Favelas: preservar o quê?

Um mundo na van

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Não existe ônibus direto para Copacabana, vindo da avenida Brasil, altura da passarela nove, Parque União.  Então, o jeito é andar de van. Só que o caminho até o ponto é um desafio mortal.

“Há cracudos,” avisa Jailson de Souza e Silva, fundador do Observatório de Favelas, “e eles avançam. Conhecem as caras das pessoas, e avançam em quem tem cara de gringo.” Ele pede para uma funcionária fazer o papel de guardacostas. No caminho, a acompanhante opina que o governo devia colocar os viciados para trabalhar. “Podiam estampar camisetas,” sugere.

O thinktank Observatório de Favelas é localizado na beirada do Complexo da Maré, uma coleção de 16 favelas e conjuntos habitacionais espremidos entre a avenida Brasil e a baía de Guanabara. A pacificação não chegou ainda à Maré. Souza e  Silva morou lá sete anos, e mais onze numa favela perto da Penha.

O interior da van, quase totalmente ocupada, é escuro, fresco, sonorizado de samba. O ar está ligado e os vidros estão abertos, para aproveitar a brisa de uma das últimas tardes de primavera carioca. Não se demora muito para sair, mas na hora da partida aparece uma mulher negra, repleta de curvas e megahair. O motorista, rapaz sólido de olhos doces e redondos, para, desce, e deixa-a subir para se sentar na metade de um lugar na frente, junto a ele e mais duas mulheres.

Mas nem se andou meio metro e alguém lembra que a polícia está por aí na avenida, entre os viciados, de moto, sirene, e revólver, feita pastor de zumbi– espalhando fieis. O motorista para novamente, a bonitona desce, dá volta, e sobe na parte traseira da van, para ficar em pé junto ao cobrador.

Ponto de van e de mototáxi

Ponto de van e de mototáxi

Co-autor do recém-lançado livro O Novo Carioca, Souza e Silva faz parte de um grupo de pensadores e agitadores no Rio de Janeiro, que observa e encoraja o surgimento do tal “Novo Carioca”. Trata-se de pessoas, na sua maioria jovens, que aproveitam cada vez mais a cidade. Aventuram-se por bairros e morros, fazendo conexões e amizades, criando e participando em uma gama de manifestações culturais. A integração urbana– e a cara futura da cidade– dizem os autores do livro, dependem muito do novo carioca.

De acordo com Souza e Silva, “[…] não existe uma identidade carioca independente das favelas […] a cidade tornou-se uma referência nacional e internacional também em função do peso arquitetônico, cultural e social de seus espaços favelados. A garantia dessa riqueza paisagística e dessa pluralidade cultural é central para o Rio de Janeiro”, conforme ele escreve no livro.

Jailson de Souza e Silva

Dali a alguns metros, passados vários cracudos solitários e em grupo, alguns no meio fio,  depois da polícia, a van encosta. O motorista e a moça descem, ela dá volta,  e sobe para ficar novamente no meio, ao lado dele, na frente. E o samba brada. A viagem recomeça, a van entrando numa passarela de retorno ao outro lado da avenida. Do alto, mais cracudos a vista.

“Vamos parar pro diesel,” avisa o cobrador. Ninguém diz nada, mas ele– saradão, de tênis, regata e bermuda, cabeça raspada menos um topete aloirado e encaracolado, de tatuagens, pede desculpas. O motorista queria encher o tanque antes, mas não deu. O cobrador desliza a porta e desce para cuidar do combustível. O posto também vende empadas, e pela porta aberta o motorista e o frentista trocam comentários engraçadinhos porém herméticos para quem é de fora, sobre empadões.

Passa uma mulher negra de soutien roxo e micro saia de material elástico e barato, descalça, pedindo esmola no balcāo das empadas. Passa um rapaz de muletas, faltando uma perna.

Há pouco, Souza e Silva disse que nunca quis sair da favela. “Não é verdade que as pessoas queiram sair da favela,” falou. “Eu sou o exemplo mais concreto. Eu só me mudei da favela– eu fiz uma ótima casa na favela– porque a guerra tornou impossível criar meu filho na favela […] se fóssemos só eu e minha mulher não sairíamos, mas criar um filho com isso, com bala perdida o tempo inteiro, sem poder andar na rua, porque tem jovens com fuzis, e a policia desrespeitando o morador– foi isso que me fez sair da favela. Onde eu morava tinha coleta de esgoto, calçamento, comercio imenso, grau de solidariedade com as pessoas, grau de intensidade de vida, de festa muito forte, de envolvimento, pertencimento grande, e cada vez mais criando opções [culturais].”

Para o americano nascido num subúrbio de casas com quintal para brincar, grama para cortar, e folhas para juntar, soa familiar a descrição de vida comunitária de favela. No subúrbio americano, os vizinhos sabem quem está doente, quem precisa de canja de galinha, carona, uma visita. Lá, o estado é mais eficaz do que no Brasil– as escolas públicas geralmente são boas, por exemplo– mas fora das grandes cidades as pessoas vivem espalhadas, precisando de apoio, e dando apoio, nas horas de dificuldade. Vizinhos limpam a neve da entrada da casa dos mais velhos, andam de porta em porta distribuindo panfletos de candidatos, dão carona para a igreja, fazem babysitting, passeiam cachorros, regam plantas, distribuem balas às crianças no Halloween.

Pit stop

Pit stop

O carioca do asfalto conhece e cumprimenta vizinhos, porteiros, entregadores, feirantes, comerciantes do bairro. Brinca, zoa o time do outro. Participa de bloco de carnaval, e de festa junina na praça. Compartilha praia, cerveja, galeto, pelada de futebol. Mas raramente se junta aos vizinhos para providenciar algo necessário e de utilidade geral: água, luz, casa. No Brasil, quem mora no asfalto paga imposto, paga porteiro, paga pedreiro, passeador e empregada– e assim resolve a vida.

No Brasil, o nivel de confiança no outro é baixo, sobretudo quando o outro não é parente ou colega. Mas na favela a confiança é maior do que em geral, porque há menos desigualdade. O outro é mais parecido, menos assustador, disse Souza e Silva. E a vida é mais pública.

A van tem termometro. No painel acima da cabeça da moça de megahair, marca mais de 36 graus. Mas a brisa é fresca, o samba incita, e Mara, a moça do lado, está negociando com o motorista o transporte de um grupo em janeiro, para Jacarepaguá. Haverá um casamento. “Seu?” pergunta o cobrador, com um sorriso malicioso. Pelo tom de voz e a plenitude de expressões faciais, mais a roupa, conclui-se que ele é homossexual.

“É ruim, hein!” exclama Mara. “Eu casar em Jacarepaguá? Vou casar no Copacabana Palace!” Ela pede um preço do motorista. Ele diz que está pensando.  E para num ponto de ônibus. Sobe um rapaz de pele enrugado pelo sol, que fica em pé ao lado do cobrador. No próximo ponto, o cobrador abre a porta para revelar uma loira, segurando uma grande sacola. Ela faz não com a cabeça. O motorista diz que tem lugar. “Vem, sim!” ele exorta, dobrando-se por cima das três moças no banco de frente para que sua voz chegue aos ouvidos da cliente em potencial. Mas ela se recusa.

“Agora mete o pé!” diz um passageiro, ao passo que a van engrena na avenida Brasil.

“Vou meter,” responde o motorista. “Tem que estar em Copacabana às duas horas.”

As vans surgiram nos anos 90 no Rio de Janeiro, como resposta informal à falta de transporte entre bairros afastados e áreas centrais da cidade. “Sem a van Copacanana-Maré, nao sei o que seria da gente, galera que circula dia e noite construindo novas formas de viver a cidade,” comentou Souza e Silva.

Hoje, milicianos controlam grande parte do negócio e o prefeito Eduardo Paes tenta racionalizar o transporte urbano. Para reduzir o número de veículos nas ruas, fariam muito mais sentido linhas de ônibus ou de metrô. A questão não é tāo diferente da de ocupaçāo do solo. Já existem prédios em favelas.

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“Quanto, então?” pergunta a Mara. “Vinte,” diz o motorista.

“Por pessoa? Isso sai do meu bolso!” Ela mexe com o celular e mostra alguma coisa, uma foto talvez, à moça do lado dela.

Neste momento, quatro anos após o início da pacificação no Rio de Janeiro, com vários reflexos economicos e imobiliarios dela em curso, fala-se muito na preservação da favela, sobretudo das na Zona Sul. Sabe-se que um número crescente de jovens estrangeiros brinca de casinha no Vidigal, na Rocinha, no Pavão-Pavãozinho e no Cantagalo. Uma breve caminhada em qualquer um desses morros revela sacas de cimento, tijolos recém-colocados. A vida ficou mais segura em muitas favelas pacificadas. As pessoas investem, a cidade se transforma. A barreira entre morro e asfalto fica um tanto menos nítida.

O que deveria ser preservado, nestas áreas da cidade tão longamente negligenciadas? “Uma grande confusão que se faz,” disse mais cedo Souza e Silva na sala dele no Observatório, “é de considerar, quando se fala em preservar a favela como habitat, [que trata-se de] preservar  paisagem.”

A paisagem, mesmo nas favelas mais cinematográficas, mesmo onde as crianças hoje brincam tranquilamente na rua e faz-se churrasco de Reveillon para turista, ainda é frequentemente feia e malcheirosa.

