Rio bus system: reform at last?

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O Globo opens the way to change

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The sixth in a series of articles about Rio de Janeiro buses, “Máquinas mortíferas”, or “Killing machines” published today, reveals why passenger comfort and safety have so long been neglected: “… bus transportation in Rio is still concentrated in few hands”. The paper adds that the bidding for bus concessions that took place three years ago, instead of modernizing one of the city’s worst flaws, simply put new makeup on an already existing system.

Cartels and monopolies are common in Brazil, and are usually well-connected to governments and the media. They’re at the center of the country’s worst problems. And when the difficulties generated by their inherent inefficiency become unbearable, we face the urgent challenge of changing them.

Globo’s previous articles in the series show that:

For cariocas, none of this is new. This article in Veja magazine, in 1997, reveals a subsidy that bus companies are said to have received in Belo Horizonte if they failed to make a profit, a mechanism which could also explain the large number of empty buses in the South Zone, while passengers pile up in the West and North Zones.

The mega-events changed everything. Suddenly, Rio is attracting more tourists, more investment, greater foreign scrutiny — and more executives, foreign and Brazilian (coming home after long periods spent abroad), who bring new expectations with them. Also, economic growth has allowed cariocas to experience greater contact with life in other cities.

When a Rio native returns from a trip abroad, one of his first comments is almost always about public transportation in some foreign city — which seems like a dream.

And thus began a shakeup, which gained force with the tragic gang rape of a foreign student last month, in a van she caught in Copacabana.

Vans are a result of the fact that the transportation system is a cartel. If we had a public transportation system directly run by the city, responsibly; or if we had a public transportation system made up of several concessions, won in a transparent and fully competitive bidding process (according to today’s piece in O Globo, some bidders dropped out three years ago because the process was basically a setup), buses would serve cariocas’ real needs. Vans wouldn’t be necessary.  Traffic would be less congested.

This must have been obvious to city administrators for quite some time. But– how to face down the powerful bus and van fleet owners? The city started by way of changes that would be easier to impose, such as the dedicated bus and taxi lanes, the BRSes; and the exclusive roadways for articulated buses, the BRTs.

The gang rape, and those that came to light subsequently, probably served as an excellent excuse to embark on true reform.

Now we know the names of the owners of Rio’s bus fleets, names only whispered in the 1990s and 2000s, because they were kidnapping targets, with their easy access to large quantities of cash.

Public transportation in Rio de Janeiro is just one area among many that demand urgent reform – in the city and the country as a whole. Sadly, reform usually occurs here only after a tragedy or under pressure from newcomers. At least, with today’s piece in O Globo, we can be sure that the wind has at last begun to blow in the passenger’s favor.

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Arrumando o salão

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O Globo abre caminho para uma reforma no sistema de ônibus

A sexta de uma série de reportagens sobre os ônibus do Rio de Janeiro, “Máquinas mortíferas”, publicada hoje, revela o que está por trás do descaso pelo conforto e segurança dos passageiros: “[...] o transporte rodoviário do Rio ainda se concentra em poucas mãos”. O jornal ainda relata que a licitação das linhas de ônibus que houve há três anos, ao invés de renovar uma das piores mazelas da cidade, apenas maquiou o que já existia.

Comuns no Brasil, os cartéis e monopólios, que geralmente andam, por gerações, de mãos dadas com os governos e os veículos de comunicação, estão no centro dos maiores problemas do país. E, quando os problemas gerados pela ineficiência inerente deles se tornam insuportáveis, surge o desafio urgente de desfazer o quadro.

As reportagens anteriores do jornal carioca mostraram que:

Para os cariocas, nada disso é grande novidade. Esta matéria da revista Veja, de 1997, explicita até um subsídio que as empresas teriam recebido em Belo Horizonte se andassem com prejuízo, o que pode também explicar a quantidade de ônibus vazios na nossa Zona Sul, enquanto sobram passageiros nas Zonas Oeste e Norte.

Os mega eventos mudaram tudo. De repente, o Rio de Janeiro recebe mais turistas, mais investimento, maior escrutínio estrangeiro — e mais profissionais, estrangeiros e brasileiros, voltando de longos períodos no exterior, que trazem consigo expectativas novas. Também, o crescimento econômico levou o carioca a experimentar um maior contato com a vida em outras cidades.

Quando um nativo do Rio volta de uma primeira viagem ao exterior, um de seus primeiros comentários é quase sempre sobre o transporte público em alguma cidade estrangeira — que lhe parece um sonho.

Assim, já começou uma chacoalhada, que ganhou força com o trágico estupro, oito vezes, de uma estudante estrangeira, no mês passado, dentro de uma van que ela pegou em Copacabana.

As vans são resultado do fato de termos um sistema de transporte em forma de cartel. Se tivéssemos um sistema de transporte público diretamente administrado pelo município, com responsabilidade; ou se tivéssemos um sistema de transporte público composto de várias empresas concessionárias, vencedoras de uma licitação transparente e plenamente competitiva (de acordo com a matéria de hoje do Globo, algumas empresas caíram fora da licitação que houve há três anos, justamente por se tratar de um jogo feito), os ônibus atenderiam às necessidades verdadeiras dos cariocas. As vans não seriam necessárias. O trânsito seria menos congestionado.

Para quem administra a cidade, tudo isso deve estar bem claro, faz tempo. Mas como enfrentar a força dos donos de ônibus e das vans? Começou-se com medidas menos difíceis de resistir, como os BRS, as pistas dedicadas aos ônibus e táxi; e os BRT, as vias exclusivas, trafegadas por ônibus articulados.

O estupro serial da estudante, e aqueles que vieram à tona depois disso, provavelmente serviram de uma ótima desculpa para começar a reforma para valer.

