet of cash in 2012 from his chauffeur, complaining of resultant income tax issues.

According to a 2010 article in the Extra newspaper, part of the Globo empire, Bethlem’s personal estate had previously quadrupled over four years, to R$1.2 million. O Globo  newspaper reports that third-party contracts grew enormously while he was in charge of them, then shrank once he left government to run the mayor’s reelection campaign in 2012.

The genealogy here is a striking example of the web of local politics. Bethlem, son of a well-known telenovela actress and a TV Globo director, was until Friday thought to be a natural successor to Paes, whose second term ends in 2016. Vanessa Felippe, Bethlem’s ex-wife, is the daughter of Jorge Felippe, president of the City Council and a key member of Bethlem and Paes’ PMDB party. Felippe’s political support comes from the Bangu district of Rio’s West Zone, an area rife with politically active “militia” groups.

And Vanessa, herself a former national congresswoman, is the mother of Bethlem’s two children, one of whom is a candidate, at age 22, for a spot in the state legislature this year.

Yesterday, Paes ordered an audit of the third-party contracts that Bethlem was responsible for during his time working for the city. Funds in any Swiss bank account would be recovered, he said.

The main contract in question involves a firm hired to care for crack users and screen for low-income families qualified to receive government cash transfers, run by a retired military police major with a questionable record.

Blaming his wife’s poor psychiatric condition — she reportedly tried committing suicide several times, the last being only a few days ago — Bethlem, who has remarried, denied any wrongdoing. Yesterday, Vanessa released a signed statement, now displayed on Bethlem’s Facebook page, saying she “manipulated the tapes”. Nonetheless, an expert hired by Época magazine said they were legitimate and pristine.

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Enquanto você assistia à Copa, parte III (final)

Aconteceu muita coisa no Rio, durante o mês da Copa

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For While you were watching the World Cup, part II (final), click here

Durante séculos, o Brasil foi um país relativamente fechado, de olho em si mesmo, cujos cidadãos, na maioria unilíngues, viajavam raramente e consumiam poucos bens importados.

Há mais ou menos uma década, o quadro começou a mudar. A experiência de sediar a Copa déu ímpeto novo ao processo de abertura. Mesmo para quem não se misturou com os quase 900 mil turistas (sendo metade estrangeiros– e o total, praticamente o mesmo número que costuma vir para o Carnaval) no Maracanã, na Zona Sul ou nas favelas que hospedaram os visitantes, a Copa trouxe aos brasileiros mais informação sobre o mundo, pela mídia eletrônica e a impressa. Talvez o legado mais importante do evento seja esse.

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Torcedores pelo Team USA no Gringo Café atraíram jornalistas brasileiros e americanos, à procura de gritos e lágrimas

Ninguém imaginava

No calçadão de Copacabana, um senhor de Bangladesh fitava o mar. Quando perguntado para qual país ele torcia, puxou o canto da camisa amarela da seleção brasileira que usava. “Fabricamos elas no meu país,” falou, sorrindo.

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No Pão de Açúcar, tudo andava muito bem, como foi o caso, para a surpresa de todos, praticamente na cidade inteira

Se você ficava procurando por gols

Como já se viu em posts anteriores, jovens bailarinos do passinho se apresentaram durante o mês da Copa no show Na Batalha. Estão em Nova York nesta semana, junto com a apresentação do fabuloso documentário sobre o passinho, de Emílio Domingues. O jornal Globo demitiu o editor da seção Rio, Gilberto Scofield, oferecendo uma oportunidade para  algumas reflexoes sobre a cobertura local. E houve uma apressada (e possivelmente, ilegal) audiência pública, um dia após a final, sobre um projeto de melhorias urbanas no valor de R$ 1,6 bilhões, denominado PAC II, para a favela da Rocinha.

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Hesitação inicial e depois curtição da Copa, para a maioria dos brasileiros

O que mais aconteceu durante a Copa?