“Tem que garantir todas as condições básicas: saneamento, luz, água, esgoto, coleta de lixo, crêche, educação, equipamentos culturais,” acrescentou Souza e Silva. “Tudo que se tem para viver com dignidade num centro urbano tem que ter na favela. Só que isso não quer dizer eliminar a favela,” explicou. “Significa reconhecer que a favela tem uma geografia particular, que pode ser preservada como as cidades medievais foram preservadas […] podemos ter vários tipos de habitat, de estrutura urbana, sem perder a dignidade.”

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E, supondo que a favela ganhe essa dimensão toda nos próximos anos– pois o programa Morar Carioca, parcialmente financiado pelo BID, pretende justamente urbanizar todas as favelas cariocas até 2020– o que Souza Silva e outros representantes das regiões populares da cidade querem preservar é um estilo de vida.

O cobrador manda a Mara tomar nota do celular dele, no dela. “Agora liga para mim,” ele diz. ” Para eu ter teu número também.” A negociação será demorada.

“Alguém vai para o Aterro?” pergunta o motorista. “Eu,” diz a moça do outro lado da Mara.

“Serve o Largo do Machado?”

“Serve.”

“Você que vai casar?” pergunta o cobrador novamente, como se fosse policial tentando desvendar mentiras. “Só no Copa Palace,” reitera a Mara.

“Faz tempo que não vejo sua namorada,” provoca a amiga da Mara ao motorista.

“Que namorada!” ele corrige. “Sou casado.”

O próximo é próximo: cobrador e passageiro

A van passa pela estação de trem Leopoldina, pelo Sambódromo, e finalmente encosta no Largo do Machado. A temperatura já baixou um grau. O samba ameniza, e a brisa idem. A amiga da Mara desce. Mara diz que vai para São Conrado, mas para chegar lá terá que descer antes do Shopping Rio Sul e pegar outro transporte.

O passageiro de pele enrugado quer pagar seus três reais ao cobrador. “Na saída,” afirma este.

Cariocas do asfalto criam e mantém vínculos no bairro, na cidade. Os vínculos entre moradores de favela, disse Souza e Silva, precisam ser preservados. Muitas vezes, advêm de fortes experiências de vida.

Não devem ser muito diferentes dos vínculos comunitários evidentes na pequena cidade de Sandy Hook, por exemplo, cidade norte americana recentemente atingida por uma tragédia terrível. Vizinhos lá estranharam nunca terem entrado na casa da māe do matador, de acordo com reportagens. Pois lá, entra-se na casa de vizinho, mesmo que não seja amigo. Tomar essa liberdade, e sentir a confiança embutida no ato, fazem parte da democracia americana.

No Brasil, tal comportamento pode ser considerado uma intrusão. Na Zona Sul do Rio de Janeiro, pede-se licença, cheio de dedos, para conferir a criatividade de um decorador ou arquiteto, num apartamento de layout igual.

“Reconhecer que a favela é mais do que paisagem é reconhecer esses vínculos,” finalizou Souza e Silva.

O passageiro de rugas chegou no destino. A van para, o cobrador desce, o passageiro paga na calçada. “Não quer receber antes,” lamenta o motorista. “Só viado, mesmo.”

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Não casa em Jacarepaguá

A van chega na praia do Flamengo, e descem vários passageiros, criando mais espaço. “Onde você trabalha em São Conrado?” pergunta o motorista, agora sozinho no banco da frente, para Mara.

“No Fashion Mall?” aposta o cobrador. É o shopping mais chique do Rio de Janeiro. Ela diz que sim. “Qual loja?” ele pergunta. Agora resolve receber de todo mundo. O dinheiro é passado adiante, troco feito.

“Armani,” responde a Mara. A van passa por um túnel pequeno. Na saída, Mara está colocando um óculos de sol com um AX no haste. Logo a van para no ponto, ela desce, e daí aparece no vão da porta aberta um jovem de topete e sobrancelha feita, mão sugestivamente na cintura, um pé esticado à frente do outro para ressaltar um quadril amplo.

“Seu irmão?” pergunta o motorista ao cobrador. O rapaz sobe requebrando para o assento de carona agora vazio, e o cobrador, de sorriso maroto, desce para comprar água gelada para ele e o colega de trabalho.

Enquanto os dois bebem das garrafinhas suadas de plástico azul, a van chega em Copacabana, o bairro mais denso do Rio de Janeiro. A brisa do mar adentra os vidros; o samba flui para fora. Fazem 33 graus, de acordo com os números vermelhos do painel. Os últimos descem na altura da Francisco Sá, e lá vai a dupla Copacabana-Maré pelo retorno, pela praia, de volta ao Parque União.

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Questões para 2013

Prólogo de Farsa ou Tragédia? 

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O Rio mudou enormemente, somente nos últimos quatro anos. Graças ao crescimento econômico, aos investimentos e à pacificação, a cidade talvez esteja mais integrada e vibrante do que nunca. Cariocas de todas as classes estão mais à vontade que antes para se deslocar e experimentar uma ampla variedade de experiências culturais, para investir nos seus sonhos, e para firmar novas parcerias.

Urban agitators Jailson de Souza e Silva and Marcus Faustini

Ativistas urbanos: Jailson de Souza e Silva e Marcus Faustini

Em 2010, Sérgio Cabral foi reeleito governador e, neste ano, o prefeito Eduardo Paes também recebeu uma esmagadora demonstração de apoio. Obviamente, a maioria dos cidadãos, tanto do estado do Rio de Janeiro quanto da capital, apoia a continuidade, a consolidação e o aprofundamento das políticas urbanas desses governantes.

À medida que o contexto geral melhora (com exceções e retrocessos), cariocas empenhados, visionários e criativos têm feito muito para contribuir para o difícil processo de integração urbana.

Pedra de Sal on a Friday night

Pedra de Sal, sexta-feira à noite: samba, onde os escravos carregavam sacas de sal

É digno de nota que os candidatos para este ano da premiação Faz Diferença do jornal O Globo incluem Raquel Rolnik, relatora especial da ONU para moradia adequada, que já criticou a política municipal para remoções; a inovadora FLUPP, ou Festival Literário Internacional das UPPs, organizada por Écio Salles, Toni Marques e Júlio Ludemir; a novela Avenida Brasil, que revelou para uma audiência nacional aspectos da vida no Rio de Janeiro; Marcus Faustini, criador do revolucionário programa para jovens em favelas pacificadas, Agência de Redes para a Juventude; o think tank ultraessencial Observatório de Favelas de Jaílson da Silva e Souza; e a ArtRio, a extremamente bem sucedida e nova feira de arte no cais.

Em comparação, os homenageados do ano passado foram o empresário e filántropo Eike Batista, Carlos Saldanha, criador do filme de animação “Rio” e Tião Santos, catador de lixo descoberto pelo artista Vik Muniz em seu filme Lixo Extraordinário. Em 2010, os prêmios foram para José Mariano Beltrame, René Silva, Viva Rio e José Padilha.

Mural in Lapa

Mural na Lapa

No mês passado, o RioRealblog relatou uma nova estratégia para administrar as demandas sociais da cidade, o que pode ser um bom presságio para o aspecto mais problemático da transformação do Rio.

Com tantas atividades e avanços, é fácil pensar que tudo vai maravilhosamente bem no balneário mais animado do mundo. Porém, as almas inquietas devem prevalecer, principalmente por ontem ter marcado o aniversário de um ano da morte de André Urani, instigador do RioRealblog.

André Urani

Deste modo, segue uma lista de afazeres para todos nós (e, por favor, comente, pública ou privadamente, se você tiver informações, pistas, perguntas adicionais ou itens, contatos, etc.):

Morar Carioca: Quais são os objetivos, o orçamento e o cronograma do programa? O que foi realizado até o momento e o que ainda precisa ser feito? Será atingida a meta de urbanizar todas as favelas do Rio até 2020? Como se define urbanização? Ocorre que tipo de participação comunitária? Qual órgão é responsável e quem o fiscaliza? O que o Banco Interamericano de Desenvolvimento, que custeia o programa parcialmente, tem a dizer a respeito? Há coordenação com o programa federal do PAC, que é responsável por ações de urbanização na Rocinha, em Manguinhos e no Complexo do Alemão? E o que exatamente o PAC tem feito? Há compartilhamento de metodologia e dados entre essas duas esferas de governo? O Comitê Olímpico tem alguma função no programa Morar Carioca?

Saneamento, tanto em favelas quanto em áreas formais da cidade: como são alocadas as responsabilidades? CEDAE, Rio Águas, PAC? Qual é o custo e qual o cronograma para a coleta e tratamento de todo o esgoto no Rio? Quais favelas já têm coleta/tratamento de esgoto e o que precisa ser feito para integrar todas elas ao sistema? É verdade que 70% do Rio de Janeiro não tem saneamento adequado? O que podemos fazer para melhorar a coleta de lixo nas favelas, o que ainda é um problema em muitos lugares? Há uma força tarefa focada em saneamento? Caso a resposta seja negativa, por que não?

Gentrificação: Como pode ser estabelecido um diálogo entre moradores, governo e outros interessados, para definir quais aspectos da vida nas favelas da Zona Sul podem e devem ser preservados? Como isso pode ser feito e quem deve fazer isso? Vamos simplesmente deixar que a gentrificação aconteça?

Remoções: Quem determina as políticas de remoção e os procedimentos da Secretaria Municipal de Habitação? Há fiscalização e governança adequadas para garantir que os direitos dos moradores são respeitados? Os moradores estão sendo realmente removidos para áreas próximas de onde eles moravam, como a prefeitura diz?

Sustentabilidade financeira da pacificação: Quanto a pacificação custa e quem paga por ela? Qual é o orçamento para os próximos anos? Os desembolsos podem ser mantidos, enquanto necessários? Quem definirá isso e como será decidido?