Agora sabemos os nomes dos donos das frotas de ônibus no Rio de Janeiro, nomes que quase não se pronunciavam nos anos 1990 e 2000, porque eram alvos de sequestro por terem acesso fácil a grandes quantias de dinheiro vivo.

O transporte público no Rio de Janeiro é apenas uma questão, entre muitas, que necessitam urgentemente de reforma – na cidade e no país como um todo. Tristemente, as reformas aqui costumam acontecer apenas quando acontece uma tragédia ou sob a pressão de atores recém-chegados à cena. Pelo menos, com a reportagem de hoje pelo jornal O Globo, podemos ter certeza de que o vento mudou, a favor do passageiro, finalmente.

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Irresponsabilidade no Rio: no céu, na terra e até mesmo debaixo da terra

A Polícia Civil perseguiu um traficante violento como se sobrevoasse uma selva e não uma favela densamente povoada

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No dia 5 de maio, o programa de TV, Fantástico, divulgou um vídeo de uma arriscada perseguição que resultou na morte de um traficante de drogas, chefe de facção. De helicóptero, policiais civis caçavam o “Matemático”, que portava armas pesadas e fugia de carro, com onze mandados de prisão contra ele.

O vídeo, gravado há um ano, levou à abertura de investigações pela corregedoria interna da Polícia Civil  e pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O promotor geral do Estado do Rio de Janeiro reabriu o caso e o piloto do helicóptero foi temporariamente afastado de suas funções.

No vídeo, policiais civis, sobrevoando telhados das casas a alturas abaixo de vinte metros,  gritando com emoção, atiraram na direção de uma rua em uma favela da Zona Oeste do Rio. Os suspeitos acertaram no helicóptero com algumas balas. Por milagre, nenhum policial ou civil transeunte foi ferido na operação.

Americanos especializados em segurança, de olho no Brasil, à medida que os primeiros mega eventos se aproximam, nada gostaram do que viram.

“Não conheço nenhuma organização professional de polícia ou de militares, em qualquer lugar do mundo, que iria considerar isso justificável, razoável ou necessário,” disse Eduardo Jany ao RioRealblog em um e-mail. Jany é fuzileiro naval americano especialiado em táticas de antiterrorismo, e Diretor do departamento de Law Enforcement Advisory Services para a Mutualink, uma empresa de consultoria, treinamento e equipamento policial. “Eles têm muita sorte – nenhum inocente foi morto ou ferido” acrescentou. Jany disse ainda que conversou com dois altos executivos do FBI e com um oficial de patente alta do Comando de Operações Especiais das forças militares dos Estados Unidos. “Tentávamos entender esse evento e ver como poderia se desencadear desta maneira. Ficamos simplesmente estupefatos,” ele acrescentou.

Entender os últimos eventos no Rio não é tarefa fácil, principalmente quando falta apenas um mês para a Copa das Confederações e dois meses para a visita do Papa Francisco. Ainda mais quando se considera a facilidade com a qual dois jovens supostamente estouraram bombas aos pés dos espectadores, na linha de chegada na Maratona do Boston, no mês passado.

A vida cotidiana é arriscada.

Por aqui, ônibus têm matado pedestres e ciclistaspoliciais do BOPE são acusados de cometer abusos contra os direitos humanos no Complexo da Maré durante a invasão que prepara o terreno para a pacificação,  um helicóptero da polícia caiuuma tempestade deixou grandes partes da cidade sem luz por tempo demaisa Câmara Municipal não foi capaz de debater efetivamente uma política proposta na área da saúdeuma tubulação de água estourou bem ao lado do recém reinaugurado estádio do Maracanã e esgoto escorre a céu aberto nas ruas do centro da cidade.

Tudo isso aconteceu logo após acontecimentos horrendos: um ônibus capotou e caiu de um viaduto, durante uma briga entre o motorista e um passageiro; e uma estudante americana sofreu estupro coletivo em uma van de transporte público, enquanto o namorado dela, um francês, era espancado. Desde então, outros estupros em veículos de transporte público têm sido noticiados.

Perante esse caos, dois brincalhões recomendaram que os cariocas fiquem imóveis, pois o trânsito está ruim demais, o Metrô anda cheio demais, os trens não funcionam, corre-se risco de estupro numa van, os ônibus capotam de viadutos, os helicópteros caem e os ciclistas são atropelados. Os brincalhões dizem ainda que se você estiver ferido, não deve entrar em uma ambulância, porque até mesmo esses veículos se envolvem em acidentes cinematográficos. A recomendação deles: mantenha-se imóvel, pois assim você passa a ter valor no mercado imobiliário, cujos preços sobem vertiginosamente.

O que realmente está acontecendo?

Essa pergunta se faz em várias esferas. No que concerne à operação policial conduzida há um ano, talvez os aspectos mais confusos sejam a divisão do trabalho e a hierarquia de comando. Antes da pacificação iniciada em 2008, estudiosos de reforma policial pregavam a unificação das várias forças policiais existentes no Brasil, argumentando que as forças policiais mais importantes, a Polícia Civil e a Polícia Militar, historicamente têm trabalhado mais em desacordo do que de maneira bem administrada.

No Rio, porém, o Secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame – que supervisiona tanto a Polícia Civil quanto a Polícia Militar – deixou claro que preferia trabalhar dentro do sistema atual. Ele focou nas RISPs, regiões do estado, alocadas a equipes constituídas por membros das duas forças policiais, que ganham bônus pela redução ao crime.