Enquanto a prostituição bombou na Zona Sul, houve pouco negócio de sexo no resto da cidade. Ao contrário da Jornada do ano passado, com a visita do Papa, quando os peregrinos percorreram a cidade toda, o turismo da Copa do Mundo focou na Zona Sul, paraíso para quem chegasse com fundos parcos — com o telão da FanFest em Copacabana, uma abundância de lanches e bebidas baratas, e a praia de banheiro. O prefeito Eduardo Paes tomou um susto com a chegada de centenas de argentinos, de carro e motor home, acampando no Leme. Foram transferidos para o Sambódromo.

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Inocência antes da perda fatídica, num bar de Santa Teresa

Com exceção do Sambódromo, o Maracanã e o telão tradicional do Alzirão, poucos locais das zonas norte ou oeste atraíram turistas. Um número considerável se hospedou em favelas como a Rocinha e o Vidigal.

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Antes do intervalo, quando o Bar do Gomes se esvaziou, com o placar 5-0, Alemanha

Os moradores do Complexo do Alemão e da Rocinha viram mais tiros do que turistas, em alguns dias. Uma versão do que aconteceu na Rocinha é que traficantes, que normalmente ficam no topo de um morro, teriam descido para assistir a jogos da Copa, junto com outros moradores – – para a surpresa da polícia pacificadora. Domingo passado, o jornal Extra reportou que a polícia pacificadora deixará de fazer patrulhas noturnas — decisão que talvez tenha motivação eleitoreira, para diminuir a violência nas favelas pacificadas até a eleição para governo do estado, em outubro.

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Os protestos e a reação da polícia (que, junto com o Exército e a Marinha, ocuparam a Zona Sul) seguiram um roteiro. Semanas antes, quando jornalistas assistiram a uma sessão de treinamento, foi fácil prever o desencadear dos eventos. Preventivamente, a polícia prendeu pessoas suspeitas de organizar violência e/ou protestos para o dia da final da Copa, e daí reprimiram com firmeza (e violência) a manifestantes na praça Saens Peña, na Tijuca. Ativistas de direitos humanos fazem uma campanha contra o que chamam de um estado de excepção inconstitucional, durante a Copa.

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Estão preocupados com a possibilidade de que a polícia volte a utilizar tais táticas em ocasiões futuras. As prisões, as acusações e a violência policial com certeza irão inibir manifestações de rua. É de se esperar que seja permitido organizar manifestações pacíficas — e também que os dissidentes brasileiro invistam no preparo de novas lideranças e na formação do eleitorado, entre outros requisitos para uma democracia saudável.

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Mais cedo, , inaugurou-se, com pouco alarde, o teleférico do morro da Providência, já pronto meses antes. Por causa de questões legais e de críticas por parte de moradores e ativistas, a inauguração havia sido adiada.

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Os partidos políticos tiveram suas convenções e escolheram seus candidatos definitivos para governador, que surgiram com alianças bastante estranhas, demonstrando a fraqueza de uma democracia baseada mais em personalidade e relações pessoais, do que em ideias e plataformas. No momento, o ex governador Anthony Garotinho e o ex senador Marcelo Crivella lideram as pesquisas de opinião, num empate de 24%. O atual governador, Luiz Fernando de Souza, o Pezão, está com 14%, seguido por Lindbergh Farias, com 12% das intenções de voto. Notavelmente, os votos em branco e anulados totalizam 23% do voto, agora.

O chute desta blogueira é que o voto a favor do Pezão irá crescer nos próximos meses, ao passo que ele vai se beneficiando da máquina política de seu partido e da exposição durante a campanha na televisão e no rádio.

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Camuflagem bem aparente

No começo do período da Copa, Pezão decretou aumentos de salário para funcionários públicos somando até R$ 1 bilhão por ano. Ele tem muito a ganhar da máquina política que herdou do ex governador Sérgio Cabral, que saiu do cargo em abril para deixar seu vice numa posição eleitoral mais confortável.

A campanha deve focar na pacificação, o coração do governo Cabral. De todos os candidatos, apenas Garotinho não pretende dar continuidade no projeto.

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Observando

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Alguém chamou?