Área portuária e moradia de renda mista: O que aconteceu com a proposta de moradia de renda mista apresentada pelos estudantes da Universidade de Columbia a pedido da Secretaria Municipal de Habitação? Como podemos avaliar os planos atuais para o porto no que tange à saudável mistura de rendas e  de uso fundiário, conceito ensinado por Jane Jacobs aos urbanistas na década de 1960? É tarde demais para incluir isso?

Memorial de escravidão: o Cais do Valongo, pelo qual uns 900 mil escravos passaram entre 1758 e 1843, já foi escavado e preservado, e agora pode ser visitado. O Rio de Janeiro terá um memorial a essas pessoas, às suas origens e aos seus descendentes? O escritor Alex Castro compara a escravidão ao Holocausto, aqui.

Acesso à luz e água: grande parte da população carioca não conta com suprimento seguro de luz e água. Alguns moradores de favelas pacificadas dizem que falta mais a luz agora, do que na era dos gatos. O que acontece? O que está sendo feito para remediar a situação?

Educação: Existe uma avaliação independente do trabalho em curso, nas esferas municipal e estadual, para melhorar a educação? Se não, quais dados oficiais, conclusões e recomendações estão disponíveis? Quais planos e orçamentos estão em vigor?

Saúde: Existe uma avaliação independente do trabalho em curso, nas esferas municipal e estadual, para melhorar a saúde? Se não, quais dados oficiais, conclusões e recomendações estão disponíveis? Quais planos e orçamentos estão em vigor?

Young favela residents with big ideas about the future

Jovens moradores de favela com grandes ideias para o futuro

A negligência pública dessas questões pode deixar truncada a transformação do Rio . A sociedade civil deve atuar mais do que tem feito até agora . A imprensa brasileira precisa largar os viés de longa data e contribuir de verdade ao processo de transformação urbana – com foco nítido e amplo no bem comum.

Como James Madison, quarto presidente americano, escreveu em 1822:

Um governo popular sem que a população tenha acesso à informação ou aos meios para adquiri-la não é nada além de um Prólogo para uma Farsa ou para uma Tragédia; talvez, ambos. O conhecimento sempre governará a ignorância: e um povo que pretende ser seu próprio governante precisa se armar do poder que o conhecimento oferece.  

Tradução de Rane Souza

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Questions for 2013

Prologue to Farce or Tragedy?

Rio has changed hugely in just the last four years. Thanks to economic growth, investment and pacification, the city is more integrated and vibrant than perhaps it has ever been. Cariocas of all classes are freer than they were before to move around and try out a gamut of cultural experiences, to invest in their dreams, and forge new partnerships.

Urban agitators Jailson de Souza e Silva and Marcus Faustini

Urban agitators Jailson de Souza e Silva and Marcus Faustini

In 2010, Sérgio Cabral was reelected governor and this year, mayor Eduardo Paes received his own overwhelming show of approval. Clearly most citizens of both Rio state and capital city support the continuity, consolidation and deepening of their urban policies.

As the overall context has improved (with exceptions and backtracking) hardworking, visionary and creative cariocas have done much to contribute to the tricky process of urban integration.

Pedra de Sal on a Friday night

Pedra de Sal on a Friday night, for samba where slaves once carried bags of salt

Notably, O Globo newspaper’s Faz Diferença award candidates this year include United Nations Special Rapporteur on Adequate Housing Raquel Rolnik, who has criticized the city’s removal policy; the pioneering FLUPP, or International Literary Festival in Pacified Favelas, organized by Écio Salles, Toni Marques and Julio Ludemir; the telenovela Avenida Brasil, which brought hidden aspects of life in Rio de Janeiro to national television; the groundbreaking pacified favela youth program Agência de Redes para a Juventude‘s creator Marcus Faustini; Jailson da Silva e Souza’s instrumental thinktank Observatório de Favelas; and the overwhelmingly successful new art fair on the wharves, ArtRio.

By comparison, last year’s winners included businessman and philanthropist Eike Batista, the animated film “Rio” creator Carlos Saldanha and the trashpicker discovered by artist Vik Muniz for his film Wasteland, Tião Santos. The year before saw prizes go to José Mariano Beltrame, René Silva, Viva Rio and José Padilha.

Mural in Lapa

Mural in Lapa

Last month, RioRealblog reported on a new move to manage the city’s social needs, which may augur well for the most problematic aspect of Rio’s transformation.

With so much activity and forward movement, one could easily conclude that all is swell in the world’s most exciting seaside city. But restless souls must prevail, especially today, the one-year anniversary of RioRealblog instigator André Urani’s passing.

André Urani

Herewith a to-do list for us all (and please do comment, publicly or privately, if you have information, leads, additional questions or items, contacts, etc.):

Morar Carioca: what are the program’s exact plans, budget and timeline? What has been accomplished so far, and what remains to be done? Will the goal of bringing all of Rio’s favelas up to standard (urbanizar, in Portuguese) by 2020 be met? How is urbanizar defined? What sort of  community participation is occurring? Who’s in charge and who’s checking up on them? What does the Inter-American Development Bank, which partially funds the program, have to say about it? Is there any coordination with the federal PAC program, responsible for upgrading Rocinha, Manguinhos, and Complexo do Alemão? And what exactly is the PAC up to? Is there any sharing of methodology or information between these two levels of government? Does the Olympic Committee have any role in the Morar Carioca program?

Sanitation, both in favelas and in formal areas of the city: who is responsible for what? CEDAE, Rio Águas, PAC? What is the cost and what is the timeline for collecting and treating all of Rio’s sewage? What favelas already have sewage collection/treatment and what needs to be done to bring all of them into the system? Is it true that 70% of Rio de Janeiro doesn’t have adequately treated sewage? What can we do to improve trash collection in favelas, still a widespread problem? Is there a task force working on sanitation? If not, why not?

Gentrification: How can a dialogue among residents, government agencies and other interested participants be established to determine what aspects of life in Zona Sul favelas can and should be preserved? How can this be done and who should do it? Or are we just going to let gentrification happen?

Removals: Who determines the removal policies and procedures of the Municipal Housing Secretariat? Is there adequate oversight and governance, to ensure that residents’ rights are respected? Are they really being removed to areas close to where they used to live, as the city says?

Financial sustainability of pacification: How much does pacification cost and who pays? What’s the budget for upcoming years? Can the outlays be sustained for as long as needed? Who will determine this, and how?

Port area and mixed-income housing: What happened to the mixed-income housing proposal drafted by Columbia University students at the request of the Municipal Housing Secretariat? How can we evaluate current plans for the port with regard to the kind of healthy urban mixing of resident income and land use that Jane Jacobs taught urban planners back in the 1960s? Or is it too late to include this?

Slavery memorial: the Cais do Valongo, over which an estimated 900,000 slaves passed between 1758 and 1843, has been excavated and preserved, and is now open for visits. Will Rio erect a memorial to these people, their origins and their descendants? Writer Alex Castro compares slavery to the Holocaust here.

Access to power and water: large swathes of the city’s population don’t have a dependable supply of power and water. Some pacified favela residents say the lights go out more, now that Light’s in charge, than in the days of informal hookups, or gatos.  What’s going on? What’s being done to improve the situation?

Education: Is there an independent evaluation of work being done to improve education at the city and state levels? What are the findings and recommendations? If there’s no independent evaluation, what official information, findings and recommendations exist? What plans and budgets are in effect?

Health: Is there an independent evaluation of work being done to improve health care at the city and state levels? What are the findings and recommendations? If there’s no independent evaluation, what official information, findings and recommendations exist? What plans and budgets are in effect?

Young favela residents with big ideas about the future

Young favela residents with big ideas about the future

Public neglect of many of these questions could truncate Rio’s transformation. Civil society must play a larger role than it now does. Brazilian media need to move away from traditional biases and towards making a contribution to the process of urban change — with unblinkered emphasis on the common good.

As James Madison, fourth U.S. president, wrote in 1822:

A popular Government, without popular information, or the means of acquiring it, is but a Prologue to a Farce or a Tragedy; or, perhaps both. Knowledge will forever govern ignorance: And a people who mean to be their own Governors, must arm themselves with the power which knowledge gives.

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Demandas sociais: uma terceira tentativa

O maior desafio do Rio de Janeiro, ao vice-prefeito

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Fontes próximas a Adilson Pires, o vice-prefeito eleito, dizem que  ele irá presidir em janeiro uma secretaria rebatizada, responsável pelas demandas sociais de toda a cidade.

A Secretaria de Assistência Social, dizem, se tornará a Secretaria de Desenvolvimento Social.

Até agora, as demandas sociais têm girado em carrossel. Criada em abril de 2010 para acompanhar o programa estadual de pacificação policial, a UPP Social nasceu dentro da Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos. Em dezembro daquele ano, o governador entregou-a para o município, que então instalou a UPP Social dentro do Instituto Pereira Passos (IPP), responsável pelos dados municipais e o planejamento estratégico da cidade.

Com esta nova mudança, pode haver algum impacto na UPP Social; Pires teria responsabilidade pelas necessidades sociais na cidade toda, incluindo as 28 favelas atualmente pacificadas, e outros territórios.

Em agosto último, a cidade transferiu a extremamente capaz Secretária de Finanças Eduarda la Rocque à presidência do Instituto Pereira Passos, depois que o presidente Ricardo Henriques, que começara com a UPP Social no âmbito estadual, partiu para dirigir o Instituto Unibanco em São Paulo; e seu substituto, José Marcelo Zacchi, saiu para o IETS, um thinktank para assuntos urbanos no Rio. Com la Rocque no cargo máximo, Tiago Borba era coordenador da UPP Social, mas agora ele se mudou para São Paulo para trabalhar com Henriques.