O RioRealblog costuma diferenciar as duas forças policiais identificando uma com o trabalho de investigação e a outra com a patrulha nas ruas. No entanto, como a perseguição em helicóptero mostrou, essa divisão não é tão clara assim. De acordo com a imprensa, a Polícia Federal monitorava o traficante de drogas “Matemático” há cinco meses. Segundo relatos, a Polícia Militar fechava o cerco ao traficante, mas um pneu do carro blindado dela levou um tiro. Por isso, a Polícia Civil entrou em ação, de helicóptero, mantendo comunicação com os policiais que estavam em terra, e supostamente usando uma metralhadora belga FN MAG 7.62mm da Marinha, proibida aos policiais . Aparentemente, a missão era de matar o traficante. No entanto, a chefe da Polícia Militar, Martha Rocha, posteriormente sugeriu que os PMs deveriam ter prendido o traficante, ao invés de matá-lo.

Seria possível argumentar que esse caso mostra uma excelente cooperação entre as várias forças policiais. Mas, a enigmática nota divulgada pelo do Secretário estadual de Segurança Pública, Beltrame, aponta o contrário: ”O Secretário de Segurança entende que há um setor especializado nessas ações que tem que dar uma resposta à sociedade. Quem teve a responsabilidade de agir, tem que ter a responsabilidade de arcar com as consequências”.

Confissão chocante

Na segunda-feira passada, a chefe da Polícia Civil, Martha Rocha, confessou, numa coletiva de imprensa, que não existia nenhum protocolo para a coleta, o monitoramento ou a avaliação das imagens de vídeo gravadas pela instituição durante suas operações. Ela anunciou a criação de uma comissão para elaborar tal protocolo.  Os protocolos de comportamento policial são, aparentemente, uma das áreas mais fracas no setor de segurança pública. Um estudo de impacto do programa de pacificação do estado justamente recomendou protocolos para os policiais das UPPs

A Marinha sabia que a Polícia Civil estava usando uma metralhadora dela na operação? Existe alguma espécie de supervisão das operações? O piloto arriscou as vidas dos passageiros, que por sua vez arriscaram as vidas dos moradores de favelas. A polícia teria ousado conduzir uma operação como aquela em um bairro de classe média?

Nas democracias em desenvolvimento, não faltam teorias da conspiração. Aqui, alguns teorizam que o video foi divulgado devido a uma disputa interna de poder na Polícia Civil. Outros defendem que o traficante “Matemático” foi morto, em vez de preso, para proteger policiais corruptos.

A Polícia Civil está em maus lençóis?

Nesta semana, mais um vídeo apareceu, agora supostamente de policiais civis adulterando uma cena de crime na Zona Oeste — forjando um auto de resistência. Os dois vídeos, ambos advindos da Polícia Civil (um deles foi filmado a partir de uma câmera instalada na cabeça de um policial), denotariam conflitos internos. Seja esse o caso ou não, a mensagem críptica de Beltrame – sobretudo, considerando que ele tende a ser muito aberto – pode indicar tensão entre ele e a Polícia Civil, e questões de hierarquia no domínio do Secretário. Foi também a Polícia Civil quem falhou no caso do estupro na van: não investigaram a queixa de uma brasileira que fora estuprada pelo mesmo bando, semanas antes da estudante americana.

Quais os papéis das duas forças policiais? Em teoria, a Polícia Militar faz trabalho preventivo, enquanto a Polícia Civil investiga e age no âmbito das atividades criminais. Mas a Polícia Militar faz prisões, invade favelas, coleta informações. Deve haver sobreposição de atividades, pois, afinal de contas, cada força policial tem sua própria tropa de elite: o BOPE, da Polícia Militar e a CORE, da Polícia Civil. E quando o trabalho de investigação policial passar a ser responsabilidade da Polícia Federal?

Quem sabe este não é o momento de repensar as forças policiais do Rio de Janeiro?

Panorama

À medida que o Brasil deixa de ser uma sociedade dirigida por uma elite que segue um código tácito e se transforma em uma sociedade com maior transparência, igualdade e participação, não faltam questões de responsabilidade. Em Brasília, o Congresso e o Poder Judiciário estão disputando quem tem a última palavra sobre sentenças de corrupção envolvendo congressistas – enquanto o Poder Executivo luta para superar obstáculos clientelistas para modernizar políticas tais como, as urgentíssimas reformas do porto.

No Rio, o antigo jogo do empurra-empurra, a negligência dos direitos humanos e as jogadas de poder estão exacerbados pelo fato de que a população exige cada vez mais serviços de qualidade, fornecidos diretamente ou fiscalizados pelo município e pelo estado. Isso se deve aos mega eventos, ao aumento nos investimentos e ao maior nível de renda — e pode explicar parcialmente o número crescente de pessoas atropeladas por ônibus, dentre outras catástrofes. As empresas de ônibus, face à escassez de motoristas, reduziram pré-requisitos e diminuíram o período de treinamento.

Por décadas, os brasileiros negligenciaram a vida humana e a saúde do próximo. Isso está mudando aos poucos, à medida que crescem a renda e o acesso às redes de informação das camadas mais baixas da sociedade. Ainda assim, continua, como algo natural, o irresponsável comportamento individualista — e a aceitação geral dele. A reportagem do Fantástico sobre o helicóptero ganhou atenção pública de pouca duração  – e muitos comentários de website parabenizavam a polícia por ter matado o traficante Matemático, com votos de que a polícia matasse mais bandidos.

Há alguns dias, uma briga aconteceu entre passageiros brasileiros em um voo da American Airlines com destino a São Paulo, antes da decolagem. Um passageiro queria dormir e o cara atrás dele preferia assistir a um filme. Sete pessoas desembarcaram algemadas em Miami.