Outra notícia que se perdeu no meio dos jogos de futebol foi de que a assembleia legislativa do estado, que funciona num prédio bastante feio, perto da praça Quinze e do Paço Imperial, irá se mudar para uma sede nova, perto da prefeitura e o Centro de Operações, na Cidade Nova. O prédio antigo será demolido e o Palácio Tiradentes, do lado (originalmente a sede do Congresso), será restaurado, criando um novo espaço beirando a baía, que não mais será divido pela Perimetral, recém removida.

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Muitos pais e filhos

Durante a Copa, O Globo também divulgou que, de 64 representantes estaduais, quinze deles mais do que dobraram seus patrimônios nos últimos quatro anos.

SONY DSCE agora será a vez dos Jogos Olímpicos, um evento para o qual muitos turistas da Copa pretendem voltar. Não deve ser surpresa, tampouco, ver um certo retorno para o Reveillon. Hora de fazer um estoque de limões

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While you were watching the World Cup, part III (final)

Much else was going on over the last month in Rio

SONY DSC Brazil has long been a relatively closed, inward-looking country, with not much travel nor the consumption of imported consumer goods — nor widespread knowledge of foreign languages. This began to change about a decade ago. Hosting the Cup added impetus. Even for those who didn’t mix with the 900,000-odd tourists (half being foreign– and this is about the same number who come for Carnival) in Maracanã, the South Zone or in favelas that did hosting, the Cup brought Brazilians more information about the rest of the world, via electronic and print media. This may be the event’s best legacy.

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Fans at the Gringo Café rooting for USA attracted Brazilian and American media, looking for screams and tears

Who knew?

A man from Bangladesh stood on the Copacabana beachfront sidewalk, looking out to sea. Asked which team he was rooting for, he plucked at his yellow Brazilian national team shirt. “We make these in my country,” he said, smiling.

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At Sugarloaf Mountain, things ran smoothly, as was the case, surprisingly, just about everywhere

In case you were busy looking for goals

As posted earlier, young passinho dancers performed all World Cup month in  their Na Batalha show. They’ll be in New York this coming week, together with a screening of Emílio Domingo’s fabulous passinho dance documentary. O Globo newspaper fired its Rio editor, Gilberto Scofield, providing the perfect opportunity for some reflection on its local coverage. And a hurried (and possibly illegal) public hearing was held, the day after the final game, on a US $715 million equivalent federally funded upgrade program, PAC II, for Rocinha favela.

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After initial hesitation, most Brazilians threw themselves into the World Cup

What else went on behind the scenes?

While prostitutes did a booming business in the South Zone, business elsewhere languished. In contrast to the citywide experience during last year’s Catholic youth event, with Pope Francis’ visit, World Cup tourism focused on the South Zone, a low-budgeter’s paradise — with the enormous FanFest screen in Copacabana, lots of cheap drinks and snacks, and the ocean for a bathroom. Rio’s mayor Eduardo Paes was taken aback by the arrival of hundreds of Argentines in cars and motor homes, camping out in Leme. They were moved to the Sambódromo.

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Innocence before the defeat, in a Santa Teresa bar

Aside from the Sambódromo, Maracanã and the traditional big screen in the Alzirão neighborhood, few tourists ventured into the West or North Zones. A considerable number found lodging in South Zone favelas such as Rocinha and Vidigal.

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Before Bar do Gomes emptied out at half time, at 5-0 Germany

Cariocas living in Complexo do Alemão and Rocinha saw more shooting than they did tourists. One version of what went on in Rocinha is that drug traffickers, normally holed up at the top of a hill, moved down to watch Cup games along with other residents – – something pacification police weren’t counting on. The Extra newspaper reported yesterday that pacification police will no longer carry out night patrols — a decision that may have electoral aims, in a bid to bring down violence in pacified favelas until the October gubernatorial election.