O trabalho principal da UPP Social tem sido o mapeamento das demandas sociais e dos equipamentos existentes, e a coordenação das secretarias municipais para atender às demandas. Originalmente, a ordem do governador era que as secretarias priorizassem as necessidades das favelas pacificadas.

O impacto da UPP Social não está claro. Não se levou a cabo nenhum estudo a respeito. A unidade tem uma parceria com o programa UN Habitat, treinando moradores de favelas para mapear suas comunidades, nomeando cada beco e viela. O mapeamento é central ao atendimento das necessidades sociais, e, como apontou Douglas Mayhew no seu livro novo e original Inside the Favelas, de texto e fotos impactantes, ajuda a prevenir o retorno da violência do tráfico de drogas, ao trazer as favelas para a luz do dia.

A percepção comum no Rio de Janeiro, porém, é que a cidade não está atendendo de forma adequada às necessidades sociais das favelas. O Secretário Estadual de Segurança Pública,  José Mariano Beltrame, argumenta sempre que não basta seu programa de ocupação e policiamento de proximidade para assegurar o aprofundamento e continuidade da virada do Rio. O novo documentário 5 x Pacificação, em parte financiado com recursos estaduais, traz a mesma mensagem.

As fontes próximas ao Pires dizem que as secretarias municipais são engessadas pelas suas próprias agendas. Até o problema mais básico e comum nas favelas, o lixo, ainda assola moradores, mesmo sendo que a Comlurb já desenvolveu um triciclo motorizado que passa pelas vielas íngremes para fazer a coleta.

Pires, vereador eleito já seis vezes e membro fundador do PT, é veterano das questões de poder político no Rio. Morador do conjunto habitacional Vila Aliança, ao qual moradores de favelas da Zona Sul foram removidos nos anos 1970, ele chegou à política por meio da pastoral da juventude da Igreja Católica. É defensor firme do prefeito recém-reeleito Eduardo Paes, e intermediário importante entre o executivo e a Câmara dos Vereadores. Ele propõe uma bolsa para famílias de usuários de crack, para que elas apoiem estes últimos, na tentativa de deixar o vício.

Recursos não faltam para as demandas sociais (ou para qualquer outra coisa, na verdade), graças à limpeza efetuada por la Rocque nas finanças da cidade, com o orçamento atual de R$23 billion, o dobro do que era há quatro anos.

“A UPP Social não tinha poder político. Adilson o terá,” disse uma fonte, que especula que o vice pode se tornar o próximo prefeito do Rio na eleição de 2016.

O Partido dos Trabalhadores também se movimenta para ocupar o assento do governador (seu aliado), no pleito de 2014. Apesar da pretensão do governador atual Sérgio Cabral e de seu partido, o PMDB, que o sucessor seja seu vice Luís Fernando de Souza, o “Pezão”, o PT apoia o senador Lindbergh Farias, que como prefeito de Nova Iguaçu de 2005 a 2010 juntou um secretariado inovador, alguns dos quais hoje estão em cargos importantes no Rio de Janeiro. Com Farias e Pires empossados, o Rio poderia ver uma guinada para a esquerda — porém, como descobriu o president Lula após sua eleição em 2002, a maior parte da estrutura do poder no Brasil é imutável.

Agora em janeiro, um resultado provável da nomeação de Pires será uma divisão de trabalho bastante sensata: o Instituto Pereira Passos focando em dados e a elaboração de políticas públicas, com atenção especial em sustentabilidade; e Pires com a responsabilidade pela execução no dia a dia, e mais a espinhosa política que acompanha essa execução.

Durante um diálogo no teatro SESC em Copacabana no dia 13 de novembro, la Rocque disse que gosta de pensar no IPP como Integrador de Políticas Públicas. Ela também está trabalhando em uma rede de portais para as favelas pacificadas, que poderão acessar informações sobre as atividades do governo e do terceiro setor nos territórios; e falou da ideia de utilizar recursos do BNDES para criar um Fundo para o Desenvolvimento de Favelas, que iria disponibilizar esses recursos para grupos das comunidades.

Como disse ao RioRealblog uma portavoz do Instituto Pereira Passo, “o objetivo da Eduarda la Rocque é fazer com  que o IPP seja, cada vez mais, um centro de excelência de prestação de serviço na área de informação da cidade e que a UPP Social seja uma grande articuladora e integradora de todas as politicas publicas (dos governos municipal, estadual e federal, além do terceiro setor) que são desenvolvidas hoje nas comunidades”.

O prefeito Paes já mexeu no secretariado. O sempre energético e entusiasmado Carlos Roberto Osório, que preparava a cidade para os megaeventos como Secretário de Conservação, foi para Transportes, um cargo central enquanto a cidade passa de transporte por meio de ônibus raquíticos, vans e automóveis a quatro grandes rotas dedicadas para ônibus articulados. O Metrô, entidade estadual, também expande.

De acordo com um colunista do jornal O Globo, a Secretária de Educação Claudia Costin, que tem se esforçado para trazer as escolas municipais a padrões aceitáveis, foi convidada para um posto no Ministério de Educação– mas o jornal O Dia diz que por enquanto ela fica no Rio. Recentemente, ela se encontrou numa situação difícil, quando pais e alunos protestaram a demolição programada de uma escola– uma das melhores– perto do Estádio de Maracanã.

Jorge Bittar, Secretário de Habitação, já saiu do cargo por motivos políticos relacionados com a políticia interna do Partido dos Trabalhadores, substituído pelo subsecretário Pierre Alex Domiciano Batista. Não se espera grandes mudanças ali, apesar da remoção ter suscitado um sentimento de injustiça nas áreas afetadas. Houve críticas à Secretaria pela má comunicação e a falta de organização, e parece que houve pouco debate sobre políticas públicas tais como a moradia de renda mista (alunos de pós-graduação da Universidade de Columbia fizeram um estudo do assunto para a Secretaria, visando a área portuária, até agora sem resultados concretos).

E pode ser que o Secretário de Urbanismo Sérgio Dias seja forçado a deixar o cargo, de acordo ao jornal O Globo, por ter viajado ao Caribe às custas de um consórcio que ganhou uma concessão para surprir esgoto na Zona Oeste.

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Social needs: a third try

Vice-mayor to take on Rio’s biggest challenge

Sources close to Adilson Pires, Rio’s vice-mayor elect, say that in January he’ll preside over a newly baptized secretariat, meant to address social needs in all of Rio de Janeiro.

The existing municipal Secretaria de Assistência Social (Secretariat for Social Aid), they say, will become the Secretaria de Desenvolvimento Social (Secretariat for Social Development).

So far, social needs have been riding a merry-go-round. Created in April 2010 to accompany the state’s police pacification program, the Social UPP was originally part of the state government’s social assistance and human rights secretariat. In December of that year, the governor handed the unit over to the city, which set up the Social UPP inside the Pereira Passos Institute (IPP  is the Portuguese acronym), responsible for the city’s data and strategic planning. Now, it looks as though the Social UPP will be affected in some way, since Pires is meant to be responsible for social needs across the city, including the current 28 pacified favelas and other areas.

Just this past August, the city moved its highly capable Finance Secretary Eduarda la Rocque to the presidency of the Pereira Passos Institute, after previous president Ricardo Henriques, who had started out with the Social UPP under state aegis, left to run the Unibanco Institute in São Paulo; and his replacement, José Marcelo Zacchi, departed for IETS, a Rio urban thinktank. Under la Rocque, Tiago Borba was Social UPP coordinator, but he’s now moved to São Paulo to work with Henriques.

The Social UPP’s brief has been to map social needs and existing facilities, and coordinate the work of municipal agencies. Originally, those agencies  were told to give top priority to the needs of pacified favelas.

It’s not clear just how effective the Social UPP has been. No impact study has been carried out. The unit partners with the UN Habitat program, training local residents to map their communities, naming every alley and byway. The mapping is key to the process of meeting social needs, and, as Douglas Mayhew points out in his groundbreaking new book of text and stunning photos, Inside the Favelas, helps to prevent the return of violent drug trafficking by bringing favelas into the daylight.

But the common perception in Rio is that social needs in pacified favelas have yet to be adequately met. State Public Safety Secretary José Mariano Beltrame always points out that his occupation and proximity policing program will not be enough to ensure that Rio’s turnaround will deepen and last. The new 5 x Pacificação documentary, partly funded by the state government, delivers the same message.

The sources close to Pires say that city agencies have stuck to their own agendas and suffer from inertia. Even the most basic and widespread problem in favelas, trash, still plagues residents, despite the fact that Comlurb developed a motorized tricycle to negotiate steep alleyways and get to the garbage.

Pires, a six-time city councilman and founding member of the PT, the Workers’ Party, is no newcomer to issues of political power in Rio. A resident of the West Zone Vila Aliança housing project, to which South Zone favela residents were removed in the 1970s, he came up through Catholic Church community organizing.  He’s a strong defender of newly-reelected mayor Eduardo Paes, and has been an effective bridge between the executive and the City Council. He proposes a new income transfer program to help families of crack users so they’ll help them to kick the habit.

Money is no object when it comes to social needs (or anything, really) ever since la Rocque cleaned up the city’s finances, with the budget now twice what it was four years ago, at R$23 billion, or about US$ 11.5 billion, equivalent.

“The Social UPP didn’t have political power. Adilson will,” said one source, who adds that the veep may become Rio’s next mayor in the 2016 election.