 Tradução de Rane Souza

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Reckless Rio: in the air, on the ground and even under the earth

Civil Police hunted down a cold-blooded drug trafficker  as if they were flying over a jungle, instead of a densely populated favela

[UPDATE] Civil Police Chief Martha Rocha said Monday morning  (May 13) that there is no protocol for collecting, monitoring or evaluating video images of her force’s operations. A committee has now been created to set up such a protocol.  Protocols for police behavior seem to be one of the weakest links in the area of public safety. The creation of protocols was one of the main recommendations in the impact study of the state’s pacification program.

May 5, TV Globo’s primetime program, Fantástico, aired a video of a risky helicopter chase that resulted in the death of a heavily armed drug trafficker and gang leader with eleven warrants out for his arrest. The year-old video has led to investigations by the Civil Police internal affairs department and Rio’s state legistature’s Human Rights Committee; the Rio State Attorney General reopened the case, and the helicopter pilot has been temporarily removed from his duties

In the video, civil police, hovering over rooftops as low as 70 feet, shouting excitedly, sprayed fire into a favela in Rio’s West Zone. The suspects shot at the helicopter, which was hit by some bullets. Miraculously, no police or uninvolved civilians were hurt.

U.S. security personnel, closely watching Brazil as mega-events quickly approach, weren’t pleased by what they saw.

“I do not know any professional organization police, nor military, anywhere in the world where this level of force would be considered justifiable, reasonable or necessary,” Eduardo Jany, a U.S. Marine specialized in anti-terrorism, and Director of Law Enforcement Advisory Services for Mutualink, a police training, equipment and consulting firm, wrote in an email to RioRealblog. “They are very lucky no innocents were injured or killed.” Jany said he had spoken to two senior executives at the FBI and a senior officer in the U.S. military’s Special Operations Command. “We were trying to wrap our minds around this thing and see how [it] could unfold in this manner.  All of us are just flabbergasted,” he added.

Wrapping one’s mind around recent events in Rio is no easy task, only a month away from the Confederations Cup international soccer championship and two months before Pope Francis’ visit, especially in light of the ease with which two young men allegedly bombed bystanders at the finish line of the Boston Marathon, last month.

Everyday life is hazardous.

Here, buses have been killing pedestrians and bicyclists, invading police have allegedly committed human rights abuses in Complexo da Maré, a police helicopter crasheda rainstorm doused lights in large parts of the city for too long, the city council failed to adequately debate health care policy, a water main burst right next to the just-reopened Maracanã stadium, and sewage has been flowing openly in downtown streets.

All of this came on the heels of some truly horrific events: a bus tumbled off an overpass during a fight between a passenger and the driver; and an American student was gang-raped on a public transit van, while her French boyfriend was beaten up. Since then, other rapes on public transportation  have come to light.

In the face of  such chaos, a couple of jokers recommended that cariocas remain immobile, since there’s too much traffic to drive a car, the metro is too crowded, the trains don’t work, you risk rape on a van, buses can fall off an overpass, helicopters crash and bicycles are run over. If you’re hurt, the jokers added, don’t get in an ambulance, because these too have been getting into wild accidents. Remain immobile, they conclude, making a play on the word for real estate, imóvel — because values have been skyrocketing.

What’s really going on?

The question is being asked on several levels. Regarding the specific police operation carried out a year ago, perhaps the murkiest aspects are division of labor and the chain of command. Before pacification began in 2008, police reformers preached the unification of Brazil’s various police forces, saying that the principal Civil and Military Police forces had historically worked more at odds with each other, than in concert.

But in Rio, State Secretary of Public Safety José Mariano Beltrame — who oversees both the Civil and Military Police — made clear that he preferred to work within the existing system. He focused on the RISPs, geographical divisions of the state for which Civil and Military Police share responsibility, receiving pay bonuses for crime reduction.

RioRealblog has often explained the division of labor between the two as investigative work versus street police work. But as the helicopter chase indicates, it’s not quite so clear-cut. Federal Police (Brazil’s version of the U.S. FBI) had reportedly been monitoring “Matemático”, the drug trafficker, for five months. According to reports, the Military Police were supposed to move in on him, but their armored vehicle took a bullet in a tire — and so the Civil Police went into action, in a helicopter, communicating with those on the ground, reportedly utilizing an off-limits Navy FN MAG 7.62mm machine gun made in Belgium. Apparently, the mission was to kill the dealer — although Civil Police Chief Martha Rocha later suggested her men should have arrested him, instead.

You might say the case involves excellent cooperation among the various forces. But the “newspeak” statement released to Fantástico by State Public Safety Secretary Beltrame indicates otherwise: ”The sector that is specialized in these actions must answer to society and those with the responsibility for acting must assume the responsibility for the consequences”.

Did the Navy know the Civil Police was using its machine gun? Why did Civil Police Chief Rocha sit for a year on the footage presented last week on Fantástico, without following up? What kind of oversight exists, that allows a pilot to risk the lives of his passengers, who in turn risk those of favela residents? Would the police have dared to carry out such an operation in a middle-class neighborhood?

In developing democracies, conspiracy theories abound. Here, some posit that the video came to light now due to an internal power dispute within the Rio Civil Police. Others point out that Matemático wasn’t arrested, to protect corrupt police.

Civil Police in trouble?

Yesterday, yet another video surfaced, this time purportedly of Civil Police rearranging a West Zone crime scene, so as to make it look like they’d killed a criminal in self defense. The two videos, both coming out of the Civil Police (one was filmed on a police officer’s head camera), would indicate internal difficulties. Whether or not this is the case, Beltrame’s cryptic statement — especially given that he’s generally quite outspoken– could signal tension between him and Civil Police forces, and command issues within Beltrame’s domain. The Civil Police were also at fault in the case of the van rape: they didn’t investigate a Brazilian woman’s complaint some weeks before the American’s tragic experience, involving the same perpetrators.