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Protests and the reaction of police (who, along with the Brazilian army and navy, locked down the South Zone) followed a script. It was easy to see how things would go, weeks earlier, when journalists were invited to a training session. Preventively, police arrested those they suspected of organizing violence and/or protests for the day of the Cup final, and then they cracked down on protesters in Tijuca’s Saens Peña square. Human rights activists are campaigning against what they say was an unconstitutional state of exception during the games.

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They express concern over continued easy recourse to such police tactics, which at very least are certain to inhibit further street demonstrations. One would hope that, while peaceful protests be allowed to take place, dissident Brazilians would also invest in the preparation of new leadership and in voter education, among other prerequisites for a healthy democracy.

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Earlier, the Providência favela cable car system, a political hot potato ready months before, was quietly inaugurated.

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Political parties held conventions and chose their definitive gubernatorial candidates, who worked up some truly odd alliances, demonstrating the weakness of a democracy based more on personality and personal relationships, rather than on ideas and platforms. At the moment, former governor Anthony Garotinho and former senator Marcelo Crivella lead the polls, tied at 24%. Incumbent Luiz Fernando “Pezão” de Souza stands at 14%, followed by Lindbergh Farias, at 12%. Notably, blank and annulled ballots total 23% of the vote right now.

This blogger’s guess is that Pezão’s share will grow over the next months, as he draws on his party’s political machine and campaign air time exposure.

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Showy camouflage

As the Cup began, Pezão awarded public servant pay hikes totaling as much as 447 million dollars, equivalent, a year. He stands to gain a great deal from the political machine he inherits from two-term former governor Sérgio Cabral, who left the governorship to his vice-governor in April.

The campaign is sure to focus on pacification, centerpiece of Cabral’s administration. Of the candidates, only Garotinho has no plans for continuity.

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Watching the watchers, everywhere

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You rang?

Another announcement overshadowed by soccer was that Rio’s state legislature, housed in a horrific building adjacent to Praça Quinze and the Paço Imperial, will move to new quarters near City Hall and the Operations Center, in Cidade Nova. The old building will be torn down and its neighboring Palácio Tiradentes (originally the national Congress building) restored, creating a new waterside space, no longer sliced through by the recently demolished elevated highway.

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Lots of fathers and sons

During the Cup, O Globo also reported that, of 64 state legislators, fifteen more than doubled their personal assets in the last four years.

SONY DSCAnd now come the Olympics, for which many Cup tourists plan to return. It should be no surprise, either, to see an uptick in tourism for New Year’s Eve. Time to stock up on limes

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While you were watching the World Cup part II: public hearing on PAC II for Rocinha, held Ash Monday

Hurriedly announced, given a miss by mainstream press

Representante de uma favela com grande população de origem nordestina

Adelson Guedes, representing a favela many of whose residents hail from the Northeast of Brazil, was at the hearing in partial regalia

For Enquanto você assistia à Copa, parte II: audiência pública sobre PAC II da Rocinha, na segunda-feira de cinzas, clique aqui

“Favelistic fiction,” a resident labeled the just-screeened short video, describing proposals for urban, sanitation, acessibility, mobility and housing upgrades in Rocinha. He was part of a group wearing bandit Lampião-style leather hats.

The proposals are part of a US$ 719 million equivalent Rio state project for Rocinha favela, the PAC II, about to be submitted to the federal funding agency, Caixa Econômica Federal.

Another resident reminded those present that it’s election season, that the PAC I promised sanitation upgrades which didn’t occur, while showier works such as a pedestrian overpass, a sports complex and a library were completed.

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Dennis Neves, who says it was his idea to march last year from Rocinha to then-governor Sérgio Cabral’s Leblon apartment building

“It’s hard to believe the things that they present to us,” he complained.

Monday, a four-hour required public hearing, held downtown in the dilapidated auditorium of a state office building, revealed the difficulties Brazil faces in deepening its democracy.

Announced during the World Cup in the Diário Oficial, with less than a week’s notice, the hearing almost filled the small auditorium. Present were various leaders from Rocinha and São Conrado, the formal neighborhood that has a symbiotic relationship with the  favela — home to 100,000 according to the federal IBGE, or double this number, according to residents who say the last census missed many households.