The Workers’ Party has also been moving to get into the governor’s seat, in the 2014 vote. Although current governor Sérgio Cabral and his PMDB party plan on his veep Luís Fernando de Souza, or “Pezão” (Bigfoot), as successor, the PT supports Senator Lindbergh Farias, who  as mayor of nearby Nova Iguaçu from 2005-2010 pulled together a risk-taking and innovative staff, many of whom have gone on to key roles in Rio itself. With Farias and Pires in office, Rio could see a move to the left in some policies– though, as President Lula discovered on his 2002 election, most of Brazil’s power structure is quite unyielding.

This January, a likely outcome of Pires’ appointment will be a quite logical division of labor: the Pereira Passos Institute focusing on data and policy development, with an eye towards sustainability; and Pires responsible for everyday policy execution and the politics that go along with that.

At a dialogue held at the SESC theater in Copacabana November 13, la Rocque said she likes to think of the Portuguese acronym IPP as standing for Public Policy Integrator. She’s also working on an internet network of pacified communities, which will be able to access information on government and NGO activity in their areas; and spoke of borrowing funds from the BNDES, the National Development Bank, to set up a Favela Development Fund that would in turn make resources available to local groups.

As a Pereira Passos Institute spokesperson told RioRealblog, “Eduarda la Rocque’s goal is to make the IPP more and more of a center of excellence for the provision of services in the area of information regarding the city, and … an important articulator and integrator of all public policies (of municipal, state and federal, as well as those of the third sector), now developing in communities”.

Mayor Paes has already made some changes among his secretaries. The ever-energetic and enthusiastic Carlos Roberto Osório, who was readying the city for the megaevents as Conservation Secretary, has moved over to Transportation, a central job as the city shifts from rickety buses, minivan and automobile transportation to four major dedicated lanes for articulated buses. Rio’s Metrô, a state entity, is also expanding.

Education Secretary Claudia Costin, who has been working to bring the city’s schools up to acceptable standards, was reportedly asked to take on a position at the Education Ministry in Brasília— but O Dia newspaper says she’ll stay in Rio for now. She recently found herself in a spot, as parents and students protested the planned demolition of a city school– one of the best– attached to Maracanã stadium.

Jorge Bittar, Housing Secretary, has already left his post for political reasons having to do with internal Workers’ Party politics, with undersecretary Pierre Alex Domiciano Batista taking his place. Not much is expected to change there, despite the fact that urban relocation is creating a feeling of injustice in affected areas. The Housing Secretariat’s organization and communication have been criticized, and little thought seems to have been given to policies such as mixed income housing (Columbia University graduate students made a study of this for the Secretariat with regard to the port area, but results remain to be seen).

And City Planning Secretary Sérgio Dias may be forced to leave his post, according to O Globo newspaper, for having traveled to the Caribbean at the expense of a consortium that won a bid to provide sewage collection in the West Zone.

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Livros com esgoto

Festa internacional de literatura numa favela pacificada

For Books with sewage, click here

“É cretinice!” desabafa uma mulher na fila para a Kombi que vai a Santa Teresa, partindo do Largo do Machado. “Um monte de política.” Ela faz cara feia, recrutando uma penca de rugas. “Não há saneamento—e fazem– isso!”

Isso é a FLUPP, a Festa Internacional de Literatura das UPPs.

Tão importante quanto o que está dentro da cabeça é o que está desenhado na cabeça

À medida que o Rio se afasta de uma longa fase de decadência, palpiteiros não faltam. Os acomodados se tornam críticos.

A bordo de uma abafada, acabada e barulhenta Kombi circa 1985, com porta de correr automática e ao som de um DVD de pagode, a subida para o morro é meio parecida  com a falta de saneamento – junto com — “isso!”.

E assim, entre os dias 7 e 11 de novembro, no Morro dos Prazeres, uma das 28 favelas pacificadas até agora, sem saneamento (e com banheiros químicos para os participantes da festa), aproximadamente 2.400 pessoas curtiram cinco dias de debates, apresentações, palestras e celebração de livros, palavras e leitura. Desse número, noventa haviam já participado de quatro meses de preparativos em 13 favelas, a FLUPP Pensa. Essa série de mesas literárias e workshops selecionou 43 escritores cujos trabalhos acabaram de ser publicados em uma antologia lançada na FLUPP.

Por uma coincidência curiosa,  o saneamento básico também é um problema na festa literária anual mais conceituada do país, realizada em Paraty. Lá, a maré sobe e o esgoto se insinua, apesar dos investimentos feitos por moradores que incluem a família Marinho da Rede Globo e herdeiros da linhagem imperial portuguesa, a família Orleans e Bragança.

Compartilhar é tudo

Aquela festa, a FLIP, realizada todo mês de julho ou agosto desde 2002, atrai dezenas de milhares de bibliófilos (incluindo nomes como Salman Rushdie, Ian McEwan, Gary Shteyngart, Nadine Gordimer e Isabel Allende) à histórica cidade colonial entre o Rio de Janeiro e São Paulo, e já gerou muitas outras, em cidades como Ouro Preto e Porto de Galinhas.

Ir à FLIP pode sair caro, somando gastos com passagem, estadia, comida e transporte. A FLUPP, ao contrário, é de graça – graças a patrocinadores como a Petrobrás, o Ministério da Cultura, o governo do estado do Rio de Janeiro, a Vale, o Itaú, o Instituto C&A, a Firjan e as instituições culturais britânica, portuguesa e espanhola. O evento custou R$ 2 milhões.

Os organizadores da FLUPP Toni Marques, Júlio Ludemir e Écio Salles, com a Baía da Guanabara de fundo

A Kombi ziguezagueia na subida para Santa Teresa, parando para deixar passageiros nas entradas de favelas, das quais há mais ou menos quinze nesse bairro alto, que se estende do centro da cidade até o Cosme Velho.

Por fim, grafiteiros empoleirados em escadas e música para requebrar acolhem quem chega, um tanto  enjoada, ao pé do Morro dos Prazeres.

À distância de uma curta caminhada para cima está uma mansão no estilo arte déco, o Casarão, agora um centro cultural. Logo mais à frente, uma escadaria especialmente grafitada para a festa, uma praça de alimentação improvisada e, finalmente, a área principal da FLUPP, a quadra da comunidade.  Não tem cheiro de esgoto, e lixeiras rotuladas e enfileiradas estão disponíveis para receber lixo reciclável. Ainda assim, cachorros catam comida do chão.

Ah, e tem uma vista maravilhosa

Dentro da quadra, ventiladores de pé lançam um spray de água gelada ao ar, e duas paredes estão cobertas de samambaias, para dar um alívio ao calor. Tem um bar vendendo álcool! Ao lado, um barbeiro apara cabelo, fazendo desenhos e letras nas cabeças, como era moda nos Estados Unidos na década de 1980 e agora é moda aqui, atualmente, entre os dançarinos de passinho  e outros jovens de favela. Enquanto isso, o escritor Francisco Bosco, a jornalista Marta Porto e Luiz Eduardo Soares, antropólogo e ex-secretário de segurança pública do estado, conversam sobre conhecimento e sabedoria diante de um público de todas as idades.

“Está tudo se encurtando,” comenta Monique Nix,uma jovem escritora do FLUPP Pensa, durante a sessão de perguntas e respostas. “De romances ao Twitter. Para onde vamos com isso?”ela pergunta aos palestrantes, integrantes de um elenco que conta com os notáveis escritores brasileiros Ariano Suassuna e João Ubaldo Ribeiro, o rapper líbio MC Swat, o escritor alemão Thomas Brussig, o escritor mexicano Juan Pablo Villalobos, o poeta palestino Najwan Darwish, o escritor espanhol Manuel Vilas e o britânico criador de jogos, Naomi Alderman, dentre muitos outros.

Conhecimento e sabedoria

Lindacy Menezes, uma empregada doméstica de 55 anos de idade, nascida em Pernambuco e moradora da Rocinha, tem sua vez ao microfone para dizer que os workshops da FLUPP a ajudaram a começar a escrever sua história de vida. “Não conheci meus pais,” ela explica, antes de ler alegremente, em voz alta, uma folha escrita à mão. Depois, ela conta que reduziu seus dias de serviço de cinco para três, para poder escrever. “Meu marido e eu ganhamos o suficiente, ,” ela completa.

Menezes autografa a antologia da FLUPP

Mais tarde, o poeta Geraldo Carneiro demonstra uma euforia que, apesar de certamente não ser compartilhada pela raivosa mulher na fila da Kombi, provoca reflexão: “Tudo de valor nesta cidade vem da favela”.

E sente-se a comunhão no ar, quando a poeta e performer afro-brasileira Elisa Lucinda, usando um curto vestido vermelho de chamar a atenção de qualquer um, diz que quando alguém fala para ela “não repare” quando adentra uma casa, ela responde “eu reparo, eu reparo tudo”.

As histórias na antologia mostram que ela não está sozinha, com descrições de drogas, armas, abuso sexual, de como é ter cabelo ruim e da vida nas mãos do “Robocop”.

Yakisoba, cachorro quente e cuzcuz

Seguindo o precedente da FLIP, os organizadores da FLUPP mobilizaram os moradores do Morro dos Prazeres durante os quatorze meses de preparativos para o evento. Metade da equipe de cem pessoas que trabalhou no festival era composta por moradores.

Écio Salles, um dos organizadores da festa, espera que o governo federal brasileiro elabore uma política pública nacional para apoiar festas literárias como essa, para espalhá-las por todo o país.

Tantos leitores e escritores

Enquanto isso, é verdade que falta atenção ao saneamento básico. O jornal O Globo relata que apenas 28% de todos os municípios brasileiros têm uma política de saneamento básico (o que não significa necessariamente que eles tenham tratamento e disposição do esgoto adequado para seus moradores).