What do the two forces do, and when? In theory, the Military Police do preventive work, while the Civil Police investigate and follow up on criminal activity. But Military Police make arrests, they invade favelas, they amass information. Overlap must exist; after all, each force has its own elite squad: the BOPE, for the Military Police; and CORE, for the Civil Police. And when does the Civil Police’s investigative work shift to the Federal Police?

Perhaps it’s time for a rethink of Rio’s police forces?

The bigger picture

Issues of responsibility abound, as Brazil moves from a society run by an elite according to an unwritten code, to one of greater clarity, equality and participation. In Brasília, Congress and the Judiciary are battling over who has the last word on corruption rulings involving legislators — while the Executive branch struggles to overcome clientelist obstacles to modernizing policy such as much-needed port reforms.

In Rio, the usual buck-passing, neglect of human rights and power plays are exacerbated by the fact that public demand for quality services, provided directly or supervised by city or state government, is on the rise — due to upcoming mega-events, increased investment and greater income. This may be is part of the explanation for the growing number of people run over by buses, among other catastrophes. Bus companies, faced with a shortage of drivers, have reduced job requirements and curtailed training.

For decades, Brazilians have shrugged off — and shared in — widespread neglect for human life and health. This has been changing, as people gain income and access to information networks. Still, reckless individualistic behavior and acceptance of it come naturally. Fantástico’s helicopter story got short-lived public attention, and many website comments praised the police for killing Matemático, urging them to bring down more bandidos.

Only days ago, a fight broke out among Brazilian passengers on an American Airlines flight to São Paulo, before it took off– because one passenger wanted to sleep, and the guy behind him preferred to watch a movie. Seven people disembarked in Miami, in handcuffs.

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Uma nova aliança para mudar o Rio: Casa Fluminense

José Marcelo Zacchi

José Marcelo Zacchi, diretor executivo da Casa Fluminense: ainda falta uma ideia de um Rio plenamente integrado

Click here, for A new alliance for change in Rio: Casa Fluminense

Moradores de Santa Cruz e líderes de importantes movimentos cariocas por mudanças sociais se reuniram, no sábado passado, na ponta mais a oeste da cidade, para inaugurar o novo think-and-do-tank, a  Casa Fluminense. Para iniciar o trabalho ambicioso da Casa, a pesquisadora do IETS, Valéria Pero, mostrou mapas da desigualdade na região metropolitana; moradores prestaram depoimento em vídeo, e ao vivo, sobre a carência de serviços públicos na região; e os participantes do evento expressaram ideias e sonhos para o ano de 2017.

Eliana Sousa Silva, diretora da Redes da Maré, e Valéria Pero, pesquisadora no IETS: curtindo uma tapioca no Matadouro Imperial de Santa Cruz, antes do evento de inauguração

Nos seis anos de mudanças no Rio, já se fez muito para melhorar a vida das pessoas. Talvez, o fato mais significativo seja a queda, em quase 50%, nos índices de homicídios, chegando aos atuais 24 por 100 mil habitantes. O aumento da segurança, aliado ao crescimento econômico, estimulou investimentos, tanto públicos quanto privados. Apesar dos preços exorbitantes, o turismo cresce.

Mas, como os mapas da desigualdade mostraram a todos, no sábado, houve pouco avanço, no sentido de combater vieses endêmicos, paradigmas de políticas públicas ultrapassadas e modelos de crescimento econômico tacanhos.

“O Rio corre o risco de se acomodar, de reproduzir a desigualdade que está em nosso DNA: da Casa Grande e Senzala,” disse José Marcelo Zacchi, diretor executivo da Casa. Zacchi destacou que a prefeitura já gastou dois bilhões de reais em reformas urbanas (Morar Carioca) até o ano de 2012 – e quase a metade desse montante, no mesmo período, para reformar o estádio do Maracanã (que por coincidência também foi inaugurado sábado, com a polícia jogando gás lacrimogêneo em manifestantes pacíficos, que estavam do lado de fora).

De Paula Martinica a Pedro Strozenberg: vamos colocar a tecnologia a serviço da participação

De Paula Martinica a Pedro Strozenberg: vamos colocar a tecnologia a serviço da participação

Os participantes apontaram que a empresa estatal de água e saneamento, CEDAE, abastece a cidade com água da Baixada Fluminense – e, enquanto o Leblon nunca fica sem água, a Baixada Fluminense frequentemente sofre com cortes. Os pontos de ônibus, ao longo da nova faixa exclusiva para ônibus, a BRT, ligando a Barra ao resto da Zona Oeste, perdem qualidade quanto mais a oeste o passageiro viaja – e alguns pontos de ônibus BRT nem ficaram prontos.

Líderes santacruzenses

Líderes santacruzenses

Uma tarefa importante para a Casa Fluminense é reunir e apresentar dados: monitorar governos. Os mapas da desigualdade apresentados no sábado ofereceram um panorama da região metropolitana do Rio, uma oportunidade de entendimento raramente ao alcance dos cidadãos. Enquanto as médias para o Grande Rio melhoraram, áreas chave continuam com índices baixos em educação, emprego e renda, dentre outros indicadores. O mais impressionante foi um gráfico mostrando que, enquanto a desigualdade de renda no país e na região sudeste caiu significativamente, conforme a medida do índice de Gini, a melhora no Rio ficou para trás.

Os economistas afirmam que isso se deve principalmente ao fato de que empregadores do setor de petróleo e gás, ao enfrentar carência de mão de obra, oferecem salários mais altos que acabam por distorcer o índice de Gini aqui. Porém, segundo Valéria Pero, o modelo de crescimento econômico estatal, focado no setor energético, deve ser repensado, para que o quadro possa ser diferente.