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Sanitation specialist Ernani Costa, EMOP president Ícaro Moreno, and Ruth Jurberg, PAC II coordinator

Nowhere to be seen (or at least, heard) were city government officials, who will have to take on responsibility for maintaining part of the public works once they’re finished. Despite the presence of several photographers, yesterday the only story published on the hearing was a report by a Rocinha resident.

Four days prior to the meeting, O Globo predicted the hearing would “catch on fire”. That fire, however, had been previously put out, since the Empresa de Obras Públicas do Estado (State Public Works Company), EMOP, decided only days ago that the so-called “ecological crime” — using part of an Área de Relevante Interesse Ecológico (Area of Relevant Ecological Interest), or Arie, for the relocation of Rocinha residents, to apartments yet to be built — was off the drawing board. This, despite the argument of Ícaro Moreno, EMOP president, that orderly occupation is preferable to an inevitable disorderly occupation of such land.

Instead of fire there was booing and shouting. Rocinha residents accused their São Conrado neighbors of not wanting to share space with the favela, whose growth and limits are part of the debate.

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Conclusion: the cable car system is more efficient. Most residents weren’t convinced

After the video, PAC II coordinator Ruth Jurberg made a Powerpoint presentation. It would have been useful to have such detailed information available in advance of the hearing, online. Strangely, only one person complained about this.

Click here for her presentation: APRESENTAÇÃO_PAC2_14-07-14-R02 ppt_2014_07_02_R02

Many doubts were expressed. Would the families removed or relocated (the word used varies, depending on the speaker’s political viewpoint) by the PAC II would be adequately housed, in existing or new homes? Would the proposed sanitation truly meet the favela’s needs (or the city’s, since the project, as state legislator Aspásia Camargo pointed out, doesn’t consider the environmental impact of a considerable amount of untreated additional sewage sent out through the existing pipeline to the Cagarra islands area, a system criticized in a full-page piece in that day’s O Globo newspaper?)?

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What’s the overall impact on the system?

The project proposes to link Rocinha to the Metro extension (now under construction) by way of pedestrian walkways and a cable car system. However there was no mention of the overall impact of this on the city, given the additional passenger flow; no one appeared to be present from the Metro concessionaire.

During a public hearing on the linear extension of the Metro (built instead of a network of lines), over two years ago, participants said they feared that at rush hour, Metro cars would arrive in Leblon and Ipanema crammed with passengers coming from Barra da Tijuca. At the time, Rocinha wasn’t part of the plan.

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Attentive and concerned hearing participants

Based on the information presented Monday, it’s impossible to make a complete and fair analysis of the project. How to evaluate residents’ needs and wishes? How to determine if they were fairly represented at the hearing? The favela, with a city-sized population, is much-divided.

There is a Plano de Desenvolvimento Sustentável (Plan for Sustainable Development), drafted by the government together with residents, but it was launched two years ago, in book form — and the electronic version isn’t widely available. Thus, despite a detailed presentation (click here for it: ppt_2014_07_02_R02) by sanitation expert Ernani Costa, it’s no easy task to consider, for example, the proposed 11,300 additional meters of sewage collection piping in the context of total demand. What will the sewage picture look (and smell) like in Rocinha after the PAC II? What will São Conrado Beach look like?

From what he said, the sewage collection will not be from individual homes, but will gather what runs down the favela’s inclines in open sewage streams and send it, untreated, out to sea. This is a far cry from what residents say they want– and may simply be an attempt to offset opposition to the cable car system.

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Guilherme Pimentel, campaign coordinator at  the digital activism group Meu Rio, asking away

Rocinha residents said they would have preferred the hearing be held in the favela. They felt the venue sent a message of disrespect and lack of attention (Although many meetings on the favela’s future have been held there). Notably, the complaint about a possibly more serious issue didn’t come from them.

This was the lack of online availability of the relevant information. Without such data, participant preparation was certain to be incomplete.  And Guilherme Pimentel, from Meu Rio, didn’t stop here. He questioned the legality of the hearing itself, since it’s possible that the rush to hold it may have led to failure to meet federal requirements. Under his coordination, Meu Rio is running a campaign against the proposed Rocinha cable car system, and in favor of sanitation.