O grupo de ativismo digital MeuRio tem exigido que a empresa de esgoto e água do Rio, CEDAE, forneça saneamento 100% aqui.

Dançarinos de passinho marcam presença, esperando para arrasar no palco à noite

Um pedido do RioRealblog à CEDAE para uma lista de obras de saneamento em favelas (que abrigam um quinto da população), atuais ou planejadas, levou a uma troca surreal com um assessor de imprensa da empresa. “Ah, tem muitas,” ele disse numa conversa telefônica inicial – para em seguida, enviar uma descrição da admirável despoluição das lagoas da Barra e do Recreio dos Bandeirantes, da Lagoa Rodrigo de Freitas e da Baía de Guanabara.

Ao ser lembrado que a pergunta era sobre favelas, ele logo enviou uma lista de comunidades onde a CEDAE está trabalhando para fornecer água. Ao ser lembrado que a pergunta era sobre esgoto, ele disse que o esgoto em favelas era responsabilidade do município. De qual secretaria?

MC Swat solta o rap em árabe

“É Rio Águas, acho” ele disse no último e-mail. Essa fundação realmente cuida de tratamento de esgoto na Zona Oeste, de acordo com o website. Porém, sua função principal é a prevenção de enchentes…

“O saneamento é importante,” diz Salles, organizador da FLUPP, no conforto de uma sala com ar condicionado, para palestrantes, quando perguntado sobre o que diria à mulher medonha na fila da Kombi.”Saúde e educação, também.” Ele suspira. “Não sei fazer saneamento. Não ter uma coisa não quer dizer que você não poder ter outras. O conhecimento pode formar pessoas mais preparadas para cobrar o saneamento.”

Após a publicação deste post em inglês, RioRealblog teve a oportunidade de perguntar tanto à representante do PAC, ao nível estadual, Maria Gabriela Bessa; e à presidente do Instituto Pereira Passos, Eduarda La Rocque, do município, sobre o saneamento básico nas favelas. O PAC, disse Bessa, já fez obras de saneamento e fara outras, nos locais onde trabalha: Complexo do Alemão, Rocinha, Manguinhos e Pavão-Pavãozinho. La Rocque disse abertamente que a cidade ainda precisa enfrentar a questão em ampla escala, explicando que em 2007, o então prefeito César Maia assumiu a reponsabilidade pela coleta e tratamento de esgoto nas favelas, mas que pouco foi feito desde então. Quem sabe, é uma boa ideia mesmo manter o nariz num livro.

Tradução de Rane Souza

 

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Books with sewage

An international literary festival in a pacified favela

“It’s just a bunch of cretinice [idiocy]!” exclaims a woman in line for the VW bus up to Santa Teresa, from the Largo do Machado. “A lot of politics.” She makes an angry face, marshaling a bounty of wrinkles. “No sanitation– and– that!”

That is the FLUPP, the International Literary Festival of the UPPs, or pacified favelas.

Just as important as what’s in a head, what’s on a head

As the city moves away from its long phase of decadence, Rio is aburble with second-guessers. Complacency gives way to criticism.

On board a stuffy, crumbling, creaking circa 1985 VW bus avec  automatic door-slider and pagode-on-the-DVD-player, the ride up the hill is also kind of like no sanitation –and– “that!”.

And so, in Morro dos Prazeres sans sanitation (and with porta-potties for festival participants), one of 28 key pacified favelas, about 2,400 people last week grooved on five days of debates, presentations, talks and celebration of books, words and reading. Of these, 90 earlier participated in a four-month 13-favela runup, FLUPP Pensa. This series of literary panels and workshops culled 43 writers whose work was just published in an anthology launched at the FLUPP.

Funnily enough, sanitation is also an issue at Brazil’s premiere annual literary festival, in Paraty. There, the tide rises and the sewage creeps in, despite investments made by local residents that include Rede Globo’s Marinho family and scions of Portugal’s Orleans e Bragança royal line.

It’s all about sharing

That festival, the FLIP, held every July or August since 2002, draws tens of thousands of book folk (including the likes of Salman Rushdie, Ian McEwan, Gary Shteyngart, Nadine Gordimer, and Isabel Allende) to the historic colonial town midway between Rio de Janeiro and São Paulo, and has spawned many others, in cities such as Ouro Preto and Porto das Galinhas.

Attending the FLIP can be expensive, what with tickets, lodging, food and transportation. The FLUPP, in contrast, is free– thanks to sponsors such as Petrobras, the Ministry of Culture, the Rio de Janeiro state government, Vale, Itaú, C & A, Firjan, and British, Portuguese and Spanish cultural institutions. It cost US$ 1 million, equivalent.

FLUPP organizers Toni Marques, Julio Ludemir and Ecio Salles, with Guanabara Bay in the background

The van zigzags up a main road to Santa Teresa, stopping to let off passengers at entrances to favelas, of which there about fifteen in this hilltop neighborhood that stretches from downtown to Cosme Velho.

At last, graffiti artists on ladders and hipswinging music greet the nauseated arrival, at the foot of the Morro dos Prazeres.

A short walk up, sits an art deco mansion, the Casarão, now a cultural center. Then comes a specially graffitied stairway, an improvised food court and finally, the FLUPP’s main venue, the community’s covered sports area. There’s no smell of sewage, and a row of labeled bins await sorted recyclable trash. Still, dogs pick at food on the ground.

Oh, and there’s also a stunning view

Inside the sports area, tall fans spray the air and two walls are covered in ferns, alleviating the heat. There’s a bar, selling alcohol! And to one side, a barber trims hair, making designs and letters on scalps, as was the fashion in the U.S. in the eighties and is here, now, among passinho dancers and others favela youth. Meanwhile, writer Francisco Bosco, journalist Marta Porto and Luiz Eduardo Soares, anthropologist and former state public safety secretary, chat about knowledge and wisdom before an audience of all ages.

“Everything seems to be getting shorter and shorter,” comments Monique Nix, a young FLUPP Pensa author, during the Q & A session. “From novels, to Twitter. Where are we going with this?” she asks the speakers, part of a lineup that also featured the noted Brazilian writers Ariano Suassuna and João Ubaldo Ribeiro, Libyan rapper MC Swat, Germany’s Thomas Brussig, Mexico’s Juan Pablo Villalobos, Palestinian poet Najwan Darwish, Spain’s Manuel Vilas, and British games creator, Naomi Alderman, among many others.

Knowledge and wisdom

Lindacy Menezes, a 55-year-old Pernambuco-born maid who lives in Rocinha, has a turn with the microphone to say the FLUPP workshops helped her to start writing her life story. “I never knew my parents,” she explains, before gleefully reading aloud a handwritten page. Later, she explains that she’s cut back her workweek from five to three days, so she can write. “My husband and I make enough, we can afford it,” she adds.

Menezes autographs the FLUPP anthology

Later, poet Geraldo Carneiro evinces a euphoria that, while certainly not shared by the angry woman in the VW bus line, is provocative: “Everything of value in this city comes from the favela”.

And you can feel the communion in the air, as Afro-Brazilian poet and performer Elisa Lucinda, in a short flashy red dress, says that when people tell her não repare (don’t notice [the mess], a common plea to visitors), as she walks into someone’s home, she says, eu reparo, eu reparo tudo.

The stories in the anthology prove she’s not alone, with descriptions of drugs, guns, sexual abuse, what it feels like to have “bad” hair, and life at the hands of “Robocop”.

Yaki soba, hot dogs and cuzcuz

Following a precedent set by the FLIP, FLUPP organizers involved residents of the Morro dos Prazeres during 14 months of preparation for the event. Half of the festival’s 100-person team was local.

Ecio Salles, one of the festival’s organizers, hopes that Brazil’s federal government will draft a national policy to support literary festivals like this one, to spread them all over the country.

So many readers and writers

Meanwhile, more thought could really be given to sanitation. Today’s O Globo reports that only 28% of all Brazilian municipalities have a sanitation policy (which doesn’t necessarily mean they have adequate waste treatment and disposal for their residents).

The digital activism group MeuRio has been agitating for Rio’s sewage and water company, CEDAE to provide this here.

Passinho dancers in attendance, waiting to strut their stuff at night

A RioRealblog request to the state water and sewage company, CEDAE, for a list of sanitation works in favelas (home to a fifth of the population), ongoing and planned, brought on a surreal exchange with the company’s press rep. “Oh, there are lots,” he said during an initial phone call– and then proceeded to send a description of the laudable cleanups of the lagoons of Barra and Recreio dos Bandeirantes, the Lagoa Rodrigo de Freitas, and Guanabara Bay.

Reminded that the question was about favelas, he then sent a list of communities where CEDAE is working to provide water. Reminded that the question was about sewage, he said that sewage in favelas is the city’s responsibility. Which secretariat?

MC Swat raps in Arabic

“I think it’s Rio Águas,” he said in a last email. That foundation does do some sewage, in the West Zone, according to the website. But its chief responsibility is flood prevention…

“Sanitation really is important,” says FLUPP organizer Salles, in the respite of its air-conditioned green room, asked what he’d say in response to the creepy lady in the VW bus line. “So are health and education.” He sighs. “I don’t know how to do sanitation. Just because you don’t have one thing doesn’t mean you have to go without the other. But knowledge can prepare people to demand sanitation.”

After this post was written, RioRealblog had the opportunity to ask both state-level PAC representative Maria Gabriela Bessa and the city’s Pereira Passos Institute President, Eduarda La Rocque, about sanitation in favelas. The PAC, Bessa said, has and will carry out sanitation work in the areas where it’s present: Complexo do Alemão, Rocinha, Manguinhos and Pavão-Pavãozinho. La Rocque admitted that the city has yet to address the issue on a broad scale, explaining that in 2007, then-mayor César Maia took on the responsibility for favela sewage collection and treatment, but little was done. So perhaps it’s best to keep our noses in books.