Aproximadamente 60 pessoas compareceram ao evento, mas a maioria não era de Santa Cruz. De acordo com aqueles que estiveram presentes, a participação de moradores,em qualquer região da cidade, costuma ser baixa.

Marcus Faustini

Marcus Faustini, e o índice Gini, ao fundo: lupa nas causas

A despeito disso, Alexandre Damascena, artista e professor – e líder local – apontou que a escolha de Santa Cruz para a inauguração colocou o bairro como um ponto de partida, ao invés de um ponto final. Alair Rebecchi, um ativista da igreja católica, reclamou de problemas com transporte e demonstrou esperança de que a Casa vá além de questões superficiais. Segundo Pablo Ramoz, o imponente e belíssimo recém reformado Matadouro Imperial, onde a inauguração aconteceu, é subutilizado. Sugeriu que o espaço fosse usado por artistas, em diálogo com a indústria local – assinalando ainda que Santa Cruz tem altos índices de pobreza, apesar de abrigar indústrias que geram alta renda.

Marcus Faustini, nascido e criado em Santa Cruz, fundador do programa para jovens Agência Redes para a Juventude, encorajou seus colegas fundadores da Casa a enxergar além dos sintomas da desigualdade, para mapear não somente os efeitos, mas as causas também. “Temos que ser ousados, tomar partido,” ele disse, acrescentando que o modelo atual, no qual as pessoas na base da pirâmide socioeconômica moram mais distante de seus empregos que as pessoas no topo da pirâmide – e precisam gastar muito com transporte –, contribui para a concentração de renda.

Miguel Lago

Miguel Lago, fundador do Meu Rio

“Temos que ir de bairro em bairro, porta a porta,” disse, fazendo referência às dificuldades de mobilização. “A Casa precisa criar uma metodologia para escutar as pessoas, precisa ser uma força política, e não apenas produzir pesquisa e livros.”

Miguel Lago, um dos fundadores do grupo de ativismo digital Meu Rio,  disse que o desejo dele para o Rio em 2017  seria “não apenas redistribuir a maneira de falar das coisas, mas redistribuir o poder”.

Aberta a todos (esta blogueira que vos fala é uma orgulhosa e ativa sócia fundadora), a Casa Fluminense é um empreendimento de longo prazo, criada para propor políticas públicas de redução da desigualdade e aprofundamento da democracia, no Rio como um todo. A Casa fará monitoramento dos gastos públicos; mapeamento colaborativo das necessidades e dos programas socioeconômicos; e oferecerá cursos em liderança e governo.

Em 2009, quando o Rio foi escolhido para sediar as Olimpíadas, esse e outros mega eventos pareciam distantes – e quase inimagináveis. Como faria esta cidade decadente, com mentalidade de vilarejo, para se transformar?

À medida que o tempo passa, apesar das mudanças na cidade, ainda vivenciamos muita violência, em tantas formas, em grande e pequena escala. Os cariocas olham à sua volta,  se deparam com os desafios e os problemas que persistem  – e resmungam a frase feita, “Imagine na Copa”.

Pablo Ramoz: vamos usar esse espaço!

Pablo Ramoz: vamos usar esse espaço!

O fato de que um grupo de ativistas, oriundos de Comunidades CatalisadorasRedes da Maré, Agência Redes para Juventude, IETS, Meu Rio, O InstitutoISERFundação Getúlio Vargas  e  Brazil Foundation/Fundo Carioca (com vários outros grupos representados, e o número de sócios em pleno crescimento), tenha se encontrado em Santa Cruz, para começar a pensar o Rio pós-olímpico, é um sinal de que alguns cariocas importantes — de imaginação — estão trabalhando firme,  e podem se tornar uma força nada desprezível.

Tradução de Rane Souza

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A new alliance for change in Rio: Casa Fluminense

José Marcelo Zacchi

José Marcelo Zacchi, executive director of Casa Fluminense: the idea of a truly integrated Rio is still lacking

Local residents and leaders of major carioca movements for social change gathered yesterday at the city’s westernmost edge, in Santa Cruz, to inaugurate the new think-and do-tank, Casa Fluminense. To kick off the Casa’s ambitious work, IETS researcher Valéria Pero presented maps of the metropolitan region’s inequalities; residents spoke in a video, and live, of local needs not being met; and attendees expressed ideas and dreams for the year 2017.

Eliane Sousa Silva, director of Redes da Maré, and Valéria Pero, researcher at IETS

Eliane Sousa Silva, director of Redes da Maré, and Valéria Pero, researcher at IETS: enjoying a tapioca in the Matadouro Imperial of Santa Cruz, before the inauguration

Six years into Rio’s turnaround, much has been done to improve life here. Perhaps the most significant fact is that the homicide rate has almost been halved, to 24 per 100,000 inhabitants. Increased security, together with economic growth, have spurred both public and private sector investment. Tourism is growing, despite high prices.

But, as the maps of inequality demonstrated to all yesterday, not enough has been done to address endemic biases, outdated public policy paradigms and short-sighted models of economic growth.

“Rio runs the risk of accepting the status quo, of reproducing the inequality that’s in our DNA: that of the Big House and the slaves’ quarters,” said José Marcelo Zacchi, executive director of the Casa. Zacchi noted that the city has spent US$ 1 billion equivalent on urban renewal (Morar Carioca) through 2012 — and half this amount, over the same time period, to remodel the Maracanã stadium (coincidentally also inaugurated yesterday, with police tear-gassing nonviolent demonstrators out front). 