SONY DSCPublic hearings are complex events. Monday’s brought worries regarding lack of trust, all parties’ difficulty with conflict resolution and working together for the greater good, and the absence of municipal government, the Metro and mainstream media, this last a great potential asset to the process, given an objective viewpoint and technical knowledge.

All concerned will surely find it important to keep tabs on the Caixa Econômica’s evaluation of the project and its execution over the next several years.

And, while we await the PAC II and this October’s elections, how about a review of our last governor’s campaign promises?

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Enquanto você assistia à Copa parte II: audiência pública sobre PAC II na Rocinha, na segunda-feira de cinzas

Anunciada às pressas, sem cobertura de imprensa tradicional

Representante de uma favela com grande população de origem nordestina

Adelson Guedes, representante de uma favela com grande população de origem nordestina, presente na audiência pública no centro da cidade

“Ficção favelistica”, denunciava o morador, parte de um grupo ostentando chapéus de couro no estilo Lampião.

Descrevia um filme sobre propostas de melhorias urbanísticas, de saneamento, acessibilidade, mobilidade e moradia. As propostas fazem parte de um projeto estadual de R$ 1,6 bilhões para a favela da Rocinha, o PAC II, prestes a ser submetido à agência federal que irá custeá-lo, a Caixa Econômica Federal.

Outro morador lembrava que estamos em época eleitoral, que no PAC I houve a promessa de saneamento, não cumprida, enquanto se construía uma passarela, um complexo esportivo e uma biblioteca.

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Dennis Neves, que diz ter idealizado a marcha de protesto em 2013, de moradores da Rocinha até o apartamento do então governador Sérgio Cabral

“A gente deixa de acreditar nas coisas que são apresentadas,” reclamou.

Ontem, num auditório mal conservado de um prédio de escritórios do governo estadual, no centro da cidade, uma audiência pública obrigatória, de quatro horas, mostrou as dificuldades de aprofundar a democracia brasileira.

Anunciada no Diário Oficial durante a Copa, com menos de uma semana de antecedência, a audiência quase encheu o pequeno auditório. Estavam presentes lideranças variadas da Rocinha e de São Conrado, o bairro formal que vive em simbiose com a favela — que abriga 100 mil moradores de acordo com o IBGE, ou o dobro disso, de acordo com alguns moradores que afirmam que o último censo negligenciou muitas casas.

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O sanitarista Ernani Costa, o presidente da EMOP, Ícaro Moreno e Ruth Jurberg, coordenadora do PAC II

Não se via (ou pelo menos não se ouvia) ninguém do governo municipal, que terá que assumir a manutenção de parte das obras, depois de prontas. Apesar da presença de vários fotógrafos, hoje a única matéria que se encontra na imprensa é o relato de um morador da Rocinha.

Quatro dias antes da reunião, O Globo previa que a audiência iria “pegar fogo”. Aquele fogo fora, porém, apagado previamente, pois a Empresa de Obras Públicas do Estado, a EMOP, decidira dias antes que o “crime ecológico” — a utilização de parte de uma Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie) para a construção de prédios de apartamentos para os moradores realocados da Rocinha– não iria mais acontecer. Isso, apesar de Ícaro Moreno, presidente da EMOP, argumentar que a ocupação ordenada preserve mais o meio ambiente do que uma inevitável ocupação desordenada.

Na ausência do fogo, houve vaias e palavras de ordem. Moradores da Rocinha acusaram os vizinhos de São Conrado de não querer conviver com a favela, cujos limites entraram na discussão.

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Conclusão: o teleférico é mais eficiente. Moradores não se convenceram

Depois do filme, Ruth Jurberg, coordenadora do PAC II, fez uma apresentação em Powerpoint (veja : APRESENTAÇÃO_PAC2_14-07-14-R02). Teria sido útil se as informações detalhadas tivessem sido disponibilizadas com antecedência, pela Internet. Notavelmente, apenas uma pessoa reclamou dessa falta.