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O que quer o morador de favela? Novo estudo na Cidade de Deus

Infraestrutura em primeiro lugar, seguido de educação e saúde

For What do favela residents want? New study in City of God, click here

No dia 26 de outubro, a Fundação Getúlio Vargas apresentou os resultados de um estudo pioneiro que pretende alavancar a integração das favelas e da cidade formal para o século XXI. Usando a Tecnologia de Informação e Comunicação, ou TIC, oferecendo prêmios e trabalhando com parceiros locais, o estudo Melhora Comunidade contou com a participação de 658 entrevistados que responderam a uma pesquisa online. A Fundação Ford e o Banco Mundial custearam o estudo.

Cidade de Deus, que abriga 60 mil pessoas, recebeu a segunda Unidade de Polícia Pacificadora do Rio de Janeiro, em fevereiro de 2009. O local se tornou  famoso pelo filme homônimolançado em 2002, que retrata a comunidade nos seus primeiros anos. Cidade de Deus ocupa a 113ª colocação no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano, dentre as 126 áreas do Rio, com uma taxa de apenas 0,751. A renda per capita é R$ 648,00 e a expectativa de vida média é de 66,6 anos.

Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da FGV, disse a repórteres que o intuito do estudo era provar que, mesmo em áreas com inclusão digital relativamente fraca, é possível usar a TIC para facilitar a interação entre cidadãos e governo. Ele disse ainda que o objetivo imediato do estudo era criar um projeto-piloto de pesquisa online em lanhouses, “facilitando um rápido feedback das políticas públicas, no caso, do programa das UPPs”.

Apesar de a maioria das favelas contar com associações de moradores, algumas bastante atuantes, no Brasil não é comum envolver os cidadãos na formulação de políticas públicas. As autoridades preferem governar de cima para baixo. O recém-reeleito prefeito Eduardo Paes neste ano ignorou mecanismos de participação existentes e criou um Conselho da Cidade ad hoc para debater e, no final das contas, aprovar seu Plano Estratégico. Poucos, ou talvez, nenhum conselheiro,  more em favela, apesar de 20% da população carioca residir na cidade informal.

A habilidade digital se espalha

Os jovens brasileiros de todas as classes socioeconômicas passaram rapidamente do videogame para o Orkut (até desbancando os falantes de inglês) e depois, para o Facebook. Com mais de 60 milhões de usuários de Facebook, o Brasil representa a segunda maior comunidade, atrás apenas dos Estados Unidos, e seguido da Índia. (O Brasil também é um dos maiores paises no LinkedIn, com quase nove milhões de usuários, de acordo com o site SocialBakers).

O estudo também se propôs a testar estratégias de mobilização com ferramentas de TICs; ouvir as opiniões dos moradores sobre a instalação das Unidades de Polícia Pacificadora e as mudanças e qualidade dos serviços públicos na comunidade; detectar o consumo de novos modelos de mídia e, principalmente, “testar a validade e vantagens em termos de custo e benefício de usar lanhouses para avaliar políticas públicas”.

De acordo com o SEBRAE, o Brasil tem aproximadamente 109 mil lanhouses. Em contraste, o país conta com apenas cinco mil bibliotecas públicas.

Porém, à medida que os brasileiros adquirem smartphones e PCs, cai o uso da internet fora de casa. Segundo Lemos, a frequência nas lanhouses chegou ao ápice em 2007 aos 47%, e no ano passado já estava em 39% .  Por esse motivo, a equipe do estudo também trabalhou com parceiros locais e alguns entrevistados foram contatados diretamente via Twitter Facebook. Há sete lanhouses na Cidade de Deus.

A metodologia do estudo usou comparações de pares (pairwise) e permitiu que os entrevistados sugerissem respostas, que podiam ser incluídas nos pares mais adiante na pesquisa. Por se tratar de uma enquete online, a população do estudo não reflete fielmente a população total de Cidade de Deus, com entrevistados jovens representando quase 75% do total.

A maioria dos entrevistados, 59%, relatou sentir-se mais segura na comunidade após a pacificação. Do total de 658 participantes, 26% disseram que melhorias são necessárias na área de infraestrutura (mais especificamente, saneamento básico e coleta de lixo); 17% apontaram educação (principalmente, mais creches e educação de melhor qualidade) como a maior carência; e 12% escolheram a saúde (a prioridade seria mais médicos nas clínicas e nos hospitais).

Muitas outras preferências foram apresentadas no estudo, resumidas aqui.

Os entrevistados preferem a internet e a televisão a qualquer outro tipo de mídia, com o Facebook e as notícias em geral sendo os maiores atrativos da internet.

Gerenciando a participação

Lemos disse que a equipe do estudo espera trabalhar em parceria com a UPP Social e o Instituto Pereira Passos, agência gestora desse programa, enquanto essas instituições pesquisam as necessidades dos moradores de favelas pacificadas. Existe a possibilidade de que a metodologia do estudo seja aplicada no Haiti e no Marrocos.

Os resultados da pesquisa oferecem um quadro fascinante do comportamento digital, em tão rápida transformação, e das preocupações da comunidade em uma parte da cidade há muito tempo negligenciada pelos pesquisadores e formuladores de políticas públicas. Mas, em uma sociedade que tende a administrar as reivindicações por priorizar cidadãos de maior poder aquisitivo e com mais influência nos círculos políticos, essa metodologia “limpa” corre o risco de limar a bagunça do debate público, e as contribuições práticas de moradores.

Certamente, é muito mais fácil somar resultados de uma pesquisa online, por exemplo, do que responder com transparência à oposição comunitária expressa durante uma audiência pública de seis horas de duração, sobre uma proposta governamental de extensão do metrô.

Quando perguntado sobre isso, Lemos disse que o estudo poderia ajudar as comunidades a adotar o modelo de orçamento participativo, como é feito em Porto Alegre.

Enquanto isso, alguns cariocas estão usando a internet para fazer mais do que se expressar quanto a hipotéticas políticas públicas.  Na semana passada, quase sete mil pessoas colocaram seus nomes em um abaixo-assinado online criada pela ONG de ciberativismo Meu Rio para deter a demolição planejada de uma escola pública que seria substituída por instalações anexas ao estádio de futebol Maracanã.  E, amanhã, 8 de novembro, os estudantes, os pais e os professores planejavam estar presentes em uma audiência pública sobre o assunto.

Assista a um vídeo sobre o estudo aqui.

Tradução de Rane Souza

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What do favela residents want? New study in City of God

Infrastructure is tops, then education and health

Last week the Getúlio Vargas Foundation presented the results of a pioneering study that aims to leapfrog community improvement into the twenty-first century. Using information and communication technology, or ICT, the Melhora Comunidade (Improve Community) study drafted 658 respondents to answer an online survey, by offering prizes and working with local partners. The study was funded by the Ford Foundation and the World Bank.

Home to 60,000, City of God received the city’s second police pacification unit, in February 2009. Made notorious by the 2002 movie that showcased the community’s early years, it ranks 113th out  of 126 areas in Rio in terms of the Human Development Index, at only o.751. Per capita income is R$ 648 (US$ 324 equivalent) and average life expectancy is 66.6 years.

The Center for Technology and Society Director Ronaldo Lemos told reporters that the study hoped to prove it’s possible to use ICT to help citizens and government interact, even in areas where digital inclusion is relatively weak. The study’s immediate goal, he added, was to create a pilot case for online research in local internet cafés, “facilitating rapid feedback on public policies- in this case, the police pacification program”.

Although most favelas have neighborhood associations, some quite vibrant, community participation isn’t an everyday factor in the formulation of public policy in Brazil. Government officials favor top-down administration. This year, newly reelected mayor Eduardo Paes sidestepped existing participatory mechanisms and created an ad hoc City Council to debate and ultimately approve his Strategic Plan. Few, if any, members of the council live in favelas, although twenty percent of Rio proper’s 6 million population do.

Keyboard literacy spreads

Young Brazilians of all socioeconomic classses have moved quickly from videogames to Orkut (which they basically took over, from English speakers) to Facebook. With more than 60 million Facebook users, Brazil ranks second only to the United States, and is followed by India. (Brazil is also a top LinkedIn country, with almost nine million users, according to SocialBakers.)

The study also set out to test ICT mobilization strategies; learn about resident perceptions regarding pacification unit implementation and public services; detect new media consumption models, and, notably, “test the validity and advantages, in terms of costs and benefits, of using internet cafés to evaluate public policy”.

Brazil has about 109,000 Lanhouses, or informal internet cafés, according to Sebrae, a small-business support agency. In contrast, the country offers only 5,000 public libraries.

But internet usage outside the home is dropping, as Brazilians acquire smartphones and personal computers. Lanhouse use peaked in 2007 at 47% and dropped to 39% last year, according to Lemos. For this reason, the study also teamed up with local partners, and reached out to respondents directly via Twitter and Facebook. There are seven Lanhouses in City of God.

The survey methodology used pairwise comparisons, and allowed respondents to suggest answers which could then be included in the pairs. Because it was online, the survey skewed the respondent population towards youth, which ended up representing almost three-fourths of the total.

A majority of respondents, 59%, said they feel safer in their community after pacification. Of the total 658 respondents, 26% said that improvement is needed in the area of infrastructure (water and sewage and trash pickup, in particular); 17% ranked education (especially more day care and better quality education) above all else; and 12% chose health (more doctors at clinics and hospitals, as a priority).

Many other preferences were expressed in the survey, summarized here.