Paula Martinica, to Pedro Strozenberg: let's put technology at the service of participation

Paula Martinica, to Pedro Strozenberg: let’s put technology to use, for participation

Participants noted that the state water and sanitation company, CEDAE,  supplies the city with water from the Baixada Fluminense — and, while Leblon never runs short of water, the Baixada Fluminense itself often suffers cutoffs. Stations along the new BRT dedicated bus line linking Barra to the rest of the West Zone worsen in quality the further west the passenger travels– and some have never been completed.

Líderes santacruzenses

Santa Cruz leaders

An important task of the Casa Fluminense is to gather and present data, to keep tabs on government. The inequality maps presented yesterday provided an understanding of the metropolitan area of Rio, one rarely available to citizens. While averages for greater Rio have improved, key areas lag far behind in education, employment, and income, among other indicators. Most striking was a graph showing that while income inequality as measured by the Gini index has dropped significantly nationwide and in the southeastern region of Brazil, improvement in Rio hasn’t kept pace.

Economists say this is mostly because oil and gas employers, facing labor shortages, offer high salaries that skew the Gini index here. But, said Valéria Pero, the state’s energy-driven economic model needs to be re-thought, to address the gap.

About sixty people attended the event, but most weren’t from Santa Cruz. Participation in local affairs is always low, in any neighborhood, said those who did show up.

Marcus Faustini

Marcus Faustini and the Gini index, in the background: magnifying glass on causes

Still, Alexandre Damascena, artist and teacher — and local leader– noted that the Casa’s choice of Santa Cruz for yesterday’s inauguration turns the location into a point of departure, rather than a final destination. Alair Rebecchi, a Catholic church activist, complained of transportation difficulties, and expressed the hope that the Casa will go beyond surface issues. The recently-restored,  impressively beautiful Matadouro Imperial (Imperial Slaughterhouse), where the inauguration was held, is under-used, noted Pablo Ramoz. He suggested it be used by artists, in dialogue with local industry– adding that Santa Cruz has a great deal of poverty although it is also home to industry that generates enormous income.

Marcus Faustini, born and bred in  Santa Cruz, creator of the Agência Redes para a Juventude youth program, urged his fellow Casa founders to look beyond symptoms for the causes of inequality, to map causes and not just effects. “We have to be daring, take sides,” he said, adding that the current model, whereby those at the bottom of the socioeconomic pyramid live further from their jobs than those at the top — and must spend a greater chunk of wages on transportation– contributes to income concentration.

Miguel Lago

Miguel Lago, Meu Rio founder

“We have to go from neighborhood to neighborhood, door to door,” he said, referring to the difficulties of mobilization. “The Casa must invent a model for listening to people, it must be a political force, and not just produce research and books.”

Miguel Lago, a founder of the digital activism group Meu Rio, said that his wish for a Rio in 2017 “is not just to redistribute the way we talk about things. It’s to redistribute power.”

Open to any and all (this blogger is a proud founding member and active supporter), the Casa Fluminense is a long-term undertaking, created to propose public policy to reduce inequality and deepen democracy in all of Rio. It will monitor government spending; collaboratively map socioeconomic needs and programs; and offer courses in leadership and government. 

When Rio was chosen to host the Olympics, in 2009, this and other mega-events seemed distant — and almost unimaginable. How would this decadent city with a village mentality manage to turn itself around?

As time has passed, despite great change in the city, we still have too much violence, in so many forms, large and small. Cariocas look around at persistent problems and challenges — and mutter the by-now cliché line, imagine na Copa . 

Pablo Ramoz: vamos usar esse espaço!

Pablo Ramoz, with Alexandre Damascena: let’s use this space!

That yesterday a group of activists from Catalytic Communities, Redes da Maré, the Agência Redes para Juventude, IETS, Meu Rio, O Instituto, ISER, Fundação Getúlio Vargas  and the Brazil Foundation/Fundo Carioca (with many other groups represented among a growing membership) should have gathered in Santa Cruz to begin thinking about the post-Olympics Rio de Janeiro is a sign that some very important carioca imaginations are hard at work– with the potential of becoming a force to be reckoned with.

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O Rio é uma causa perdida?

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Continue a ler se você acha que sim – mesmo que você tenha encontrado o blog ao fazer buscas no Google por fotos sensuais 

"Parte considerável da mão de obra disponível é absorvida pelo tráfico de drogas"--Stratfor

Tornando-se visíveis

Após os acontecimentos devastadores das últimas semanas no Rio de Janeiro, muitos cariocas e observadores estrangeiros caem em uma armadilha perniciosa: de pensar que a transformação da cidade ou é real, ou é falsa. E quem acredita que é real seria ingênuo, ou um explorador.

Essa entrevista para o jornal O Estado de São Paulo expressa os pensamentos de um número crescente de cínicos. “Há um sentimento geral de que tudo é feito no Brasil hoje apenas para montar uma fachada. É algo muito desanimador,” disse André Martins Vilar de Carvalho, um psicólogo e filósofo que mora no Rio.