Muitas duvidas se expressaram: se as famílias removidas ou realocadas (a palavra varia, dependendo do ponto de vista politico de quem fala) pelo PAC II iriam ser adequadamente abrigadas, em moradias existentes ou novas; se o saneamento proposto realmente atendia à favela (e à cidade, pois o projeto, como apontou a deputada estadual Aspásia Camargo, não engloba o impacto ambiental de levar uma quantia considerável de esgoto adicional para a região das ilhas Cagarra, por meio do emissário submarino, cujo funcionamento foi criticado justamente ontem em matéria de uma página do jornal O Globo).

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Qual o impacto no sistema como um todo?

O projeto visa, ao incluir passarelas e um sistema de teleférico, a ligação da Rocinha ao sistema do Metrô. Não se falou, porém, sobre o impacto geral na cidade, do fluxo adicional de passageiros (não estava presente ninguém da concessionária). Durante uma audiência pública sobre a extensão linear do Metrô (em vez de fazer uma rede de linhas), há mais de dois anos, perguntava-se se os vagões do Metrô não chegariam a Ipanema já cheios, na hora do rush, de passageiros vindo da Barra da Tijuca. Na época, a Rocinha não fazia parte do traçado.

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Público atento e preocupado

Na base apenas das informações apresentadas ontem, é impossível fazer uma análise redonda do projeto. Como avaliar as atuais necessidades e desejos dos moradores? Como saber se estão bem representados na audiência? Há muitas divisões na favela, cuja população equivale a uma cidade.

Existe um Plano de Desenvolvimento Sustentável, elaborado pelo governo em conjunto com moradores, mas foi lançado, em forma de livro, há dois anos — e a versão eletrônica não está amplamente disponível. Assim, apesar de uma detalhada apresentação (veja: ppt_2014_07_02_R02) pelo sanitarista Ernani Costa, fica difícil avaliar, por exemplo, os 11.300 metros de extensão da rede de esgoto no contexto da demanda total. Como ficará o esgoto da Rocinha? Como ficará a praia de São Conrado?

Pelo que Costa disse, a coleta de esgoto não será a partir das casas individuais. Em vez disso, a tubulação instalada irá coletar aquilo que jorra pelas ladeiras da favela em valas abertas e enviá-lo, sem tratamento, para o mar. Pouco tem a ver com o que os moradores gostaria de ver – e pode ser, simplesmente, uma tentativa de reduzir a oposição ao sistema de teleférico.

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Guilherme Pimentel, coordenador de campanha do grupo de ativismo digital e real, Meu Rio, faz suas perguntas

Moradores da Rocinha disseram ter preferido que a audiência tivesse acontecido na própria favela. Para eles, o local escolhido demonstrava uma falta de respeito e atenção (mesmo sendo que a Rocinha já acolhera muitas reuniões sobre o futuro da comunidade).

Porém, não foram eles que reclamaram de algo possivelmente bem mais sério: a falta de disponibilidade de informações pela internet. Sem elas, o preparo de qualquer participante fica a desejar.

E Guilherme Pimentel, do Meu Rio, não parou nesse quesito. Questionou se a audiência teria legalidade, pois talvez a pressa de realizá-la tenha encurtado prazos. Sob a coordenação dele, Meu Rio faz uma campanha contra o teleférico na Rocinha, e a favor do saneamento.

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Audiências públicas são eventos complexos. A de ontem preocupa bastante pela falta de confiança e preparo, pela dificuldade que todas as partes demonstram na resolução de conflitos e no trabalho pelo bem comum, e pela ausência da prefeitura, do Metrô e da imprensa tradicional, sendo que esta última poderia acrescentar uma visão isenta e tecnicamente bem embasada.

Será importante, para todos, acompanhar a avaliação do projeto pela Caixa Econômica, e sua execução durante os próximos anos.

E, enquanto aguardamos o PAC II e as eleições de outubro, que tal rever as promessas do nosso último governador?

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