Respondents prefer the internet and television to all other media, with Facebook and news in general being the top modes of internet usage.

Managing participation

Lemos said that the study team hopes to work closely with the municipal Social UPP program and its umbrella agency, the Instituto Pereira Passos, as they determine residents’ needs in pacified favelas. There is also a chance that the study methodology will be applied in Haiti and Morocco.

The survey results provide a fascinating picture of rapidly changing digital behavior and of community concerns in an part of the city long neglected by researchers and policymakers. But, in a society that tends to manage demands by prioritizing citizens with greater economic power and political connections, its neat methodology carries the risk of excluding messy public debate and hands-on local input.

It is certainly, for example, simpler to tabulate online survey results than to respond with transparency to community opposition expressed during a six-hour public hearing on a proposed state government metro extension.

Asked regarding this, Lemos said that the study could help communities move in the direction of participatory budgeting, as developed in Porto Alegre.

Meanwhile some cariocas are using the internet to do more than express preferences on hypothetical policy choices. This past week, almost 7,000 people signed an online petition created by the digital activism NGO Meu Rio, to stop the planned demolition of a public school to make way for a new sports facility attached to the Maracanã soccer stadium. And Nov. 8, students, parents and teachers plan to attend a public hearing on the matter.

Watch a video about the survey here.

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Rio, uma ilha de relativa segurança num mar de vulnerabilidade

Nada menos que dez países vizinhos

For Rio, an island of safety in a sea of vulnerability, click here

“O Brasil tem seis mil quilômetros de fronteira seca, uma área totalmente vulnerável, nove mil quilômetros de mar territorial, e um rio com extensão de quatro mil quilômetros,” disse na semana passada o Secretário de Segurança Pública do Estado, José Mariano Beltrame, à plateia de um painel do Global Economic Symposium, realizado  no Rio de Janeiro neste ano pela Fundação Bertelsmann e pelo Instituto Kiehl para a Economia Mundial.

“É muito difícil,” ele acrescentou. “Armas, drogas e munição em massa não são produzidos no Brasil, muito menos no Rio de Janeiro […] O país tem que ter uma política muito clara, nacional, de proteção de suas fronteiras […] Esse problema não está sendo enfrentado de maneira visível, com resultados que possam ser avaliados pela população. Respinga para os estados.”

Em seguida, Beltrame trocou de alvo, do governo federal brasileiro para outros países.

“Nosso inimigo número um é o fuzil automático, mas nós não temos fuzis automáticos nacionais; esse equipamento vem de fora, dos Estados Unidos sobretudo. O país produtor deveria prestar contas dessa transação. Pior do que arma é a munição, porque a munição se compra reiteradas vezes. Há mecanismos para achar essas armas. Os países têm condições de fazer isso,” ele disse.

Um mais um é igual a…

É impossível ouvir essa fala e não imaginar algum participante  de um raivoso grupo sectário, seita ou minoria étnica aportando no Rio durante os Jogos Olímpicos, arrumando facilmente uma arma, subindo ao topo de um prédio e dando uma de Lee Harvey Oswald, em uma delegação a caminho de uma competição.

O que não seria exatamente um estímulo ao turismo no Rio de Janeiro.

O estado e a cidade do Rio de Janeiro são politicamente alinhados com Brasília, mas o discurso de Beltrame demonstra brechas. Elas, somadas à negligência de longa data, levaram a uma situação, o RioRealblog soube recentemente, em que o país dispõe de uma base incompleta de dados sobre crimes, faz a prevenção de crime utilizando mais a presença estática policial do que patrulhas em movimento, colhe inteligência por grampos e monitoramento de celulares, patrulha fronteiras dependendo de telefonia celular (e por consequência, de cobertura por antenas) para a comunicação de longa distância e mapeamento de posicões, e faz um monitoramento marinho insignificante na Baía de Guanabara. Também, há pouco combustível para o monitoramento fluvial, em boa parte do país.

No ano passado, o Brasil experimentou seu pior desastre natural, com 800 mortes nas enchentes que assolaram a serra do estado do Rio de Janeiro. Seis meses depois, durante um debate do OsteRio, uma procuradora-geral do estado que trabalhara na serra como voluntária relatou sua experiência,. “Lá estavam vários secretários, muita gente, autoridades federais, estaduais, municipais, cada um com sua agenda, todo mundo defendendo seu feudo”, disse Denise Muniz de Tarin. “A coisa só funcionou quando chegou um general. Colocou um mapa na mesa.”

Segundo Muniz de Tarin, o mapa datava de 1975.

Equipamento: como usar? Quem vai usar? Em parceria com quem? Comunicando como?

Em agosto, o secretário Beltrame disse ser “só ouvidos, totalmente ouvidos” para saber quanto o estado do Rio irá receber do governo federal, para a segurança pública durante a Jornada Mundial da Juventude e a visita papal em 2013, a Copa das Confederações da FIFA também em 2013, a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016.

Na época, o jornal O Globo cobriu o assunto, em função de uma reunião em Brasília para tratar da segurança dos mega eventos.

O jornal disse que, de acordo com a Secretaria Especial para Grandes Eventos do Ministério de Justiça, o orçamento nacional de 2012-2014 para a compra de equipamentos e para o treinamento é de R$ 1,17 bilhão. O secretário especial, Valdinho Caetano, declarou que o governo federal compraria equipamentos para as secretarias estatais de segurança pública. Pressupõe-se que a maior parte dos recursos será do Rio de Janeiro, mas ainda não está claro como esses recursos serão gastos.

“Queremos uma nova forma de fazer segurança, de forma integrada, com a interface de órgãos federais, como a Abin e os órgãos estaduais, com a troca de informações,” disse ele ao Globo. “Quem vier ao Rio para os eventos, vai encontrar tranquilidade, como vimos em Londres. E a população do Rio pode esperar que a segurança irá ficar, haverá um legado.”

Desde aquela reunião de agosto dos secretários estaduais de segurança pública e das autoridades federais, a única novidade (com algumas poucas exceções) é que, no início de setembro, o governo federal autorizou o estado do Rio a aumentar sua captação de recursos em R$ 7 bilhões,  sendo que parte desses recursos será direcionada à compra de equipamentos de segurança pública. Não houve mais nenhuma menção pública quanto às interfaces—ou de treinamento de diversas agências em conjunto, ou de planejamento e coordenação integradas.

“A negociação com a União foi importante, porque agora há garantias de que haverá uma modernização da PM, de viaturas até uniforme de trabalho, passando pela reformulação do conteúdo lecionado nas academias das polícias,” um porta-voz da polícia disse ao RioRealblog. A segurança de mega eventos em si, o porta-voz frisou, é constitucionalmente uma responsabilidade de Brasília. As forças locais de segurança pública devem atuar no resto da cidade.

Independente de como o dinheiro for gasto, com certeza existe muito desafio dentro das várias instituições e entre elas. A Polícia Federal brasileira, responsável pelas fronteiras do país, sob jurisdição do Ministério da Justiça, fez greve por mais de dois meses neste ano, reivindicando um aumento salarial, entre outras demandas; O Globo chamou a greve de a maior paralisação na história da organização.  A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros do estado do Rio estiveram de greve no início deste ano.

A Polícia Federal diz que está sobrecarregada e que é preciso criar  uma nova instituição para cuidar da imigração, que aumentou muito nos últimos anos principalmente por causa da indústria de petróleo, que precisa de pessoal estrangeiro – sobretudo no Rio.

O Rio de Janeiro já avançou muito na área de segurança pública, mostrando o caminho para os outros 26 estados do país. Esse é um dos motivos para a cidade ser considerada um local apropriado para mega eventos. Também já deu exemplo no sentido de maior coordenação entre várias forças policias.

Orgulhosos de suas amizades afetuosas, tanto no âmbito pessoal quanto diplomático, os brasileiros evitam imaginar aqui o tipo de ataque que ocorreu em 1972 durante os Jogos Olímpicos, quando palestinos mataram israelenses em solo alemão. E não existe grande preocupação com bombas em solas de sapato. Isso é óbvio quando se passa incólume e calçado pela revista de segurança de qualquer aeroporto, enquanto os fiscais jogam conversa fora, sorriem e desejam boa viagem ao viajante.

A preocupação não ocupa lugar de destaque no repertório brasileiro. Demorou-se uns bons quinze anos para se  implementar o uso de cintos de segurança, o que aconteceu no final das contas apenas pela aplicação de multas pesadas. O uso do cinto no banco de trás ainda é raridade.

Mas, quanto à segurança nacional, Beltrame é um homem preocupado. O que só pode ser coisa boa para o Rio de Janeiro.

Houve alguns comentários entre leitores do blog em inglês, sobre a declaração do secretário com respeito à proveniência de armas no Brasil. O assessor de  comunicação social da Secretaria Estadual de Segurança Pública fez o seguinte esclarecimento: 

“O Brasil produz e exporta armas pequenas e leves (rifles de assalto, revólveres e pistola). As três maiores fabricantes Taurus, CBC e Imbel triplicaram a receita de vendas, no período de 2005 a 2010, que atingiu a marca de R$ 1,8 bilhão.  A cifra também contabiliza as exportações armas de guerra, granadas, munições. O país é o maior exportador de armas da América Latina e o 4º do mundo.

Provavelmente, o secretário se referia ao fato de que a maioria dos fuzis apreendidos com os narcotraficantes é de fabricação estrangeira. Os fuzis AK-47 e AR-15 não são fabricados ou utilizados pelas forças de segurança no país, que tem exclusividade com as indústrias nacionais cujo produto é o fuzil Fal ou Para-Fal, calibre 7.62.”

Tradução de Rane Souza

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