Grande parte do que Vilar de Carvalho diz vai além de sua observação inicial–  e é verdade e precisa ser dito – repetidas vezes:

  • [O] Brasil [...] vive uma espécie de capitalismo desenvolvimentista selvagem, que no fundo não quer gastar dinheiro com o social, interessando-se pelo lucro a qualquer custo.
  • O que vale colocar em questão aqui é esse “sonho pacificador”, é a política local transformar uma iniciativa bem-sucedida em uma grande propaganda de um Rio de Janeiro pacificado. [...] a coisa é apresentada como se o Rio não tivesse mais problemas, virou uma cidade organizada, valorizada… Aí um estádio que foi construído cinco anos atrás corre o risco de desabar na cabeça da multidão. Descobre-se que a construção foi malfeita, obviamente por algum tipo de superfaturamento.
  • E o que não temos é um pacto social, não existe um discurso de construção de fato de um país para todos. O que existe e, mais triste ainda, é aceito, são interesses individuais ou de pequenos grupos mesquinhos, mas não uma disposição de pensar o coletivo. A ideia do “cada um puxa a sardinha para seu lado” está legitimada socialmente no Brasil.
  • Já a herança escravocrata é particularmente perversa: ela cria um sentimento de desigualdade social aceito de maneira não questionada no Brasil. E também uma perversidade na relação de poder, a ideia de que inevitavelmente vai existir uma elite, que esse fosso de distribuição de renda “faz parte”. É um sentimento muito ruim, muito prejudicial para o pacto coletivo de que precisamos.

Se você, assim como o entrevistado, faz a sua parte pelo Rio ao questionar, protestar e pressionar os governantes, pode parar de ler o post aqui.

Mas, se você se prende à ideia de que tudo é falso, para simplesmente virar as costas ao bem comum, por favor, continue a ler (o mais provável é que tais pessoas não leiam este blog, mas, quem sabe, se depararam com ele ao buscar por fotos sensuais de dançarinas de funk, como alguns fazem, segundo as estatísticas do WordPress). Deixar a sociedade de lado para focar em interesses individuais é, por si só, um voto a favor daqueles que superfaturam contratos, colocam motoristas de ônibus mal treinados atrás do volante ou deixam de investigar a queixa de estupro de uma brasileira.

E tem mais, a situação é muito mais complexa do que uma simples disputa entre idealistas e cínicos. Nós vivemos e trabalhamos em um inegável contexto de mudança. Não temos uma sociedade estática. A pirâmide socioeconômica do Brasil está se achatando. Apesar da desaceleração do crescimento econômico e mesmo em face da possibilidade de retrocesso – como ocorreu na Espanha e em Portugal, por exemplo –, os milhões que entraram na economia formal nos últimos cinco anos já sentiram o gosto de novos comportamentos, ideias, valores e possibilidades. As experiências vão além da compra de televisores de tela plana e outros eletrodomésticos.

Tais bens intangíveis estão aqui para ficar– e avanços como a nova lei que obriga o pagamento de horas extras e outros benefícios para domésticas certamente fortalecerão o processo. Isso está no centro do que realmente está acontecendo no Rio, mesmo que o prefeito, o governador e o secretário de habitação da cidade não tenham percebido plenamente o escopo do que eles iniciaram. Os invisíveis estão se tornando visíveis.

Os recém chegados despertam preocupação nas tradicionais classes mais altas, cujos filhos enfrentam trocas de fraldas e pias cheias de louça, bem como mais competição por empregos e vagas universitárias. Eles se estremecem perante a cultura de massa que acompanha uma economia de base ampla e a democracia.

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Aquilo que é intangível dura

Alguns cariocas enxergam o panorama mais amplo. Regina Casé, no programa de TV Esquenta  do último domingo, fez uma pergunta a algumas crianças presentes: em qual  favela você mora? Em seguida, conversou sobre a definição e o mapeamento de favelas no Rio com José Marcelo Zacchi, pesquisador do IETS. Talvez apenas dois anos atrás, teria sido impensável fazer tal pergunta em rede nacional.

O escritor Julio Ludemir e outros levantam a autoestima e ajudam jovens dançarinos a estabelecer contatos entre si mesmos e com a cidade como um todo, através da atual Batalha do Passinho, a qual, em uma rodada anterior, foi registrada em um documentário fabuloso, estreando em breve nas salas de cinema do Rio.

Marcus Faustini, diretor de teatro, expande sua metodologia de incubadora de projetos para jovens, da Agência Redes para Juventude, para o Rio como um todo e também para Miami, Londres, Manchester e Paris. Ele está trabalhando para integrar o Rio com o inovador Home Theater Festival, criando apresentações em casas em toda a cidade. Os “formados” da Agência continuam a desenvolver projetos próprios em favelas, como um workshop de dança de rua e apresentações jazz,  no Cantagalo; e uma festa de rap no Chapéu Mangueira, dentre outros.

A série de debates OsteRio volta com energia nova. Na próxima segunda-feira, haverá um debate sobre se os Cariocas são malandros ou especialmente criativos, com a presença de Zuenir Ventura, colunista de O Globo, e de Gilberto Scofield, editor da seção Rio do jornal. O Studio X , da Universidade Columbia, também fomenta debates que iluminam aspectos da transformação do Rio, tais como o processo de revitalização da área portuária.

As eleições estaduais de 2014 se aproximam e estimularão debate sadio, sobre o que já foi realizado e o que ainda falta. Pode ser que o provável candidato do PMDB, o insípido vice-governador “Pezão”, Luiz Fernando de Souza, tenha que enfrentar o provável candidato do Partido dos Trabalhadores, o carismático senador Lindbergh Farias.

E, por último, mas não menos importante, ativistas, designers, jornalistas e pensadores da região metropolitana do Rio estão construindo um novo think tank e site de notícias: Casa Fluminense— com foco no ano de 2017.

Sim, a cidade ainda é violenta e injusta demais– precisamos trabalhar para mudar isso. Porém, observadores e cariocas devem desconfiar daqueles que dizem que o Brasil não mudou. Apesar de ser psicólogo, Vilar de Carvalho deixou de apontar que o cinismo pode mascarar um desejo. Talvez alguns céticos , na verdade, esperem que o Rio não esteja mudando – pois assim, eles não precisarão mudar a si mesmos.

Tradução de Rane Souza

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